quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Não sei se vocês estão familiarizados com um número que envia mensagens de um tom intimo, sem que tenhamos alguma vez tido conhecimento com a pessoa, ou entidade, e muito menos feito algum tipo de inscrição, para que o nosso nº privado de telemóvel, pudesse ser do conhecimento de tal entidade. Trata-se do nº 4880 e basta que vocês o coloquem no google para vos aparecer uma enxurrada de casos e denuncias. Aqui ficam alguns dos que visitei:

http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?channelid=00000181-0000-0000-0000-000000000181&contentid=B0473997-DF87-4B19-BDCC-2B3E41E0EE38

 http://diario.iol.pt/sociedade/mensagem-sms-telemovel-operadoras-tvi24-telefone/1082879-4071.html

Pois bem uma amiga minha, no meio das suas tão esperadas férias com o marido e filha, começou a receber algumas destas mensagens. No início achou que poderia ser eu a brincar com ela (ainda tens que me explicar, porque raios pensaste tu isso!), e não ligou até porque estava fora do país e não estava para gastar dinheiro mal gasto.

Mas de volta das férias e já em Portugal, o tom das mensagens passou a ser mais intimista e provocadora, deixando-a sem perceber quem poderia ser e como é que teriam conseguido o nº dela. Como podem adivinhar assustou-se e telefonou para a TMN a tentar saber se existia maneira de bloquear o dito nº e de quem era. Verdade seja dita, que esta atitude tornou-se infrutífera, gastando rios de dinheiro em passagens de serviço para serviço, para depois chegarem à conclusão que se tinha que deslocar pessoalmente a uma loja TMN.

Depois de não sei quantas mais mensagens e ida e vindas à TMN, porque até com a assinatura dela implicaram, ela acabou por fazer uma reclamação formal que podem ler aqui:

« Em 25-08-2009, dirigi-me à Vossa loja situada no Campo Pequeno e, ao abrigo do Decreto-Lei n.º 63/2009, de 10 de Março, solicitei o barramento de quaisquer mensagens (SMS/MMS) enviadas pelo número 4880, serviço para o qual eu nem sequer me havia inscrito e não estava interessada.

Na ocasião, os Vossos Serviços não me facultaram uma cópia do pedido apresentado, dizendo-me que tal não era possível mas que iriam resolver o assunto.

Tendo continuado a receber mensagens, cada vez mais, do número em assunto, telefonei para o assistente da TMN (número 1696) expus a situação, tendo sido informada que os Vossos Serviços só podem “barrar futuras activações do número em assunto, estando o serviço já activo nada podem fazer, devendo ligar para o número 707780013 para solicitar o cancelamento do serviço inerente ao número 4880”.

Embora a explicação me parecesse no mínimo estranha, até porque o próprio D.L. 63/2009, de 10 de Março, fala em barrar / desactivar, decidi efectuar o procedimento indicado.

Após várias tentativas frustradas, consegui finalmente, em 27-08-2008, obter ligação para o n.º 70778013, que se revelou ser um Call Center situado nas Amoreiras, e solicitar a dita “desactivação do serviço inerente ao n.º 4880”.

Escusado será dizer que continuei a receber mensagens do número 4880.

Hoje, 28-08-2009, mais uma vez liguei para o n.º 70778013, às 08h 59 m, e expus a situação, tendo-me sido assegurado que desde ontem (dia 27-08-2009 às 15h 35m) o serviço se encontrava desactivado e eu não deveria ter recebido mais mensagens, o que obviamente não foi o que aconteceu!, e que iriam tratar de imediato do assunto

Fui ainda informada pelo Call Center 70778013 que são Vocês, TMN, que uma vez contactados por eles procedem à desactivação do serviço!!!!!

Venho desta forma expressar a minha indignação contra toda esta situação, nomeadamente em relação à forma como Vocês, TMN, tem estado a lidar com todo este assunto, até porque, pelo menos até às 22h 52m do dia 27-8-2009 (ontem) efectivamente continuei a receber SMS do número 4880 !!

A situação é no mínimo escandalosa, até porque não é propriamente recente, segundo pude apurar, no jornal Correio da manhã do dia 18 do corrente mês houve um artigo, onde Vocês, TMN, até participaram, especificamente sobre o situações similares com o número 4880, MAIS UMA RAZÃO PARA RESOLVEREM RAPIDAMENTE ESTAS SITUAÇÕES !!

Pretendo ainda informar que não irei pagar qualquer custo inerente ao número 4880 (seja ele de mensagens recebidas ou enviadas) um serviço que nunca subscrevi !!!

Caso a situação continue, irei apresentar queixa-crime na Policia Judiciária contra o dito serviço inerente ao número 4880, contra o Call Center 707780013 e contra Vocês TMN sem o qual nada disto seria possível !!»

