quarta-feira, 21 de maio de 2008


Ando tão desanimada com o meu emprego, que passo o dia a contar.

São 9 horas. Saio de casa e levo a minha sobrinha ao colégio. Ainda sobra tempo, talvez um café e 30 dias para…

São 11 horas. Entro no escritório, ligo o computador e na folha em branco (odeio espaços vazios, quase tanto quanto o Universo), anoto: 180.

180 minutos, claro está! Cento e oitenta minutos… Respondo a e-mails de clientes, refaço a agenda, faço chamadas e o meu olhar, recai no canto inferior direito do monitor: 140. Ainda 140! Mais umas chamadas, uma cliente que chega, um fornecedor, mais chamadas, muitas chamadas. No fim do dia, o telefone já se anexou ao meu ouvido, pelo processo de osmose. Mais cartas, mais alguns e-mails.

69! Penso na ironia do número, imagino como seria divertido fazer um intervalo para realizar outra actividade que aquele conjunto de algarismos sugere. Um colega traz-me à realidade, quer tirar umas dúvidas. Dúvidas esclarecidas, mais dois e-mails, mais duas chamadas.

34! Gostava mais do número anterior, mas este não vem sem vantagens. Menos de uma hora. Mais umas chamadas, um fornecedor pede uma reunião. Mais umas chamadas.
1! Um minuto. São 14 horas, vou almoçar. 


Duas horas livres.

Vou até ao ginásio, talvez uma sauna, pois não tenho tempo para mais. Isso, uma sauna e uma sandes. O meu livro, o que estou a ler e o que estou a escrever, sim, é sempre um prazer algumas páginas de ambos.
Quinze minutos para as dezasseis. Dirijo-me ao escritório. Sento-me à frente do computador e anoto: 240…184…173…163…107… (osmose completa) …91…80…48… (não vi o 69 passar) …40…28…algo me distrai, quando olho para o relógio, está na hora de sair.

Adeus contas de subtrair. Até amanhã!

Talvez vá ao cinema.

Nota: Em homenagem ao meu professor da 1ª classe que me ensinou as “contas de menos”.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

No passado dia 15 de Maio (ontem), dei por mim a ler a coluna do D. José César das Neves, no jornal Destak, do mesmo dia e fiquei com uma enorme vontade de contrapor as suas ideias, de lhe dizer que estava errado, que as coisas não são assim tão simplistas e muito menos podemos escrever com falsos moralismos.

Na altura não me recordei como poderia fazer, mas finalmente os meus neurónios trabalharam e lembrei-me do meu blog. É verdade que apenas umas 14 pessoas o lêm em média por dia e que provavelmente, serão sempre as mesmas, mas pelo menos, livro-me deste sapo que está engasgado e não consigo engolir. Pois bem, vamos por partes. No citado texto, o Dr. José Neves, criou uma explicação (para um tema sobre o qual, foi talvez obrigado a escrever), tendo por base “Um grave erro no conceito de desenvolvimento” e na realidade existe um, mas não o que foi apresentado. Para começar, houve evolução no campo das artes e do pensamento.

Se houve algo realmente novo? Não. Melhor?! Não.

Uma evolução é isso mesmo, um “up-grade” de algo que já foi criado, um sair da caixa, pensar e resolver noutro ponto de vista. Não tem que ser melhor nem pior, é apenas evolução. E já agora, Hitler, Atila, Marquês de Pombal, Nero, Inquisição Espanhola, Saddam e companhia, não têm graus de comparação, são o que são. Mas até aqui tudo bem, é uma opinião, eu também tenho a minha, aliás tenho muitas.

Contudo, ainda no mesmo parágrafo diz para finalizar, que a violação e pedofilia ainda são repudiados. Errado. Muito errado. Não é preciso voltarmos muitos anos atrás para nos recordarmos dos casamentos combinados pelas famílias, como acto socialmente aceite e recomendado. O que seriam as noites de núpcias de mulheres e homens casados obrigados, que não uma perfeita violação de vontades e corpos?

Antepassados com orientações claras? Realmente eram, mas muito mais violentas que as de hoje. Pensemos em quantas meninas casadas em fase pré-adolescente e adolescente, com homens dez, quinze, vinte, cinquenta anos mais velhos? Aqui temos um autêntico, dois em um; não só a pedofilia era socialmente aceite, como a violação do corpo e da vontade. A frase correcta teria sido: A violação e a pedofilia são hoje, as únicas práticas repudiadas.

Quanto à confusão de critérios e à liberdade, tem que convir que ninguém é realmente livre, não na nossa sociedade judaico-cristã. Que menina é hoje educada pelos seus pais para ser livre sexualmente? Não têm, hoje em dia, os pais e a sociedade o mesmo discurso que receberam da catequese, dos seus próprios pais e avós? Não apelam todos à modéstia, o reduzido número de namorados e a um casamento com filhos? Não continuam as meninas a crescer a pensar que um dia serão as princesas das suas casas, com um único príncipe encantado?

Houve realmente um período de grande desorientação sexual na história moderna e esse acabou nos anos 80, quando uma doença sexualmente transmitida ocupou o lugar do antigo Inferno: a SIDA. Até aos anos 80, sexo seguro era não fazê-lo, num carro em andamento (a frase não é minha). Por isso, sim, existe uma confusão de critérios: todos queremos ser livres, donos dos nossos corpos e buscar a felicidade, mas o nosso inconsciente está agrilhoado a um espartilho educacional judaico-cristão, que nos impede de simplesmente ser.

