terça-feira, 28 de outubro de 2008

Sempre me disseram que a força do pensamento era a mais poderosa do universo. Até posso concordar com isso, não numa forma do livro "O Segredo", mas sim, é poderosa.
Mas para que um pensamento seja poderoso este terá que se materializar, tornar-se real, dar-se a conhecer e só assim poderá, na minha opinião, ter verdadeira força no mundo.
No outro dia, deparei-me com um pensamento e com uma tentativa de mensagem, bem num estore do comboio onde eu seguia (que poderão ver na fotografia desta mensagem) e fiquei triste. Fiquei triste, porque aqui está um exemplo de alguém, que por não ter prestado atenção nas aulas, nunca poderá dar a conhecer os seus pensamentos de forma eficaz e logo, nunca poderá fazer com que os seus pensamentos tenham realmente força para alterar algo.
É que para o povo se unir, Precisa de perceber a mensagem e se a mensagem não é bem transmitida, nunca passará de um pensamento, mas este estará para sempre encerrado na mente de quem o teve e nunca, nunca, poderá ter real força.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Ela estava a chorar. Não caíam lágrimas, porém ele conseguia vê-las, via-as inundarem o peito da sua amada, a encherem o seu pulmão, a asfixiarem-na de mansinho, a darem um nó na sua garganta, a taparem os seus ouvidos, a matarem-na.
Teve vontade de a beijar, de sorver cada gota daquele líquido límpido e salgado que tanto a angustiva. Teve vontade de a abraçar, de a abraçar com tanta força que a tornaria parte de si, um único ser indivisível, para sempre juntos, para sempre, eternamente, um.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Sempre ouvi dizer que os sonhos eram a preto e branco. Sempre refutei tal ideia, até porque tenho uma grande capacidade de recordar o que sonhei e uma das coisas que se destacam nessas recordações são mesmo as cores.
Porém há mais de uma semana que sonho a preto e branco, sonhos tristes e cinzentos, como a claridade suja de Londres e a claustrofobia do grande monstro de cimento Nova Iorquino.
Há uma semana (mais coisa, menos coisa) que não acordo contente, com um sorriso nos lábios ou com a recordação de uma cor de céu impossível de existir, mas que apenas por ter estado na minha mente durante o sono, era real e palpável. Os meus sonhos coloridos fazem de mim uma mulher mais bem disposta e eu não os quero perder.
Se os sonhos fossem a preto e branco para sempre, a cor morreria em mim.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Como se a chuva ainda não tivesses sido prenúncio suficiente de que o Verão, realmente já tinha acabado (E continuo à espera do Verão mais quente dos últimos anos!), hoje, quando cheguei de manhã a Lisboa e estava a sair da estação do Rossio, um cheirinho familiar, que faz as minhas papilas gustativas começarem a salivar tal qual "Cão de Pavlov", anunciava o retorno das castanhas.
Convém dizer que são muito poucas as coisas que me fazem vibrar no Inverno e se pudesse, faria como os ursos e hibernaria durante todo este período. Entre essas raridades estão as castanhas, a promessa do Natal, as luvas, os chapéus e os cachecóis. Não me perguntem porquê, mas gosto destas 5 coisas, fazem-me ficar quente e bem disposta, pena que com elas vêm os casacos, os guarda chuvas, as meias, os camisolões, o frio, o frio e o frio.
Mas não hoje! Hoje houve apenas aquela promessa do sabor adocicado, suave e macio das castanhas na minha boca, nos assados e no arroz (que acabarão na minha boca também), acompanhadas de vinho novo, jeropiga e vinho do porto. E isso meus senhores, é um manjar dos céus e algo que faz sentir feliz.
Fiquem bem!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Andava eu a passear na net e a ver as novidades em anúncios e deparei-me com esta foto da D&G. à primeira vista, perdoem os meus olhos femininos, apenas prestei atenção aos belos abdominais dos modelos. Passado um pouco (alguns segundos apenas, não pensem mal de mim), reparei na sugestão do sonho erótico de violação e neste caso com mais do que um homem.
Continuei a procurar e fiquei a saber que a campanha estava em "águas de bacalhau", porque havia queixas de militantes feministas, exactamente por causa dessa mensagem. Pesquisei mais um pouco, li diversas opiniões e fiquei a saber, que mais de 75% das mulheres sonha em ter sexo com mais de um homem e que 35%, gostava que fosse forçado, ou de pelo menos, imaginar que seria forçado, num jogo sexual.
Assim sendo, e visto que o sexo na publicidade, até à data, tem sido uma fórmula eficaz como meio de venda para o mercado masculino, pergunto-me porque não utilizar um dos imaginários sexuais mais recorrentes da mente feminina, para vender? Apenas porque um grupo restrito de mulheres acha ofensivo?
Que acham?

