quinta-feira, 17 de abril de 2008

...eu não gosto do novo acordo ortográfico. Já o havia dito e volto a repetir.
Agora descobri que Egipto vai perder o "p" e eu, que sempre o pronunciei, não só terei de deixar de o escrever, como terei de deixar de o pronunciar, alterando a sonoridade da palavra.
Ainda bem que o novo acordo é só para simplificar a aprendizagem... O que seria se não fosse?!
E pronto! Lá andavam eles ontem, com as suas fardas assinadas pela Fátima Lopes, a passar multas e a rebocar os carros estacionados em 2ª fila, sobre os passeios e sem talão da EMEL válido. Acho bem. Não os talões da EMEL, que isso de pagar espaço público a uma empresa privada sempre me fez confusão, mas o não cumprimento do código da estrada deve ser multado.
Pena que sejam apenas acções pontuais, perdidas no tempo e que depressa caem no esquecimento...
No outro dia coloquei aqui uma mensagem sobre o medo e no meio dos comentários surgiu algo que ajudou a desanuviar e como o tema volta a ser notícia, aqui fica uma adaptação:
Carjacking!
O nome sugere um daqueles desportos radicais género rafting, skating, hiking, backtracking, carjacking, tricking, Snorkeling, Bungee jumping, ou Sky diving. Vêem?! Nem se dá por ele na lista.
Vai na volta... ainda criam escolas de sucesso, onde os telemóveis serão permitidos, sobretudo se forem dos donos do carro, sala de aula por excelência, aonde se darão disciplinas como:
Código da estrada - Conhece o inimigo para o poderes vencer. Condução Evasiva - Curso adiantado. A biologia do Corpo Humano - E as suas reacções a extremas velocidades. Comunicação Oral - Como intimidar de forma eficaz o dono do carro. Mecânica - Curso avançado em Engenharia Tiro - Como não te atingires a ti mesmo. (esta cadeira pode ser substituída por um relatório de 100 páginas sobre a Televisão, a sua programação e a acção na sociedade. Ginástica - Mente sã em corpo são. Ioga - mantém a calma enquanto tiras a dos outros. Que vos parece?

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Estou farta e começo a irritar-me a sério com este hábito (creio que judaico, ou cabalístico - na realidade nem quero saber), de atribuir interpretações telúricas a tudo quanto é número.

No outro dia ouvia alguém dizer, com grande surpresa (imagine-se), as conclusões que havia tirado das medidas da pirâmide de Quéops. Mas fê-lo com uma tal desenvoltura, que fiquei com a impressão de estar perante um Russel Crow ainda não "oscarizado".

O que pregava era algo semelhante a: "A altura da pirâmide é a raiz quadrada do número dado pela superfície de cada um dos lados, em côvados, não em metros, que também faz referência à pequena pirâmide, que seria de ouro e que estava no topo da pirâmide mãe, multiplicando novamente, por 10 elevado à quinta, dá o perímetro da circunferência equatorial." Por amor ao universo!

CHEGA! Qualquer número, multiplicado, elevado, "enraizado", subtraído, somado, dá obrigatoriamente, outro número. Qual é o fenómeno?!

Até eu consigo fazer isso, querem ver? Partindo da minha data de nascimento: 11 - 04 - 1976, obtemos a data da suposta descoberta (não achamento) do Brasil. Como? Simples : 11 + 4 = 15 que multiplicado por 10 ao quadrado, dá 1500.

Como sabemos que as descobertas foram feitas pelos sucessores dos templários e estes grandes cabalísticos, quase que aposto que foram eles que fizeram com que eu nascesse neste preciso dia... só para chatear a minha mãe que estava a dormir descansada e não queria sentir dores.

