sábado, 16 de maio de 2009

NiSnx9fdxenn8u2tR5M83RUzo1_400 A tensão subia, o tempo alongava-se e distendia-se para dar lugar a mais tempo e todos os movimentos  tornavam-se perpétuos.

O meu corpo sentia mil e um estímulos e tremia enquanto sucumbia ao prazer carnal.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

conversa-de-bar Amigo - Olha lá! Quando é que arranjas alguém?! Já vai sendo tempo! Acho que já chega de carpir.

Eu – Quando for altura acontece! – O meu amigo sorri complacente com a minha teimosia e beija-me a face, enquanto serve um pouco mais de Murganheira, nos flutes, e os Vira-Lata, continuam a tocar.

Amigo – E como é que saberás que chegou a hora? – olhei-o, sem perceber a razão de tanta insistência naquele assunto.

Eu – Sei lá! – Bebo o copo de uma só vez. Aquele assunto deixa-me sempre com sede. – Acho que saberei! – Ele atesta o copo com um sorriso parvo.

Amigo – Isso parece-me algo demasiado ambíguo, mesmo para ti! – Ri! Eu, no entanto,  apenas desejava continuar a ouvir a banda, sem mais palavras que não as das letras das músicas.

Eu – Como é que sabemos que temos que nascer?! – Balbuciei, sem grande esperança de que ele viesse a compreender algo que apenas atirei para o ar, de forma a terminar com a conversa. Ele encolheu os ombros e bebeu o espumante fresco enquanto digeria o que eu havia dito.

Amigo – Nesse dia nascerás de novo! – Constata com o copo na mão e o olhar perdido no palco.

Eu – Quem sabe! – Rio-me por não ter, minimamente, mais nada a dizer.

terça-feira, 12 de maio de 2009

25622Uma amiga muito querida, andava feliz há dois anos, a viver com quem ela pensava ser a sua cara-metade, quando de repente e do nada, o rapaz chega uma noite a casa e depois do jantar preparado por ela, diz:

- Não estou preparado para uma relação séria. Sabes que eu vejo em ti uma amiga muito especial, uma grande amiga. Acho que esta nossa predisposição para vivermos juntos assim tão bem, deve vir de uma relação Kármica, passada, onde tu deves ter sido minha mãe. Mas sabes, tal como em todas as relações entre mães e filhos, está na hora de eu sair de casa e de tu me deixares ir.

Não admira que a minha amiga não se consiga encontrar depois deste duro golpe.  Reencontrar o seu Eu, o seu amor próprio, a sua auto-estima e não admira (por mais absurdo que eu ache) que ela tenha tentado acabar com tudo. Talvez tenha sido a sua forma tortuosa de gritar que queria começar do zero, esquecer todo o passado, olvidar todo o Karma (como começo a odiar esta palavra).

É que em meia dúzia de baboseiras romantizadas, aquele espécime de energúmeno, reduziu-a a uma presença fantasmagórica, a uma alma transviada, perdida no tempo e agarrada, aprisionada, agrilhoada a uma existência onde é obrigada a viver, vezes sem conta, as mesmas relações, a ser mãe sem nunca ter parido, a ser amiga quando queria ser amante, a ser nada quando queria ser tudo.

Mas amor, tudo isso não interessa, eles não interessam. Tu não és menos mulher apenas porque os homens vivem, eternamente, num complexo freudiano, onde Édipo e o Peter Pan, são os modelos a seguir. Tu não és menos mulher, simplesmente porque esse “bife” idiota ainda não era o homem certo para ti!

Tu és linda, inteligente, divertida, emotiva, cheia de salero latino e não existe nada no Mundo que mereça a tua vida e nada que apague a tua ausência.

Por favor acorda! Volta para ti. Volta para junto daqueles que te amam incondicionalmente: a tua família, os teus amigos.

Eu aguardo-te com os meus dois braços abertos!

 

 

P.S.:  Darren, meu querido! Podes ter os cinturões negros todos que quiseres, mas se eu te apanhar em Portugal, ou noutro local qualquer, podes ter a certeza que te enfio a relação Kármica, por um certo orifício.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

beijo20na20praia1nv Estão ambos à mesma distância daquele objecto frio e cortante. Ambos correm para ele, mas ele é maior e pega primeiro, aquilo que nunca devia ter abandonado.