Depois da reclamação formal a minha amiga deixou de de receber as ditas mensagens e já lhe telefonaram não sei quantas vezes da TMN a perguntar se a reclamação apresentada já estava resolvida. A última vez que ligaram, na sexta-feira passada, depois de ela insistir que pretendia saber quando e como tinha aparecido inscrita nesse serviço, continuaram sempre a repetir que ela não pagava as mensagens recebidas (apenas as enviadas), até que lhe desligaram o telefone na cara !!!

No dia anterior tinham-lhe telefonado para um inquérito de qualidade, mais uma vez relacionado com a reclamação apresentada, ela pediu para ser adiado para esta semana porque estava fora a trabalho.

Ela só está à espera que lhe liguem para lhes dizer que não está nada satisfeita, nomeadamente com o facto de lhe desligarem o telefone na cara, face a perguntas que eles sabem perfeitamente as respostas, mas que simplesmente não querem , ou não podem responder. Porque a verdade é que ninguém nos tira da cabeça, que é a própria TMN que fornece os números, uma vez que com o acordo que mantém com a tal entidade, a TMN recebe uma comissão choruda das mensagens de resposta.

Se é assim, escusam de andar a perguntar se a minha amiga está satisfeita, pois não está!!!

Pelos vistos e olhando para trás para toda esta situação rocambolesca, parece que ela só se conseguiu livrar das mensagens, quando ameaçou ir à policia apresentar uma queixa crime !!!

Esperemos que o caso esteja sanado e que não haja nenhum tipo de desenvolvimento triste.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Ao tentar cumprir com a minha promessa de ter mais tempo para mim e para as coisas que me fazem sentir bem, hoje tentei durante a viagem de comboio, arranjar tempo para ler alguns blogs que sigo e que me seguem. No Blog do Escrevinhador, encontrei algo, não só que ia de encontro com uma conversa que tinha tido com uns amigos, como me fez rir à gargalhada:

«O cartaz do PCP contém a palavra "Mudança" (change, em inglês), e a frase "Sim, podemos ter uma vida melhor" (em inglês, "Yes, we can", etc.). Onde é que eu já ouvi isto? Não me lembro, mas parece-me que a fotografia do cartaz mostra um Jerónimo de Sousa bastante mais bronzeado do que é costume. A campanha dos comunistas portugueses usa os mesmos lemas que a campanha do chefe do imperialismo americano, facto que mais uma vez me obriga a constatar que não percebo nada de política.»

Simplesmente, perspicaz.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

y1pBQlcWwpgTb1E3RQk0SEpvMWxNkKsX5qlPHzhbENiNjJDstdH_vCDcGbkBhC5sR4K Existem momentos na vida de cada um de nós, que se destacam pelo facto, de nada terem para destacar. São momentos em que a nossa vida entra numa rotina que nos surge alienígena, como se nada tivéssemos feito para que ela chegasse àquele ponto e, no entanto, lá está ela, clara e repetitiva.

Sempre que isso acontece, sempre que eu dou conta de que isso está a acontecer, assim que admito que isso está a acontecer, está na altura de fazer algo que o contrarie. A forma que eu arranjei para o fazer, é encontrar algo que nunca fiz na vida e fazê-lo. Foi assim que fiz bungee jumping pela primeira vez, foi assim, que saltei de pára-quedas, foi assim que comecei a fazer escalada, foi assim que tive sexo pela primeira vez. Para mim, serve como lubrificador, para dar às rodas da engrenagem da minha vida, um novo destino.

Ao ver o telejornal, hoje de manhã, decidi que tinha que andar de balão. Agora falta descobrir como o irei fazer.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

alone Ele despediu-se dos visitantes e entrou na tenda, assim que teve a certeza que eles não voltariam atrás. Ela chorava. Ele não queria que ela sofresse, mas fazia parte das consequências, ele nada podia quanto a isso. Sentou-se na cama, perto dela. Limpou-lhe as lágrimas e beijou-lhe os olhos húmidos. Ela, de uma forma estranha, gostava dele, gostava do seu cheiro, do seu toque, das sensações que ele lhe provocava. Era algo que ela não compreendia, nem controlava. Era um desafio. Retirou-lhe a mordaça e depressa ouviu a sua voz suave. Ela nunca gritara.

- Ele vai voltar, quando não me acharem! – teve que se rir. Ela nunca desistia. – De que te ris?

- Eu vou tratar disso ainda esta tarde. Tu vais telefonar-lhe e resolver esse assunto. Não te preocupes, que ele também não.

- Desata-me. – ordenou-lhe. Ele olhou-a condescendentemente, mas não obedeceu. Dirigiu-se à tina onde ela se tinha lavado e fez a barba. Ela apenas observa. Nada mais pode fazer. Ele é lindo e ela admite-o. – Porque é que me escolheram a mim? Podia ter escolhido qualquer outra rapariga do meu agrupamento, porquê eu? – ele olha-a através do pequeno espelho. Ele podia responder a isso.