Que a força fique convosco.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Estou com alguma dificuldade em simpatizar com os pedidos de boicote aos Jogos Olímpicos de Pequim e não me acusem de não simpatizar com a Causa Tibetana, da qual sou acérrima defensora.
Para começar, nunca percebi a necessidade de actos negativistas tendo em vista um resultado positivo. Para mim os meios são tão ou mais importantes que os fins. Sim a Martin Luther King, Não às Panteras Negras. Sim à Paz, Não à Luta Contra a Fome; à Guerra. Se o objecto é a paz e a abundância, porquê caminhar pela guerra, lutas, violência e privação? Tenho dificuldade em simpatizar com o boicote ao Jogos Olímpicos, apenas porque é boicotar algo positivo. Como posso eu estar de acordo com isso? Os Jogos Olímpicos, para além de festival religioso da Grécia Antiga, foram também criados para criar um período de tréguas na guerra (Paz, mesmo que temporária), onde as diversas Cidades Estado, mostravam as suas capacidades atléticas, trazendo, de forma sã, orgulho e prestígio à sua nacionalidade, em clima de paz e harmonia. Sou daquelas tontas que chora quando vê as cerimónias de abertura dos Jogos. Cinco Continentes unidos numa mítica Pangeia, com um único objectivo, isento de politiquice, idiossincrasias, ideologias, religiões. É uma alegoria que me emociona, que me faz vibrar. O próprio símbolo de cinco continente unidos num só, é per si, motivo para ser sempre a favor dos Jogos Olímpicos. Como posso eu menosprezar o maior país do continente asiático, se ele é uma das argolas? Posso, isso sim, condenar a sua política, a falta de respeito pelos direitos humanos, pela invasão do Tibete, da falta de liberdade religiosa e cultural, mas não lhe posso negar o direito a pertencer ao Mundo, a um continente e como tal, o pleno direito de organizar os Jogos Olímpicos deste ano. Estaria a menosprezar uma coisa boa em prol de outra, igualmente boa, e logo, uma anularia a outra. A defesa do Tibete, dos direitos humanos, da liberdade religiosa e cultural, não podem ter por base um caminho negativo, mas sim iluminado. Como posso continuar a defender um boicote a uma coisa boa, quando provavelmente, estou a utilizar um computador que tem mais de 50% de componentes "Made in China", quando ainda ontem comprei uma calças de marca, supostamente francesa, mas cuja etiqueta dizia "Made in China"? Que moral temos nós? Que moral tem o Mundo? É engraçado verificar que alguns dos manifestantes das imagens que nos chegam, vestem camisas de Che Guevara. Que moral têm eles de condenar uma coisa boa, apenas porque é oferecida por alguém "mau"? Com um bocado de sorte as etiquetas da t-shirt, dos ténis e dos jeans, também dizem "Made in China", mas ali estão eles em defesa de um povo oprimido, elogiando outro ideal, igualmente opressor. Em forma de conclusão, apenas digo que sou pelo ideal dos Jogos Olímpicos e esses são superiores aos seus organizadores. Apoiar os Jogos Olímpicos de Pequim, são uma forma de defender a liberdade religiosa e cultural. É uma forma de obrigar a China a ver o outro lado da moeda.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Estou farta de ouvir toda a gente dizê-lo constantemente. É como uma sinfonia cacofónica, estridente, pós-moderna, de sons que saltam das gargantas dos interlocutores, deslizam pelos seus lábios e voam na direcção das minhas desmesuradas orelhas, percorrem toda a elíptica rampa, entram no pequeno túnel e batem no tímpano, ricocheteando para o meu cérebro: “Têm que te amar, por aquilo que és!”
Coitados!

Tenho a certeza que as intenções são as melhores, que as pessoas não pretendem o mal de ninguém quando o dizem, mas a verdade é que esta velha frase, não apazigua quem a ouve, muito pelo contrário. Se já leram até aqui, acompanhem o meu raciocínio por um pouco.

As pessoas amam e gostam de quem é agradável à vista e fácil na convivência. Preferem pessoas bonitas e amáveis, de grande empatia, que as compreendam, que concordem, que se deixem levar. Por isso, quando dizem: “As pessoas têm que gostar daquilo que és!”, não estão, na realidade, a colocar a bola no outro campo, apenas estão a reforçar a ideia de que temos que ser bonitos, simpáticos, empáticos. Estão a colocar, mais uma vez, a bola nos nossos pés e esperam que não falhemos o próximo passe.

Sim, dizem que têm que gostar de nós pelo que somos, mas pressupõem que as pessoas vão gostar do que somos e de que somos o que as pessoas gostam. Mas a maioria das vezes não gostam e não somos o que os outros pretendem que sejamos.

Eu daria tudo para que alguém incluísse nessa velha, mas não cansada frase de motivação despropositada, apenas uma, reparem que digo “apenas” uma palavra, para que o meu cérebro percebesse o som transportado pelo ar como: “As pessoas têm que te amar, apesar daquilo que és!” Aí sim! Aí o passe teria sido feito na perfeição e a bola estaria agora no campo do adversário, à espera do ângulo perfeito, do pontapé certo, da força na medida exacta, para encontrar as redes da baliza e fazer golo. Aí, todo o esforço ficaria do outro lado e estaria apenas dependente da vontade, da capacidade quase sobre-humana, de alguém amar outra pessoa, apesar de tudo.

Confuso?!