- É isto que queres? – diz, enquanto segura a faca, em frente dos seus lindos olhos. – Tu eras capaz de a usar, não eras? – ela retrai-se e ele perde toda a paciência que ainda lhe restava.

O que antes lhe parecia ser um ponto contra, é agora um ponto a favor. Ele gostou de saber por fim, das capacidades da sua presa. Era quase uma luta entre iguais e isso excitava-o. Agarrou no pescoço dela e levou-a até à cama. Atira-a, de novo, para cima dela e ela volta a bater com a cabeça, na estrutura metálica daquele leito. Ele afasta-lhe as pernas e ajoelha-se no meio. Passeia a faca por aquela pele tão macia e imaculada. Ela aterroriza-se.

Será que ela tinha sido traída pelas suas acções? Será que seria aquilo o seu fim? O seu corpo treme, está cansada, quer dormir, quer o aconchego da sua cama, dos seus lençóis, não se reconhece a si própria, não resiste, mas ele, controlado pelo seu orgulho ferido, encosta a faca àquele pescoço e morde-lhe o ombro esquerdo até fazer sangue. Gosta do sabor dela.

Definitivamente, ele já não está em si, alcançou um patamar de volúpia que desconhecia. Guarda a faca, no local certo. Já não precisa dela e desaperta as calças. Finalmente, aquela pureza que tanto o tem atraído durante toda a noite vai ser dele e ele congratula-se com isso. Ela olha-o profundamente, repara como os seus olhos têm a cor da copa das árvores, e quase que se entrega enfeitiçada, mas não consegue. Pouco antes daquela angústia toda terminar, ela resiste e foge para cima, tal como a água que escapa pelos nossos dedos quando a tentamos agarrar.

sábado, 9 de maio de 2009

Abrir uma Livraria/Antiquário/Café-concerto, bem no meio da linda, exótica e misteriosa, Serra de Sintra. Talvez o estabelecimento pudesse vir com um fantasma como extra.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Os caça Plágios

Ao ler um artigo do Sábado (aqui) fiquei a remoer um pouco sobre a realidade das pessoas como o Sr. Luís Rainha, que se dão ao trabalho de fazerem esta caça às bruxas, ou melhor dizendo, aos textos fantasmas, ou melhor, ao plagiadores.

Não é que o trabalho deles não seja útil, porque é! O plágio apesar de ser uma forma de elogio para alguns, é também uma forma de utilizar o valor dos outros em nossa prol. No entanto fico sempre com aquela dúvida se por acaso, estas pessoas não fazem este género de caça, simplesmente, porque na impossibilidade moral de plagiar e na total ausência de génio e inspiração, não se refugiam neste tipo de acção, como forma de satisfazerem o ego e terem algo para dizer e escrever?!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

4453046-lgAo ler uma mensagem de um blog que já não existe, num blog que sigo, fiquei com vontade de dissecar esta dicotomia do ser humano, ou pelo menos, em mim. Sobretudo depois de ter respondido a um comentário aqui no meu blog hoje.

Depois de ter pensado melhor, de ter passado em revista os meus actos e atitudes perante a vida, nos últimos anos, cheguei à conclusão que  recuso-me a criar expectativas, mesmo quando estou encantada por algo. E porquê?! Porque desta forma, evito o desencantamento, arriscando apenas o desinteresse.

Creio que são formas de se estar na vida, no palco, no mundo, com os outros. A verdade é que cada um procura a felicidade da forma como a vê e, como tal, actua de acordo com essa visão. Se para alguém algo de positivo é sempre seguido de algo negativo, também vê na felicidade algo com prazo de validade e que, inevitavelmente, acabará com o inverso, ou seja, se se encanta, também se desencantará. Eu não o vejo assim. Não vejo obrigatoriedade neste jogo de contrários, de antagonismos. Acho que viver no intermédio, sabendo que as coisas podem não ser eternas, mas que enquanto duram, são verdadeiras e que ficarão agarradas em nós para sempre, é uma boa forma de se estar.