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

 

No outro dia tive uma daquelas temidas conversas com a minha sobrinha de 6 anos.
- Tia! - chama enquanto se aproxima - Eu ouvi uma palavra, que é uma asneira, eu sei que não se diz... - Fala comigo em segredo - Posso perguntar o que quer dizer? - E eu, tremendo por dentro por não saber o que teria que responder, digo:
- Claro! Pergunta sempre o que quiseres. - Então, aproxima-se um pouco mais e diz-me ao ouvido:
- P*t*. - disse tão baixo que nem consegui ouvir, por isso repete, desta vez, uns décibeis mais elevados, mas ainda assim, de forma inaudível. Depois repete uma terceira vez e dessa vez eu entendo.
- Olha! - Tento ganhar tempo para pensar numa resposta - Vai buscar a escova para te pentear e depois eu digo o que quer dizer. - Ela obedece. Volta com a escova e eu sem saber muito bem como, começo a falar - Essa palavra... - Opto, conscientemente, por não a repetir - Quer dizer, ou melhor, é o nome que se dá a mulheres que têm muitos namorados. - Depois arrependo-me do que digo, não quero transmitir a ideia de que ela não pode namorar, ou experimentar. Sei que é cedo para isso, mas a dúvida pode ficar dentro dela e não quero. Para além disso, a palavra não quer dizer isso. - Melhor... não é que tenham muitos namorados, que não há mal nisso.
- Então o que é?
- É que ter muitos namorados é o trabalho delas. Os homens pagam para elas serem namoradas deles, por umas horas, uns dias e isso é errado. - Ela pensa, queixa-se por lhe estar a apertar demasiado o rabo de cavalo. Desisto e faço-lhe dois tótós.
- É só isso? - Pergunta inocente.
- Sim, é só!
- Pensei que se dizia essa palavra, porque eram más, ou coisas assim... tipo bruxa, ou assim! - Pensa e eu viro-a para ver o penteado - Percebes o que quero dizer? - Encolho os ombros - Se elas fazem de namoradas, não pode ser assim tão mau! - Calo-me, não sei como explicar melhor, ela ainda não iria perceber e ela continua. - Ouvi outra palavra.
- E qual foi?! - Esperava pelo pior.
- M*r*a! - Sorrio, pois depois da outra essa era fácil de explicar.
- Isso é uma palavra malcriada, para dizer cocó.
- Ah! Que engraçado. Que mal tem dizer cocó?! Era mais fácil, não era?
E eu rio-me com ela e penso, quanto tempo terei ainda para lhe ensinar o que as coisas querem dizer. Depressa virá o dia em que ela me ensinará, palavras que nunca terei ouvido antes.

terça-feira, 23 de setembro de 2008


...um desconhecido oferece flores.

"Se um desconhecido lhe oferecer flores isto é Impulse!"

Esta era uma frase de um anúncio que durante muito tempo andou de boca em boca e eu quase teria esquecido se ontem, um desconhecido não me tivesse oferecido uma flor.

A situação foi tão constrangedora e à frente de colegas de trabalho, que pensei que mais valia estar a ser presa pela polícia naquela altura, pois pelo menos teria como justificar o acontecimento. Mas agora, estar sentada à mesa de um restaurante e um perfeito estranho vir oferecer uma flor, foi surreal. Tão surreal que ele continua tão estranho quanto era ontem, pois nem sequer aceitei a flor, ou o cartão, nem sequer o quis ouvir, simplesmente, porque estúpida e destreinada, já não estou habituada a ser cortejada, a atitudes espontâneas, a pequenos devaneios do destino.

E o que mais irrita é que fui eu que não soube como lidar com a situação, logo eu que escrevo e falo sobre o assunto com tanta facilidade, com tanta, arrisco a dizer, imprudência, leviandade.

Devia ter aceite, devia ter trocado uma palavra simpática com ele, poderia criar uma esperança, ou simplesmente dado um sorriso, mas não, retraí-me, escondi a cara, disse que não podia falar naquele momento e sei lá mais o quê que me saiu da boca para fora.

Depois queixamos-nos, que os homens não são cavalheiros, que os homens não são românticos, que os homens isto e que os homens aquilo, mas quando são, arriscam-se como aquele pobre coitado, a serem tratados como loucos, pedintes, como se tivessem peste.

Como me recrimino!

