Uma amiga muito querida, andava feliz há dois anos, a viver com quem ela pensava ser a sua cara-metade, quando de repente e do nada, o rapaz chega uma noite a casa e depois do jantar preparado por ela, diz:
- Não estou preparado para uma relação séria. Sabes que eu vejo em ti uma amiga muito especial, uma grande amiga. Acho que esta nossa predisposição para vivermos juntos assim tão bem, deve vir de uma relação Kármica, passada, onde tu deves ter sido minha mãe. Mas sabes, tal como em todas as relações entre mães e filhos, está na hora de eu sair de casa e de tu me deixares ir.
Não admira que a minha amiga não se consiga encontrar depois deste duro golpe. Reencontrar o seu Eu, o seu amor próprio, a sua auto-estima e não admira (por mais absurdo que eu ache) que ela tenha tentado acabar com tudo. Talvez tenha sido a sua forma tortuosa de gritar que queria começar do zero, esquecer todo o passado, olvidar todo o Karma (como começo a odiar esta palavra).
É que em meia dúzia de baboseiras romantizadas, aquele espécime de energúmeno, reduziu-a a uma presença fantasmagórica, a uma alma transviada, perdida no tempo e agarrada, aprisionada, agrilhoada a uma existência onde é obrigada a viver, vezes sem conta, as mesmas relações, a ser mãe sem nunca ter parido, a ser amiga quando queria ser amante, a ser nada quando queria ser tudo.
Mas amor, tudo isso não interessa, eles não interessam. Tu não és menos mulher apenas porque os homens vivem, eternamente, num complexo freudiano, onde Édipo e o Peter Pan, são os modelos a seguir. Tu não és menos mulher, simplesmente porque esse “bife” idiota ainda não era o homem certo para ti!
Tu és linda, inteligente, divertida, emotiva, cheia de salero latino e não existe nada no Mundo que mereça a tua vida e nada que apague a tua ausência.
Por favor acorda! Volta para ti. Volta para junto daqueles que te amam incondicionalmente: a tua família, os teus amigos.
Eu aguardo-te com os meus dois braços abertos!
P.S.: Darren, meu querido! Podes ter os cinturões negros todos que quiseres, mas se eu te apanhar em Portugal, ou noutro local qualquer, podes ter a certeza que te enfio a relação Kármica, por um certo orifício.