Bem, é assim que a minha mente trabalha, agora depende de vocês gostarem ou não.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Nos últimos tempos tenho visto em tudo quanto é lado o apelo ao medo. Os jornais atiram com notícias sensacionalistas de pavor e pânico nas ruas, fazendo crer que basta colocar o pé fora de casa para sermos assaltados, ou vítimas de um novo desporto radical a que teimam chamar "carjacking".
As pessoas andam na rua cheias de medo, telefonam umas às outras a dizerem: "Tem cuidado, não saias à noite, nunca sozinha!", etc... etc... e tal. Ensinam aos filhos a disciplina do medo e transmitem os seus próprios receios aos outros. OK. É verdade que as coisas estão a caminhar para algo mais estranho, mais complicado, mas não devemos ser nós, a ter medo. Quem deve ter medo, são os próprios assaltantes, ladrões, gatunos. Eles é que devem de ter medo das repercussões dos seus actos. Nós não temos que alterar o nosso estilo de vida, apenas para que eles se sintam menos tentados. Agora ter medo?! Ter medo de viver, de sair, de caminhar, de contemplar a lua?! Talvez tenha mais um pouco do que tinha antes, é verdade. Sempre aprendi que os verdadeiros heróis não são os que não têm medo, mas sim aqueles que o superam. O medo é essencial para nos manter atentos, para introduzir no nosso corpo a dose certa de adrenalina que nos faz superar os obstáculos. O importante é dar-lhe apenas o lugar que ele merece: Despertador de coragem. E eu quero ter coragem de viver e de não me deixar encarcerar pelos bandidos.

sábado, 29 de março de 2008

Há quanto tempo não ouvem esta expressão? Petrodolar? Algumas expressões caem em desuso, mas não deixam de fazer sentido por isso. Petrodolar significa que o negócio do petróleo está tão intrisecamente ligado aos EUA, à sua economia e à sua moeda, que não existe outra forma de negociar o crude sem ser com notas verdes dos filmes de Hollywood, e ainda hoje é assim. O barril de crude é negociado em dólares e esse valor continua a subir de dia para dia. Esta é a verdade 1.

Agora a verdade 2: Para todos os países, incluindo nós europeus (leia-se portugueses), o preço do petróleo é importante; aumentando o seu preço, quase tudo o resto aumenta.

Facto 1: Em 2000, 1 dólar valia pouco mais de um euro. Mas ao longo de oito anos, o velhinho e gigante dólar é mais pequeno que o forte e vigoroso adolescente euro. 1 euro vale cerca de 1,5 dólares.
Verdade 3: Quando ouvimos falar que o barril de crude hoje custa 102 dólares, podemos ser levados a pensar (sim, o governo assim quer) que para nós europeus (leia-se portugueses) também custa mais, ou menos, 102 euros, mas não é verdade. Um barril de crude a 102 dólares custa-nos a nós...tcharan...mais, ou menos, 66 euros.
Facto 2: Não quero ser linear, até porque Einstein baralhou isto tudo com a teoria da relatividade, mas quase que aposto, com "relativa certeza", que esta verdade 3 é uma verdade que muita gente quer apelidar de mentira (como eu gosto de uma verdade falaciosa), mas não é. O petróleo custa-nos hoje, a nós europeus (leia-se portugueses), aproximadamente o mesmo que nos custava em 2000; contudo ouvimos os nossos políticos afirmar diariamente que com o aumento do preço do petróleo aumenta inflação e, consequentemente, o nosso custo de vida.
Longe de mim chamar mentiroso a alguém, mas quando alguém diz uma "inverdade" , não estará a mentir?
Agora imaginem a política como uma corrida no fim da qual existe um prémio para quem mais "inverdades" disser sem parecer mentiroso. Quem acham que ganharia?

Dica: Alguém que nunca falha aos treinos

Nota: taxas e valores aproximados ao dia da mensagem

Nota2: É quase um título de Blog intelectual, hein?!

sexta-feira, 21 de março de 2008

Quando acordei deparei-me com um lindo dia azul. Um daqueles dias, que nos faz recordar os contos de fadas, de florestas encantadas, de paisagens bucólicas e não pude evitar de me recordar um texto que li há alguns anos. Por isso decidi partilhar com vocês.

A Primavera

Ai, que lumes e perfumes! Ai, como riem os prados! Ai, que alvoradas se ouvem! (Romance popular) No meu entredormir matinal, irrita-me uma endiabrada gritaria do rapazio. Finalmente, sem poder dormir mais, levanto-me, desesperado, da cama. Então ao olhar pela janela aberta, vejo que quem faz barulho são os pássaros. Saio para o horto e dou graças a Deus por este dia Azul. Concerto livre de bicos, fresco e sem fim! A andorinha ondula, caprichosa, o seu gorjeio no poço; o melro assobia sobre a laranja caída; de fogo, o verdilhão palra no sobreiro; o chamariz ri longa e finamente no alto do eucalipto; e, no pinheiro grande, os pardais discutem desaforadamente. Que manhã! O sol põe na Terra a sua alegria de prata e de ouro; borboletas de cem cores brincam por toda a parte, entre as flores, dentro de casa, na fonte. O campo abre-se em estalidos, encrepitações, num fervedouro de vida nova e sã. É como se estivéssemos dentro de um grande favo de luz que fosse o interior de uma imensa e cálida rosa acesa.