Se por um acaso do destino está a ler esta mensagem, por favor, as minhas desculpas, mas compreenda... não estou habituada. A verdade é que aceito a flor e aceito o seu gesto e um dia mais tarde, talvez, também você, possa aceitar as minhas desculpas.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

O seu corpo continua a tremer, mas agora mais de medo, do que de frio. Ela está nua, não sabe onde está, não se recorda como é que lá foi parar, não reconhece a situação em que se encontra, mas mesmo assim, aquela criança, sente-se desprotegida e fraca, mas não vencida.

Ele apenas a observa. Não tece qualquer comentário, não faz soar qualquer ruído, não faz anunciar a sua presença. Ele apenas a observa, de pé, a três ou quatro passos da sua cama. Ela insinua falar, mas arrepende-se e decide também ela, observar.

Ela ainda não o olhou. Ele é o que mais receia naquele momento e, por isso, apenas sente a sua presença pesada. Reconhece de imediato uma tenda militar. Um ou dois candeeiros a petróleo, um candeeiro a gás, algum equipamento, incluindo duas mochilas semi-desfeitas. Duas camas em lados opostos, sendo uma delas, aquela onde se encontra.

No meio, entre as duas camas, mas por cima delas, uma mesa de construção tosca de troncos e cordas, junto à outra cama e preso com alfinetes à parede da tenda, está um enorme mapa-mundo e algumas fotos de satélite. Não consegue ler o que dizem. O chão está húmido e tem restos de sisal, por todo o lado. Na cabeceira da sua cama, encontram-se duas cordas, que percebe, pelas marcas dos seus pulsos, a sua função. Observa por fim, as marcas de uma luta sem glória, que se espalham pela sua pele leitosa, agora suja de lama, pó e suor. 

Ele cansa-se de a observar. Lentamente tira um cigarro e, num gesto aprendido no cinema, acende-o com um fósforo. Pela primeira vez, ela toma plena consciência que estava nua. Ela sabia que estava sem roupa, mas só agora se apercebe que isso faz com que ela esteja nua.

Ele sorri com o embaraço da rapariga. Dá um longo e lento trago no seu cigarro e despe a camisa. Dirige-se até a jovem e, displicentemente, alheio ao terror que lhe estava a provocar, pousa a peça de roupa, sobre as costas daquela, ainda criança. Não se demora. Tem receio da aproximação. Também ele tem medo. Afasta-se e olha o mapa do outro lado da tenda, virando as costas à sua prisioneira.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Antes de mais, quero pedir desculpas pela ausência prolongada, mas como devem ter notado pelo anterior mensagem, estive de férias e quando digo de férias, refiro-me a todo o tipo de férias. Não quis saber de notícias, não quis saber de internet, blogs, ou canetas, não usei o telefone com outro sentido que não o lúdico e cortei com qualquer tipo de preocupação.

O problema foi quando voltei. O Mundo não tinha tirado férias como eu e por isso mesmo, tinha avançado por um caminho que eu desconhecia. As férias acabaram e eu tive que voltar ao trabalho, aos telejornais, à net, ao meu patrão. Voltar a ficar encafuada num espaço de luz artificial, com um ser humano que se tem em tão alta conta que se esquece que não é ninguém sem quem o rodeia e a fazer um trabalho repetitivo, minuto, após minuto, segundo após segundo, transportou-me para uma zona de mal-estar tão escura e sombria que quase desesperei.

A verdade, é que se eu fosse outro tipo de pessoa, diria que estive com uma depressão, mas comigo, esse género de desculpas não colam. Depressões são um termo geográfico, que não se deviam aplicar a ser humanos.

Desesperei, tive vontade de gritar com todos e nenhum e gritei, amuei e chorei. Tive vontade de desaparecer de novo e para sempre, mas depois pensei, que tudo se deve a mim e às minhas escolhas e que apenas eu posso voltar a ter controlo na minha vida e em como eu ganho para a ter e assim, decidi que iria mudar de emprego até ao fim do ano e esperar que assim, volte a ser quem eu sempre fui.

Mas chega de desespero, chega de tristezas, há muita coisa a acontecer no nosso país, que são autênticas anedotas e claro isso é muito mais interessante. Aguardem pelas próximas mensagens, pois Eu estou de volta.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

... eu sinto-me assim!

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Corta com a faca as cordas que a atam à cama e desfaz-se dela com uma displicência pouco comum nele. Acaricia-lhe o rosto. Tenta adivinhar quantos anos de vida tem aquele anjo, que ele mantém como seu refém. A sua anatomia confunde-o. Pensa que ela não deve ter mais de dezasseis anos, talvez ainda menos, apesar daquele corpo apresentar uma desenvoltura pouco comum, para tão pouca idade. O que o leva a pensar assim é o seu rosto e os cabelos escuros como o manto da noite que os envolve, que cobrem por completo o corpo até a cintura. “Sim!” - pensa ele – “O teu rosto denuncia uma adolescência menosprezada.”

