segunda-feira, 29 de junho de 2009

DSC02278Eu fui sempre uma daquelas alunas que não se importava com a escola. A escola sempre me foi simples e muito pouco desafiante. Não me interpretem mal, não era má aluna, muito pelo contrário: achava tudo demasiado fácil e por isso mesmo, fazia coisas que me dificultavam a vida: Não sabia quando existiam testes, assim eram sempre uma surpresa e tinha que ter a melhor nota, sem ter aparecido nas aulas ou estudado e ficava sempre no grupo que sobrava nos trabalhos para média, pois raramente estava nas aulas em que eram atribuídos (apesar disto ter começado a correr contra os meus desígnios, pois como acabava por fazer os trabalhos quase sozinha e tinha sempre excelentes notas, os meus colegas do liceu, começaram a disputar-me na atribuição dos grupos, mesmo sem estar presente).

Sempre fui uma pessoa que inicia coisas, adoro inícios e tenho uma alergia muito especial a fins. Sempre que algo está prestes a começar eu fico excitada, empenho-me a fundo, dou o melhor que tenho (mas guardo sempre um pouco para os momentos em que adrenalina descarrega, mas isso é outra história) e assim era, com cada ano lectivo. Nos últimos dias de Verão, começava a preparar os cadernos, lia os manuais e os livros que sabia que ia dar em Português, adiantava matéria e imaginava tarefas e trabalhos em grupo que sabia de antemão que iriam ser feitos em determinadas disciplinas e ficava muito empolgada. Jurava que não ia faltar a uma aula, a um dia que fosse, que ia estudar para todos os testes e ia ser muito participativa. Conseguia fazer três trimestres em três semanas, sozinha, eu com os meus livros e depois, começavam as aulas e alistava-me em tudo quanto era grupo extracurricular: a Iris estava no grupo de teatro, no grupo de Alemão, fazia parte dos fundadores do Ecoclube (este tal como o teatro, levava muito a sério), do Clube  de Fotografia, fazia parte das listagens para as associações de estudantes e invariavelmente tornava-me uma vogal das mesmas, fazia parte da rádio da escola e um sem fim de outras actividades para as quais me pediam ajuda e eu nunca dizia que não.

Mas as aulas começavam, os toques começavam, todos nos metamorfoseávamos em carneiros, que mudavam de sala de aulas, em rebanho, de 55 em 55 minutos, ao toque de uma campainha, tal qual cães de Pavlov e eu perdia, toda e qualquer força de vontade e começava a faltar. Faltava dias seguidos, aparecia a uma ou duas aulas por dia, durante semanas (sim, porque biologia, português, filosofia e educação física, eram aulas às quais eu tentava não faltar, menos biologia, que o que se aprendia era tão fácil, que não precisava das aulas para ter excelentes notas, mas gostava da professora e da matéria e por isso fazia um esforço para aparecer, acreditem que era um esforço.

Aparecia em todos os grupos e assim os professores sabiam que eu estava viva e bem. Muitos conversavam comigo, com aquele tom paternal e diziam-me que deveria ir às aulas mais vezes, mas eu não conseguia, nem mesmo quando queria muito fazer-lhes a vontade.

Adorava a cara que o meu professor de Português fazia quando eu aparecia no clube de teatro, ao fim do dia, fresca que nem uma alface e depois dizia com o tom mais sério que conseguia manter:

- “Ao menos podias aparecer de vez em quando! Só e apenas para me dares a vã ilusão de que sou teu professor. Não fazias isso por este pobre homem?!” – e eu, que fingia estar muito preocupada com o ar sério dele, acenava com a cabeça que sim e depois desatávamos os dois a rir.

Se me perguntarem porque é que eu gostava tanto de português e porque é que passei a gostar tanto de teatro, eu sei exactamente o que responder: foi por causa do Professor António, meu professor de Português do 7º ao 10º ano, o que me convidou para fazer parte da peça Antigona, que mais tarde veio a dar nome ao grupo de teatro, por ter sido a primeira pessoa com que pude falar de Margarite Durás, Milan Kundera, Yukio Mishima, entre outros, por ter sido sempre mais meu amigo, que professor.

Aprendia muito mais fora de aulas do que dentro daquelas salas claustrofóbicas, castradoras, e por isso mesmo, fiquei conhecida no liceu, como a Baldas e mais tarde, na Universidade, representaram-me no Livro de final de curso com a cena do filme de Chuck Norris, com a minha caricatura a sair da água, vestida com a minha farda de escuteira, faca de mato nos dentes e com as letras a formarem: Desaparecida em Combate.

Nunca perdi um ano, nunca deixei uma disciplina para trás, tive sempre boas médias, mas fui sempre uma Baldas.

sábado, 27 de junho de 2009

Pôr do solSeguia de pés nus e em bicos, pelo corredor de chão de madeira. Não queria acordar ninguém, mas o meu coração batia tão alto e a minha respiração era tão pesada, que temia não ser preciso fazer mais nenhum barulho para além de o de existir, para que denunciasse a minha presença, que se queria secreta.

Mas era assim que eu gostava! De acordar ao meio da noite, correr pelo corredor pela frescura da madrugada, chegar à cozinha e saltar para cima do balcão que existia por baixo da janela e esperar que o dia que se seguia, surgisse no horizonte. Ver a noite escura passar para um azul anilado, as nuvens tornarem-se cor de rosa, uns raios de luz surgirem por entre as brechas fazendo-me crer que eram os braços de Deus que me queriam abraçar, abraçar o mundo, beijar-nos e desejar-nos bom dia.

Eram trinta minutos que eu adorava, trinta minutos que estava apenas comigo e com a criação e sentia-me plena, parte de um todo, viva.

Eram manhãs que recalibravam forças, repunham energias. Sobretudo se essa madrugada fosse a madrugada do solstício de Verão, o início do dia mais longo do ano.

Recordo-me, vivamente, desses momentos descalça. Tinha pouco mais de 11 anos e sabia muito mais do que sei hoje.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

 A maioria dos nossos superiores hierárquicos,  são-nos tão inferiores?

sexta-feira, 5 de junho de 2009

tristeza01 Como eu gostava de ter superpoderes, um dom especial e secreto que me fosse útil nestas horas. Como eu gostava de te abraçar nos meus braços e aquecer o teu coração com amor. Como eu gostava de te beijar e sugar de ti toda a amargura, angústia e temor. Como eu gostava de te falar e que as minhas palavras, a minha voz te servissem de consolo e remédio para a tua dor.

Como eu gostava de ser capaz de transferir toda a tua tristeza e juntá-la à minha, para que não sofresses nem mais um segundo, nem mais um fôlego. Como eu gostava de poder transformar tudo isso em coragem e esperança!

Como eu gostava! Oh, meus Deus, como gostava! Mas não posso! Não consigo! Não sei como!

Eu falo-te, mas não sirvo de consolo, eu abraço-te mas o teu coração gela com o desgosto, eu beijo-te e sinto a angústia, a revolta e a dor, darem voltas dentro de ti, da mesma forma como se revolvem dentro de mim.

Mana, minha querida e adorada irmã, carne da minha carne, sangue do meu sangue, eu quero devolver-te o bebé, que prematuramente perdeste, o meu sobrinho ou sobrinha, que ainda antes de nascer já era amado. Quero silenciar esse grito mudo que ecoa na tua alma, quero absorver todo esse negro que se pinta dentro de ti e torná-lo só meu. Eu quero mana, eu quero, juro-te que quero… mas não posso, não consigo, não sei como.

Apenas o tempo pode, mana.  Apenas o tempo sabe!

Somente posso chorar contigo, gritar e revoltar-me e, por fim, carpir.

1818627 É a primeira vez dela. Ela nunca tinha dado prazer a um homem, nem mesmo desta forma tão ingénua e era a primeira vez, que ele teve que guiar uma rapariga numa situação como esta. Quando terminou, ele limpa aquela pequena mão, com lenço que tira das calças e, depois de se limpar a si mesmo, acende mais um cigarro. Ela deixa-se ficar, sem ainda perceber muito bem o que se passou. Ele está muito mais calmo agora e o seu peito, apenas se move ocasionalmente. Ele acaricia-lhe os longos cabelos com a mão esquerda e ambos mergulham num silêncio gélido, que apenas é quebrado, quando ele termina de fumar.