Não creio, no entanto, que isso seja reflexo da busca pela felicidade, até porque na realidade, nos dias que correm estamos mais preocupados em sobreviver do que em viver, ou procurar seja o que for, pois não há tempo. A felicidade, e/ou infelicidade, é assim, consequência directa dos actos aleatórios. É um reflexo da experiência, que tal como as nossas, é muito própria e apenas para nós faz sentido.

Assim, ao contrário do que o bloguista Piloto disse, eu não tenho pena de ninguém, pois se continuam a tentar, é sinal que ainda vivem e que lutam por algo que se venha a assemelhar à felicidade, ou ao encantamento perpétuo, mesmo quando este não é a causa maior das suas vidas e apenas sua consequência.

Fará isto algum sentido?

quarta-feira, 6 de maio de 2009

espelho

Como posso eu almejar ser amada, se sou a primeira a odiar-me?!

terça-feira, 5 de maio de 2009

Nunca pensei vir a utilizar as palavras “Excelente trabalho jornalístico” e TVI, na mesma frase, mas eis se não quando, aqui estou eu a fazê-lo.

Ontem à noite, pude ver a melhor reportagem que vi nos últimos anos, na televisão portuguesa e sim, foi passada na TVI. Houve pesquisa, recolha de dados, havia um objectivo e respondeu-se a todas as perguntas base do jornalismo: Quem, Como, Quando, Onde e Porquê?

O tema foi o novo/antigo ódio de estimação da Estação de Queluz de Baixo, o nosso pouco ilustre Primeiro Ministro e, por associação de ideias e com algum esforço de memória, cheguei à conclusão que as televisões de hoje, só prestam verdadeiro serviço público, quando se carrega nos botões certos. Deve ser um problema, ou consequência das novas tecnologias: com tanto botão para carregar e menus tão variados, torna-se complicado acertar.

No entanto, é complicado apenas para nós, meros mortais, porque para o Sr. Sócrates (porque ainda não estou convencida que seja Engenheiro e por uma questão de respeito por todos aqueles que fizeram o curso como deve ser), a coisa foi simples e rápida como o totoloto. O Sr. Primeiro Ministro, farto do jornalismo da tanga e cheio de lugares comuns do José Alberto Carvalho e Judite de Sousa da RTP1, decidiu que estava na altura de ver os jornalista fazerem o seu trabalho como deve ser e disse, na entrevista dada ao canal do estado:

"O noticiário da TVI à sexta-feira não é um telejornal, é uma caça ao homem, é um jornal transvestido."

Foi o botão certo e o resultado, o que se viu ontem à noite depois do telejornal.

Obrigada Sr. Sócrates. Eu já havia perdido a esperança no jornalismo nacional e você mostrou a todo o país, que eu estava errada.

Obrigada!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

quarto-cor-verdeEla olhou para a sua casa, agora que a via quase pronta. Finalmente podia ver a sua visão, o seu sonho quase concretizado. Não havia palavras para descrever o que ela sentia.

O sol já estava fraco e ao longo de toda a casa, uma camada de mistério, uma patine de magia, ia-se acumulando nos recantos, nos corredores, nas salas, nos quartos. Ela gostava mais da casa assim, com menos luz, mas com muito mais encanto. Aproximou-se da janela do quarto principal para poder ver o sol dar lugar à lua. Afastou os cortinados verde secos e apreciou o toque suave do chenile na sua mão, nos seus dedos.

Por alguns segundos questionou-se como é que havia pessoas capazes de gostarem de ver janelas despidas. Para ela, uma casa só se tornava num lar quando se vestia e apenas assim, uma casa podia tornar-se acolhedora. A única coisa que, quando nua, se torna convidativa, é a pele de um corpo masculino, sobretudo se estiver estendido num dos seus macios sofás, ou lençóis e agora que a casa estava quase como ela idealizara, teria que tratar disso também.

sábado, 2 de maio de 2009

- Mas isso nada muda entre nós. Eu vou continuar a ter o que quero, só tu é que irás sofrer mais.

- Não vou, não. – responde instintivamente.