A respiração dela acelera e a sua pele arrepia-se de frio. Ele afasta-se, mas apenas o suficiente, para poder observar a penugem loira que se irriçou. Ele sorri. Aquilo agradava-lhe. Apercebe-se que em breve ela acordará, recuperará os sentidos e afasta-se um pouco mais. O corpo dela treme agora de frio, naquela húmida tenda. Ele quis, num instinto paternal, tapar a sua nudez, mas numa disciplina militar, deteve-se.
 
Ela, até agora envolta num doce entorpecimento, começa a readquirir a consciência. Acordou aos poucos. Começou por sentir o frio na sua pele, depois a dor física de uma batalha que perdeu. Tentou por último abrir os olhos e com grande custo, acaba por ser bem sucedida. Um tecto de lona verde caqui, é o que vê primeiro. Esta foi a primeira imagem desta nova consciência. A segunda era-lhe transmitida em forma de sombra chinesa, fenómeno provocado pela luz bruxuleante dos candeeiros de petróleo, mas foi o suficiente para perceber que não estava só e num gesto instintivo, assume uma posição virginal, sentando-se naquela fria cama de campanha, agarrando junto do seu peito, os joelhos, como se, com o corpo colocado em tal posição, criasse uma concha que a iria proteger do olhar e das intenções daquele que partilhava com ela, aquele lugar.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Ontem fui totalmente surpreendida, pela mensagem mais insólita que ouvi em toda a minha vida, principalmente por ter vindo de um auto falante num espaço público.
Estava eu, ao fim de um longo e estupidificante dia de trabalho, à espera de um comboio mágico que me levasse dali embora, para um local onde os patrões sabem o que dizem, cumprem com promessas e obrigações, aceitam os nossos pedidos de férias como algo que é devido e justo e que irá aumentar a produtividade do colaborador, exactamente da mesma forma, que nós trabalhamos mais 21 horas extraordinárias, nas últimas três semanas, sem sequer perguntar se por acaso iriam ser pagas. Mas voltemos à voz. Estava eu assim, à espera, quando no auto falante, uma voz diz: "Cuidado com os carteiristas nesta estação!
"Cuidado com os carteiristas nesta estação!" - Oiço de novo, passado algum tempo, como confirmação da primeira vez. Não pude deixar de soltar uma gargalhada sonora, que saiu como alívio, depois de tudo o que passara durante o dia.
Depressa me recompus dos olhares de esguelha e comecei a pensar: É essa a solução para todos os problemas: uma voz de consciência, contínua e omnipresente, que nos alerta para todos os males. Estamos distraídos a olhar para o ecran plasma que passa um videoclip numa estação de metro e alguém nos avisa: "Cuidado com os carteiristas nesta estação!" Acordamos, ficamos alertados e se por acaso um carteirista nos assaltar (porque os amigos do alheio vivem dos rendimentos), a culpa é nossa, porque não tivemos aptidão para evitar o roubo, apesar de termos sido alertados para a possibilidade. A culpa não é da falta de segurança, de policiamento e muito menos da conjuntura económico-social, que cria os carteirista. A culpa é nossa.
Vamos a uma entrevista de emprego e tudo nos parece maravilhoso e estamos distraídos com a areia que nos lançam nos olhos e uma voz diz: "Cuidado com os aldrabões!" E pronto, já não nos podemos queixar dos patrões, só nos podemos queixar de nós, apenas de nós que aceitámos o emprego ainda assim.
Agora apliquemos isto a outras situações no mundo, no quotidiano, pela vida fora e teríamos um mundo, praticamente igual ao que temos hoje, mas onde cada um de nós, era responsável por cada coisa que acontece. Apenas nós e mais ninguém.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Ele leva-a ao colo, protegendo-a da noite fria. Pousa-a numa cama de campanha e ata-lhe os pulsos. Não quer preocupar-se com ela, mais tarde. Observa-a de longe, do outro lado da tenda. Ele receia este encontro, quase tanto como o anseia. O tempo passa. Ela dorme. Ele não a conhece, nem tem a certeza se o deve fazer. Aproxima-se. Observa-a atentamente, de perto, como se quisesse sentir, para além de olhar. Ele pretende mais do que pode. A sua missão é-lhe penosa. Ela está indiferente, no seu estado de inconsciência, alheia a esta atenção não pretendida. Ele observa-a de novo. Adivinha a cor dos seus olhos. Avalia cada detalhe daquele corpo jovem, daquela beleza em estado puro, ainda não madura, mas já longe de ser verde. Tudo lhe parece irreal. Ouve a sua respiração lenta, triste, fraca. Sente o calor que liberta a cada expiração.
Decide tocar-lhe, sentir a firmeza dos membros, constatar que é de carne e osso, a pobre jovem que jaz naquele leito improvisado. Sente a suavidade da sua pele e imagina que seja assim o toque da seda. Cheira o perfume jovial de rosas que exala do seu corpo e tem uma ligeira tontura. As razões podem ser várias para essa fraqueza. Nada comeu durante todo o dia. Sofre já a alguns dias os sintomas de uma gripe grave. Ou, simplesmente, o cheiro daquela presa, provoca-lhe emoções que ainda desconhece. A verdade é que nunca, os seus sentidos se baralharam desta forma. Toda aquela pureza ao alcance das suas rudes mãos, era-lhe estranha e havia-lhe sido privada, desde que se recordava como gente.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Quando ouvi na radio, que tinha havido problemas num Bairro, chamado Quinta da Fonte, pensei irónica para comigo; "As rosas devem ter atirados os seus espinhos contra as gipsofilas, por terem feito muito barulho depois da meia noite, não permitindo à Fonte, por falta de décibeis à altura, contribuir para o seu sono reparador, com o seu suave pingar!"