Juan Ramon Jimenez - "A Primavera", do livro "Platero e Eu".

quinta-feira, 13 de março de 2008

Bem alto e em plenos pulmões. Gritar o meu desespero, a minha revolta, de forma audível e inconfundível, para que todos a conheçam. Eu sou a primeira a admitir os meus erros ortográficos (alguns são mesmo de estimação) e de usar, uma ou outra, liberdade gramatical (por vezes dá jeito), mas não consigo compreender, nem compactuar com o novo acordo ortográfico aprovado. Mas nada a fazer! Mais dia menos dia, serão lançados no mercado os novos dicionários da língua portuguesa, (quem diria que eu iria necessitar de um dicionário para saber escrever as palavras que sempre escrevi...), cheios de "palavras mais fáceis de escrever", explicam os entendidos, que "une os diversos portugueses falados pelo Mundo", (e eu para aqui a pensar que a língua era uma só e que já nos unia, numa suave lusofonia), que é como quem diz: o tradicional e o brasileiro.

Mas vou tentar fazer entender-me. O meu problema, começa todo com a ideia do "Mais fácil". Porquê mais fácil? O que temos agora é complicado? Não o falamos e escrevemos desde tenra idade? Porquê alterar o código de escrita? É que da última vez (e já lá vai algum tempo, viva a TV Cabo!) que eu mudei da SIC para a TVI e da TVI para a SIC em horário nobre, a diferença de sonoridade dos portugueses falados, era muito diferente e desculpem-me, mas a minha sonoridade é muito mais fechada, do que o português cheio de vogais abertas, falado pelos brasileiros. Consequentemente, ao escrevermos as palavras da mesma forma (ou de forma aproximada), as minhas vogais irão fechar-se ainda mais. Devo ser das poucas pessoas que ainda escreve "Baptista" e não "Batista", é porque se não sabem o som é diferente, apesar do "P" mudo. Devo ser das poucas pessoas (pelo que vejo escrito em todo o lado) que ainda acha que se conta às crianças "Histórias de encantar" em vez de "Estórias de encantar". Estória?! Esta palavra sugere um sucedâneo de Estore, algo que se coloca nas janelas para tapar o sol. Que diz "Contínuo" e não "Continuado", "Morto" e não "Matado", "Liberto" e não "Libertado". Eu quero dizer ACTOR, ACTRIZ, ACTO, ACTUAR, abrindo a letra "A" sem ter que a decorar como uma árvore de natal. Ela fica tão linda casada com o "C", supostamente mudo! Mas não!
"Temos que simplificar, criar pontes, todos nos temos que perceber. "
O que acontecia até agora? Vivíamos numa Torre de Babel? Ainda bem que existem diversas pronúncias, adoro um sotaque. Mas mudar o português? O português é só um... Chamem-me "Velha do Restelo"; agarrada ao passado e a fantasmas! Digam-me que o Português é uma língua viva e que, por isso, evolui! Digam tudo isso e muito mais, que eu continuarei a achar que isto é um erro crasso.
"Simplificar! Unificar!"
Então simplifiquemos, unifiquemos e falemos todos INGLÊS. É que apesar do Inglês ser uma língua bárbara, privada de diversidade de tempos verbais, de determinantes e adjectivos, acentos, pontuações e outras coisinhas que complicam uma língua, segundo os especialistas, está cheia de vantagens em relação ao Português. Não acreditam?! Aqui estão apenas algumas:
  1. Ecológica: Como tem menos palavras, tempos verbais, determinantes e poupam nas letras, acentos e pontuação, utiliza menos tinta de caneta e toners e, consequentemente, menos papel,
  2. Rápida: por todas as razões acima apresentadas e tenho a certeza que ainda arranjava mais algumas,
  3. Única: ficaria mais de metade do Mundo a falar a mesma língua.
Mas a melhor de todas é que é também mais Económica; é que com o Inglês, não tenho que comprar um novo dicionário; já lá tenho um na estante. Que me dizem?! Eu, por enquanto, apenas digo:
HAAAAAAAAAAAAAAAH (reparem na utilização do H mudo, não foi um acaso)

segunda-feira, 10 de março de 2008

...há alguns dias a questionar-me porque não conseguia definir o homem que procuro e hoje dei por mim a perguntar como posso eu descrever-me e por incrível que pareça, apenas as coisas negativas, ou com as quais eu não estou contente, surgiram automaticamente, nos meus pensamentos, como se fosse um casamento que não deu certo, os empregos e oportunidades que deixei escapar o mau humor, quando não durmo o que devia, o não ter nenhum relacionamento amoroso, digno desse nome desde o meu divórcio; ou o meu corpo, as características que realmente me definem. Li uma vez que quando andamos assim perdidos na nossa identidade não devemos insistir.