- Porque me pareceste a mais consistente, a mais forte, a mais apta. – ele não lhe disse o que ela queria ouvir e ele percebe-o. Faz um compasso de tempo, acaba praticamente de se barbear, antes de concluir o seu pensamento: – A mais bonita. – isso sim, era isso que ela queria ouvir, era o orgulho fútil da adolescente que ela ainda era. Contudo ela não se envaidece como, outra qualquer menina faria e questiona.

- Porquê uma criança? Porque não uma colega vossa?

- Apenas alguém como tu, teria o perfil necessário, para a nossa missão.

- Nunca tinha ouvido, que a nossa tropa, andava a raptar crianças... – ele não a deixou terminar.

- Nem comeces. É lógico que não andamos a raptar crianças por prazer. Nem eu raptei uma criança, apenas uma jovem, que pudesse passar por uma criança. Alguém que tem uma alma antiga e uma cabeça feita, pronta para o mundo. Eu não raptei uma criança. Eu raptei-te a ti! – ela estava confusa, se queriam a colaboração dela, porque é que não lhe pediam? Era tão mais simples. Mas ele tinha razão. Ela não era mais uma criança e também era verdade que estava pronta para enfrentar quase tudo, mas que sabia ele disso?

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Vocês sabem como todos nós tentamos encaixar as coisas e as pessoas em pequenas caixinhas e rotulá-las, de forma a podermos arrumá-las nas prateleiras e retirá-las quando nos é mais conveniente?

Eu também o faço, mas no outro dia, ao falar através do chat do Facebook com um amigo, sofri uma epifania e achei absurdo tal comportamento. Ele fazia-me perguntas absurdas, seguindo a linha dos teste de personalidade, de forma a tentar perceber-me melhor. Achei divertido, a sério e não me esquivei a nenhuma pergunta, respondendo a tudo com a maior sinceridade, mas ele ia ficando cada vez mais confuso e foi criando opiniões e conceitos diferentes acerca de mim, que depressa se via obrigado a alterá-los, porque na realidade, eu não me encaixo em nenhuma caixinha. Nenhum de nós encaixa. Todos temos demasiadas camadas, demasiadas facetas, para que sejamos catalogados com mais de 70% de segurança, numa só. O resultado é que passamos a vida a ser aquilo que não somos. As pessoas olham para o que escrevo e acham que eu sou uma pessoa cautelosa, que programa tudo ao mínimo detalhe, que gosta de rotinas, quando na realidade, apesar de eu apreciar todas essas características, elas não me pertencem. Até gostaria de ser possuidora de algumas, mas não sou. Eu até posso planear com antecedência, mas sempre que o faço, as coisas não correm como defini e não existe nada que me dê maior prazer do que sair da rotina e dizer o que me vai na cabeça, sem pensar nas consequências.

Mas isto são apenas pormenores de personalidade, mas e quando é mais do que isso?

Hoje conheci um Chinês, que não o é. Existe um restaurante buffet chinês com sushi, onde comecei a ir almoçar e um dos empregados, sempre falou comigo num português impecável. Sempre achei estranho e hoje, tive oportunidade de lhe perguntar onde havia ele aprendido a falar português tão bem. Ele riu-se e disse-me: «Nem sequer sei dizer duas frases em mandarim.»

Achei estranhíssimo, mas ele ao aperceber-se disso, decidiu contar o que se passava:

« - Os meus pais fugiram da China nos anos 30, quando o Japão invadiu o nosso país. Eu não devia ter 5 anos quando cheguei a Macau e daí viemos para Portugal. Não havia chineses em Portugal na altura e os meus pais acharam que apenas deveríamos aprender português, pois com o comunismo na China e com a invasão japonesa, voltar não era opção.  Apenas os meus pais falavam mandarim, todos os meus amigos eram portugueses, os meus vizinhos eram portugueses, estudava na escola portuguesa e o meu pai morreu quando tinha 10 anos. Nunca cheguei a aprender a falar mandarim. Casei-me com uma portuguesa e tenho uma família tradicional portuguesa, com todos os vossos costumes e hábitos, até sou católico. De chinês apenas tenho a minha cara.»

Percebem o meu ponto de vista?

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

CAVERNA2 - Bons dias!

- Bom dia! – respondem em uníssono, os dois soldados. – Que fazem vocês por estas bandas?

- Já cá estão a algum tempo? – inquere a voz madura do namorado dela.

- A alguns dias. Estamos a treinar para uma missão especial. – responde o mais novo.

- E vocês? – pergunta o mais velho.

- Estamos a fazer um acampamento, nada de mais, apenas a aproveitar os últimos dias de férias de Verão dos miúdos. – ela vê-o a sorrir, com a segurança de quem sabe o que tem que fazer e gosta do trabalho que o espera. Ela observa-o, enquanto ele sai para ir ter com eles.