Mal eu adivinhava os verdadeiros problemas que estavam por trás de um nome tão belo como Quinta da Fonte.

Mas disto já todos falam, ninguém se cala. Todos dizem que é uma vergonha, que aquilo não pode acontecer, que é tapar o sol com a peneira. E é! É sim! Mas o que me choca não é isso. O que me choca são as palavras utilizadas e o que dizem na televisão.

Não preciso de ir muito longe para descobrir no mesmo parágrafo as palavras: Despejados; Gangs, Etnias, Pretos, Negros, Ciganos, entre outros adjectivos, que nem sequer me atrevo a escrever. Mas quando vem de uma das partes queixantes, então deixa-me com urticária.

O racismo existe, é latente, camuflado, mas existe. Eu sei que existe! Mas fico estupefacta, quando o racismo é mostrado com tanta clareza e crueldade. Não basta ver pessoas serem "Despejadas" num bairro social (por mais bucólico que seja o seu nome), apenas porque "dava jeito", a Expo98 estava à vista e precisavam de a concluir. Não basta ver as suas condições, pouco ou nada melhorarem. Também temos que ver como eles não fazem o mínimo esforço para o fazer. Sei que é uma questão de etnia, educação, tradição. Sei que os ciganos são povo racista, só se casam entre si, todos os outros são escumalha, mas os tempos mudam. Estão a ser dadas novas oportunidades, estão a oferecer-lhes de mão beijada uma nova vida, que pode, tão bem como qualquer uma das nossas, adaptar-se às novas circunstâncias.

A maioria destas pessoas, recebeu do Estado muito mais do que a maioria de nós já recebeu. Foi-lhes dado casa, um bairro, uma comunidade, subsídios e sei lá mais o quê! (Eu estive algum tempo desempregada e nem sequer o subsídio de desemprego tive direito, porque tinha sido uma rescisão de comum acordo.) Mas mesmo assim, ainda acham que devem revoltar-se, como povo, como comunidade, apenas e porque, não gostam dos novos vizinhos.

Eu gostaria muito de ver o que me aconteceria, se por um mero acaso, eu decidisse dizer que não gosto do meu vizinho porque ele é Árabe, Judeu, Africano, ou Latino? Provavelmente sofreria as consequências de tal acto racista. Mas não no caso destes senhores. Hostilizaram enquanto foi possível e agora que os outros estão tão organizados como comunidade (no pior sentido, mas ainda assim uma organização), sentem-se ameaçados? Bem feito! Bem feito para vocês de etnia cigana e bem feito para todos os que acham que só devem viver dentro do que conhecem, que rejeitam o que os rodeiam, que rejeitam o mundo e se acham o centro do mundo.

Um povo nómada, nunca na vida, deveria ser racista, pois geralmente são os primeiros a sofrer as consequências desse mal. Infelizmente quer-me parecer que as lições de História ficam esquecidas no exacto momento em que recebem as chaves de uma nova casa, para a qual nunca fizeram nada para merecer.