- Quem és tu? – pergunta angustiado. Ambos sentem que são mais do que deviam ser, mas nenhum compreende porquê. Ela não responde, apenas procura os seus lábios e beija-o. Ele sente o seu corpinho gelado, por ter estado tanto tempo, sentada naquele chão frio e molhado. Ele retribui o seu beijo e num abraço apertado, pega-a ao colo e leva-o para a outra cama. Ela é tão leve! O seu corpo é de uma insustentável leveza. Aconchega-a de novo naquele saco-cama militar. Olha-a, uma vez mais e ela volta a tocar-lhe na cara como fez, durante o seu desvario. Como foi ele capaz de a magoar daquela forma? Ela gosta do seu rosto, dos seus olhos. Ele levanta-se, tem que se levantar. Ele não pode sentir o que sente. Se o fizer, tudo estará perdido. Ele afasta-se em direcção ao exterior da tenda, mas ela fala. A suavidade da sua voz faz com que a sua pele se arrepie.

- Fique! Por favor, fique. – ele detém-se, mas não consegue perceber o que se passa naquela pequena cabeça. – Tenho medo. – ela não queria ficar sozinha. Tinha-se recordado do que se passara com os colegas dele e não queria que ele a deixasse só. Ela levanta o saco cama, em claro gesto de convite e aguarda pacientemente o calor daquele corpo, estranhamente familiar. Ele deita-se e ela abraça-o. Sabe que enquanto estiver com ele, durante aquela noite, estará a salvo. Adormecem.

O dia amanhece. Os dois companheiros de campanha daquele homem exausto, já se levantaram, cumpriram as suas funções diárias e começam a estranhar a demora do seu superior. O mais velho, decide entrar na tenda e acordá-lo.

- Acorda François. – ele grunhe – Acorda! – ele acaba por abrir os olhos. Ela acorda com ele. Ele senta-se, tentando acordar totalmente, mas a boa disposição do seu companheiro irrita-o. – Não me diga que ela lhe deu assim tanto trabalho. – olha-a desconfiado – É tão miudinha! – ri-se. Mas ele não pretende que aquilo continue. Algo aconteceu na noite anterior, que o fez mudar de ideias, quanto a direcção que aquela missão deve tomar.

- A partir de agora, eu não quero ouvir mais comentários desse tipo. – o outro homem, bem mais velho que ele, espanta-se, mas sabe qual é o seu lugar e responde formalmente ao seu superior.

- Assim seja, chefe. – ela recorda-se dele da noite anterior, recorda-se de como ele e outro que ela ouvia fora da tenda, a ataram a uma árvore, a despiram e quase a violaram debaixo da chuva da noite anterior. Lembra-se de que ele lhe batera tanto que acabou por perder os sentidos. Ela retrai-se e puxa o saco-cama para se tapar. Ele olha para o ar assustado dela e cai em si. Aproxima-se do subordinado.

- Devolve-lhe as roupas e dá-lhe o que comer. – diz enquanto passa o seu braço por cima do ombro daquele homem, que o tratava com uma intimidade paternal. – Vocês fizeram café? – pergunta-lhe, levando-o para fora da tenda. Assim ela teria tempo para se recompor. Ele pareceu-lhe ainda mais belo, agora que o sol iluminava a tenda e o verde dos seus olhos parecia ainda mais vivo. Ela parecia-lhe menos pequena, mas mais assustada. Ele queria protegê-la, mas ainda não tinha descoberto como.

sábado, 30 de maio de 2009

52 e a decrescer. A contagem diminui minuto a minuto e no entanto parecem minutos do tamanho de horas. Uma ilusão fruto da impaciência, do aborrecimento.

49 e as conversas passam ao lado. Os meus colegas de trabalho, comentam as novelas do dia anterior e os vestidos dos Globos de Ouro, não têm nada a ver comigo e não têm a menor ideia do que é que eu gosto, apenas me acham estranha, elitista, armada em intelectual. Não percebem porque é que eu leio de tudo, porque é que gosto de cinema, porque é que eu vou ao teatro, porque é que eu sei um pouco de tudo e quando não sei, chego no dia seguinte com a explicação. Acham estranhos os livros que leio, pedem-nos emprestados e devolvem-nos, dizendo que não passaram da décima página e eu, eu que os li num fôlego, sinto-me uma alienígena.

39 e nada de interessante se passou, nada de interessante foi dito, nada de interessante foi feito. Quando explico que preciso de outro emprego, todos acham que devo dar graças a Deus por já ter um e eu concordo, concordo com aquela mágoa dentro do peito que me leva a repensar os meus passos, a revalidar os meus gostos, as minhas prioridades.

25 e alguns colegas começam  sair. Que saiam, que nada me dizem. Digo “Até amanhã!”, como se dissesse: “Não se esqueçam do Pão!”, ou outra coisa qualquer.  Amanhã voltarão com as suas vidas iguais, padronizadas, horizontes limitados e eu penso, mais uma vez, em como os meus sonhos, os meus horizontes alargados, são uma prisão, um martírio.

18 e a ansiedade de sair dali, de poder ler, escrever, exercitar o raciocínio, dar trabalho às células cinzentas, acordá-las da letargia que o meu emprego representa, torna-se insuportável.

5 minutos para sair e começo a preparar as coisas. Bem podia começar a prepará-las assim que entro, porque as horas que passo naquele escritório, equivalem a uma morte prematura… pelo menos a uma morte cerebral.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

img.php Frustrado e cansado de tudo aquilo, ele ata-lhe as mãos, mas de nada lhe serve. Ela continua a surpreendê-lo e a fugir-lhe. Depressa se livra dos nós apressados. Uma imagem de enguia vem-lhe à cabeça, mas ele não se quer distrair, ele realmente a deseja e esbofeteia-a. Sente-se tão infeliz que acaba por descarregar toda a sua frustração, no rosto daquela jovem e só pára, quando se apercebe que ela mal consegue respirar e sente, como um gesto de derrota, a sua mão macia, acariciar-lhe o rosto áspero, da barba por fazer.

- Jack! – chama, com as poucas forças que lhe restam.

Ele tinha falhado. Ela podia ser facilmente dele, mas ele agora não a queria. Seria fácil demais, ela está quase inconsciente. Levanta-se e aperta as calças. Tapa-a com um saco cama. Acende um outro cigarro, apaga os candeeiros e deita-se na outra cama. Quem seria o Jack? O namorado dela? Não era esse o nome de que ele se recordava.

Ela apenas consegue ver a ponta avermelhada do seu cigarro. Ela recupera o fôlego. Não sabe porquê, mas sente-se culpada pela comiseração daquele homem. Sente a sua respiração, tenta adormecer, mas não consegue. Quase que aposta que ele está a chorar, sente o seu corpo estremecer de frio, mas ele permanece imóvel, barriga para cima, a acender cigarros, uns atrás dos outros. Levanta-se. Os seus olhos já se habituaram à semi-escuridão daquele lugar. Ele sente-a, mas não se importa. Ela retira um cobertor de uma das mochilas. Vai ter com ele, lentamente, sem barulho. O seu corpo dói-lhe, mas ela está habituada.