Enquanto no passado a pedofilia, dentro de certos parâmetros, era aceite e recomendada, hoje é simplesmente rejeitada. Por isso, sim, existe confusão. Enquanto antigamente, as mulheres eram simplesmente objectos de troca e servidão sexual, hoje têm poder, por isso, sim, existe confusão.

Confusão porque existe uma evolução, ou melhor um retrocesso de mais de três mil anos. Estude um pouco os hábitos egípcios, a sua sociedade e veja como não só existia liberdade sexual (verdadeira), como as mulheres e os homens eram simplesmente iguais em todos os campos, quer económicos, religiosos e sexuais.


"Não houve evolução nenhuma, houve apenas um retrocesso, ou quem sabe uma revolução, um retorno à verdadeira evolução.

Quanto às atrocidades raras nas tribos primitivas…creio que já está largamente explicado, não?! Orientações claras dos nossos antepassados, quanto à moral sexual? Vejamos, temos o Kama Sutra do Séc. IV é uma boa orientação. Marquês de Sade, no Sec. XVIII? Que seria do prazer sem um pouco de dor! Shakespeare, Sec. XVI?! Oh meu Deus, o que se pode ler nas entrelinhas!

Mais recentes?! Deixe-me ver… Henry Miller, no início do Séc? Marguerite Duras, desde os anos 30? Sim! Realmente não houve inovação no campo da arte, do sexo ou da religião moral e sexual. Apenas vivemos mais do mesmo, onde tudo é permitido, pois o ser humano sempre fez o que quis, mas nada é recomendado.

No entanto, devo admitir, deve ter tido muito trabalho, chegar a um nível de consciência decrépita como a sua.

A minha avó sempre disse: Se não tens nada inteligente para dizer, fica calada.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Fui hoje acordada por esta notícia e logo, logo, lembrei-me da voz da minha avó a gritar, “Oh da Guarda, Oh da Guarda! Agarrem que é gatuno!”. Numa outra fase qualquer, haveria uma Iris a bradar aos céus e a gozar com a hipocrisia do Sr., mas essa é uma Iris idealista e feliz, que vê no “Ambiente e Ar mais Puro”, batalhas dignas de esforço e dedicação. Contudo, esta outra Iris, mais crítica e cansada, acha sinceramente, que no meio de tantos actos públicos perigosos do nosso Primeiro Ministro, o de fumar num avião fretado, apenas colocou em perigo a ele e àqueles que optaram por partilhar o “crime”, sem tomarem qualquer tipo de iniciativa. (Quem me dera que sempre assim fosse!) É que: No meio de um acordo ortográfico, que coloca o meu querido Português, no papel ingrato de prostituta de luxo, oferecida como extra, numa qualquer transacção comercial e política; No meio de um país onde a inflação real, não pára de aumentar; No meio de um país onde a maioria das pessoas com ordenado mínimo, não têm condições para alugar um tecto condigno, quanto mais comprá-lo; No meio de um país, onde os jovens continuam a trabalhar sem contrato, a recibo verdes e afins; No meio de um país onde os hospitais fecham, enquanto outros, já sobrelotados, enchem-se de camas ocupadas por causas sociais; No meio de um país onde a educação é uma anedota tal, que dá títulos a quem ainda não os merece e No meio de um país onde médicos e outras profissões, supostamente bem pagas, recorrem ao Banco Alimentar; um pseudo engenheiro que por um perverso sentido de humor do universo chegou a 1º Ministro, ter fumado num avião, não me parece sequer digno de uma nota de roda pé. Mas quando não existe uma oposição decente, capaz de dar notícias que superem a importância desta, então eu desejo que o Sr. Sócrates farte-se de fumar, que fume o suficiente para que o imposto sobre o tabaco se torne auto-suficiente para a diminuição do défice e permita a baixa do imposto sobre o combustível; que fume o suficiente para provocar a si mesmo, uma qualquer deficiência respiratória, que limite o seu jogging publicitário, para que não tenha que o ver de novo de calções; que fume o suficiente para o ver ser atendido pelo nosso sistema de saúde público (como se isso alguma vez acontecesse!); que fume o suficiente para perder a voz, para que outras que tentam fazer-se ouvir, sejam finalmente audíveis e que o reinado do Sr. “Engenheiro” Sócrates, termine de vez.
Talvez seja só eu...