Sinto muita pena de todos os que são inocentes, de todos os que apenas queriam poder brincar livremente na rua, com o último brinquedo que alguém lhes havia dado, de o mostrar ao seu vizinho do lado, com os enormes olhos brilhantes de alegria e não de lágrimas e convidá-lo, com uma voz ainda aguda, porque é inocente e todas as vozes inocentes têm que ser obrigatoriamente agudas:

- Anda, podes brincar também. O que é meu é teu e nós somos do Mundo.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Porque será que um anúncio, um simples e até nem por isso especialmente bem realizado anúncio, persegue-me nos sonhos? É que, para além de ver os anúncios, espalhados por tudo quanto é lado, em cartazes de dimensões enormes, espaçados por menos de 2 minutos de caminhada, de ver o anúncio na televisão que repete, continuamente, a cada intervalo e de o ver na internet, ainda sonho com ele e até o chego a cheirar? Bem... podiam acontecer coisas piores.
Vocês lembram-se daquela urgência hormonal, que sentíamos enquanto adolescentes?
Aquilo não era urgência, era apenas precipitação.
Hoje, que já passei dos trinta, tenho a certeza disso. Agora sim, tudo parece urgir, o tempo escapa pelos dedos, como água, como areia e não há como voltar com os ponteiros do relógio para trás.
As coisas a fazer ainda são muitas; muitos planos a cumprir, muitas etapas para passar, muitas metas para cortar, mas os anos que surgem pela frente começam a ser, a cada dia que passa, cada vez menos, menos, menos.

terça-feira, 8 de julho de 2008

 

E porque hoje acordei ao som desta música:

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada
 
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes
 
Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz
 
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que me deixa maluca, quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba mal feita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita
 
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios, de me beijar os seios
Me beijar o ventre e me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo como se o meu corpo
Fosse a sua casa
 
Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz
Chico Buarque

sábado, 5 de julho de 2008

Sei que irei ser trucidada por causa desta opinião, mas não me importo. Não posso permitir que o politicamente correcto, seja mais importante do que a livre expressão de opiniões. Há certos pensamentos que têm e devem de ser comunicados, ou transformam-se em bombas relógio, prontas a explodir a qualquer momento, por isso, aqui vai.
Eu consigo compreender a Homossexualidade, a sério e quero que acreditem, pois é importante para perceberem o que quero dizer. Eu consigo compreender que um ser humano se sinta atraído, sexualmente, pelas características físicas e psico-comportamentais, do mesmo género e creio, que esta é a definição de homossexualidade.
Contudo, não consigo compreender a "Gaysice" e a Bichanice, pois sinceramente, se alguém se sente atraído pelas características do mesmo sexo, não devia, por princípio, sentir-se atraído por um produto de contra facção, ou substituto do sexo oposto. Consigo perceber um "Alexandre o Grande", sentir-se atraído por um corajoso e musculado Efaísto, cheio de cicatrizes de batalha, que marcam o seu corpo másculo. A sério que entendo e se eu fosse um homem, seria com toda a certeza Homossexual. Mas não consigo compreender um homem que se sente atraído pelas características do mesmo género, morrer de amores, por um "Castelo Branco", aos berros no meio do campo de batalha; "Ai acudam, acudam, que a espada dele é tão grande!", num tom de voz tão agudo, que apenas seria suportável numa diva de celulóide do cinema mudo. Nem compreendo que se tenham que tomar atitudes do género oposto, apenas para facilitar as nossas opções sexuais (porque é um acto em si, contraditório).
Entendo que o ser humano, nasce com uma dualidade sexual e que esta pode exprimir-se de uma forma mais feminina, ou mais masculina. Eu própria identifico-me muito mais, com alguns comportamentos e gostos masculinos, do que seria de esperar. Por isso, sim, também compreendo isso. No entanto, seria incapaz de me sentir atraída por outras mulheres. MAs isso sou eu, que talvez tenha nascido com o órgão sexual certo: homem que gosta de homens em corpo de mulher. (brincadeira, claro)
Agora eis que chegamos à questão: A Transsexualidade. O principal ponto, ou argumento de defesa desta prática, é a de as pessoas acharem que estão presas no corpo errado: homens que acham que são mulheres e vice-versa. Até aqui, tudo bem. Contudo, não são raros os casos que têm surgido, que me fazem pensar que a transsexualidade, não é mais do que o último recurso de um homofóbico extremo.
Podem garantir-me que, antes de qualquer mudança de sexo, as pessoas são altamente avaliadas e que apenas, os verdadeiros casos é que avançam. Mas se assim é, como se explica que os órgãos sexuais de origem, não lhes sejam retirados? Se são mulheres presas em corpos de homem, o pénis devia causar-lhe desgosto. Se é um homem, preso em corpo de mulher, ter menstruação, poder engravidar e até mesmo ter uma vagina, devia causar incómodo, náuseas e depressão. Mas isto continua a acontecer. Operações de transsexualidade, de mudança de género nada têm! São apenas um up-grade dúbio, e em vez de homens ou mulheres, passam a ser casos raros na natureza, de hermafroditismo. E isto tanto acontece, que agora tivemos uma mulher, que utilizando uma dispendiosa máscara de Carnaval de Homem, para poder levar uma vida social masculina, tirou umas férias da sua anterior aversão ao corpo feminino e não só engravidou, como deu à luz uma linda menina.
Ora, isto para mim não faz sentido.
A única forma de isto fazer algum sentido, é uma teoria que sempre defendi: A transsexualidade, não é mais do que, uma forma de Homofobia Aguda.
Eu explico. Um ser humano sente-se atraído pelas características físicas e psicológicas do mesmo sexo. Mas isso é errado. Foi o que sempre ouviu e aprendeu: É errado! - Gritam-lhe os sentidos. - Na sociedade em que vivemos, uma mulher gosta de homens e os homens gostam de mulheres.
E esta convicção cresce de forma tão grande, que se convencem a si mesmos: Estou preso no corpo errado, porque eu não sou homossexual. ser homossexual é errado, é mau, é pecado, é anti-natura, Deus assim não quis. Mas se calhar, Deus enganou-se e deu-me uma vagina em vez de um pénis. E se Deus, deu inteligência ao Homem e o Homem, inventou formas de corrigir o Erro Divino, então eu posso mudar. Mudar de sexo, namorar mulheres, casar-me com uma mulher e continuar aceite na sociedade. Sim, posso ser um homem, porque homossexual, é que não sou.
Pena só ser válido, até Deus voltar a enganar-se.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Quero deixar-me ir, quero entregar-me aos instintos, satisfazer a fome de sexo. Quero satisfazer a gula pelos seus lábios, pelo sabor da sua língua, pelo sal da sua pele.