Ela tapa-o e aconchega-o. A sua ideia era voltar de novo para a sua cama, mas o cheiro dele atrai-a por demais. Senta-se no chão e pousa a sua cabeça no seu peito. Ela quer sentir a sua respiração. Ele não percebe o que se passa, mas gosta de a sentir. Ela não resiste e acaba por lhe beijar o peito. Ele não se mexe. Ela explora com as suas pequenas mãos, os seus volumosos músculos, acariciando-o ternamente. Algo os tinha unido e eles não o sabiam, ainda. A respiração dele torna-se mais pesada, mais ruidosa e rápida, mas ela não afasta a face do seu peito. Ela gosta de o ouvir respirar, é-lhe reconfortante, mas ele quer mais. Apaga o cigarro e agarra-lhe na mão. Ela assusta-se, mas não se move. Ambos aguardam um momento. Um pequeno impasse entre amantes. Era isso que eles eram por fim, mesmo que nenhum deles o quisesse admitir. Ele ensina-a o que deve fazer, guia aquela pequena mão para um local mais íntimo e privado, ao qual ela nunca se atreveria a tocar. Ela não se repugna com a ideia e ele ajuda-a, num gesto cadenciado e lento, a dar a si próprio, um pouco de prazer.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Arena - João Salaviza - Cannes

Dizer que a vida é um palco, ou uma arena, é uma metáfora tão trivial, que para nós escritores, usá-la, deixa-nos sempre um gosto amargo nos dedos. No entanto, a verdade escondida por trás dessas corriqueiras palavras, é demasiado pungente, para que possa ser ignorada. Desta forma, expressões como “Actor Principal”, Nova Personagem”, ou “Guião de Vida”, são usadas de ânimo leve, pela maioria, na explicação de coisas diárias, na descrição das nossas vidas.

Portanto todos concordamos que, a vida é um palco, nós somos os actores principais, os outros são personagens secundários, onde vivemos é o cenário e o que vivemos é o guião. Ora, não demoraria muito para que os realizadores percebessem que pouco mais seria necessário para realizar um filme com que todos se pudessem, facilmente, identificar. Apenas precisavam, tal qual um fotógrafo, escolher um ângulo, a lente e o enquadramento com mais interesse, para que a vida comum, a simples realidade, se tornasse pura arte. O realizador Fernando Meirelles (brasileiro), já o havia feito com a “Cidade de Deus”, o britânico Danny Boyle, fê-lo o ano passado com o “Slumdog Milionaire” e o mexicano Alejandro Gonzélez Iñarritu, mostrou a arbitrariedade das acções e das consequências a nível global das mesmas, no “Babel”. Cada um deles tirou a fotografia que achou mais interessante e criou uma obra de arte, com a pura e simples realidade do quotidiano. E foram fotografias dignas de todos os prémios que receberam!

Chegou, finalmente, a hora de um cineasta português descobrir aquilo que há uma década para cá, se tornou vulgar, mas o génio, a grande visão estética e a escolha acertada da metáfora por trás da linguagem comum e da imagem crua, faz com que o João Salaviza, mereça todos os prémios que quiserem atribuir ao seu filme “Arena”.

Para mim o que está por trás do rapaz em prisão domiciliária é muito mais do que a crítica à descriminação de oportunidades num estado democrático. Para mim, todos os habitantes daquele, como de qualquer outro bairro do Mundo, estão presos na Arena da vida que conhecemos e poucos são os capazes de lutar, tal qual gladiador campeão na antiga Roma, contra todas as probabilidades e obter a verdadeira liberdade; aquela que está acima de tudo o que é esperado e que apenas encontramos dentro de cada um de nós. Arrancar isso das entranhas, escondido por baixo de tanta treta esculpida pela sociedade nos últimos séculos, exteriorizá-lo e materializá-lo, é a verdadeira liberdade, a derradeira libertação do espírito.

Parabéns João Salaviza,!

terça-feira, 26 de maio de 2009

O que haverá na imagem de um Vampiro que me fascine tanto, bem com a uma boa parte da população Mundial?! Basta ver os resultados de bilheteira do Blade, do Entrevista com um Vampiro, Underworld, Crepúsculo, Drácula, ou então do sucesso das séries televisivas Buffy, Moonlight, Angel, True Blood… Já para não falar da literatura.Angel Poster

 

Será o facto de eles serem seres mais ligados aos seus instintos, ao seu lado animal, o facto de serem quase imortais, por serem um género de máquina do  tempo, por serem seres torturados  em constante batalha interna, por invariavelmente se apaixonarem por humanos, por poderem fazer o que querem?!

Na realidade sempre que tenho que explicar um vampiro, não consigo evitar associar a imagem a uma sanguessuga, mas depois penso em todas as minhas recordações sobre o assunto e não consigo evitar fascinar-me de novo. Deixar-me seduzir, tentar compreender e sobretudo, dar um pouco de colinho a uma destas criaturas.

Têm sempre um aspecto tão desesperado.

domingo, 24 de maio de 2009

Num fim de tarde, onde o cinzento do céu predominava, um grupo de amigos achou que a cozinha era o local ideal para pôr a conversa em dia. Eu pertenço a esse “grupinho maluco”. E conversa vai, conversa vem sobre pensamentos, ideias, blogs e escritas, eu tive a brilhante ideia (ou talvez não) de sugerir o “convidado do mês” para o blog de uma amiga. Ora após iluminada ideia diz-me ela assim: “Boa! Tu és a primeira convidada!”

Ups! Engoli em seco. Tinha a responsabilidade de escrever algo para alguém que não considero menos que uma grande escritora nata… Seria como passar num exame em que ela era a grande mestre da matéria em questão.

Admito. Gosto de escrever, escrever aquilo que sinto, aquilo que gosto, aquilo por que estou a passar no momento, aquilo que me vem à cabeça… mas para mim, para o meu diário… Não para qualquer cibernauta que faça um “clique” nesta página.

Não sei se a escolha da primeira convidada foi a melhor, contudo sei e tenho a certeza que esta nova rúbrica vai ser um sucesso!

A ti, não tenho mais nada a dizer do que OBRIGADO! :) Obrigado por fazer parte da tua vida, por me deixares partilhar muitos e divertidos momentos contigo, por me dares atenção, valor, carinho, puxões de orelhas e, principalmente, por me dares a grande honra de ser a primeira! Sinto-me lisonjeada! Amo-te muito!

Ass.  Jo

 

 

(Este passou a ser um espaço mensal, onde um amigo escreverá um texto e eu colocarei aqui. A ideia foi da autora do texto acima: a minha grande e querida amiga Joana.)

quarta-feira, 20 de maio de 2009

 peugeot-307-cc-f3 Um Peugeot 307 CC. Simplesmente adoro este carro. Agarraria nele durante o Verão, capota para baixo e ia de mochila na mala, numa aventura pelo Sul da Europa.

O.K.! Foram duas coisas, mas quem está a contar?!

terça-feira, 19 de maio de 2009

Não quero acusar ou defender ninguém e antes de continuar com esta mensagem tenho que confidenciar, que tenho evitado ouvir noticiários nos últimos dias e até lido jornais, simplesmente porque já não aguento com tanta incompetência e ineficácia, tanto dos jornalistas, como do governo, como do Mundo, como de mim, que me sinto impotente para fazer seja o que for para mudar o rumo das coisas. Mas acontece que quando se sai todos os dias para trabalhar e todos os dias se abre a internet, não ser bombardeada com a notícia do momento é impossível e foi o que aconteceu esta manhã.

Li esta notícia linkada por um outro blog (aqui), e antes de ter ouvido a gravação, o primeiro pensamento, foi:

“É impossível distanciar a História do sexo. O sexo esteve e está presente em todos os grandes acontecimentos históricos. As orgias sexuais, faziam parte integrante da cultura de todas as sociedades pré-cristãs (gregos, romanos, egípcios, otomanos e até pré-históricas), pelo que não vejo como podem suspender uma mulher por ter abordado o assunto durante uma aula de História. As “crianças” aos 15 anos já não são inocente e têm obrigação de saber o que é o sexo, como se faz e o que se faz com o mesmo (é claro que ninguém aos 15 anos é criança e tratá-las como tal, resulta de uma infantilização que apenas favorece os adultos que se tornam mais válidos na sociedade com o retardar da independência dos jovens).”