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Estava um dia com uma iluminação de lusco-fusco permanente. Eu caminhava de um lado para o outro, como animal enjaulado, de olhos semi-cerrados, como estratégia de filtragem da irritante luz. O comboio é anunciado e os meus olhos sorriram de alívio. Sentei-me no primeiro lugar que vi, senti-me felizarda por ir sentada. Abri o jornal. Não prestei atenção, não estava nos meus dias. Li as gordas com a lassidão própria de um Marajá. Uns números que surgiram em sub-título, 1 - 11 - 16 - 21 - 28 - e - 5 - 7, pareceram-me terrivelmente familiares, mas ao lado estava uma fofoca cor-de-rosa que parecia muito mais importante. Chegada ao Rossio, reparo que ainda faltam 45m para entrar no trabalho. Opto por tomar um café enquanto leio mais algumas páginas de um livro que estava na carteira.
O empregado reconhece-me (sou cliente habitual) e pergunta-me se já confirmei o meu jogo. Respondo que nem me recordava de tal e entrego-lhe o pequeno papel. Ele volta pouco depois com cara de caso e entrega-me dois papeis. Diz-me ao ouvido; "O melhor será ir até ao banco e depositar isto!". Não fiz caso, estava mesmo distraída. Agradeci, paguei o café e saí, sem ler nada. quando me dirigia para o metro, um raio de lucidez atingiu-me e então apercebi-me da familiaridade dos números do jornal. Olhei para o talão que o rapaz havia dado e lá estavam eles de novo. Olhei à volta. Mesmo ali nos Restauradores, uma agência da Caixa Geral de Depósitos. Dirigi-me ao Balcão (estranhamente não estive 2 horas à espera) e mostrei o talão. O Sr. sorriu, como eu ainda não havia feito e disse-me que ficasse descansada, tratariam de tudo. Assinei duas folhas e o mesmo homem disse-me que adiantariam dez milhões. Porque não?!
Telefonei ao escritório e disse que estava doente, talvez ficasse em casa a recuperar durante uns dias. Desejaram-me as melhoras e eu ri-me, alto e em bom som, quando desliguei o aparelho portátil. Finalmente festejei. Comprei coisas, muitas coisas. Coisas para mim, para os que me são próximos e para os que já nem por isso, mas comprei na mesma, podia ser excêntrica. Comprei quatro casas (sonho continuamente protelado), contratei arquitectos e uma empresa para as recuperar segundo as minhas instruções. Comprei quatro carros, um para cada membro da família mais chegado (incluindo o meu cunhado). Organizei uma festa de celebração. Na festa conheci o homem da minha vida, dos meus sonhos. Casei-me (coisa que jurei nunca mais voltar a fazer) e tive dois filhos lindos. A vida corria bem.
Depois uma noite estou a dançar com o meu marido e, uma mudança brusca e sem sentido de música transporta-me de Frank Sinatra (I've got You Under My Skin), para climas mais tropicais, onde Los Mescaleros tocavam Mondo Bongo ao vivo e a fisionomia do meu parceiro, como que por efeito especial duma classe de letra de fim de abecedário, muda e eu sou substituída por uma Angelina Jolie, que dança vestida de branco. Eu afasto-me, observo-a a dançar com um embriagado Brad Pitt, depois espreguiço-me e sinto-me quente. Abro um olho. Uma luz azulada, pisca do meu lado direito e reconheço o toque.
 
Levanto-me, desligo o alarme do telemóvel. São quase oito horas. Deixei-me dormir.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

- Tudo é uma decepção. - Não! Tudo é uma ilusão, mas enquanto materializares a ilusão, ela nunca te decepcionará. - Isso faz todo o sentido. Nota: Apenas fazia sentido àquela hora, agora, não entendo.
É quase sempre insuportável, quando aquele dia do mês surge. Não só pelo mal estar, dores e acessórios pouco estéticos, mas sobretudo, porque foi mais um ciclo que se desperdiçou, mais uma oportunidade que se esgotou e o meu sonho de ser mãe...cada vez mais longe.
(Oh, quantas promessas por cumprir?! Quanto tempo perdido!) Ainda por cima chove. Não faz mal, algo que verte as lágrimas que já não contenho. Não me telefonem. Não me falem. Quero silêncio, quero o conforto dos meus lençóis, o seu toque suave na minha pele. Na ausência de outro tipo de toque, este terá que servir. Lá fora continuava a chover.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

...eu não gosto do novo acordo ortográfico. Já o havia dito e volto a repetir.
Agora descobri que Egipto vai perder o "p" e eu, que sempre o pronunciei, não só terei de deixar de o escrever, como terei de deixar de o pronunciar, alterando a sonoridade da palavra.
Ainda bem que o novo acordo é só para simplificar a aprendizagem... O que seria se não fosse?!
E pronto! Lá andavam eles ontem, com as suas fardas assinadas pela Fátima Lopes, a passar multas e a rebocar os carros estacionados em 2ª fila, sobre os passeios e sem talão da EMEL válido. Acho bem. Não os talões da EMEL, que isso de pagar espaço público a uma empresa privada sempre me fez confusão, mas o não cumprimento do código da estrada deve ser multado.
Pena que sejam apenas acções pontuais, perdidas no tempo e que depressa caem no esquecimento...
No outro dia coloquei aqui uma mensagem sobre o medo e no meio dos comentários surgiu algo que ajudou a desanuviar e como o tema volta a ser notícia, aqui fica uma adaptação:
Carjacking!
O nome sugere um daqueles desportos radicais género rafting, skating, hiking, backtracking, carjacking, tricking, Snorkeling, Bungee jumping, ou Sky diving. Vêem?! Nem se dá por ele na lista.
Vai na volta... ainda criam escolas de sucesso, onde os telemóveis serão permitidos, sobretudo se forem dos donos do carro, sala de aula por excelência, aonde se darão disciplinas como:
Código da estrada - Conhece o inimigo para o poderes vencer. Condução Evasiva - Curso adiantado. A biologia do Corpo Humano - E as suas reacções a extremas velocidades. Comunicação Oral - Como intimidar de forma eficaz o dono do carro. Mecânica - Curso avançado em Engenharia Tiro - Como não te atingires a ti mesmo. (esta cadeira pode ser substituída por um relatório de 100 páginas sobre a Televisão, a sua programação e a acção na sociedade. Ginástica - Mente sã em corpo são. Ioga - mantém a calma enquanto tiras a dos outros. Que vos parece?