Quero satisfazer o meu olfacto e cheirá-lo antes do sexo e cheirá-lo durante o sexo e cheirá-lo depois do sexo e já suado. Sinto saudades desse cheiro, que é só dele e que mais ninguém tem.

Quero satisfazer os meus olhos, observar a sua robustez física, a definição dos seus músculos delineados, os seus olhos esverdeados, invadir essa floresta, que de tão terna, só pode ser um reduto amazónico ainda por descobrir e encontrar a sua alma, a chama responsável por ele estar ali, quando podia estar em qualquer outro lugar, com qualquer outra mulher.


Quero satisfazer o meu tacto, a minha pele e sentir o toque forte das suas mãos, a força dos seus bíceps, tríceps, quadríceps, abdominais, glúteos, sentir o calor da sua pele, sentir a aspereza da sua barba por fazer, a suavidade acetinada do seu alter-ego, de sentir a doce dor da penetração, que depressa se transforma em puro prazer.

Quero satisfazer a minha audição, ouvir a sua voz grave segredando promessas, vomitando elogios ocos, quero ouvir os seus gemidos, o seu arfar, quero ouvir os seus pensamentos, quero ouvir o bater do seu coração.

Quero sobretudo, satisfazer a minha urgência uterina, quero agradar aos meus sentidos.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Estava uma solarenga manhã de Primavera e eu observava de longe e sem dar nas vistas, a azáfama da minha pequena sobrinha. Enquanto arrumava o quarto, fazia a cama e limpava o pó, a pequena menina de cabelos longos e dourados, parecia uma formiguinha, de um lado para o outro da varanda (o seu espaço de brinquedos); mexendo e remexendo, virando os cestos de cabeça para baixo e voltando a enchê-los com os mesmos objectos coloridos espalhados pelo chão, pela força da gravidade.
Era mais que óbvio que ela procurava algo, talvez um brinquedo com o qual sonhara, ou que alguma coisa a havia feito recordar. O certo é que estava decidida a encontrá-lo e continuava, numa busca metódica, na senda do objecto misterioso.
- Precisas de ajuda? - Pergunto solícita.
- Não tia! Obrigada! - A resposta foi tão seca e pronta que coloquei a hipótese,e também ela, não ter a certeza do que procurava.
Continuei com os meus afazeres, mas os meus ouvidos continuaram atentos à lufa-lufa ruidosa. Por vezes, ouvia-a suspirar, ou resmungar algo entre dentes e depois, quando estava prestes a chamá-la para irmos para a escola, o silêncio instalou-se.
Disse-me o meu instinto, que quando se trata de crianças, o silêncio nunca é bom sinal e preparava-me para ir ver o que se passava quando ouvi uma sonora gargalhada de satisfação, um Ah! Ah! de missão cumprida. Sorri ainda antes de ver o seu semblante angelical de enormes olhos pestanudos, avançar para mim, com uma confiança readquirida.
- Ainda demoramos muito, tia? - Perguntou ao esconder algo no bolso lateral da mochila laranja.
- É só vestires o casaco. - Sorri-lhe e ela obedeceu com o meu auxílio. - Podemos tomar um café, antes de irmos? - Sim, temos tempo. Respondi desconfiada. Fosse o que fosse que procurava, tinha utilização ao ar livre.
Descemos os três andares, apenas trocando olhares cúmplices e sorrisos. Ela, tagarela por excelência, não disse uma palavra durante o percurso feito de elevador. Assim que chegámos ao R/C, correu para a porta perguntando, enquanto abria:
- É um café, não é? - Acenei que sim, tentando conter a minha curiosidade.