Ele volta a aproximar-se dela, agarra-a pela cintura e aproxima-a do seu peito musculado. Ele gosta dela, gosta do peso dela, gosta de a sentir, de a cheirar, aquilo não lhe é penoso, ele quer, apenas não quer é que tenha que ser violento. Ele daria tudo, para que não tivesse que usar a força, mas ela, com um golpe rápido e imprevisível, no baixo-ventre, liberta-se dos seus braços. Ele bate-lhe de imediato, nunca iria permitir que o magoassem, mesmo que quem o fizesse fosse uma mulher como ela.

Ela cai por terra. Desta vez ele tinha usado, realmente, a sua força. Agarrou-a ainda antes de ela recuperar o fôlego e atirou-a para cima da cama, onde antes já a havia acariciado. Ela fica atordoada, com a pancada que deu com a cabeça e demora um pouco a encontrar de novo discernimento, mas pouco antes de se levantar, ela sente-o a tocá-la de novo. Ela tenta resistir fugindo, serpenteando, empurrando, mas começa a faltar-lhe as forças. Ele ajoelha-se em cima da cama, chega-a de novo ao seu corpo. Ela sente o seu cheiro acre a suor e, por pouco, não se permite a desistir e a entregar-se, incondicionalmente, àquele estranho.

As suas mãos continuam a percorrer todo aquele pequeno corpo. Ele insiste naqueles preliminares desnecessários, ele quer realmente que ela o aceite, que ela queira que aquilo aconteça, mas algo nela, algo que nem ela mesmo sabe explicar, impede-a de se entregar sem dar mais luta. Ela sabe de antemão que o desfecho será aquele, mas quer ficar com a consciência tranquila, antes de desistir. Olha à volta e vê a faca de mato, no chão. Era isso que faltava nas suas calças. Ela livra-se mais uma vez dos seus braços e rebola, para junto da faca, ganhando a vantagem da distância. Ele demora algum tempo a perceber o que se passa, mas se antes ainda tinha dúvidas, ele agora tinha a certeza absoluta de que ela tinha treino militar.

x-men_origins_wolverine_movie_poster2 O que é que será que me prende à saga X-Men? O excelente enredo? O facto de ser uma das novelas cómicas que eu mais aprecio desde criança, ou o facto de que sempre que sai uma sequela do filme, o elenco melhora exponencialmente.

OK. Vocês já sabem o que eu penso dos filmes de acção, por isso só posso dizer, deadpool_wolverineque o filme não desilude. Tem todos os requisitos para nos manter atentas ao ecrã: acção, espectaculares lutas coreografadas, Ryan Reynolds, CGI, excelente montagem, efeitos sonoros de cair para o lado, Hugh Jackman,  a eterna batalha do  bem contra o mal.

Mas o mais importante  (façam um esforço para acreditar que é o que eu acho mais importante), é que Wolverine mostra de forma clara e inequívoca, o nascimento de um herói traumatizado, complexo e fascinante, exactamente, por ser idiossincrático. x-men-origins-wolverine-1501Wolverine é o mais corajoso, animalesco e selvagem dos X-Men, e, por isso, por ser um ser atormentado na busca constante do seu próprio Eu, torna-se no mais fascinante e apaixonante personagem da saga criada por Stan Lee e Jack Kirby na década de 60.

 

Eu adorei o filme. Bom fim-de-semana!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Recuperar uma casa com mais de cem anos, para eu poder morar, viver, receber, criar e escrever.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Os espertos são aqueles que apesar de um QI por vezes não superior à média, conseguem destacar-se dos demais. São aqueles, que apesar de todas as adversidades, conseguem levar a sua a avante. São aqueles que ignoram os sentimentos dos outros, se estes estiverem no meio dos seus interesses. São aqueles que são sempre mais encantadores. São aqueles que têm o maior jogo de cintura. São aqueles que usam a mentira como a verdade e a verdade como a mentira.

Os espertos são aqueles que se saem sempre melhor, são aqueles que vão mais longe. São os que conseguem os melhores empregos apesar de não estarem habilitados para os mesmos. São aqueles que conseguem as promoções e os melhores negócios. São aqueles que ficam sempre com o melhor gabinete.