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Estou farta e começo a irritar-me a sério com este hábito (creio que judaico, ou cabalístico - na realidade nem quero saber), de atribuir interpretações telúricas a tudo quanto é número.

No outro dia ouvia alguém dizer, com grande surpresa (imagine-se), as conclusões que havia tirado das medidas da pirâmide de Quéops. Mas fê-lo com uma tal desenvoltura, que fiquei com a impressão de estar perante um Russel Crow ainda não "oscarizado".

O que pregava era algo semelhante a: "A altura da pirâmide é a raiz quadrada do número dado pela superfície de cada um dos lados, em côvados, não em metros, que também faz referência à pequena pirâmide, que seria de ouro e que estava no topo da pirâmide mãe, multiplicando novamente, por 10 elevado à quinta, dá o perímetro da circunferência equatorial." Por amor ao universo!

CHEGA! Qualquer número, multiplicado, elevado, "enraizado", subtraído, somado, dá obrigatoriamente, outro número. Qual é o fenómeno?!

Até eu consigo fazer isso, querem ver? Partindo da minha data de nascimento: 11 - 04 - 1976, obtemos a data da suposta descoberta (não achamento) do Brasil. Como? Simples : 11 + 4 = 15 que multiplicado por 10 ao quadrado, dá 1500.

Como sabemos que as descobertas foram feitas pelos sucessores dos templários e estes grandes cabalísticos, quase que aposto que foram eles que fizeram com que eu nascesse neste preciso dia... só para chatear a minha mãe que estava a dormir descansada e não queria sentir dores.

Que a força fique convosco.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Estou com alguma dificuldade em simpatizar com os pedidos de boicote aos Jogos Olímpicos de Pequim e não me acusem de não simpatizar com a Causa Tibetana, da qual sou acérrima defensora.
Para começar, nunca percebi a necessidade de actos negativistas tendo em vista um resultado positivo. Para mim os meios são tão ou mais importantes que os fins. Sim a Martin Luther King, Não às Panteras Negras. Sim à Paz, Não à Luta Contra a Fome; à Guerra. Se o objecto é a paz e a abundância, porquê caminhar pela guerra, lutas, violência e privação? Tenho dificuldade em simpatizar com o boicote ao Jogos Olímpicos, apenas porque é boicotar algo positivo. Como posso eu estar de acordo com isso? Os Jogos Olímpicos, para além de festival religioso da Grécia Antiga, foram também criados para criar um período de tréguas na guerra (Paz, mesmo que temporária), onde as diversas Cidades Estado, mostravam as suas capacidades atléticas, trazendo, de forma sã, orgulho e prestígio à sua nacionalidade, em clima de paz e harmonia. Sou daquelas tontas que chora quando vê as cerimónias de abertura dos Jogos. Cinco Continentes unidos numa mítica Pangeia, com um único objectivo, isento de politiquice, idiossincrasias, ideologias, religiões. É uma alegoria que me emociona, que me faz vibrar. O próprio símbolo de cinco continente unidos num só, é per si, motivo para ser sempre a favor dos Jogos Olímpicos. Como posso eu menosprezar o maior país do continente asiático, se ele é uma das argolas? Posso, isso sim, condenar a sua política, a falta de respeito pelos direitos humanos, pela invasão do Tibete, da falta de liberdade religiosa e cultural, mas não lhe posso negar o direito a pertencer ao Mundo, a um continente e como tal, o pleno direito de organizar os Jogos Olímpicos deste ano. Estaria a menosprezar uma coisa boa em prol de outra, igualmente boa, e logo, uma anularia a outra. A defesa do Tibete, dos direitos humanos, da liberdade religiosa e cultural, não podem ter por base um caminho negativo, mas sim iluminado. Como posso continuar a defender um boicote a uma coisa boa, quando provavelmente, estou a utilizar um computador que tem mais de 50% de componentes "Made in China", quando ainda ontem comprei uma calças de marca, supostamente francesa, mas cuja etiqueta dizia "Made in China"? Que moral temos nós? Que moral tem o Mundo? É engraçado verificar que alguns dos manifestantes das imagens que nos chegam, vestem camisas de Che Guevara. Que moral têm eles de condenar uma coisa boa, apenas porque é oferecida por alguém "mau"? Com um bocado de sorte as etiquetas da t-shirt, dos ténis e dos jeans, também dizem "Made in China", mas ali estão eles em defesa de um povo oprimido, elogiando outro ideal, igualmente opressor. Em forma de conclusão, apenas digo que sou pelo ideal dos Jogos Olímpicos e esses são superiores aos seus organizadores. Apoiar os Jogos Olímpicos de Pequim, são uma forma de defender a liberdade religiosa e cultural. É uma forma de obrigar a China a ver o outro lado da moeda.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Estou farta de ouvir toda a gente dizê-lo constantemente. É como uma sinfonia cacofónica, estridente, pós-moderna, de sons que saltam das gargantas dos interlocutores, deslizam pelos seus lábios e voam na direcção das minhas desmesuradas orelhas, percorrem toda a elíptica rampa, entram no pequeno túnel e batem no tímpano, ricocheteando para o meu cérebro: “Têm que te amar, por aquilo que és!”
Coitados!