Infelizmente, o meu pensamento teve que ficar por aqui, pois o que se passou naquela sala não foi nada do que estava a imaginar e a prepotência, a ignorância, a ineficiência e a simples inexistência de qualquer resquício de um professor de qualidade naquela senhora, é simplesmente atroz. É pena que a maioria dos professores de hoje, sejam incapazes de introduzir o sexo como um tema natural nas suas aulas, que seja incapazes de manter uma conversação casual sobre o assunto e que se reduzam a isto. Desta forma o sexo continuará a ser visto pelos pais e pela sociedade como um tabu, um monstro, do qual se tem que avisar às crianças para fugirem, denunciarem e queimarem na fogueira.

Sinto-me triste, desolada e durante mais algum tempo, vou voltar a introduzir a minha cabeça no buraco, como uma avestruz.

sábado, 16 de maio de 2009

NiSnx9fdxenn8u2tR5M83RUzo1_400 A tensão subia, o tempo alongava-se e distendia-se para dar lugar a mais tempo e todos os movimentos  tornavam-se perpétuos.

O meu corpo sentia mil e um estímulos e tremia enquanto sucumbia ao prazer carnal.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

conversa-de-bar Amigo - Olha lá! Quando é que arranjas alguém?! Já vai sendo tempo! Acho que já chega de carpir.

Eu – Quando for altura acontece! – O meu amigo sorri complacente com a minha teimosia e beija-me a face, enquanto serve um pouco mais de Murganheira, nos flutes, e os Vira-Lata, continuam a tocar.

Amigo – E como é que saberás que chegou a hora? – olhei-o, sem perceber a razão de tanta insistência naquele assunto.

Eu – Sei lá! – Bebo o copo de uma só vez. Aquele assunto deixa-me sempre com sede. – Acho que saberei! – Ele atesta o copo com um sorriso parvo.

Amigo – Isso parece-me algo demasiado ambíguo, mesmo para ti! – Ri! Eu, no entanto,  apenas desejava continuar a ouvir a banda, sem mais palavras que não as das letras das músicas.

Eu – Como é que sabemos que temos que nascer?! – Balbuciei, sem grande esperança de que ele viesse a compreender algo que apenas atirei para o ar, de forma a terminar com a conversa. Ele encolheu os ombros e bebeu o espumante fresco enquanto digeria o que eu havia dito.

Amigo – Nesse dia nascerás de novo! – Constata com o copo na mão e o olhar perdido no palco.

Eu – Quem sabe! – Rio-me por não ter, minimamente, mais nada a dizer.

terça-feira, 12 de maio de 2009

25622Uma amiga muito querida, andava feliz há dois anos, a viver com quem ela pensava ser a sua cara-metade, quando de repente e do nada, o rapaz chega uma noite a casa e depois do jantar preparado por ela, diz:

- Não estou preparado para uma relação séria. Sabes que eu vejo em ti uma amiga muito especial, uma grande amiga. Acho que esta nossa predisposição para vivermos juntos assim tão bem, deve vir de uma relação Kármica, passada, onde tu deves ter sido minha mãe. Mas sabes, tal como em todas as relações entre mães e filhos, está na hora de eu sair de casa e de tu me deixares ir.

Não admira que a minha amiga não se consiga encontrar depois deste duro golpe.  Reencontrar o seu Eu, o seu amor próprio, a sua auto-estima e não admira (por mais absurdo que eu ache) que ela tenha tentado acabar com tudo. Talvez tenha sido a sua forma tortuosa de gritar que queria começar do zero, esquecer todo o passado, olvidar todo o Karma (como começo a odiar esta palavra).

É que em meia dúzia de baboseiras romantizadas, aquele espécime de energúmeno, reduziu-a a uma presença fantasmagórica, a uma alma transviada, perdida no tempo e agarrada, aprisionada, agrilhoada a uma existência onde é obrigada a viver, vezes sem conta, as mesmas relações, a ser mãe sem nunca ter parido, a ser amiga quando queria ser amante, a ser nada quando queria ser tudo.

Mas amor, tudo isso não interessa, eles não interessam. Tu não és menos mulher apenas porque os homens vivem, eternamente, num complexo freudiano, onde Édipo e o Peter Pan, são os modelos a seguir. Tu não és menos mulher, simplesmente porque esse “bife” idiota ainda não era o homem certo para ti!

Tu és linda, inteligente, divertida, emotiva, cheia de salero latino e não existe nada no Mundo que mereça a tua vida e nada que apague a tua ausência.

Por favor acorda! Volta para ti. Volta para junto daqueles que te amam incondicionalmente: a tua família, os teus amigos.

Eu aguardo-te com os meus dois braços abertos!

 

 

P.S.:  Darren, meu querido! Podes ter os cinturões negros todos que quiseres, mas se eu te apanhar em Portugal, ou noutro local qualquer, podes ter a certeza que te enfio a relação Kármica, por um certo orifício.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

beijo20na20praia1nv Estão ambos à mesma distância daquele objecto frio e cortante. Ambos correm para ele, mas ele é maior e pega primeiro, aquilo que nunca devia ter abandonado.

- É isto que queres? – diz, enquanto segura a faca, em frente dos seus lindos olhos. – Tu eras capaz de a usar, não eras? – ela retrai-se e ele perde toda a paciência que ainda lhe restava.

O que antes lhe parecia ser um ponto contra, é agora um ponto a favor. Ele gostou de saber por fim, das capacidades da sua presa. Era quase uma luta entre iguais e isso excitava-o. Agarrou no pescoço dela e levou-a até à cama. Atira-a, de novo, para cima dela e ela volta a bater com a cabeça, na estrutura metálica daquele leito. Ele afasta-lhe as pernas e ajoelha-se no meio. Passeia a faca por aquela pele tão macia e imaculada. Ela aterroriza-se.

Será que ela tinha sido traída pelas suas acções? Será que seria aquilo o seu fim? O seu corpo treme, está cansada, quer dormir, quer o aconchego da sua cama, dos seus lençóis, não se reconhece a si própria, não resiste, mas ele, controlado pelo seu orgulho ferido, encosta a faca àquele pescoço e morde-lhe o ombro esquerdo até fazer sangue. Gosta do sabor dela.

Definitivamente, ele já não está em si, alcançou um patamar de volúpia que desconhecia. Guarda a faca, no local certo. Já não precisa dela e desaperta as calças. Finalmente, aquela pureza que tanto o tem atraído durante toda a noite vai ser dele e ele congratula-se com isso. Ela olha-o profundamente, repara como os seus olhos têm a cor da copa das árvores, e quase que se entrega enfeitiçada, mas não consegue. Pouco antes daquela angústia toda terminar, ela resiste e foge para cima, tal como a água que escapa pelos nossos dedos quando a tentamos agarrar.

sábado, 9 de maio de 2009

Abrir uma Livraria/Antiquário/Café-concerto, bem no meio da linda, exótica e misteriosa, Serra de Sintra. Talvez o estabelecimento pudesse vir com um fantasma como extra.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Os caça Plágios

Ao ler um artigo do Sábado (aqui) fiquei a remoer um pouco sobre a realidade das pessoas como o Sr. Luís Rainha, que se dão ao trabalho de fazerem esta caça às bruxas, ou melhor dizendo, aos textos fantasmas, ou melhor, ao plagiadores.

Não é que o trabalho deles não seja útil, porque é! O plágio apesar de ser uma forma de elogio para alguns, é também uma forma de utilizar o valor dos outros em nossa prol. No entanto fico sempre com aquela dúvida se por acaso, estas pessoas não fazem este género de caça, simplesmente, porque na impossibilidade moral de plagiar e na total ausência de génio e inspiração, não se refugiam neste tipo de acção, como forma de satisfazerem o ego e terem algo para dizer e escrever?!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

4453046-lgAo ler uma mensagem de um blog que já não existe, num blog que sigo, fiquei com vontade de dissecar esta dicotomia do ser humano, ou pelo menos, em mim. Sobretudo depois de ter respondido a um comentário aqui no meu blog hoje.

Depois de ter pensado melhor, de ter passado em revista os meus actos e atitudes perante a vida, nos últimos anos, cheguei à conclusão que  recuso-me a criar expectativas, mesmo quando estou encantada por algo. E porquê?! Porque desta forma, evito o desencantamento, arriscando apenas o desinteresse.