- Bom dia! Posso ajudá-los? – diz assim que sai da tenda. Ele observou os três intrusos com atenção e cuidado, há que estar preparado para qualquer eventualidade e nunca desprezar os seus inimigos. No entanto, não deixa de sorrir, novamente, quando se apercebe, que para além de mais novo, é também, mais bem-parecido, que o namorado da sua refém.

- Talvez! – responde-lhe o chefe da sua recente amada com cuidado.

- Tudo o que estiver ao meu alcance. – oferece. Aquele homem de trinta e poucos anos, aproxima-se dele e confessa.

- Um elemento do nosso agrupamento, desapareceu esta noite. Não sabemos o que se terá passado e andamos à sua procura, antes de tomarmos qualquer medida mais extrema. Você sabe como são estes adolescentes, não queremos passar por nenhuma vergonha.

- Não vimos ninguém, lamento. – responde o mais novo, ele confirma.

- Realmente não vimos nada fora do normal, mas que idade tem ela? Como é que ela é? – o namorado olha para os seus companheiros antes de formular uma resposta e responde de forma pouco segura.

- É uma menina comum, bonita, bem desenvolvida, cabelos pretos que lhe chegam até o meio das costas, olhos azuis lindíssimos. – ela chora – Tem doze anos, mas parece muito mais velha que isso. - ele apercebe-se que o namorado da sua prisioneira, havia mentido na idade. Fazia-a passar por mais nova, para que, no caso de a encontrarem, a tratarem como uma criança. Era esperto e ele tirava-lhe o chapéu. Porém, sabia perfeitamente que ela deveria ser mais velha que isso.

- Agora tenho a certeza que lamento não a ter visto. – gracejou, com vontade. O namorado não se riu. – Vocês vão ficar aqui muito tempo?

- Mais dois dias. Depois de amanhã, vamos-nos embora. – dois dias não era muito tempo, eles poderiam esperar esse tempo. – Vocês querem juntar-se a nós esta noite? Serão bem-vindos. Podem jantar connosco e assistir ao fogo-de-conselho. Sempre seria uma fuga à vossa rotina de treino. – os dois soldados olharam para o seu chefe, ansiosos. Eles não se importariam de se divertir um pouco. Fazia já um mês que não contactavam com mais ninguém. Por outro lado, ele próprio queria saber mais sobre o seu anjo e isso, era mais importante que tudo o resto.

- Claro! Será um enorme prazer. É muito simpático da vossa parte.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

caravaggio-01 Recebi um repto de um amigo, para que explicasse o porquê desta necessidade física, emocional e mental de escrever, escrever compulsivamente, sobre tudo e sobre nada, sobre sentimentos e sobre o que ouvi, sobre a vida dos outros, sobre mim.

Para dizer a verdade, terei que admitir que estou cheia de medo. Tenho medo porque não gosto de explorar os meus vícios com muita profundidade, não quero encontrar por trás dos mesmos, explicações que irão, de certa forma, retirar o prazer de os praticar e escrever é um vício que tenho, um dos que me dá maior gozo, que mais me completa. Acho que é por isso mesmo, que a psicoterapia para mim, é uma perda de tempo.

Mas porque escrevo eu?! Porque retiro eu recompensas da minha escrita, para as quais não tenho palavras para descrever?! Porque seria para mim impossível não escrever, mesmo que fosse apenas na minha cabeça?!

Talvez seja pela mesma razão que o cérebro precisa de sonhar para descansar. Sabem que o corpo só descansa, mentalmente, se sonhar e que os sonhos são uma forma de podermos arrumar pensamentos, de colocar os ficheiros em ordem?! O processo é complicado e não faz sentido numa tradução literal, mas permite organizar recordações, limpar a mente. Creio que escrevo, compulsivamente, pela mesma razão: porque tenho uma necessidade constante de organizar pensamentos, recordações, sentimentos, dores e apenas o consigo fazer se o passar para o papel, mesmo que, tal como os sonhos, estes não surjam de forma simples e directa, mas sim em pequenas metáforas, em pequenos subentendidos, em pequenas nuances, em pequenos pormenores, (como a cor da flor que a heroína usava na barra da saia, do lado esquerdo). Pode não fazer sentido, mas o que escrevo contém tudo de mim. Tudo o que sinto, tudo o que vejo, tudo o que anseio, tudo o que receio, tudo o que desejo. Ao escrever faço as pazes comigo mesmo, conheço-me melhor, aprendo a gostar de mim, a descobrir em mim, atributos, que pensava não possuir, gostos que achava improváveis.

Acho ainda que, escrever é uma forma de dar a conhecer quem sou, quem eu realmente sou e não aquela que todos vêm no comboio todos os dias, aquela  pessoa insatisfeita com o seu emprego, aquela pessoa cansada por não fazer o que realmente gostava de fazer. Escrever é uma forma de eu gritar aos outros e dizer: Vejam, eu sou assim, sou assim mesmo. Gostam?! Querem conhecer-me melhor?!