O melhor é mesmo, afastarmo-nos das questões complicadas e começar por um exercício simples: realizar uma lista de tudo aquilo que gostamos.

É inacreditável como depressa nos apercebemos da pessoa que somos quando vemos uma lista daquilo que gostamos, em vez daquilo que nos irrita.

A lista que saíu foi esta:

Gosto de escrever, é o meu refúgio, a minha forma de expressão; gosto de café; gosto de limão; gosto de tartes; gosto de filmes, de cinema; gosto de teatro; gosto tanto de ler, que sou incapaz de dizer que livro gostei mais; gosto de viajar, nem que seja na minha mente; gosto de estar em casa, de voltar para casa; gosto de companhia; gosto da solidão e do silêncio; gosto de Arquitectura e de História; gosto de rir de mim própria e com os outros; gosto de elogios, apesar de não saber o que fazer com eles; gosto de África e das suas terras encarnadas; gosto do cheiro que a chuva deixa no ar e do cheiro de livros antigos; gosto de andar a pé; gosto de chorar, liberta; gosto de crianças, das minhas e dos outros; gosto de Samba, Bossa Nova, Jazz e de Fado, gosto dos meus amigos e de estar com eles; gosto de comprar para os outros, mais do que para mim; gosto do Natal; gosto das desculpas para ter todos os amigos e famílias reunidos, nem que para isso tenha que inventar pretextos; gosto de rotinas, só assim posso ter o prazer de as quebrar; gosto de festas de gala; gosto de qualquer festa; gosto de telefonemas de família; gosto das discussões da minha família (admitam: ninguém tem razão); gosto de saltos altos; gosto da liberdades dos rasos; gosto de desportos radicais; gosto de adrenalina; gosto da minha família; gosto dos familiares que ficaram para trás (nunca os deixei de amar); gosto de trabalhar; gosto de organizar; gosto de stress q.b.; gosto de dançar; gosto de cães, gatos e cavalos; gosto de corpos masculinos em forma; gosto de um corpo quente junto meu ao deitar; gosto de perfumes de homem; gosto de beijos e de ser acordada com eles, ou de acordar alguém com; gosto de vinho e boa comida; gosto de cozinhar; gosto de receber os meus amigos e família em casa; gosto das manhãs; gosto das tardes; gosto das noites; gosto do calor, do sol e do mar; gosto do campo; gosto de amar; de perdoar; gosto de sentir; gosto muito de viver.

Agora tirem as vossas conclusões. Tenho a certeza que algumas serão de chorar a rir...


sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Tenho andado às voltas com diversos projectos paralelos, o que me tem deixado algo à deriva em relação a alguns deles. Se consultaram o blog do Tragofadonossentidos, já devem ter reparado numa nova peça de teatro, que aliás tenho que colocar um link aqui também, mas para além dessa empresa, estamos a terminar uma outra para o Verão e eu, não sei porque carga d'água, comecei um novo livro.
Pensei que seria engraçado colocar o livro aqui, como se fosse um género de "test drive", mas receio, porém que seja algo difícil de conceber, pois irá tornar-se confuso intercalar os meus desabafos e pensamentos, com cenas do livro (bem se vê que tenho teatro e o cinema na cabeça, até o livro é dividido em cenas), mas vou ver o que se arranja. Acho que podia ser engraçado, ficar logo a saber da opinião de quem eu mais prezo, quase em tempo real. O que me dizem?

