terça-feira, 23 de setembro de 2008
terça-feira, 16 de setembro de 2008
O seu corpo continua a tremer, mas agora mais de medo, do que de frio. Ela está nua, não sabe onde está, não se recorda como é que lá foi parar, não reconhece a situação em que se encontra, mas mesmo assim, aquela criança, sente-se desprotegida e fraca, mas não vencida.Ele apenas a observa. Não tece qualquer comentário, não faz soar qualquer ruído, não faz anunciar a sua presença. Ele apenas a observa, de pé, a três ou quatro passos da sua cama. Ela insinua falar, mas arrepende-se e decide também ela, observar.
Ela ainda não o olhou. Ele é o que mais receia naquele momento e, por isso, apenas sente a sua presença pesada. Reconhece de imediato uma tenda militar. Um ou dois candeeiros a petróleo, um candeeiro a gás, algum equipamento, incluindo duas mochilas semi-desfeitas. Duas camas em lados opostos, sendo uma delas, aquela onde se encontra.
No meio, entre as duas camas, mas por cima delas, uma mesa de construção tosca de troncos e cordas, junto à outra cama e preso com alfinetes à parede da tenda, está um enorme mapa-mundo e algumas fotos de satélite. Não consegue ler o que dizem. O chão está húmido e tem restos de sisal, por todo o lado. Na cabeceira da sua cama, encontram-se duas cordas, que percebe, pelas marcas dos seus pulsos, a sua função. Observa por fim, as marcas de uma luta sem glória, que se espalham pela sua pele leitosa, agora suja de lama, pó e suor.
Ele cansa-se de a observar. Lentamente tira um cigarro e, num gesto aprendido no cinema, acende-o com um fósforo. Pela primeira vez, ela toma plena consciência que estava nua. Ela sabia que estava sem roupa, mas só agora se apercebe que isso faz com que ela esteja nua.
Ele sorri com o embaraço da rapariga. Dá um longo e lento trago no seu cigarro e despe a camisa. Dirige-se até a jovem e, displicentemente, alheio ao terror que lhe estava a provocar, pousa a peça de roupa, sobre as costas daquela, ainda criança. Não se demora. Tem receio da aproximação. Também ele tem medo. Afasta-se e olha o mapa do outro lado da tenda, virando as costas à sua prisioneira.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
A verdade, é que se eu fosse outro tipo de pessoa, diria que estive com uma depressão, mas comigo, esse género de desculpas não colam. Depressões são um termo geográfico, que não se deviam aplicar a ser humanos.
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Corta com a faca as cordas que a atam à cama e desfaz-se dela com uma displicência pouco comum nele. Acaricia-lhe o rosto. Tenta adivinhar quantos anos de vida tem aquele anjo, que ele mantém como seu refém. A sua anatomia confunde-o. Pensa que ela não deve ter mais de dezasseis anos, talvez ainda menos, apesar daquele corpo apresentar uma desenvoltura pouco comum, para tão pouca idade. O que o leva a pensar assim é o seu rosto e os cabelos escuros como o manto da noite que os envolve, que cobrem por completo o corpo até a cintura. “Sim!” - pensa ele – “O teu rosto denuncia uma adolescência menosprezada.”
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Ontem fui totalmente surpreendida, pela mensagem mais insólita que ouvi em toda a minha vida, principalmente por ter vindo de um auto falante num espaço público.
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Ele leva-a ao colo, protegendo-a da noite fria. Pousa-a numa cama de campanha e ata-lhe os pulsos. Não quer preocupar-se com ela, mais tarde. Observa-a de longe, do outro lado da tenda. Ele receia este encontro, quase tanto como o anseia. O tempo passa. Ela dorme. Ele não a conhece, nem tem a certeza se o deve fazer. Aproxima-se. Observa-a atentamente, de perto, como se quisesse sentir, para além de olhar. Ele pretende mais do que pode. A sua missão é-lhe penosa. Ela está indiferente, no seu estado de inconsciência, alheia a esta atenção não pretendida. Ele observa-a de novo. Adivinha a cor dos seus olhos. Avalia cada detalhe daquele corpo jovem, daquela beleza em estado puro, ainda não madura, mas já longe de ser verde. Tudo lhe parece irreal. Ouve a sua respiração lenta, triste, fraca. Sente o calor que liberta a cada expiração.