Escrever faz de mim uma pessoa melhor, porque me obriga a conhecer a mim mesma, a reconhecer tudo. É por isso que escrevo.

Sejam livres de escrever o que vos apetecer e se quiserem podem dizer-me porque gostam vocês de escrever, de partilhar as vossas coisas!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

aloneSentaram-se os três à mesa e esperaram ser servidos. Ela respirou fundo, procurando alguma calma e paz de espírito. Atirou com a comida para cima de cada uma das marmitas e aguardou, sentada numa rocha, que eles acabassem de devorar, o que havia cozinhado. Não sentia fome, no seu estômago estava apenas um nó. Ele observava-a constantemente. Ela já nem ligava. Quando se apercebeu que tinham acabado com tudo o que estava na panela, foi retirar a loiça para lavá-la. Ele sorria candidamente, de uma ou outra piada que os outros diziam.

Ele tinha uma aura de menino de ouro. Não lhe parecia assim tão velho, agora. Era até bem novo, para quem já ocupava uma posição de oficial. Tinha a certeza que ele não tinha mais de vinte e cinco anos e era, pelo menos, capitão. Ela não sabe como, mas apercebia-se sempre dessas coisas. Quando voltou para buscar a panela, o soldado mais velho sentou-a no seu colo e recomeçou com as brejeirices, que já tinha proferido, na noite anterior. Ela protestou, esbracejou e debateu-se. Ela bem procurava os olhos do seu raptor, mas ele não se apercebia do que se estava a passar, apenas prestava atenção a um som, que só ele ouvia. Num berro, manda-os calar. Eles obedeceram de imediato, deixando-a recompor-se. Todos aguardavam ansiosos, novas ordens.

- Eles vêm aí! Ajam com naturalidade. Eu já venho. – só passado um pouco é que ela se apercebe do que se trata, mas já era tarde de mais. Ele já lhe tinha tapado a boca, com as suas enormes mãos e arrastava-a para dentro da tenda. Ele olha-a por uns instantes e liberta a boca dela, os segundos suficientes para a poder beijar. Amordaça-a logo em seguida. Ela larga, finalmente uma lágrima. Ele deita-a gentilmente na cama em que ambos dormiram e amarra-a. – Quem me dera que não fosse preciso fazer isto! – confessa-lhe. Ela engole o choro quando ouve a voz do seu namorado secreto e o seu corpito estremece. Implora-lhe com os olhos, para que a deixe ir, mas ela não sabe, que ele já não o pode fazer. Mesmo que quisesse, agora já era tarde. Ele já a amava. Ela era demasiado nova para ter consciência disso. Estava determinado a conquistá-la. Ele iria tê-la, mas iria ser ela quem o iria permitir. Aquele papel de violador, a que ele se impusera a si próprio, na noite anterior, não se iria repetir. Pelo menos, assim ele o planeava. Seria muito mais fácil, se ela passasse a ser sua amante. Ele espera um pouco com ela, dentro da tenda e ouve, atento, o que se passa lá fora.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Não sei se por acaso alguma vez aqui comentei, que não gosto nem só um pouco de Francês, mas existe nesta língua, uma palavra, que me diverte e que uso com alguma frequência, porque ela significa muito mais do que a sua tradução literal e na realidade pode descrever tudo aquilo que por vezes admiramos em determinadas pessoas, mas que não sabemos o que é exactamente.

Na realidade, foi uma palavra muito usada durante o reinado do Rei Sol, em França e tem também um pouco a ver com aquela época, em que as mulheres para se fazerem notar, ou poderem viver como pensavam e queriam, tinham que ter em abundância. Estamos a falar de um altura, em que as mulheres em todo o lado do Mundo eram consideradas apenas objectos e pouco mais, mas que em França, davam cartas na literatura, na poesia e na filosofia. Muitas das regras de etiqueta e muito do que a língua francesa é hoje, e que todos conhecemos, em muito lhes deve.

Mas voltando à palavra em si: “Ésprit”, significa muito mais que espírito. Significa, isoladamente, ou em conjunto, “Mente”, “Destreza”; “Jogo de Cintura”; “Espinha Dorsal”, “Inteligência”; “Esperteza”; “Ser”, ou como alguém descrevera na altura: «Um poder que todos os outros reconhecem.»

Aristocrata que não tivesse “Ésprit”, depressa era devorado pela máquina cabalista, intriguista e maquiavélica, que era a Corte da altura de Luís XVI. O “Ésprit”, tornou-se um apetrecho social imperativo.

Alguém sabe onde é que se pode comprar, para poder oferecer aos nossos acefálicos políticos?

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

… Daqui a 30 dias eu fosse ficar rica?!