- Não corras! - Disse antes de a porta do prédio bater com estrondo. "Já era hora de arranjarem a mola!" - Pensei, ao precipitar-me para a rua, pois ficar sem ver a minha bebé, era algo que não me deixava confortável.
Quando cheguei ao café, ainda a vi a correr para lá, já ela transportava, vitoriosa, a chávena para uma das mesas. Cumprimentei as pessoas que lá estavam e sentei-me para beber o líquido quente e energizante.
- Posso ir lá para fora? - Pergunta-me com os olhos brilhantes e expectantes.
- Mas não saias aqui da frente. - Recomendo e ela corre lá para fora com algo na mão, deixando a mochila em cima duma cadeira.
Olhei-a atenta, finalmente iria descobrir o segredo que me escondia. As suas mãos pequenas, seguraram em dois punhos amarelos, enquanto, com uma graça de serpente encantada, uma corda caiu no chão. Era um pouco grande, pelo que enrolou uma volta em cada mão e devagar, fez várias tentativas de rotação. Em menos de um minuto, a corda já passava por cima da sua cabeça e batia no chão, num movimento rotacional que seria perfeito, se não fosse, invariavelmente, interrompido pelos seus pés trapalhões, que se recusavam a sair do chão, quando a sua mente mandava.
Mudou de estratégia. Respirou fundo, deixou a corda quieta e pulou cinco vezes, apenas para verificar se não havia nenhuma pastilha elástica pegajosa, deixada por um qualquer duende brincalhão, que a estivesse a impedir de saltar, como se via a saltar na sua cabeça. Olhou mais uma vez, desconfiada, para a sola dos ténis e desviou-se, perto de um metro do local onde estava. A corda voltou a girar e desta vez, passou por completo, batendo 1, 2, 3 vezes no chão, antes de encontrar, de novo, os seus pés preguiçosos. Balbuciou qualquer coisa e recomeçou, desta vez, ais devagar. 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, e de novo os pés.
- 1, 2, 3... - Ouvia-se a sua vózinha ofegante, mas muito concentrada. - 6, 7, 8, 9, 10... - A sua cara soltou-se e esboçou um sorriso de contentamento. - 13, 14... - Uma gargalhada. - 16, 17, 18... - Um gancho cai no chão. - 19, 20.
Pára cansada do esforço. Recupera o fôlego com inspirações rápidas. Tenho vontade de ir dar-lhe os parabéns, mas sei que nestas ocasiões, ficamos sempre atrapalhados, queremos mostrar a nossa façanha e nunca a conseguimos repetir. Sei perfeitamente, o quão frustrante essa sensação pode ser, por isso, deixei-me ficar sentada, lutando contra a minha vontade. Ainda podia dar mais quinze minutos e ela parecia tão feliz!
Em pouco tempo recomeça. Eu tiro o telemóvel da mala e começo a filmar.
- 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10... - E ri-se eufórica. - 13, 14, 15, 16... - Uma gargalhada, esta bem sonora. - 20, 21, 22, 23, 24... - Olha pelo vidro do café e confirma feliz que eu estou a ver. - 30, 31, 32, 33, 34, 35. - Parou. Correu para os meus braços, transpirada, desfraldada e despenteada. - Viste, Titi? Viste?! - Acenei que sim e dou-lhe um beijo na testa, ao mesmo tempo que lhe componho a roupa e o cabelo.

- Muito bem! Saltas muito bem! - Coloco-lhe a mochila às costas. - Ao princípio, não conseguia, mas agora é fácil. Antes era ainda bebé, era pequenina, tinha 4 anos. Mas agora já consigo. - Pois! O importante é não desistir. Quando não se consegue à primeira, respiramos fundo e voltamos a tentar, tantas vezes, quantas forem necessárias. Nunca se desiste. - Pois não tia! Eu não desisti.

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