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Nunca fui grande adepta das mensagens escritas por telemóvel, a não ser que sirvam, unicamente, para fazer uma comunicação cuja resposta seja sim, ou não. Sempre achei que acabava por ser mais rápido pegar no telefone, dizer o que queria à pessoa do outro lado, ouvir o que essa pessoa tem a dizer e esclarecer logo tudo, o que tiver que ser esclarecido, pois sempre que utilizei os "sms" para conversas, estas prolongaram-se por eternidades, as coisas não ficaram esclarecidas e houve, quase sempre, algum tipo de mal entendido.
Isso sempre foi algo que me fez alguma confusão, pois sempre considerei a "palavra escrita", cristalina, pura e isenta de segundas intenções. Quando se escreve um "Não", a palavra não pode, não deve, ter outro sentido para além do "Não". Quando se diz "Não", muitas vezes esse "Não" pode ser irónico, algo que é normalmente acompanhado por uma inflexão na voz, um riso nos lábios, um piscar de olho, um movimento qualquer do corpo que acompanha o som da palavra e que transforma um "Não", num "Sim", num "Talvez".
Quando lemos uma longa narrativa, também conseguimos depreender novos significados a trechos inteiros, a palavras ou frases. Mas quando uma mensagem fica reduzida a umas dez palavras, apresentadas numa forma simplificada de escrever, não pode ter espaço a segundas interpretações, a metáforas ou ironias. Mas tem! Não sei bem como, mas tem! As palavras são mal interpretadas, ganham segundos significados que nunca passaram pela cabeça de quem as escreveu e ficam diminuídas a um significado que apenas diz respeito à própria personalidade de quem as leu.
Nas aulas de Português, ninguém compreendia porque tínhamos que saber a vida do autor (algo mais relacionado com a cadeira de História), antes de lermos a sua obra. Mas um professor (não me recordo do ano, pois para mim foi sempre o meu professor de português, independentemente de todos os outros que tive), explicou, com toda a naturalidade com que as coisas lógicas merecem, que tal acontecia, porque tínhamos que ver a sua obra com os seus olhos e não com os nossos. Se mais tarde nos identificamos com os sentimentos e ideias do autor, óptimo, mas se não, então as palavras do escritor, são as palavras do escritor e não um reflexo do que nós queremos que elas sejam, ou da nossa alma.
Creio que a maioria das pessoas esqueceu-se dessa lição (eu também), ou então, nunca a compreenderam. Se o tivéssemos feito, nunca leríamos um "Não" como um "Sim" e nunca acharíamos que algo escrito por outra pessoa (que muitas vezes o faz a contragosto), pudesse significar algo diferente daquilo que as palavras significam.
Quando uma pessoa escreve, está a finalizar um acto pensado, reflectido e preparado. Pensar que essa escrita, esse código, está aberto a interpretações resultantes de uma "transpolação"(será que esta palavra existe?) de sua própria personalidade, é um erro crasso.
O escritor na altura que escreveu, já sentiu, pensou, racionalizou e definiu o que queria. Mais tarde, pode vir a pensar, sentir e racionalizar outra coisa oposta, mas o significado da palavra que fora anteriormente escrita, não altera a não ser que outras palavras sejam de novo escritas como culminar desse novo processo.
Bem, mas já divaguei demasiado e a conclusão deste desabafo é que: Nunca mais vou trocar mais do que 2 mensagens sobre o mesmo assunto, com a mesma pessoa. E sim, isto foi resultado de um processo no qual senti, raciocinei (quem diria!) e codifiquei.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Não foi de propósito mas que calha bem com a comemoração do dia de S. Valentim na próxima semana, calha.

No outro dia pediram-me para que descrevesse o meu homem ideal, aquele que eu não teria qualquer dúvida de que poderia vir a ser o pai dos meus filhos e eu fiquei sem resposta. A verdade é que nem sempre sabemos o que procuramos, ou melhor, sentimos o que queremos, mas não o racionalizamos. Na maioria das vezes, sabemos de cor, as características que não queremos, mas torna-se mais complicado, quando toca a dizer, claramente, o que realmente queremos.

Creio que isso se deve ao facto de acharmos que a nossa cara metade anda por aí, perdida, à deriva, tal como nós; gaivotas pairando no ar à procura da próxima corrente de ar quente e que chegada a altura, uma determinada altura, uma hora prevista por uma força qualquer invisível, os dois seres se irão encontrar, reconhecer-se e encaixar por artes mágicas. "Quando tiver que acontecer, acontece", é o que todos pensamos, mas e se não fôr?! E se realmente existir uma outra metade para a nossa laranja (e aqui são livres de pensar em qualquer outro fruto, ou forma geométrica) e se a tal "força" que teima em não se mostrar, a colocar no nosso caminho e nós não a reconhecermos? Será que a ausência de características por nós consideradas negativas é o suficiente para reconhecermos alguém?

Um amigo disse-me que não existem acasos do destino, que as pessoas quando se apaixonam, não foi por causa do destino, mas sim porque naquele momento se sentiam "Apaixonantes". Na altura dei a importância que poderia dar a uma questão daquelas, mas agora, depois da minha incapacidade de dizer o que eu quero, coloquei-me a pensar: seria aquilo apenas uma nova forma de dizer que temos de gostar de nós para que outros também gostem? Que temos que emitir energias, vibrações, hormonas, (ou seja lá o que fôr), que transmitamos aos outros que nos achamos dignos de se apaixonarem por nós, para que realmente tal aconteça? Mas isso não deita abaixo toda a outra teoria que existe (e esta é a expressão que mais gosto) um tampa que encaixa na nossa panela, automaticamente?