 

Agora, e infelizmente apenas no plano da fantasia, se eu daqui a 30 dias fosse ficar rica o que deveria fazer? O que fariam vocês se soubessem, com toda a certeza, que iriam ficar ricos? Que planos fariam, que atitudes tomariam, que medidas achariam necessárias?

terça-feira, 11 de agosto de 2009

abismo (2) Existe algo que os homens nunca compreenderam, mas que eu vou tentar explicar: as mulheres mudam o seu comportamento, conforme a forma como estão vestidas. Ela ontem estava nua, desprotegida, apenas podia contar com a sua pele, para a influenciar, mas hoje, ela tem uma farda vestida. É certo que é de escuteira, algo que inspira pouco ou nenhum respeito, mas de todas as formas, é uma farda e, portanto, ela age à altura do que veste. Eles são militares, movem-se e comunicam como tal e ela também sabe jogar esse jogo. Ela compreende muito bem esse orgulho que provém de se estar a cumprir uma missão, seja ela qual for. Ela também tem uma: sobreviver.

- Bem! Já que aqui estás, ao menos que te tornes útil. Vê se preparas algo comestível para almoçarmos. – ordenou-lhe, olhando-a frente a frente, olhos nos olhos. Ela sabia que não o podia enfrentar como fez na noite anterior, por isso, limitava-se a olhar o horizonte, tal como havia aprendido a fazer nas paradas. Ele era o superior hierárquico dos outros dois e ele nunca permitiria uma insubordinação vinda da parte dela, à frente dos outros. Ela tinha conhecimento disso e sabia que, aceitar isso como um facto, a salvaria de qualquer outro problema. Acatou a sua ordem, com uma submissão militar, que ainda o desconcertava.

Acabou por procurar, na cozinha improvisada, qualquer coisa para fazer para o almoço. Não pôde deixar de comparar aquela construção tão tosca, com aquelas que ela insistia em fazer nos seus acampamentos. Ela era uma líder de patrulha e era muito boa nisso. As suas construções de troncos e sisal eram elaboradas e admiradas por todos. Aquelas que eles tinham feito, não chegavam sequer aos pés, das dela. Ela não sabe porquê, mas sentiu-se orgulhosa por isso. Achou entretanto umas latas de feijão, tomate pelado e atum. Decidiu fazer uma feijoada de atum e quando já passava do meio-dia, chamou-os para almoçarem.

domingo, 9 de agosto de 2009

Lisboa, 19 de Outubro de 1929 – Lisboa, 8 de Agosto de 2009

 

Sem mais palavras, pois já todas foram ditas, fica apenas aqui como prova da minha tristeza, uma das frases que mais gostei de ouvir, um actor dizer:

“Façam o favor de ser felizes!”

Por mais triste que me sinta, rio-me sempre com uma cassete que tenho de Solnado com "É do inimigo?”.

Obrigada e Adeus!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Antes de mais, desculpem ter ficado tanto tempo sem actualizar o blog, mas a verdade é que férias e computador, por mais portátil que seja, não combinam. Contudo estou de volta e com o meu retorno ao dia-a-dia pavoroso, voltaram, as pequenas pérolas que fazem dos meus dias, algo melhor.

Hoje tive que apanhar um autocarro, algo que simplesmente odeio, não suporto. Se de comboio eu sinto alguma liberdade e calma, posso ler e escrever, dormitar e sonhar, de autocarro, apenas perco tempo. Fico enjoada, não consigo ler e muito menos escrever e passo todo o tempo a pensar quando é que o estupor do condutor, não se vai espetar numa curva.

Estava eu nesse sacrifício, quando um senhor, com mais de 60 anos, se sentou ao meu lado. Cumprimentou-me, algo que achei educado, acho sempre que se deve dizer bom-dia, boa-tarde, boa-noite, é um bonito hábito que nos temos vindo a esquecer. Mesmo quando não conhecemos as pessoas, pois se elas se cruzaram no nosso caminho nesse dia, e depois de nos terem que ter visto, acho que é o mínimo que devemos fazer para melhorar o seu dia, desejar “Bom-alguma-coisa”. No entanto não ficou por aí e isso, já acho mal. Eu gosto de pensar e odeio que estraguem o meu raciocínio, mas o Sr. precisava de falar e na falta de se dirigir a um padre na confissão, eis que eu surgi, como um elemento salvador da sua alma e pensamentos torturados. (A igreja católica tem que fazer algo sobre isto, antigamente as pessoas não iam aos psicólogos, iam ter com um padre, eram de graça, poupavam ouvidos alheios, ninguém ficava a saber e eram igualmente desculpados e perdoados por qualquer acto que tivessem cometido e acima de tudo, não me chateavam). Mas estou a desviar-me das pérolas.