Creio que são formas de se estar na vida, no palco, no mundo, com os outros. A verdade é que cada um procura a felicidade da forma como a vê e, como tal, actua de acordo com essa visão. Se para alguém algo de positivo é sempre seguido de algo negativo, também vê na felicidade algo com prazo de validade e que, inevitavelmente, acabará com o inverso, ou seja, se se encanta, também se desencantará. Eu não o vejo assim. Não vejo obrigatoriedade neste jogo de contrários, de antagonismos. Acho que viver no intermédio, sabendo que as coisas podem não ser eternas, mas que enquanto duram, são verdadeiras e que ficarão agarradas em nós para sempre, é uma boa forma de se estar.

Não creio, no entanto, que isso seja reflexo da busca pela felicidade, até porque na realidade, nos dias que correm estamos mais preocupados em sobreviver do que em viver, ou procurar seja o que for, pois não há tempo. A felicidade, e/ou infelicidade, é assim, consequência directa dos actos aleatórios. É um reflexo da experiência, que tal como as nossas, é muito própria e apenas para nós faz sentido.

Assim, ao contrário do que o bloguista Piloto disse, eu não tenho pena de ninguém, pois se continuam a tentar, é sinal que ainda vivem e que lutam por algo que se venha a assemelhar à felicidade, ou ao encantamento perpétuo, mesmo quando este não é a causa maior das suas vidas e apenas sua consequência.

Fará isto algum sentido?

quarta-feira, 6 de maio de 2009

espelho

Como posso eu almejar ser amada, se sou a primeira a odiar-me?!

terça-feira, 5 de maio de 2009

Nunca pensei vir a utilizar as palavras “Excelente trabalho jornalístico” e TVI, na mesma frase, mas eis se não quando, aqui estou eu a fazê-lo.

Ontem à noite, pude ver a melhor reportagem que vi nos últimos anos, na televisão portuguesa e sim, foi passada na TVI. Houve pesquisa, recolha de dados, havia um objectivo e respondeu-se a todas as perguntas base do jornalismo: Quem, Como, Quando, Onde e Porquê?

O tema foi o novo/antigo ódio de estimação da Estação de Queluz de Baixo, o nosso pouco ilustre Primeiro Ministro e, por associação de ideias e com algum esforço de memória, cheguei à conclusão que as televisões de hoje, só prestam verdadeiro serviço público, quando se carrega nos botões certos. Deve ser um problema, ou consequência das novas tecnologias: com tanto botão para carregar e menus tão variados, torna-se complicado acertar.

No entanto, é complicado apenas para nós, meros mortais, porque para o Sr. Sócrates (porque ainda não estou convencida que seja Engenheiro e por uma questão de respeito por todos aqueles que fizeram o curso como deve ser), a coisa foi simples e rápida como o totoloto. O Sr. Primeiro Ministro, farto do jornalismo da tanga e cheio de lugares comuns do José Alberto Carvalho e Judite de Sousa da RTP1, decidiu que estava na altura de ver os jornalista fazerem o seu trabalho como deve ser e disse, na entrevista dada ao canal do estado:

"O noticiário da TVI à sexta-feira não é um telejornal, é uma caça ao homem, é um jornal transvestido."

Foi o botão certo e o resultado, o que se viu ontem à noite depois do telejornal.

Obrigada Sr. Sócrates. Eu já havia perdido a esperança no jornalismo nacional e você mostrou a todo o país, que eu estava errada.

Obrigada!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

quarto-cor-verdeEla olhou para a sua casa, agora que a via quase pronta. Finalmente podia ver a sua visão, o seu sonho quase concretizado. Não havia palavras para descrever o que ela sentia.

O sol já estava fraco e ao longo de toda a casa, uma camada de mistério, uma patine de magia, ia-se acumulando nos recantos, nos corredores, nas salas, nos quartos. Ela gostava mais da casa assim, com menos luz, mas com muito mais encanto. Aproximou-se da janela do quarto principal para poder ver o sol dar lugar à lua. Afastou os cortinados verde secos e apreciou o toque suave do chenile na sua mão, nos seus dedos.

Por alguns segundos questionou-se como é que havia pessoas capazes de gostarem de ver janelas despidas. Para ela, uma casa só se tornava num lar quando se vestia e apenas assim, uma casa podia tornar-se acolhedora. A única coisa que, quando nua, se torna convidativa, é a pele de um corpo masculino, sobretudo se estiver estendido num dos seus macios sofás, ou lençóis e agora que a casa estava quase como ela idealizara, teria que tratar disso também.

sábado, 2 de maio de 2009

- Mas isso nada muda entre nós. Eu vou continuar a ter o que quero, só tu é que irás sofrer mais.

- Não vou, não. – responde instintivamente.

Ele volta a aproximar-se dela, agarra-a pela cintura e aproxima-a do seu peito musculado. Ele gosta dela, gosta do peso dela, gosta de a sentir, de a cheirar, aquilo não lhe é penoso, ele quer, apenas não quer é que tenha que ser violento. Ele daria tudo, para que não tivesse que usar a força, mas ela, com um golpe rápido e imprevisível, no baixo-ventre, liberta-se dos seus braços. Ele bate-lhe de imediato, nunca iria permitir que o magoassem, mesmo que quem o fizesse fosse uma mulher como ela.

Ela cai por terra. Desta vez ele tinha usado, realmente, a sua força. Agarrou-a ainda antes de ela recuperar o fôlego e atirou-a para cima da cama, onde antes já a havia acariciado. Ela fica atordoada, com a pancada que deu com a cabeça e demora um pouco a encontrar de novo discernimento, mas pouco antes de se levantar, ela sente-o a tocá-la de novo. Ela tenta resistir fugindo, serpenteando, empurrando, mas começa a faltar-lhe as forças. Ele ajoelha-se em cima da cama, chega-a de novo ao seu corpo. Ela sente o seu cheiro acre a suor e, por pouco, não se permite a desistir e a entregar-se, incondicionalmente, àquele estranho.

As suas mãos continuam a percorrer todo aquele pequeno corpo. Ele insiste naqueles preliminares desnecessários, ele quer realmente que ela o aceite, que ela queira que aquilo aconteça, mas algo nela, algo que nem ela mesmo sabe explicar, impede-a de se entregar sem dar mais luta. Ela sabe de antemão que o desfecho será aquele, mas quer ficar com a consciência tranquila, antes de desistir. Olha à volta e vê a faca de mato, no chão. Era isso que faltava nas suas calças. Ela livra-se mais uma vez dos seus braços e rebola, para junto da faca, ganhando a vantagem da distância. Ele demora algum tempo a perceber o que se passa, mas se antes ainda tinha dúvidas, ele agora tinha a certeza absoluta de que ela tinha treino militar.

x-men_origins_wolverine_movie_poster2 O que é que será que me prende à saga X-Men? O excelente enredo? O facto de ser uma das novelas cómicas que eu mais aprecio desde criança, ou o facto de que sempre que sai uma sequela do filme, o elenco melhora exponencialmente.

OK. Vocês já sabem o que eu penso dos filmes de acção, por isso só posso dizer, deadpool_wolverineque o filme não desilude. Tem todos os requisitos para nos manter atentas ao ecrã: acção, espectaculares lutas coreografadas, Ryan Reynolds, CGI, excelente montagem, efeitos sonoros de cair para o lado, Hugh Jackman,  a eterna batalha do  bem contra o mal.

Mas o mais importante  (façam um esforço para acreditar que é o que eu acho mais importante), é que Wolverine mostra de forma clara e inequívoca, o nascimento de um herói traumatizado, complexo e fascinante, exactamente, por ser idiossincrático. x-men-origins-wolverine-1501Wolverine é o mais corajoso, animalesco e selvagem dos X-Men, e, por isso, por ser um ser atormentado na busca constante do seu próprio Eu, torna-se no mais fascinante e apaixonante personagem da saga criada por Stan Lee e Jack Kirby na década de 60.