Pelo sim, pelo não e não vá a ausência de características negativas ser suficiente, para reconhecer o que nos está destinado, já comecei a fazer uma listagem de tudo aquilo que procuro num companheiro.

Quem sabe, ainda não o venho partilhar convosco...

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

É impressão minha ou este Carnaval ficou muito próximo do Natal? Mal tenho tempo para respirar. Bem mas este ano tenho que cumprir uma promessa. A minha sobrinha pediu-me para mascarar com ela e eu tive a infeliz ideia de dizer que sim.


Pensei muito no que iria vestir, inclusivamente pensei em vestir apenas umas roupas velhas e dizer que seriam a máscara de qualquer coisa, mas não. Fiz uma promessa e vou cumpri-la com todo o brio e garbo. Acabei por pensar numa máscara de pirata e é isso que vou ser naqueles 3 dias de folia, Uma Mulher Pirata.


Sempre dá para pensarmos noutras possibilidades, em universos paralelos e em: " E se?!"


Sou da opinião que todos os dias usamos uma máscara, uma máscara que fomos aperfeiçoando ao longo dos anos de vida, de forma a defendermos-nos do que nos rodeia, de forma a criarmos uma maior sensação de segurança em relação ao Mundo. Muitas vezes essa máscara não corresponde com o que realmente somos ou queremos ser, no Carnaval temos hipótese de escolher algo que se aproxima mais desse outro Eu, que tanto almejamos.


Divirtam-se!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

 
DSCF1250 Custa tanto. Passo muito tempo a preparar o Natal, a escolher as decorações, cada uma das coisas que vou oferecer, o serviço de mesa que vou usar, os talheres que combinam a toalha exacta, o centro de mesa perfeito e em menos de nada, já é um novo ano, os Reis já passaram e fica o trabalho de tudo arrumar.

Mas mesmo assim, com todo o trabalho e um aperto no coração por ter terminado, posso afirmar que valeu a pena. Foi óptimo ter a família reunida, a mesa farta, as músicas, o calor da casa cheia, até mesmo os 4 kilos que ganhei valeram a pena. Ficaram as recordações de sorrisos, abraços e lágrimas e um elixir que nos enche de forças para mais um ano que já iniciou e que terminará, indubitavelmente, com outro Natal e outra festa de passagem de Ano.

A todos vocês, família e amigos do meu coração, que contribuíram para que este fosse outro grande Natal: OBRIGADO!

A todos os Outros: um Feliz Ano de 2008 e que consigam tudo o que mais desejam.

Não se esqueçam que todos os milagres começam com um pensamento!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Nunca é. Mas que é compensador, não tenho qualquer dúvida. Mais tarde irei colocar aqui, imagens do meu Natal, por enquanto fica aqui uma ideia.

A verdade é que com o emprego, os amigos e a família, estou quase a uma semana a tentar acabar a decoração da minha casa e ainda faltam duas divisões e alguns pormenores que ficam sempre para mais tarde. Mas está a ficar bonito. No entanto o meu sonho de um Natal Victoriano teve que ser adiado para dias melhores, por este ano fizemos algo que está entre o Natal tradicional português e o Mundo Fantástico do Natal, dedicado única e exclusivamente à coqueluche da família: a minha sobrinha de 6 anos, Iara. No outro dia falava com um amigo em como era importante criar o espírito correcto de Natal nos petizes. Ele, que tem uma filha linda, disse-me; como é que isso é possível, se mesmo para comprar um calendário do advento num hiper-mercado, apenas se consegue encontrar com figuras do Nody, da Puka, da Hello Kitty e afins, remetendo as crianças para o consumismo de merchandising destes "Bonecos Marca"? Realmente é difícil, mas não impossível e ontem tive a prova disso mesmo, quando às seis e quarenta e cinco da manhã, a minha sobrinha veio ter comigo à cama, acordou-me e disse: "Não achas que estás a dormir demais? Ainda temos muita coisa para fazer. Temos que acabar de decorar a sala grande (sala de jantar da minha casa), temos que pintar as pinhas para as argolas dos guardanapos e ainda tenho que escolher um brinquedo antigo meu, para dar a outras crianças que não têm. Despacha-te tia."

Ela é uma menina linda e de bom coração, sempre pronta a ajudar, mas sempre pronta a pedir também, mas enquanto fazia a carta para o Pai Natal disse: "Eu sei que ele não vai poder dar-me tudo, existem muitos meninos, mas se me der apenas um já é bom, não fico chateada. Todos temos que contribuir, para que todos possam ter um pouco." Isto foram literalmente palavras dela, palavras tão crescidas para quem tem meia dúzia de anos.