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Quando ouvi na radio, que tinha havido problemas num Bairro, chamado Quinta da Fonte, pensei irónica para comigo; "As rosas devem ter atirados os seus espinhos contra as gipsofilas, por terem feito muito barulho depois da meia noite, não permitindo à Fonte, por falta de décibeis à altura, contribuir para o seu sono reparador, com o seu suave pingar!"Mal eu adivinhava os verdadeiros problemas que estavam por trás de um nome tão belo como Quinta da Fonte.
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Porque será que um anúncio, um simples e até nem por isso especialmente bem realizado anúncio, persegue-me nos sonhos?
É que, para além de ver os anúncios, espalhados por tudo quanto é lado, em cartazes de dimensões enormes, espaçados por menos de 2 minutos de caminhada, de ver o anúncio na televisão que repete, continuamente, a cada intervalo e de o ver na internet, ainda sonho com ele e até o chego a cheirar?
Bem... podiam acontecer coisas piores.
terça-feira, 8 de julho de 2008
E porque hoje acordei ao som desta música:
O meu amor tem um jeito manso que é só seuE que me deixa louca quando me beija a bocaA minha pele toda fica arrepiadaE me beija com calma e fundoAté minh'alma se sentir beijadaO meu amor tem um jeito manso que é só seuQue rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidosCom tantos segredos lindos e indecentesDepois brinca comigo, ri do meu umbigoE me crava os dentesEu sou sua menina, viu?E ele é o meu rapazMeu corpo é testemunha do bem que ele me fazO meu amor tem um jeito manso que é só seuQue me deixa maluca, quando me roça a nucaE quase me machuca com a barba mal feitaE de pousar as coxas entre as minhas coxasQuando ele se deitaO meu amor tem um jeito manso que é só seuDe me fazer rodeios, de me beijar os seiosMe beijar o ventre e me deixar em brasaDesfruta do meu corpo como se o meu corpoFosse a sua casaEu sou sua menina, viu?E ele é o meu rapazMeu corpo é testemunha do bem que ele me faz
sábado, 5 de julho de 2008
Sei que irei ser trucidada por causa desta opinião, mas não me importo. Não posso permitir que o politicamente correcto, seja mais importante do que a livre expressão de opiniões. Há certos pensamentos que têm e devem de ser comunicados, ou transformam-se em bombas relógio, prontas a explodir a qualquer momento, por isso, aqui vai.
terça-feira, 1 de julho de 2008
Quero deixar-me ir, quero entregar-me aos instintos, satisfazer a fome de sexo. Quero satisfazer a gula pelos seus lábios, pelo sabor da sua língua, pelo sal da sua pele. Quero satisfazer o meu tacto, a minha pele e sentir o toque forte das suas mãos, a força dos seus bíceps, tríceps, quadríceps, abdominais, glúteos, sentir o calor da sua pele, sentir a aspereza da sua barba por fazer, a suavidade acetinada do seu alter-ego, de sentir a doce dor da penetração, que depressa se transforma em puro prazer.
quarta-feira, 18 de junho de 2008
- Muito bem! Saltas muito bem! - Coloco-lhe a mochila às costas. - Ao princípio, não conseguia, mas agora é fácil. Antes era ainda bebé, era pequenina, tinha 4 anos. Mas agora já consigo. - Pois! O importante é não desistir. Quando não se consegue à primeira, respiramos fundo e voltamos a tentar, tantas vezes, quantas forem necessárias. Nunca se desiste. - Pois não tia! Eu não desisti.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Aí vem mais um Europeu e eu devia estar em pulgas, ansiosa para ver a prestação de Cristiano Ronaldo e companhia. Mas a verdade, é que não é assim. segunda-feira, 2 de junho de 2008
Porque há imagens que nos fazem pensar que o Mundo do Fantástico realmente existe, aqui fica esta, para vosso deleite.