Tenho a certeza que as intenções são as melhores, que as pessoas não pretendem o mal de ninguém quando o dizem, mas a verdade é que esta velha frase, não apazigua quem a ouve, muito pelo contrário. Se já leram até aqui, acompanhem o meu raciocínio por um pouco.

As pessoas amam e gostam de quem é agradável à vista e fácil na convivência. Preferem pessoas bonitas e amáveis, de grande empatia, que as compreendam, que concordem, que se deixem levar. Por isso, quando dizem: “As pessoas têm que gostar daquilo que és!”, não estão, na realidade, a colocar a bola no outro campo, apenas estão a reforçar a ideia de que temos que ser bonitos, simpáticos, empáticos. Estão a colocar, mais uma vez, a bola nos nossos pés e esperam que não falhemos o próximo passe.

Sim, dizem que têm que gostar de nós pelo que somos, mas pressupõem que as pessoas vão gostar do que somos e de que somos o que as pessoas gostam. Mas a maioria das vezes não gostam e não somos o que os outros pretendem que sejamos.

Eu daria tudo para que alguém incluísse nessa velha, mas não cansada frase de motivação despropositada, apenas uma, reparem que digo “apenas” uma palavra, para que o meu cérebro percebesse o som transportado pelo ar como: “As pessoas têm que te amar, apesar daquilo que és!” Aí sim! Aí o passe teria sido feito na perfeição e a bola estaria agora no campo do adversário, à espera do ângulo perfeito, do pontapé certo, da força na medida exacta, para encontrar as redes da baliza e fazer golo. Aí, todo o esforço ficaria do outro lado e estaria apenas dependente da vontade, da capacidade quase sobre-humana, de alguém amar outra pessoa, apesar de tudo.

Confuso?!

Bem, é assim que a minha mente trabalha, agora depende de vocês gostarem ou não.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Nos últimos tempos tenho visto em tudo quanto é lado o apelo ao medo. Os jornais atiram com notícias sensacionalistas de pavor e pânico nas ruas, fazendo crer que basta colocar o pé fora de casa para sermos assaltados, ou vítimas de um novo desporto radical a que teimam chamar "carjacking".
As pessoas andam na rua cheias de medo, telefonam umas às outras a dizerem: "Tem cuidado, não saias à noite, nunca sozinha!", etc... etc... e tal. Ensinam aos filhos a disciplina do medo e transmitem os seus próprios receios aos outros. OK. É verdade que as coisas estão a caminhar para algo mais estranho, mais complicado, mas não devemos ser nós, a ter medo. Quem deve ter medo, são os próprios assaltantes, ladrões, gatunos. Eles é que devem de ter medo das repercussões dos seus actos. Nós não temos que alterar o nosso estilo de vida, apenas para que eles se sintam menos tentados. Agora ter medo?! Ter medo de viver, de sair, de caminhar, de contemplar a lua?! Talvez tenha mais um pouco do que tinha antes, é verdade. Sempre aprendi que os verdadeiros heróis não são os que não têm medo, mas sim aqueles que o superam. O medo é essencial para nos manter atentos, para introduzir no nosso corpo a dose certa de adrenalina que nos faz superar os obstáculos. O importante é dar-lhe apenas o lugar que ele merece: Despertador de coragem. E eu quero ter coragem de viver e de não me deixar encarcerar pelos bandidos.

sábado, 29 de março de 2008

Há quanto tempo não ouvem esta expressão? Petrodolar? Algumas expressões caem em desuso, mas não deixam de fazer sentido por isso. Petrodolar significa que o negócio do petróleo está tão intrisecamente ligado aos EUA, à sua economia e à sua moeda, que não existe outra forma de negociar o crude sem ser com notas verdes dos filmes de Hollywood, e ainda hoje é assim. O barril de crude é negociado em dólares e esse valor continua a subir de dia para dia. Esta é a verdade 1.

Agora a verdade 2: Para todos os países, incluindo nós europeus (leia-se portugueses), o preço do petróleo é importante; aumentando o seu preço, quase tudo o resto aumenta.

Facto 1: Em 2000, 1 dólar valia pouco mais de um euro. Mas ao longo de oito anos, o velhinho e gigante dólar é mais pequeno que o forte e vigoroso adolescente euro. 1 euro vale cerca de 1,5 dólares.
Verdade 3: Quando ouvimos falar que o barril de crude hoje custa 102 dólares, podemos ser levados a pensar (sim, o governo assim quer) que para nós europeus (leia-se portugueses) também custa mais, ou menos, 102 euros, mas não é verdade. Um barril de crude a 102 dólares custa-nos a nós...tcharan...mais, ou menos, 66 euros.
Facto 2: Não quero ser linear, até porque Einstein baralhou isto tudo com a teoria da relatividade, mas quase que aposto, com "relativa certeza", que esta verdade 3 é uma verdade que muita gente quer apelidar de mentira (como eu gosto de uma verdade falaciosa), mas não é. O petróleo custa-nos hoje, a nós europeus (leia-se portugueses), aproximadamente o mesmo que nos custava em 2000; contudo ouvimos os nossos políticos afirmar diariamente que com o aumento do preço do petróleo aumenta inflação e, consequentemente, o nosso custo de vida.
Longe de mim chamar mentiroso a alguém, mas quando alguém diz uma "inverdade" , não estará a mentir?
Agora imaginem a política como uma corrida no fim da qual existe um prémio para quem mais "inverdades" disser sem parecer mentiroso. Quem acham que ganharia?