Às vezes gostava de ser um pouco menos inteligente e ser muito mais esperta.

 

- Perdoem a presunção da minha pessoa, ao achar-se inteligente. -

domingo, 26 de abril de 2009

lua cheia

 

 

Eu – Vida!

V – Sim!

Eu – Aonde vais?

V – Vou ali e já volto.

Eu – Não! – impero – Fica aqui que o rumo não é esse. – ela olha para mim, com pouca vontade – Não fujas! – peço candidamente – Ainda há tempo, tem de haver! – explico-me, enquanto tento convencer-me também.

V-  Então despacha-te, estou farta de esperar!

Eu – Eu despacho-me! Prometo.

 

- A vida voltou, mas não está muito convencida. -

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Arranjar uma fonte para o meu blog, que fosse igual à minha letra.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

- Ainda me vais resistir? – insiste enquanto lhe pega meigamente no queixo. Ela acena que sim e ele perde de novo a paciência. Bate-lhe no estômago, fazendo-a ajoelhar-se automaticamente, pela dor provocada. Depois mente, interpreta um papel que não é o seu, mas que ele vira ser interpretado várias vezes com sucesso. – É assim que vocês mulheres deveriam estar sempre: de joelhos, submissas. – mas ela estraga-lhe os planos e levanta-se mais depressa do que ele poderia imaginar e volta a enfrentá-lo com o seu olhar profundo e puro.

Mais do que nunca, ele teve a certeza de um treino militar, mas como? Ela tinha pouca idade, com um corpo plenamente desabrochado, mas era ainda uma criança. A verdade é que ela pouco ou nada se aflige com as suas agressões. Muito pelo contrário, estas apenas a têm tornado ainda mais arrogante e este olhar é prova disso mesmo. Mas afinal de contas, o que receava ele? Ela era apenas uma jovem mulher! Mas a verdade é que ele preferia não ter que a magoar, definitivamente, ele não se sentia à vontade com o papel que lhe tinha sido atribuído, ele era um amante, não um violador. 

Ela mexe com ele e, por instantes, ele quase preferia ter escolhido qualquer outra rapariga, daquele acampamento de escuteiros, qualquer outra rapariga, que não fosse esta, mas já era tarde de mais para isso. Ele afasta-se, tentando recompor-se e ela aproveita o momento para o baralhar ainda mais.

- Eles irão dar pela minha falta. Logo de manhã eles começarão a procurar-me e irão encontrar-me. Tenho a certeza que ele virá salvar-me. – ele riu-se. 

Ela estava a ser ingénua, ele conhecia a laia do homem com quem ela estava. Ele nunca iria colocar em causa a sua posição e reputação. Ele nunca admitiria, que estava com uma menor, no meio da noite, perdidos no mato. Ele sabia que ele voltaria para o acampamento e só no dia seguinte, quando outros dessem por falta dela, é que ele  faria qualquer coisa. Mas ele não temia isso e ela no fundo, sabia-o. 

– Porquê eu? – desta vez é ele quem não responde.
- Tu sabes que eu vou ter o que quero...a bem, ou... – hesitou – Tu é que sabes, tu é que escolhes.
- Então eu já escolhi. – ele levanta os olhos cheios de curiosidade e aguarda a resposta, como se ela fosse mudar alguma coisa – Não poderei ceder-lhe sem que primeiro, faça tudo o que estiver ao meu alcance, para o evitar. Nunca me perdoaria se o fizesse, seria muito pior para mim. As feridas do meu corpo saram, mas as da alma, ficam para sempre. – o seu corpo tremia gelado na sua nudez. – ele ri-se, mas de embaraço. 

Ele preferia muito mais que fosse outra a sua resposta. Será que ele não lhe agradava? Seria a primeira vez, mas também era a primeira vez que ele raptava uma mulher.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Eu não sei o que vocês entendem por felicidade, mas para mim, felicidade é reunir na vida, mais momentos bons, que maus.

