Um destes dias estava a levar a minha sobrinha à escola, tarefa que é sempre feita às corridinhas, aos saltos e pinotes, entre outras actividades que me deixam exausta, ainda antes de chegar ao escritório, quando no meio de um silêncio perturbador, diz-me:
-Tia?!
-Sim?! – imitei o tom inquiridor.
- O pai Natal existe?
-Claro que existe! – Retorqui pronta e convincentemente. – Quem é que achas que te dá aquelas prendas todas no Natal?!
-Mas tia?!
- Sim! – Já não imitei, pois adivinhava algo complicado.
– É que… – silêncio.
- Porque perguntas? O que se passa?!
- É que quando eu era pequena, lembras-te daquele Natal em que o Pai-Natal apareceu para comer os biscoitos que fizemos? – acenei que sim - Ele tinha os mesmos sapatos que o meu pai, por isso não sei!
- Isso e porque o Pai-Natal, comprou os sapatos na mesma loja que o teu pai.
- Mas o Pai-Natal, compra os sapatos no Pólo Norte!
- Já ouviste falar na globalização? – pensei em baralha-la.
-Sim! – eu é que fiquei confusa – A minha professora já disse algo sobre isso!
- Então sabes que com as novas formas de comunicação, as mesmas coisas que existem em Portugal, também existem nos outros países e vice-versa, logo os sapatos que o Pai-Natal, comprou no Pólo Norte…
-São os iguais aos que o meu pai comprou cá!
-Isso!
- Hummmm! – aquele “hum”, não me soo muito bem, mas ela ficou calada e já estávamos quase a chegar.
- Vais ter teste de quê?
- De matemática, já disse! – arremessa.
-Está tudo bem?! – ficou calada e eu passados alguns segundos volto a perguntar – Que é que foi agora?! Que me queres perguntar?! – perguntei com medo do que aí vinha.
- Tia?!
- Sim?!
- O que é vice-versa? – eu sorrio aliviada e respondo-lhe com calma.
Talvez a minha sobrinha chegue aos oito a acreditar que a magia existe!
Muitas amigas minhas, e alguns amigos também, perguntam-me, sempre que os convido para ver uma estreia deste género, como consigo eu gostar de filmes de acção e de estar sempre mortinha para os ir ver?! E perguntam-me isto, pois na sua opinião, os filmes de acção, são um género menor, feito para agradar a testosterona de homens que não estão em contacto com os seus sentimentos, incapazes de verem um filme e terem que pensar ao mesmo tempo. E eu fico sempre um pouco apreensiva na hora de responder, pois nunca sei se deveria optar por uma resposta politicamente correcta, ou dizer o que realmente penso.
Deveria eu defender o género dizendo que eles representam a constante e velha batalha bíblica do Bem contra o Mal, ou então que a maioria destes filmes têm uma direcção cénica fora do comum e que são um elogio aos efeitos sonoros, à montagem e aos efeitos visuais, ou então, que para além da palhaçada existe uma história de fundo que me comove. 



Vivemos numa sociedade onde todos pensamos que a comunicação é algo perfeitamente ao alcance de todos. Num mesmo minuto, posso estar a escrever aqui, no meu blog, comunicar com familiares por telefone, a trocar mensagens no msn, com amigos e, no entanto, estou só.
A ideia fixa-se na sua mente e torna-se quase impossível deixar de pensar naquilo.
Era dia 20 de Março de 2009. Um cheiro doce pairava no ar, como se as flores quisessem tornar-se visíveis, mesmo na escuridão.
ímulo incontrolável, contra a nossa vontade, do vazio, do nada e, imediatamente, ficamos para sempre com eles na consciência, presos na nossa pele, no nosso respirar.
Parava no café quando eu lá estava
Um dia numa sala do quarteto

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