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Duas horas livres.
sexta-feira, 16 de maio de 2008
No passado dia 15 de Maio (ontem), dei por mim a ler a coluna do D. José César das Neves, no jornal Destak, do mesmo dia e fiquei com uma enorme vontade de contrapor as suas ideias, de lhe dizer que estava errado, que as coisas não são assim tão simplistas e muito menos podemos escrever com falsos moralismos.Na altura não me recordei como poderia fazer, mas finalmente os meus neurónios trabalharam e lembrei-me do meu blog. É verdade que apenas umas 14 pessoas o lêm em média por dia e que provavelmente, serão sempre as mesmas, mas pelo menos, livro-me deste sapo que está engasgado e não consigo engolir. Pois bem, vamos por partes. No citado texto, o Dr. José Neves, criou uma explicação (para um tema sobre o qual, foi talvez obrigado a escrever), tendo por base “Um grave erro no conceito de desenvolvimento” e na realidade existe um, mas não o que foi apresentado. Para começar, houve evolução no campo das artes e do pensamento.
Se houve algo realmente novo? Não. Melhor?! Não.
Uma evolução é isso mesmo, um “up-grade” de algo que já foi criado, um sair da caixa, pensar e resolver noutro ponto de vista. Não tem que ser melhor nem pior, é apenas evolução. E já agora, Hitler, Atila, Marquês de Pombal, Nero, Inquisição Espanhola, Saddam e companhia, não têm graus de comparação, são o que são. Mas até aqui tudo bem, é uma opinião, eu também tenho a minha, aliás tenho muitas.
Contudo, ainda no mesmo parágrafo diz para finalizar, que a violação e pedofilia ainda são repudiados. Errado. Muito errado. Não é preciso voltarmos muitos anos atrás para nos recordarmos dos casamentos combinados pelas famílias, como acto socialmente aceite e recomendado. O que seriam as noites de núpcias de mulheres e homens casados obrigados, que não uma perfeita violação de vontades e corpos?
Antepassados com orientações claras? Realmente eram, mas muito mais violentas que as de hoje. Pensemos em quantas meninas casadas em fase pré-adolescente e adolescente, com homens dez, quinze, vinte, cinquenta anos mais velhos? Aqui temos um autêntico, dois em um; não só a pedofilia era socialmente aceite, como a violação do corpo e da vontade. A frase correcta teria sido: A violação e a pedofilia são hoje, as únicas práticas repudiadas.
Quanto à confusão de critérios e à liberdade, tem que convir que ninguém é realmente livre, não na nossa sociedade judaico-cristã. Que menina é hoje educada pelos seus pais para ser livre sexualmente? Não têm, hoje em dia, os pais e a sociedade o mesmo discurso que receberam da catequese, dos seus próprios pais e avós? Não apelam todos à modéstia, o reduzido número de namorados e a um casamento com filhos? Não continuam as meninas a crescer a pensar que um dia serão as princesas das suas casas, com um único príncipe encantado?
Houve realmente um período de grande desorientação sexual na história moderna e esse acabou nos anos 80, quando uma doença sexualmente transmitida ocupou o lugar do antigo Inferno: a SIDA. Até aos anos 80, sexo seguro era não fazê-lo, num carro em andamento (a frase não é minha). Por isso, sim, existe uma confusão de critérios: todos queremos ser livres, donos dos nossos corpos e buscar a felicidade, mas o nosso inconsciente está agrilhoado a um espartilho educacional judaico-cristão, que nos impede de simplesmente ser.
Enquanto no passado a pedofilia, dentro de certos parâmetros, era aceite e recomendada, hoje é simplesmente rejeitada. Por isso, sim, existe confusão. Enquanto antigamente, as mulheres eram simplesmente objectos de troca e servidão sexual, hoje têm poder, por isso, sim, existe confusão.
Confusão porque existe uma evolução, ou melhor um retrocesso de mais de três mil anos. Estude um pouco os hábitos egípcios, a sua sociedade e veja como não só existia liberdade sexual (verdadeira), como as mulheres e os homens eram simplesmente iguais em todos os campos, quer económicos, religiosos e sexuais.
"Não houve evolução nenhuma, houve apenas um retrocesso, ou quem sabe uma revolução, um retorno à verdadeira evolução.
Quanto às atrocidades raras nas tribos primitivas…creio que já está largamente explicado, não?! Orientações claras dos nossos antepassados, quanto à moral sexual? Vejamos, temos o Kama Sutra do Séc. IV é uma boa orientação. Marquês de Sade, no Sec. XVIII? Que seria do prazer sem um pouco de dor! Shakespeare, Sec. XVI?! Oh meu Deus, o que se pode ler nas entrelinhas!