Dica: Alguém que nunca falha aos treinos

Nota: taxas e valores aproximados ao dia da mensagem

Nota2: É quase um título de Blog intelectual, hein?!

sexta-feira, 21 de março de 2008

Quando acordei deparei-me com um lindo dia azul. Um daqueles dias, que nos faz recordar os contos de fadas, de florestas encantadas, de paisagens bucólicas e não pude evitar de me recordar um texto que li há alguns anos. Por isso decidi partilhar com vocês.

A Primavera

Ai, que lumes e perfumes! Ai, como riem os prados! Ai, que alvoradas se ouvem! (Romance popular) No meu entredormir matinal, irrita-me uma endiabrada gritaria do rapazio. Finalmente, sem poder dormir mais, levanto-me, desesperado, da cama. Então ao olhar pela janela aberta, vejo que quem faz barulho são os pássaros. Saio para o horto e dou graças a Deus por este dia Azul. Concerto livre de bicos, fresco e sem fim! A andorinha ondula, caprichosa, o seu gorjeio no poço; o melro assobia sobre a laranja caída; de fogo, o verdilhão palra no sobreiro; o chamariz ri longa e finamente no alto do eucalipto; e, no pinheiro grande, os pardais discutem desaforadamente. Que manhã! O sol põe na Terra a sua alegria de prata e de ouro; borboletas de cem cores brincam por toda a parte, entre as flores, dentro de casa, na fonte. O campo abre-se em estalidos, encrepitações, num fervedouro de vida nova e sã. É como se estivéssemos dentro de um grande favo de luz que fosse o interior de uma imensa e cálida rosa acesa.

Juan Ramon Jimenez - "A Primavera", do livro "Platero e Eu".

quinta-feira, 13 de março de 2008

Bem alto e em plenos pulmões. Gritar o meu desespero, a minha revolta, de forma audível e inconfundível, para que todos a conheçam. Eu sou a primeira a admitir os meus erros ortográficos (alguns são mesmo de estimação) e de usar, uma ou outra, liberdade gramatical (por vezes dá jeito), mas não consigo compreender, nem compactuar com o novo acordo ortográfico aprovado. Mas nada a fazer! Mais dia menos dia, serão lançados no mercado os novos dicionários da língua portuguesa, (quem diria que eu iria necessitar de um dicionário para saber escrever as palavras que sempre escrevi...), cheios de "palavras mais fáceis de escrever", explicam os entendidos, que "une os diversos portugueses falados pelo Mundo", (e eu para aqui a pensar que a língua era uma só e que já nos unia, numa suave lusofonia), que é como quem diz: o tradicional e o brasileiro.

Mas vou tentar fazer entender-me. O meu problema, começa todo com a ideia do "Mais fácil". Porquê mais fácil? O que temos agora é complicado? Não o falamos e escrevemos desde tenra idade? Porquê alterar o código de escrita? É que da última vez (e já lá vai algum tempo, viva a TV Cabo!) que eu mudei da SIC para a TVI e da TVI para a SIC em horário nobre, a diferença de sonoridade dos portugueses falados, era muito diferente e desculpem-me, mas a minha sonoridade é muito mais fechada, do que o português cheio de vogais abertas, falado pelos brasileiros. Consequentemente, ao escrevermos as palavras da mesma forma (ou de forma aproximada), as minhas vogais irão fechar-se ainda mais. Devo ser das poucas pessoas que ainda escreve "Baptista" e não "Batista", é porque se não sabem o som é diferente, apesar do "P" mudo. Devo ser das poucas pessoas (pelo que vejo escrito em todo o lado) que ainda acha que se conta às crianças "Histórias de encantar" em vez de "Estórias de encantar". Estória?! Esta palavra sugere um sucedâneo de Estore, algo que se coloca nas janelas para tapar o sol. Que diz "Contínuo" e não "Continuado", "Morto" e não "Matado", "Liberto" e não "Libertado". Eu quero dizer ACTOR, ACTRIZ, ACTO, ACTUAR, abrindo a letra "A" sem ter que a decorar como uma árvore de natal. Ela fica tão linda casada com o "C", supostamente mudo! Mas não!
"Temos que simplificar, criar pontes, todos nos temos que perceber. "
O que acontecia até agora? Vivíamos numa Torre de Babel? Ainda bem que existem diversas pronúncias, adoro um sotaque. Mas mudar o português? O português é só um... Chamem-me "Velha do Restelo"; agarrada ao passado e a fantasmas! Digam-me que o Português é uma língua viva e que, por isso, evolui! Digam tudo isso e muito mais, que eu continuarei a achar que isto é um erro crasso.
"Simplificar! Unificar!"
Então simplifiquemos, unifiquemos e falemos todos INGLÊS. É que apesar do Inglês ser uma língua bárbara, privada de diversidade de tempos verbais, de determinantes e adjectivos, acentos, pontuações e outras coisinhas que complicam uma língua, segundo os especialistas, está cheia de vantagens em relação ao Português. Não acreditam?! Aqui estão apenas algumas:
  1. Ecológica: Como tem menos palavras, tempos verbais, determinantes e poupam nas letras, acentos e pontuação, utiliza menos tinta de caneta e toners e, consequentemente, menos papel,
  2. Rápida: por todas as razões acima apresentadas e tenho a certeza que ainda arranjava mais algumas,
  3. Única: ficaria mais de metade do Mundo a falar a mesma língua.
Mas a melhor de todas é que é também mais Económica; é que com o Inglês, não tenho que comprar um novo dicionário; já lá tenho um na estante. Que me dizem?! Eu, por enquanto, apenas digo:
HAAAAAAAAAAAAAAAH (reparem na utilização do H mudo, não foi um acaso)