 

Eu adorei o filme. Bom fim-de-semana!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Recuperar uma casa com mais de cem anos, para eu poder morar, viver, receber, criar e escrever.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Os espertos são aqueles que apesar de um QI por vezes não superior à média, conseguem destacar-se dos demais. São aqueles, que apesar de todas as adversidades, conseguem levar a sua a avante. São aqueles que ignoram os sentimentos dos outros, se estes estiverem no meio dos seus interesses. São aqueles que são sempre mais encantadores. São aqueles que têm o maior jogo de cintura. São aqueles que usam a mentira como a verdade e a verdade como a mentira.

Os espertos são aqueles que se saem sempre melhor, são aqueles que vão mais longe. São os que conseguem os melhores empregos apesar de não estarem habilitados para os mesmos. São aqueles que conseguem as promoções e os melhores negócios. São aqueles que ficam sempre com o melhor gabinete.

Às vezes gostava de ser um pouco menos inteligente e ser muito mais esperta.

 

- Perdoem a presunção da minha pessoa, ao achar-se inteligente. -

domingo, 26 de abril de 2009

lua cheia

 

 

Eu – Vida!

V – Sim!

Eu – Aonde vais?

V – Vou ali e já volto.

Eu – Não! – impero – Fica aqui que o rumo não é esse. – ela olha para mim, com pouca vontade – Não fujas! – peço candidamente – Ainda há tempo, tem de haver! – explico-me, enquanto tento convencer-me também.

V-  Então despacha-te, estou farta de esperar!

Eu – Eu despacho-me! Prometo.

 

- A vida voltou, mas não está muito convencida. -

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Arranjar uma fonte para o meu blog, que fosse igual à minha letra.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

- Ainda me vais resistir? – insiste enquanto lhe pega meigamente no queixo. Ela acena que sim e ele perde de novo a paciência. Bate-lhe no estômago, fazendo-a ajoelhar-se automaticamente, pela dor provocada. Depois mente, interpreta um papel que não é o seu, mas que ele vira ser interpretado várias vezes com sucesso. – É assim que vocês mulheres deveriam estar sempre: de joelhos, submissas. – mas ela estraga-lhe os planos e levanta-se mais depressa do que ele poderia imaginar e volta a enfrentá-lo com o seu olhar profundo e puro.

Mais do que nunca, ele teve a certeza de um treino militar, mas como? Ela tinha pouca idade, com um corpo plenamente desabrochado, mas era ainda uma criança. A verdade é que ela pouco ou nada se aflige com as suas agressões. Muito pelo contrário, estas apenas a têm tornado ainda mais arrogante e este olhar é prova disso mesmo. Mas afinal de contas, o que receava ele? Ela era apenas uma jovem mulher! Mas a verdade é que ele preferia não ter que a magoar, definitivamente, ele não se sentia à vontade com o papel que lhe tinha sido atribuído, ele era um amante, não um violador. 

Ela mexe com ele e, por instantes, ele quase preferia ter escolhido qualquer outra rapariga, daquele acampamento de escuteiros, qualquer outra rapariga, que não fosse esta, mas já era tarde de mais para isso. Ele afasta-se, tentando recompor-se e ela aproveita o momento para o baralhar ainda mais.

- Eles irão dar pela minha falta. Logo de manhã eles começarão a procurar-me e irão encontrar-me. Tenho a certeza que ele virá salvar-me. – ele riu-se. 

Ela estava a ser ingénua, ele conhecia a laia do homem com quem ela estava. Ele nunca iria colocar em causa a sua posição e reputação. Ele nunca admitiria, que estava com uma menor, no meio da noite, perdidos no mato. Ele sabia que ele voltaria para o acampamento e só no dia seguinte, quando outros dessem por falta dela, é que ele  faria qualquer coisa. Mas ele não temia isso e ela no fundo, sabia-o. 

– Porquê eu? – desta vez é ele quem não responde.
- Tu sabes que eu vou ter o que quero...a bem, ou... – hesitou – Tu é que sabes, tu é que escolhes.
- Então eu já escolhi. – ele levanta os olhos cheios de curiosidade e aguarda a resposta, como se ela fosse mudar alguma coisa – Não poderei ceder-lhe sem que primeiro, faça tudo o que estiver ao meu alcance, para o evitar. Nunca me perdoaria se o fizesse, seria muito pior para mim. As feridas do meu corpo saram, mas as da alma, ficam para sempre. – o seu corpo tremia gelado na sua nudez. – ele ri-se, mas de embaraço. 

Ele preferia muito mais que fosse outra a sua resposta. Será que ele não lhe agradava? Seria a primeira vez, mas também era a primeira vez que ele raptava uma mulher.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Eu não sei o que vocês entendem por felicidade, mas para mim, felicidade é reunir na vida, mais momentos bons, que maus.

Uma espécie de colecção de álbuns de pequenos minutos felizes.

domingo, 19 de abril de 2009

acordar4xe A noite arrefece e eu acordo, tenho frio. Procuro a pele dele no outro lado da cama, está quente, é suave, a carne endurecida pelo exercício, torna-se macia ao toque. Estreito-o nos meus braços e peço ao seu ouvido:

- Beija-me! Beija-me como se não houvesse amanhã!

E ele mesmo a dormir, vira-se, abraça-me como se quisesse que eu fizesse parte do seu corpo, como se eu fosse uma extensão de si mesmo. Abre os olhos, beija-me e faz de mim uma mulher feliz.

sábado, 18 de abril de 2009

Vocês conhecem aqueles dias em que acordamos com um nó na garganta que não sai?! Vamos trabalhar e apetece-nos chorar ainda antes de vermos o primeiro colega, mas como não o podemos fazer, engolimos diversas vezes, como se pudéssemos engolir a vontade de chorar, empurrar bem para dentro do nosso corpo e escondê-la?!

Contudo o nó continua na garganta e quando estamos quase a chegar a casa, perdemos, cada vez mais, o controlo e as lágrimas começam a cair, ainda sem ruído e uma frase, começa a repetir-se na nossa mente.

Quando abrimos a porta de casa, já as lágrimas caiem cascata. Atiramos com as coisas para o chão, saltamos para a cama e começamos então a soltar o nó preso durante todo o dia; soluçamos, choramos, soluçamos e choramos.

Lembram-se da frase?! É nesta fase que ela começa a fazer sentido. Primeiro sai como um murmuro, uma, duas vezes. Depois, explode como um grito de afirmação: “Não é justo! Não é justo! Não é justo! Não é justo!” É como uma frase de bêbado, pois nesta fase já estamos embriagados com o nosso próprio choro e com a sensação de liberdade que ele nos proporciona.

Vem então o estágio seguinte, aquele em que já nos dói os músculos de tanto gritar, soluçar e chorar. Sentimos os olhos inchados e a arderem por causa do sal. No entanto, chorar está a saber tão bem, que continuamos, esfregamos os olhos, limpamos o nariz com a manga da camisa e, em pranto, vamos até a um espelho. Estamos mais horríveis do que é habitual e isso só reenforça a necessidade de continuar a chorar. Então encostamos as costas à parede mais próxima e, lentamente, deixamos-nos escorregar até estarmos completamente sentados no chão, num pranto incontrolável.

“Não é justo! Não é justo! Não é justo! Não é justo!” Retomamos a frase. Aliás a frase pode ser qualquer coisa desde: “Fiz o meu melhor!”, “Porquê eu?!”, “Porquê?”, “Eu sou melhor!”, até à famosa frase de choro, “Não mereço isto!”

Inevitavelmente, sempre que estamos no meio de um ataque destes, o telefone teima em tocar. Podemos passar dias sem que ninguém nos ligue, mas sempre que estamos a chorar, alguém se lembra de nós. Aí, tentamos a todo o custo controlar os gemidos e as lágrimas, respiramos fundo, limpamos o nariz (e continuamos a usar a manga para esse efeito) e atendemos (sim, porque temos sempre que atender o telefone, não vá ser mais urgente que a privacidade do nosso choro), com uma voz característica de quem estava a chorar.