Uma espécie de colecção de álbuns de pequenos minutos felizes.

domingo, 19 de abril de 2009

acordar4xe A noite arrefece e eu acordo, tenho frio. Procuro a pele dele no outro lado da cama, está quente, é suave, a carne endurecida pelo exercício, torna-se macia ao toque. Estreito-o nos meus braços e peço ao seu ouvido:

- Beija-me! Beija-me como se não houvesse amanhã!

E ele mesmo a dormir, vira-se, abraça-me como se quisesse que eu fizesse parte do seu corpo, como se eu fosse uma extensão de si mesmo. Abre os olhos, beija-me e faz de mim uma mulher feliz.

sábado, 18 de abril de 2009

Vocês conhecem aqueles dias em que acordamos com um nó na garganta que não sai?! Vamos trabalhar e apetece-nos chorar ainda antes de vermos o primeiro colega, mas como não o podemos fazer, engolimos diversas vezes, como se pudéssemos engolir a vontade de chorar, empurrar bem para dentro do nosso corpo e escondê-la?!

Contudo o nó continua na garganta e quando estamos quase a chegar a casa, perdemos, cada vez mais, o controlo e as lágrimas começam a cair, ainda sem ruído e uma frase, começa a repetir-se na nossa mente.

Quando abrimos a porta de casa, já as lágrimas caiem cascata. Atiramos com as coisas para o chão, saltamos para a cama e começamos então a soltar o nó preso durante todo o dia; soluçamos, choramos, soluçamos e choramos.

Lembram-se da frase?! É nesta fase que ela começa a fazer sentido. Primeiro sai como um murmuro, uma, duas vezes. Depois, explode como um grito de afirmação: “Não é justo! Não é justo! Não é justo! Não é justo!” É como uma frase de bêbado, pois nesta fase já estamos embriagados com o nosso próprio choro e com a sensação de liberdade que ele nos proporciona.

Vem então o estágio seguinte, aquele em que já nos dói os músculos de tanto gritar, soluçar e chorar. Sentimos os olhos inchados e a arderem por causa do sal. No entanto, chorar está a saber tão bem, que continuamos, esfregamos os olhos, limpamos o nariz com a manga da camisa e, em pranto, vamos até a um espelho. Estamos mais horríveis do que é habitual e isso só reenforça a necessidade de continuar a chorar. Então encostamos as costas à parede mais próxima e, lentamente, deixamos-nos escorregar até estarmos completamente sentados no chão, num pranto incontrolável.

“Não é justo! Não é justo! Não é justo! Não é justo!” Retomamos a frase. Aliás a frase pode ser qualquer coisa desde: “Fiz o meu melhor!”, “Porquê eu?!”, “Porquê?”, “Eu sou melhor!”, até à famosa frase de choro, “Não mereço isto!”

Inevitavelmente, sempre que estamos no meio de um ataque destes, o telefone teima em tocar. Podemos passar dias sem que ninguém nos ligue, mas sempre que estamos a chorar, alguém se lembra de nós. Aí, tentamos a todo o custo controlar os gemidos e as lágrimas, respiramos fundo, limpamos o nariz (e continuamos a usar a manga para esse efeito) e atendemos (sim, porque temos sempre que atender o telefone, não vá ser mais urgente que a privacidade do nosso choro), com uma voz característica de quem estava a chorar.

Nós- Estou! – fungamos.

? – Que voz é essa?! – eu imagino sempre uma voz aguda, que são as que mais me irritam, vocês façam como entenderem – Estavas a chorar?

Nós – Não! – fungamos e soluçamos – Agora a chorar! 'Tá parva!

? – É que estás com uma voz estranha!

Nós – Estou um pouco constipada, é só isso! – fungamos, soluçamos e tentamos controlar a vontade de berrar, gritar e gemer. (Também podemos dizer que estávamos a dormir, ou que estamos com uma alergia)

? – Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá. – e nós sem ouvir nada.

Nós – Então ‘tá bem! - fungamos uma última vez – Depois digo qualquer coisa. – e desligamos o telefone.

“Não é justo! Não é justo! Não é justo! Não é justo!” - gritamos, até que adormecemos à frente da televisão, exaustos e com a alma lavada.

- Adaptado de algo que vi, li, ou ouvi, mas que não me recordo onde. -

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