segunda-feira, 10 de março de 2008

...há alguns dias a questionar-me porque não conseguia definir o homem que procuro e hoje dei por mim a perguntar como posso eu descrever-me e por incrível que pareça, apenas as coisas negativas, ou com as quais eu não estou contente, surgiram automaticamente, nos meus pensamentos, como se fosse um casamento que não deu certo, os empregos e oportunidades que deixei escapar o mau humor, quando não durmo o que devia, o não ter nenhum relacionamento amoroso, digno desse nome desde o meu divórcio; ou o meu corpo, as características que realmente me definem. Li uma vez que quando andamos assim perdidos na nossa identidade não devemos insistir.

O melhor é mesmo, afastarmo-nos das questões complicadas e começar por um exercício simples: realizar uma lista de tudo aquilo que gostamos.

É inacreditável como depressa nos apercebemos da pessoa que somos quando vemos uma lista daquilo que gostamos, em vez daquilo que nos irrita.

A lista que saíu foi esta:

Gosto de escrever, é o meu refúgio, a minha forma de expressão; gosto de café; gosto de limão; gosto de tartes; gosto de filmes, de cinema; gosto de teatro; gosto tanto de ler, que sou incapaz de dizer que livro gostei mais; gosto de viajar, nem que seja na minha mente; gosto de estar em casa, de voltar para casa; gosto de companhia; gosto da solidão e do silêncio; gosto de Arquitectura e de História; gosto de rir de mim própria e com os outros; gosto de elogios, apesar de não saber o que fazer com eles; gosto de África e das suas terras encarnadas; gosto do cheiro que a chuva deixa no ar e do cheiro de livros antigos; gosto de andar a pé; gosto de chorar, liberta; gosto de crianças, das minhas e dos outros; gosto de Samba, Bossa Nova, Jazz e de Fado, gosto dos meus amigos e de estar com eles; gosto de comprar para os outros, mais do que para mim; gosto do Natal; gosto das desculpas para ter todos os amigos e famílias reunidos, nem que para isso tenha que inventar pretextos; gosto de rotinas, só assim posso ter o prazer de as quebrar; gosto de festas de gala; gosto de qualquer festa; gosto de telefonemas de família; gosto das discussões da minha família (admitam: ninguém tem razão); gosto de saltos altos; gosto da liberdades dos rasos; gosto de desportos radicais; gosto de adrenalina; gosto da minha família; gosto dos familiares que ficaram para trás (nunca os deixei de amar); gosto de trabalhar; gosto de organizar; gosto de stress q.b.; gosto de dançar; gosto de cães, gatos e cavalos; gosto de corpos masculinos em forma; gosto de um corpo quente junto meu ao deitar; gosto de perfumes de homem; gosto de beijos e de ser acordada com eles, ou de acordar alguém com; gosto de vinho e boa comida; gosto de cozinhar; gosto de receber os meus amigos e família em casa; gosto das manhãs; gosto das tardes; gosto das noites; gosto do calor, do sol e do mar; gosto do campo; gosto de amar; de perdoar; gosto de sentir; gosto muito de viver.

Agora tirem as vossas conclusões. Tenho a certeza que algumas serão de chorar a rir...


sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Tenho andado às voltas com diversos projectos paralelos, o que me tem deixado algo à deriva em relação a alguns deles. Se consultaram o blog do Tragofadonossentidos, já devem ter reparado numa nova peça de teatro, que aliás tenho que colocar um link aqui também, mas para além dessa empresa, estamos a terminar uma outra para o Verão e eu, não sei porque carga d'água, comecei um novo livro.
Pensei que seria engraçado colocar o livro aqui, como se fosse um género de "test drive", mas receio, porém que seja algo difícil de conceber, pois irá tornar-se confuso intercalar os meus desabafos e pensamentos, com cenas do livro (bem se vê que tenho teatro e o cinema na cabeça, até o livro é dividido em cenas), mas vou ver o que se arranja. Acho que podia ser engraçado, ficar logo a saber da opinião de quem eu mais prezo, quase em tempo real. O que me dizem?