Mais recentes?! Deixe-me ver… Henry Miller, no início do Séc? Marguerite Duras, desde os anos 30? Sim! Realmente não houve inovação no campo da arte, do sexo ou da religião moral e sexual. Apenas vivemos mais do mesmo, onde tudo é permitido, pois o ser humano sempre fez o que quis, mas nada é recomendado.
No entanto, devo admitir, deve ter tido muito trabalho, chegar a um nível de consciência decrépita como a sua.
A minha avó sempre disse: Se não tens nada inteligente para dizer, fica calada.
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Fui hoje acordada por esta notícia e logo, logo, lembrei-me da voz da minha avó a gritar, “Oh da Guarda, Oh da Guarda! Agarrem que é gatuno!”.
Numa outra fase qualquer, haveria uma Iris a bradar aos céus e a gozar com a hipocrisia do Sr., mas essa é uma Iris idealista e feliz, que vê no “Ambiente e Ar mais Puro”, batalhas dignas de esforço e dedicação. Contudo, esta outra Iris, mais crítica e cansada, acha sinceramente, que no meio de tantos actos públicos perigosos do nosso Primeiro Ministro, o de fumar num avião fretado, apenas colocou em perigo a ele e àqueles que optaram por partilhar o “crime”, sem tomarem qualquer tipo de iniciativa. (Quem me dera que sempre assim fosse!)
É que: No meio de um acordo ortográfico, que coloca o meu querido Português, no papel ingrato de prostituta de luxo, oferecida como extra, numa qualquer transacção comercial e política; No meio de um país onde a inflação real, não pára de aumentar; No meio de um país onde a maioria das pessoas com ordenado mínimo, não têm condições para alugar um tecto condigno, quanto mais comprá-lo; No meio de um país, onde os jovens continuam a trabalhar sem contrato, a recibo verdes e afins; No meio de um país onde os hospitais fecham, enquanto outros, já sobrelotados, enchem-se de camas ocupadas por causas sociais; No meio de um país onde a educação é uma anedota tal, que dá títulos a quem ainda não os merece e No meio de um país onde médicos e outras profissões, supostamente bem pagas, recorrem ao Banco Alimentar; um pseudo engenheiro que por um perverso sentido de humor do universo chegou a 1º Ministro, ter fumado num avião, não me parece sequer digno de uma nota de roda pé.
Mas quando não existe uma oposição decente, capaz de dar notícias que superem a importância desta, então eu desejo que o Sr. Sócrates farte-se de fumar, que fume o suficiente para que o imposto sobre o tabaco se torne auto-suficiente para a diminuição do défice e permita a baixa do imposto sobre o combustível; que fume o suficiente para provocar a si mesmo, uma qualquer deficiência respiratória, que limite o seu jogging publicitário, para que não tenha que o ver de novo de calções; que fume o suficiente para o ver ser atendido pelo nosso sistema de saúde público (como se isso alguma vez acontecesse!); que fume o suficiente para perder a voz, para que outras que tentam fazer-se ouvir, sejam finalmente audíveis e que o reinado do Sr. “Engenheiro” Sócrates, termine de vez.
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Estava um dia com uma iluminação de lusco-fusco permanente. Eu caminhava de um lado para o outro, como animal enjaulado, de olhos semi-cerrados, como estratégia de filtragem da irritante luz. O comboio é anunciado e os meus olhos sorriram de alívio. Sentei-me no primeiro lugar que vi, senti-me felizarda por ir sentada. Abri o jornal. Não prestei atenção, não estava nos meus dias. Li as gordas com a lassidão própria de um Marajá. Uns números que surgiram em sub-título, 1 - 11 - 16 - 21 - 28 - e - 5 - 7, pareceram-me terrivelmente familiares, mas ao lado estava uma fofoca cor-de-rosa que parecia muito mais importante. Chegada ao Rossio, reparo que ainda faltam 45m para entrar no trabalho. Opto por tomar um café enquanto leio mais algumas páginas de um livro que estava na carteira. 