Nós- Estou! – fungamos.

? – Que voz é essa?! – eu imagino sempre uma voz aguda, que são as que mais me irritam, vocês façam como entenderem – Estavas a chorar?

Nós – Não! – fungamos e soluçamos – Agora a chorar! 'Tá parva!

? – É que estás com uma voz estranha!

Nós – Estou um pouco constipada, é só isso! – fungamos, soluçamos e tentamos controlar a vontade de berrar, gritar e gemer. (Também podemos dizer que estávamos a dormir, ou que estamos com uma alergia)

? – Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá. – e nós sem ouvir nada.

Nós – Então ‘tá bem! - fungamos uma última vez – Depois digo qualquer coisa. – e desligamos o telefone.

“Não é justo! Não é justo! Não é justo! Não é justo!” - gritamos, até que adormecemos à frente da televisão, exaustos e com a alma lavada.

- Adaptado de algo que vi, li, ou ouvi, mas que não me recordo onde. -

quinta-feira, 16 de abril de 2009

E quando já não suportava mais aguentar o fôlego, chorei!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Tenho um amigo que festeja o Ano Novo, apenas como uma festa do Calendário, pois para ele, a passagem do ano acontece no seu aniversário. Como eu gosto muito de festas, festejo as duas datas com prazer.

Mas não este ano! Este ano fiz do meu aniversário a celebração mais sem graça possível e apenas porque desiludiria os mais íntimos se nem sequer um bolo e uma taça de champanhe houvesse. Já para não falar na possibilidade de uma festa surpresa.

Peço desculpa a todos os que ficaram desiludidos, mas não me apetecia nada festejar a idade de Cristo. Fica aqui a promessa de uma festa daquelas a que estão habituados, para festejar a chegada do Verão

Vale?!

terça-feira, 14 de abril de 2009

beijo no pescoço.bmp Aquilo já não lhe dava mais prazer, ele não queria vê-la chorar, não era isso que ele pretendia. Na realidade, ele queria que ela gostasse dele, pelo menos durante o tempo que a relação entre ambos durasse, isso deixá-lo-ia mais à vontade no seu papel de estuprador. Ele não conhecia, até agora, outra forma de sexo, que não a consensual. – Agora despe-te! – ordenou, mas ela permaneceu tão imóvel, quanto a última vez e ele começava a perder a cabeça.

Ele olhou bem nos seus olhos, ele podia ver o seu medo, isso baralhava-o ainda mais. Quase que ele arriscava a afirmar que ela tinha tido treino militar. As posições que assumia, o que dizia, o que fazia, tudo parecia tirado de um manual de sobrevivência em caso de detenção, por parte do inimigo. Mas isso seria impossível, ela era pouco mais que uma criança. Por outro lado, era tão frágil, tão pequena, tão desprotegida. Ela despertava nele, emoções, com as quais, ele não sabia como lidar. Emoções que ele não podia dar-se ao luxo de ter.

- Despe a camisa, já! – ordenou-lhe, mas com tanto efeito, quanto o anterior. Talvez, e apenas arrisco a dizer que talvez, quanto muito, ela tenha demorado mais o seu pestanejar.

Ele, perde a pouca paciência que ainda guardava e esbofeteia-a, de novo. Ela não cai, como da outra vez, o que aumentou ainda mais a sua raiva, chegou mesmo a duvidar da sua força. Decide retirar, ele mesmo, aquela peça de vestuário, que tanta discórdia estava a causar, atirando-a para o chão. Ela não se mexe, apenas estremece ligeiramente.

- Porquê eu? – volta a insistir. O cheiro que o seu corpo exalava era tão doce que o intoxicava.

- Porque eu te escolhi. – confessa, apesar de saber, que tal resposta está longe de lhe oferecer qualquer conforto. Ela tem frio, mas treme de medo e ele sabe disso. Ele beija o seu pequeno e fino pescoço e sente um pequeno tremor nas suas próprias pernas. Ela apercebe-se e pensa que talvez seja um ponto a seu favor. Ou talvez não. – Afinal está mesmo frio! – acaba por se desculpar.

- Pois está! – concorda ela.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

…talvez por causa de tudo o que comi (e que não devia), durante a Páscoa, totalmente, “desinspirada”.

Lamento.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Saímos no meio do natural tumulto matinal e disse à minha sobrinha:

-A tia precisa de tomar um café! - apenas dormi 3 horas, acreditem que o café era mais do que uma prioridade e em casa não havia.

-Oh, Tia! Queria ir já para a escola! Tomas o café depois.

-Um café rápido no Sr. Zé e vamos para a escola. – demando.

- Ok! – aceita contrafeita e logo depois lembra-se de algo – Tia?!

- Sim!

- Preciso de um borracha e não tinhas nenhuma no teu estojo. – bem me parecia que a minha carteira não estava como a deixara – Podias comprar-me uma!

- Está bem! Tomamos o café e passamos pela papelaria a caminho da escola! – entramos no café e ela:

- Bom dia! É um café para a minha tia, se faz favor! – depois vira-se para mim –Tia, dá-me o dinheiro que eu vou lá, enquanto tomas o café! – a minha cabeça dizia: “Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não!”

- Quanto é que custa a borracha? – trazem o café.

- Não sei, mas vou perguntar, posso?! -  a papelaria fica no fim da praceta, três prédios depois do café, mas a minha cabeça dizia: “Não! Não! Não! Não! Não! Não!

- Está bem! – e ela sai a correr e assim que ela sai, eu corro para a porta e lá está ela a entrar dentro da papelaria. “Não olhes, não olhes, não olhes, não olhes!” Vejo os ténis dela e volto a fingir que tomo o café. Ela entra eufórica:

- São 60 cêntimos a mais barata e 80 cêntimos a mais cara.

- E qual é a que queres?! – preparo-me para tirar um euro do porta moedas.

- Não as vi! Dá-me o dinheiro, que eu escolho agora e trago-te o papel. – parecia que já fazia aquilo todos os dias. Dou-lhe a moeda – Volto já! – e sai porta fora. Largo a chávena e alcanço a porta quase a correr. “Tem que ser! Tem que ser! Tem que ser!” Grita a minha consciência e o meu coração aperta. Ela entra dentro da papelaria. Aguardo! Ela sai e eu volto a beber o café. Arrepio-me! O café está frio. – Toma! – entrega-me o recibo, o troco e mostra-me a borracha.

- Foi a mais barata! – constato

- Era a que eu queria! – pago o café enquanto ela guarda a borracha no estojo – Ah! – olho para ela – Pedi à senhora para guardar a revista das Winx desta semana que ela disse que já tinha chegado, sabes a que traz a carteira de oferta, a mala. – diz sem pausas, pontuando apenas com a entoação.

- E quanto é que é a revista?! – não responde logo.

- Até amanhã D. Luísa e Sr. Zé!

- Até amanhã, pestinha! – respondem os dois, enquanto eu aceno e me despeço também.

- São cinco euros e noventa e cinco cêntimos, depois passas por lá, não passas?!

- Quanto mais cresces, mais cara me ficas! – ela sorri pois sentia-se realizada por ter comprado a borracha sozinha sem a ajuda de ninguém adulto.

- Passamos lá agora! – Fizemos festas à linda grandanoir que se mudou para a nossa praceta  e que fazia o seu passeio matinal, (que inveja eu tenho do seu companheiro humano) e digo-lhe – Mas com tantas coisas que recebes, nem penses que o Coelho da Páscoa te vai trazer muita coisa.

- Oh, tia! Eu sei, mas não me importo! – deixo de prestar atenção ao cão e olho para ela, que a sorrir conclui, enquanto me abraça e quase me deita ao chão – Tenho-te a ti! 