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Nunca fui grande adepta das mensagens escritas por telemóvel, a não ser que sirvam, unicamente, para fazer uma comunicação cuja resposta seja sim, ou não. Sempre achei que acabava por ser mais rápido pegar no telefone, dizer o que queria à pessoa do outro lado, ouvir o que essa pessoa tem a dizer e esclarecer logo tudo, o que tiver que ser esclarecido, pois sempre que utilizei os "sms" para conversas, estas prolongaram-se por eternidades, as coisas não ficaram esclarecidas e houve, quase sempre, algum tipo de mal entendido.
Isso sempre foi algo que me fez alguma confusão, pois sempre considerei a "palavra escrita", cristalina, pura e isenta de segundas intenções. Quando se escreve um "Não", a palavra não pode, não deve, ter outro sentido para além do "Não". Quando se diz "Não", muitas vezes esse "Não" pode ser irónico, algo que é normalmente acompanhado por uma inflexão na voz, um riso nos lábios, um piscar de olho, um movimento qualquer do corpo que acompanha o som da palavra e que transforma um "Não", num "Sim", num "Talvez".
Quando lemos uma longa narrativa, também conseguimos depreender novos significados a trechos inteiros, a palavras ou frases. Mas quando uma mensagem fica reduzida a umas dez palavras, apresentadas numa forma simplificada de escrever, não pode ter espaço a segundas interpretações, a metáforas ou ironias. Mas tem! Não sei bem como, mas tem! As palavras são mal interpretadas, ganham segundos significados que nunca passaram pela cabeça de quem as escreveu e ficam diminuídas a um significado que apenas diz respeito à própria personalidade de quem as leu.
Nas aulas de Português, ninguém compreendia porque tínhamos que saber a vida do autor (algo mais relacionado com a cadeira de História), antes de lermos a sua obra. Mas um professor (não me recordo do ano, pois para mim foi sempre o meu professor de português, independentemente de todos os outros que tive), explicou, com toda a naturalidade com que as coisas lógicas merecem, que tal acontecia, porque tínhamos que ver a sua obra com os seus olhos e não com os nossos. Se mais tarde nos identificamos com os sentimentos e ideias do autor, óptimo, mas se não, então as palavras do escritor, são as palavras do escritor e não um reflexo do que nós queremos que elas sejam, ou da nossa alma.
Creio que a maioria das pessoas esqueceu-se dessa lição (eu também), ou então, nunca a compreenderam. Se o tivéssemos feito, nunca leríamos um "Não" como um "Sim" e nunca acharíamos que algo escrito por outra pessoa (que muitas vezes o faz a contragosto), pudesse significar algo diferente daquilo que as palavras significam.
Quando uma pessoa escreve, está a finalizar um acto pensado, reflectido e preparado. Pensar que essa escrita, esse código, está aberto a interpretações resultantes de uma "transpolação"(será que esta palavra existe?) de sua própria personalidade, é um erro crasso.
O escritor na altura que escreveu, já sentiu, pensou, racionalizou e definiu o que queria. Mais tarde, pode vir a pensar, sentir e racionalizar outra coisa oposta, mas o significado da palavra que fora anteriormente escrita, não altera a não ser que outras palavras sejam de novo escritas como culminar desse novo processo.
Bem, mas já divaguei demasiado e a conclusão deste desabafo é que: Nunca mais vou trocar mais do que 2 mensagens sobre o mesmo assunto, com a mesma pessoa. E sim, isto foi resultado de um processo no qual senti, raciocinei (quem diria!) e codifiquei.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Não foi de propósito mas que calha bem com a comemoração do dia de S. Valentim na próxima semana, calha.

No outro dia pediram-me para que descrevesse o meu homem ideal, aquele que eu não teria qualquer dúvida de que poderia vir a ser o pai dos meus filhos e eu fiquei sem resposta. A verdade é que nem sempre sabemos o que procuramos, ou melhor, sentimos o que queremos, mas não o racionalizamos. Na maioria das vezes, sabemos de cor, as características que não queremos, mas torna-se mais complicado, quando toca a dizer, claramente, o que realmente queremos.

Creio que isso se deve ao facto de acharmos que a nossa cara metade anda por aí, perdida, à deriva, tal como nós; gaivotas pairando no ar à procura da próxima corrente de ar quente e que chegada a altura, uma determinada altura, uma hora prevista por uma força qualquer invisível, os dois seres se irão encontrar, reconhecer-se e encaixar por artes mágicas. "Quando tiver que acontecer, acontece", é o que todos pensamos, mas e se não fôr?! E se realmente existir uma outra metade para a nossa laranja (e aqui são livres de pensar em qualquer outro fruto, ou forma geométrica) e se a tal "força" que teima em não se mostrar, a colocar no nosso caminho e nós não a reconhecermos? Será que a ausência de características por nós consideradas negativas é o suficiente para reconhecermos alguém?

Um amigo disse-me que não existem acasos do destino, que as pessoas quando se apaixonam, não foi por causa do destino, mas sim porque naquele momento se sentiam "Apaixonantes". Na altura dei a importância que poderia dar a uma questão daquelas, mas agora, depois da minha incapacidade de dizer o que eu quero, coloquei-me a pensar: seria aquilo apenas uma nova forma de dizer que temos de gostar de nós para que outros também gostem? Que temos que emitir energias, vibrações, hormonas, (ou seja lá o que fôr), que transmitamos aos outros que nos achamos dignos de se apaixonarem por nós, para que realmente tal aconteça? Mas isso não deita abaixo toda a outra teoria que existe (e esta é a expressão que mais gosto) um tampa que encaixa na nossa panela, automaticamente?

Pelo sim, pelo não e não vá a ausência de características negativas ser suficiente, para reconhecer o que nos está destinado, já comecei a fazer uma listagem de tudo aquilo que procuro num companheiro.

Quem sabe, ainda não o venho partilhar convosco...

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