O Senhor, depois de ter contado uns quantos segredos sobre a mulher coscuvilheira que tinha feito uns amigos “Testemunha daquele gajo, o Jeová” e que lhe estavam a dar a volta à cabeça, ao ponto de ele quase ter querido bater-lhe na noite passada, confissão que foi seguida por uma frase minha, muito perspicaz e talvez a única que proferi:

“A violência é um poço sem fundo, do qual se faz bungee jumping, mas cujo elástico nunca permite voltar para cima, porque se parte!”

Acham que ele percebeu alguma coisa? ! O certo é que ele disse que eu tinha toda a razão e continuou, mudando de assunto, para uma sequência de pérolas que eu vou agora transcrever e acreditem que o contexto fez tanto sentido, quanto o que eu agora vou atribuir: Nenhum. E vou sublinhar as palavras que foram destorcidas ao longo do seu fluente discurso.

- E já viu a Gripe A? Começa a ser probremático. É um micróbrio, complicado de se evitar.

- É que as pessoas esqueceram-se do que é a hipiene.

- Nós tínhamos bácoros, ovelhas e cabras em casa, mas tínhamos as orelhas e as unhas sempre limpas e não tínhamos cá esses luxos como os putos de agora têm, como essas coisas que se usa nos ouvidos: os cordonetes.

- Mas basta ver nos supermercados. Deixam entrar todo o tipo de pessoas. Como é que a fruta pode ser segura, se drógados, pretos e ciganos, entram e mexem nelas. (Acreditem que se não fosse pelo facto de eu estar internamente a rir-me com a ironia de alguém que comete tantos erros de vocabulário pronunciar a palavra drogado, como os tios de Cascais, eu ter-me-ia levantado e ido embora naquele momento.)

- Se não vão comprar não podem entrar. Se os empregados têm que usar tocas e luvas, porque é que deixam entrar os piolhentos daqueles pretos e brancos drógados que usam aqueles cabelos cheios de m**** que não prenteiam?!

- É por isso que os micróbrios da Gripe A, não morrem.

- E os disvorcios?! (esta fez-me mesmo rir, pois alguém que fez parte das minhas férias também diz divorcio assim) Já ninguém fica casado! É tudo disvorciado e ninguém tem vergonha. Não acha?!

- Antigamente é que era, os miúdos brincavam na rua e nunca riscavam um carro ou roubavam um autromóvel. (talvez porque não houvesse muitos para roubar, mas roubavam outras coisas, o roubo não é uma invenção deste século)

Bem, acreditem que houve muito mais, até os trinta minutos da minha viagem tivessem terminado e felizmente pudesse sair do autocarro.

Digam lá se não foi uma excelente maneira de começar o dia?! Mas o mais engraçado é que se este senhor entrasse para o programa Novas oportunidades e tivesse passado aquelas pérolas para o papel, teria direito ao 12º ano.

domingo, 26 de julho de 2009

image001 (1) É quase impossível olhar o mar e não me apaixonar, não me perder nos seus encantos, não querer deitar-me nele e deixar-me embalar nos seus braços e permitir que ele me torne parte dele.
 image002Não faço ideia quem foi o arquitecto do Universo, mas seja quem for, sabia o que estava a fazer.
Nota:  Imagens de Clark Little

sábado, 25 de julho de 2009

Nós humanos somos uns bichos complicados, demasiado complicados, talvez! Levamos a vida a andar e a correr de um lado para o outro, sempre stressados e a arranjar problemas para resolver Mesmo quando eles não existem, ficamos sempre à espera que eles surjam, e nessa espera, nesse entretanto, perdemos muita coisa boa que podemos fazer, muita coisa que nos deixaria mais em paz connosco mesmo, mais calmos, melhores pessoas, não só com os que nos rodeiam, mas com os outros também, os outros que nos dizem pouco, ou mesmo nada.

Apercebo-me sempre disso, cada vez que tenho tempo para férias, sempre que guardo alguns momentos para estar com a minha irmã, a minha sobrinha, os meus tios, os meus primos, os meus amigos. Fico mais Eu. Não grito, não me irrito, volto a sorrir, não tenho maus pensamentos, não quero o mal de ninguém. Apenas quero viver em paz, ver as pessoas livres e felizes, soltas e leves, comunicativas, abertas, prontas para amar e se deixarem amar.

Queria muito que o meu dia-a-dia fosse sempre assim!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

agua

 

Adivinhar qual é a substância da vida, é o mesmo que encontrarmos o nosso verdadeiro Eu.

Conhecermos-nos na perfeição é conhecermos o Universo, é conhecermos tudo.

sábado, 18 de julho de 2009

 

 

Por vezes, o risco de se perder aquilo que se tem é tão grande, que tenho medo de arriscar. Acho que se pode sempre ficar pior do que se está.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

abismo1 (1) - Não penses que eles te vão tratar melhor, do que te trataram a noite passada e nem penses que eu os vou impedir. – continuou a rir-se.