 

terça-feira, 7 de abril de 2009

1605785 Ela apenas olhou para ele. Agora não tinha dúvidas, os seus olhos eram verdes. Eram olhos de gato, inesperadamente meigos. – Não me obrigues a usar a força. Eu odeio bater em mulheres. Faz-me o favor; não me obrigues a fazê-lo. – era verdade, ele não odiava a violência, ele até gostava dela, usava-a para se excitar e activar a adrenalina no seu corpo, tinha sido treinado assim, mas odiava bater em mulheres, ou em pessoas que ele sabia de antemão, que eram mais fracas que ele. Ele via em todas as mulheres, futuras mães, futuras progenitoras e só o facto de ter que profanar um corpo que tem por fim esse objectivo divino, enojava-o. Ele amara muito a sua mãe e ainda amava muito a sua irmã. No entanto, ele usaria toda a sua força e não hesitaria um único segundo, se disso dependesse o cumprimento da sua missão.

- Pode ser que eu o faça. – tomou de novo a conversa nas suas mãos – Mas primeiro preciso de uma ou duas respostas. – ele riu-se divertido com a tamanha presunção da sua pequena refém.

- Isto deve ser divertido! Diz lá! Dispara.

- Porquê eu? Nada sei da vossa missão, nada vi, de nada vos sirvo, pelo menos nada que uma prostituta qualquer de beira de estrada não pudesse fazer muito melhor que eu. – o seu tom era firme, seguro, mas ao mesmo tempo, suave, quase arriscava afirmar, que repleto de uma sensualidade maternal. Ela conhecia o temperamento volátil do seu parceiro e não queria que a sua voz, fosse provocadora da sua ira. Ela receava que qualquer alteração, fizesse despoletar toda a violência que ela sentia-o conter.

- Tu nada sabes da nossa missão e nunca o irás saber. Pelo menos até ser necessário que tu entres em acção. Apenas te direi o que eu achar necessário. O facto de aqui estares, nada tem a ver com isso. O que tu sabes ou não, não me interessa. – disse inesperadamente calmo e cooperativo. – Posso adiantar-te que vais ter um papel muito importante nesta missão.

- O que é que pretende de mim? – ele sorriu, finalmente ela começava a desesperar e isso fazia-o sentir-se mais seguro. Não respondeu e virou costas, tentando controlar o seu contentamento – Por favor, apenas quero saber, porque é que eu estou aqui!

- E porquê? – pergunta-lhe arrogantemente – Achas que isso vai aliviar o medo que sentes? A dor que irás sentir? – ela tentou controlar-se. Os seus corpos estavam de novo, muito perto um do outro e isso deixava-a enfraquecida, talvez pelo cheiro, ela não sabia.

- Não lhe quero impor nada! – começou com uma voz com um suave timbre infantil – Sei que não estou em posição de fazer exigências, eu sei qual é o meu lugar. Apenas preciso saber o que pretende de mim, para que eu possa decidir o que fazer. Não sei porquê, apenas preciso de saber. – quase soltou uma lágrima.

- Não te adianta de nada! – concluiu.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A minha sobrinha e euUm  destes dias estava a levar a minha sobrinha à escola, tarefa que é sempre feita às corridinhas, aos saltos e pinotes, entre outras actividades que me deixam exausta, ainda antes de chegar ao escritório, quando no meio de um silêncio perturbador, diz-me:

-Tia?!

-Sim?! – imitei o tom inquiridor.

- O pai Natal existe?

-Claro que existe! – Retorqui pronta e convincentemente. – Quem é que achas que te dá aquelas prendas todas no Natal?!

-Mas tia?!

- Sim! – Já não imitei, pois adivinhava algo complicado.

– É que… – silêncio.

- Porque perguntas? O que se passa?!

- É que quando eu era pequena, lembras-te daquele Natal em que o Pai-Natal apareceu para comer os biscoitos que fizemos? – acenei que sim -  Ele tinha os mesmos sapatos que o meu pai, por isso não sei!

- Isso e porque o Pai-Natal, comprou os sapatos na mesma loja que o teu pai.

- Mas o Pai-Natal, compra os sapatos no Pólo Norte!

- Já ouviste falar na globalização? – pensei em baralha-la.

-Sim! – eu é que fiquei confusa – A minha professora já disse algo sobre isso!

- Então sabes que com as novas formas de comunicação, as mesmas coisas que existem em Portugal, também existem nos outros países e vice-versa, logo os sapatos que o Pai-Natal, comprou no Pólo Norte…

-São os iguais aos que o meu pai comprou cá!

-Isso!

- Hummmm! – aquele “hum”, não me soo muito bem, mas ela ficou calada e já estávamos quase a chegar.

- Vais ter teste de quê?

- De matemática, já disse! – arremessa.

-Está tudo bem?! – ficou calada e eu passados alguns segundos volto a perguntar – Que é que foi agora?! Que me queres perguntar?! – perguntei com medo do que aí vinha.

- Tia?!

- Sim?!

- O que é vice-versa? – eu sorrio aliviada e respondo-lhe com calma.

Talvez a minha sobrinha chegue aos oito a acreditar que a magia existe!

 

terça-feira, 31 de março de 2009

perfumeUm cheiro exótico, quente e luxuoso exalava do seu corpo. Era um cheiro desconhecido para ele, ela nunca cheirara assim. Era uma mistura intensa de fragrância oriental, onde aromas de amora-preta se entrelaçavam com o cheiro das orquídeas e do jasmim. Mas o cheiro não parava por aí, tinha algo mais, talvez um toque de sândalo, patchouli e baunilha. Aquele cheiro acordava nele uma sensualidade quente que o desnorteava e o remetia a outra vivências, a outra fase da sua vida muito distante da que se encontrava, desde que a conhecera.

No entanto, pareceu-lhe natural aquela mudança, ela naquela altura já não lhe pertencia, talvez quando a conseguisse de novo, ela voltasse a ter o cheiro que era só seu e para si, estritamente, reservado. Na realidade, essa ideia apaziguava-o; saber que apenas consigo ela se apresentava total e sem artifícios, que apenas consigo, ela não se escondia, que apenas consigo ela era ela e não aquela personagem que ele, com alguma dificuldade reconhecia.

domingo, 29 de março de 2009

Muitas amigas minhas, e alguns amigos também, perguntam-me, sempre que os convido para ver uma estreia deste género, como consigo eu gostar de filmes de acção e de estar sempre mortinha para os ir ver?! E perguntam-me isto, pois na sua opinião, os filmes de acção, são um género menor, feito para agradar a testosterona de homens que não estão em contacto com os seus sentimentos, incapazes de verem um filme e terem que pensar ao mesmo tempo. E eu fico sempre um pouco apreensiva na hora de responder, pois nunca sei se deveria optar por uma resposta politicamente correcta, ou dizer o que realmente penso.

Deveria eu defender o género dizendo que eles representam a constante e velha batalha bíblica do Bem contra o Mal, ou então que a maioria destes filmes têm uma direcção cénica fora do comum e que são um elogio aos efeitos sonoros, à montagem e aos efeitos visuais, ou então, que para além da palhaçada existe uma história de fundo que me comove.

Sim, poderia dizer tudo isso e não estaria propriamente a mentir, mas meninas, amigos e amigas, aqui fica a resposta que há anos ando para vos dar. Vocês conhecem-me e ao verem as imagens que juntei a esta mensagem, já devem ter formado uma ideia da minha razão para gostar de filmes de acção.
Mas para aqueles que ainda não me conhecem e para aqueles que são um pouco mais lentos ao raciocinar, posso explicar que gosto de filmes de acção, porque numa tentativa de Hollywood conquistar o público feminino para este género, o homem viu-se transformado num objecto sexual e isso, meus amigos, depois de tantos anos a ver a mulher ser objectivada, é uma imagem que simplesmente me agrada.Perdoem-me aqueles que acham que é superficial, aqueles que acham que eu devo ter um grave problema a ser resolvido o quanto antes, mas é a verdade e quem a verdade diz... não merece castigo.







(As fotografias colocadas no meu blog, são todas tiradas da internet e não pretendo ofender os direitos de autor de ninguém. Se tal acontecer, por favor avisem e prontamente serão retiradas.)







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