Esta foi sem dúvida e ainda antes do dia 25, o melhor presente que eu poderia ter recebido.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Por esta altura do ano, eu já sei muito bem que tipo de decoração eu quero para o Natal, mas este ano ando um pouco à toa. Meti na minha cabecinha romântica que queria um Natal Victoriano e isso meus amigos, é mais complicado do que parece. Quando vemos os filmes dos anos 50, parece tudo simples, que basta uma ramadas verdes, fitas de veludo bourdeaux, grinaldas de pipocas e velas por todo o lado, para que a decoração fique pronta... mas parece que é muito mais do que isso. Em primeiro lugar estou com dificuldade em encontrar ornamentos a que ache realmente piada, e os que eu acho giros, têm preços que me fazem fugir. Em segundo lugar, tenho a sensação de que vai parecer uma decoração feita pela minha avó (que tinha muito bom gosto, tanto quanto sei), mas definitivamente, talvez não seja a decoração mais actualizada.
Sei que parece estúpido perder tempo com estes problemas, mas para mim, estes pequenos detalhes, são a minha forma de comunicar, de mostrar aos outros que me preocupo com eles, que quero que eles gozem tanto o Natal, como eu e admitamos, não há nada melhor para isso (como diz a música), do que azevinho e cheiro do peru no forno, castanhas a assar na lareira, um bolo pronto a enfeitar pousado na mesa e uma coroa na porta da casa, a desejar a todos um santo Natal.
Sei que no fim, tudo vai ficar giro, fica sempre, mas por enquanto, ainda não faço ideia do que vou fazer. Se tiverem ideias quanto a decorações Victorianas, imagens ou algo que me possam ajudar, agradeço que me deiam a conhecer.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Tanta coisa com o s 30 dias para cá, 30 dias para lá e quando realmente faltavam 30 dias para o dia de Natal, não pude escrever nada. Falhei redondamente, mas aqui estou eu, a admitir a minha culpa e a pedir a todos desculpa.
Mas aí está ele, a menos de um mês, cheio de vontade de entrar de mansinho pelas nossas casas a dentro, de nos invadir por dentro das luvas e cachecóis, fazer-nos marcar jantar de amigos, arranjar o presente ideal para ver aquela pessoa especial, desfazer-se num sorriso ao desmanchar o embrulho que demorou tanto tempo a fazer e cantar, cantar desmedidamente todos os jingles de que nos conseguimos recordar.
Agora meus senhores, é só não resistir e deixarem-se guiar pela maré de paz e boa vontade que todos podemos criar.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Ok! Eu sei. Ainda não faltam 30 dias para o Natal, mas certas coisas devem ser feitas com antecedência. Sei que parece ridículo, mas mais ou menos por esta altura, eu começo a preparar a casa para o Natal.
Descansem os corações mais aflitos, preparar não é decorar, apenas a preparo para receber as decorações e os convivas. Todos aqueles que têm uma casa a seu cargo, sabem do que falo.
Faço uma limpeza mais profunda, encero o chão, tudo o que existe para encerar ou envernizar, também tem lugar nesta data, tapo buracos na parede, retoco a pintura, endireito aquele quadro cujo prego já caiu umas 30 vezes, preparo a lareira (no meu caso é fictícia, fico-me por ir buscar os aquecedores ao sótão e colocá-los em pontos estratégicos), troco e lavo os cortinados, coloco edredons nas camas, vejo que cobertores e roupa já não uso e posso dar, vejo com os meus primos (quando eram mais pequenos) e sobrinha, que brinquedos querem doar, entre outras inúmeras tarefas que guardo sempre para estes últimos dias antes da grande decoração natalícia.

Uma das outras tradições que tenho, é por esta altura, ir até à Serra de Sintra com os mais pequenos e apanhar pinhas, troncos, musgo e tudo aquilo que nos possa parecer que vai dar uma grande decoração de Natal. Chegados a casa e depois de um chocolate quente (Lembras-te Mara? Fizemos isso algumas vezes!), lavamos os objectos, secamos, pintamos e adicionamos tudo aquilo que nos vier à cabeça, para fazer a decoração mais gira do ano. É claro que a pistola de cola quente, sprays dourados ou de neve, fitas de cetim e de veludo, dão um enorme jeito por esta altura.

Na maioria são tarefas enfadonhas, mas que me recordam que tempos de dar, convívio e receber amigos, estão a chegar e então, coloco um CD de Louis Armstrong (a batida das BigBands e os sons da martirizada cidade de St. Louis, têm um poder energético em mim), respiro fundo e após uma boa chávena de café quente, com um pitada de canela, um pão acabado de fazer com manteiga (comprado na padaria, que não tenho tempo para mais), revitalizo e começo esta necessária empresa...

Aqui fica a sugestão.

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