Ela apenas se limitou a beber o café e a tentar reconhecer o local onde estava. Não podia ser muito distante do acampamento onde estava o namorado e os seus amigos. Eles tinham montado campo numa falésia. O vento era uma constante. Para além da tenda onde pernoitara, existia uma caverna na montanha que era usada pelos outros dois soldados. Tinham uma mesa, um toldo e uma cozinha rudimentar. Ele observava, com uns binóculos, algo que se passava numa clareira mais abaixo. Ela reconheceu o seu acampamento, preparavam-se para a alvorada. Aquela posição mais elevada, permitia-lhes o anonimato, apesar de os soldados poderem observar perfeitamente, todas as actividades do seu acampamento.

- O teu namorado está muito calmo. Nem sequer foi o primeiro a acordar. Aparentemente, ele só vai dar pela tua falta quando aparecerem todos, para o hastear da bandeira. – ele queria irritá-la, mas não era só isso, ele queria mais. Ele queria que ela percebesse que o outro, valia muito menos, do que ela merecia. Eram os ciúmes a falar mais alto.

Ambos ficaram a observar o resto da rotina e ele tinha razão, o seu namorado, apenas deu sinal da sua ausência, quando as elementos da sua patrulha o foram avisar. Ele era aquele com quem ela estava preocupada na noite anterior. Aquele que agora, se fingia surpreendido pela sua ausência. Os chefes reuniram-se e tomaram as medidas necessárias para organizar uma patrulha de buscas. Ele riu-se perante a hipocrisia daquele chefe de agrupamento. Ela atirou o resto do café para as cinzas da fogueira da noite anterior e disse com uma calma aparente.

- Mas agora eles vão procurar-me e eles são bons batedores. Antes do meio-dia, já cá vão estar. – ele olhou-a incrédulo, aquela pequena, não parava de o espantar. Pareceu-lhe agora, ainda mais arrogante que a noite anterior e a verdade é que ela estava mesmo.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

2152449Nada é eterno, mas tudo o que fazemos e pensamos, são para sempre, eternamente, experiências nossas.

 

Nota:  Fotografia retirada do site Olhares.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Passado poucos minutos, o outro soldado entrou na tenda. Ela não se recordava muito bem deste. Ele atirou-lhe a farda de escuteira, com a qual ela estava vestida, antes do seu rapto. Encheu uma bacia com a água que estava num jarrican perto da mesa e foi ter com ela. Ela encolheu-se e desviou o olhar. Ele apenas a agarrou por um braço e a arrastou até a mesa. Ela sentia-se desconfortável, assim, nua à luz do dia, frente a um homem que desconhecia.

- Lava-te e veste-te. O Chefe espera-te lá fora. Despacha-te. – ela olhou-o por uns instantes. Ele era maior que o seu parceiro na noite anterior, era muito mais alto e musculado, talvez um pouco gordo e tinha uma cara macilenta e cansada. Não era feio, mas não era alguém que ela procurasse numa festa. Ele entendeu aquele olhar como um pedido de privacidade e riu-se. – Nem penses que vais fazer de mim um pau mandado. Não sei o que foi que lhe fizeste ontem à noite, para que ele esteja assim, mas comigo não resulta. Despacha-te. Não te deixo sozinha nem por um instante.

Ela acabou por lavar o rosto. A água estava fria, mas ela lavou também a ferida provocada pelos dentes do seu raptor. O seu ombro estava todo negro e ainda deitava um pouco de sangue. As feridas da sua cara ardiam, mas ela suportava-o bem. Vestiu-se, ignorando por completo a presença daquele soldado. Tanto lhe fazia se ele a olhava, ou não. Era algo que ela não controlava, pelo que preferiu nem tentar. Quando ia a apertar o cinto nos seus calções repara que a bainha do canivete suíço e da faca de mato estavam vazias.

- Onde estão as minhas coisas? – perguntou num tom insolente.

- Como se nós te as fôssemos dar! – riu-se – Despacha-te. O chefe espera-te e tu és muito lenta. – e dito isto, agarra-a de novo pelo braço e empurra-a para fora da tenda. Ela tenta esbracejar e livrar-se do seu domínio, chega mesmo a bater-lhe e a cuspir-lhe, ao que ele responde com uma bofetada. Ela não se dá por vencida e apenas pára quando ele fala. – Aqui está, chefe.

O seu raptor estava à sua frente, com uma caneca de café na mão, estendida na sua direcção e ria-se divertido com a cena. Ela agarrou a caneca e bebeu em pequenos tragos, o líquido castanho e aromático que continha. Estava quente e isso fazia com que o seu corpo aquecesse um pouco. O Verão estava a acabar e naquela serra no Norte de França, o frio era quase Invernoso. Aquela farda sem um casaco, ou um pulôver, começava a não ser suficiente, para a manter quente. O soldado afastou-se juntando-se ao mais velho, deixando-os, de novo, sós.

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