sexta-feira, 29 de julho de 2011
quinta-feira, 28 de julho de 2011
quarta-feira, 27 de julho de 2011
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Hoje apanhei mais uma...bendito programa da manhã!
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Porque vos contei eu isto?!
Bem... Hoje de manhã, enquanto fazia a minha leitura matinal dos jornais, estava a dar na televisão uma rubrica que se chama "Em bom português!", ou algo que o valha. E lá perguntava a repórter, toda contente da vida a fazer o trabalho para o qual é paga, aos incautos que passavam pelas ruas, como é que, segundo o novo acordo ortográfico, se escreve correctamente:
Incorrecto, ou Incorreto
É claro que depois do crime que foi o acordo ortográfico, o correcto é; incorreto.
Mas aqui é que está o problema e o porquê da minha introdução deste texto: eu não sou brasileira e não tenho por isso aquela pronuncia macia de vogais abertas. Eu não abro as vogais por natureza e a verdade, é que se incorrecto se escrever incorreto, para mim não se lê correctamente, porque sem um acento e sem a consoante muda para abrir a vogal, eu irei, incorrectamente, pronunciar a palavra Incorrêto.
É um crime, correcto?!
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Pois é! Desta vez apanhei um susto grande, não tanto pelo facto de ter estado doente, pois já estive doente muitas vezes, mas nunca estive doente assim.
Assim como?! - Devem estar vocês a perguntar.
Doente sem me poder mexer de forma alguma.
Não era o facto de ter de ficar deitada, na caminha, cházinhos quentes e 3 dias depois estar boa, era não me mexer, ao ponto do respirar doer até trazer lágrimas aos olhos. Deitar?! Só numa única posição, entupida de analgésicos de todos os tipos, antibiótico e para completar um anti-inflamatório.
A única posição minimamente confortável, era deitada de barriga para o céu, no chão, ou sentada direita no sofá e mesmo assim, respirar doía. Percebem o que quero dizer?!
Claro que não percebem, se eu não o tivesse vivido, também não ia perceber.
Mas o que raios tive eu?! Pois bem! Começou com uma pequena dor nas costas que ignorei. Pensei comigo mesmo que teria dormido torta e que tinha que passar a estar mais direita no sofá, mas depois dessa pequena dor, respirar fundo começou a doer. Como eu não sou de ficar quieta, ainda ajudei a transportar o móvel da sala que finalmente veio para cá para casa, 3 andares porque os elevadores não funcionam (outra coisa que tenho de contar), e toca de fazer a limpeza geral do lar, porque eu odeio desarrumação.
Nessa noite, o respirar já era quase insuportável, dormir nem ver, e vai de passar uma pomadinha nas costas para ver se aquilo passava.
Foi um jeito!
Dizia eu a quem me via contorcer de dores. Mas foi um jeito que num belo Sábado há 15 dias atrás, na festa de aniversário da Evinha (a minha nova sobrinha - sobrinha do meu maridão), eu mal consegui comer, quanto mais conhecer o resto das pessoas e onde sorrir era um esforço hercúleo.
Quando quase todos se tinham ido embora e depois de ajudar a cunhada do Filipe, (o meu mais que tudo....tenho tanto para contar!) que estava na altura na eminência de ter a minha afilhada a qualquer momento, a arrumar a cozinha, as lágrimas vieram-me aos olhos e pedi ao Fi que me levasse ao hospital que não aguentava mais.
No Hospital drogaram-me com mil coisas para me tirar as dores e foi aí que recebi como receita, descanso absoluto, um anti-inflamatório, três analgésicos que me obrigavam a estar a tomar medicamentos de 2 em duas horas e saquinho de água quente na ruptura dos músculos intra-costais, que fiz sem saber como!
Mas isso foi Sol de pouca dura. Mais uma noite sem dormir. Descanso no Domingo e na Segunda-Feira toca de ir trabalhar. E quem conseguia trabalhar? Olhar para o pc doía, respirar doía, falar doía, tudo doía. Ao ver a minha cara e ao aperceber-se do meu esforço, a minha colega aconselhou-me:
Se vires que continuas assim depois do almoço não voltes!
E não voltei. Almocei com o marido, mas a caminho do emprego, mal conseguia segurar no volante. Toca a dar meia volta e vai para casa, deitar no chão a olhar para o tecto, porque virar não conseguia, respirar doía.
Nessa madrugada, acabei por gritar pois não conseguia mais engolir os gritos de dor que se dissipavam pelo corpo. O Fi ajuda-me a vestir, a calçar a pentear a lavar os dentes e vai comigo para o Hospital. No Hospital dizem-me que ouviram no meio da auscultação da minha respiração (acto que fazia de forma cada vez mais espaçada, pois doía), algo que não gostaram, por isso toca a drogar-me de novo para DIMINUIR as dores, chamam ambulância e vou de toque para o Hospital da Feira para poder fazer um Raio-X, que àquela hora, não se pode fazer no Hospital de S. João da Madeira.
No Raio-X, lá mostra uma inflamação nos brônquios, já bastante alastrada, para além da inflamação dos músculos que anda hoje não faço ideia de como a fiz.
Conclusão Mais de uma semana em casa, sem dormir, sem me mexer e quase não ficava boa, para ir ao baptizado do meu sobrinho lindo no Domingo dia 10.
Hoje ainda não estou perfeita e respirar fundo ainda dói como tudo, mas pelo menos já estou a trabalhar, fui ao baptizado, a minha sobrinha mais novinha e afilhada já nasceu e é linda e já consigo respirar sem chorar.
Continuo a questionar-me é como é que raios eu fiquei doente assim?!
quarta-feira, 6 de julho de 2011
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Sabem quando parece (mesmo quando não se acredita) que nos lançaram um mau olhado?!
Alguém o deve ter feito...
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Hoje quando cheguei ao correio tinha um papel amarelo dobrado em dois onde se destacava a palavra AVISO.
Peguei no dito papel e comecei, atentamente a ler:
AVISO
Pede-se o favor de terem mais cuidado com os ruídos íntimos, tanto da cama como os barulhos pessoais.
Devido a ser um prédio em que facilmente se ouve o barulho entre as casas, agradece-se a atenção ao conversar em horário de silêncio, pois ouve-se nos vizinhos as conversas.
Obrigada pela atenção.
Ora aqui começou a tal vontade de rir de que já falei no início, pois estes dois pequenos parágrafos, foram escritos a computador e ocupavam, no seu tamanho garrafal, toda uma página A4.
No entanto, uma resposta para esta senhora, saltou de imediato da minha mente para a ponta da minha caneta.
Cara Vizinha
Sem qualuqer necessidade de tentar que esta misiva envele num ardilo de tentativa de parecer um Aviso Oficial, aqui lhe escrevo com a minha letra pessoal e totalmente disposta a dar-lhe a resposta que merece.
Num prédio onde às 6 da manhã se ouvem os motores dos autocarros da rodoviária em tom alto e incomodativo (servindo o mesmo como um despertador diário), num prédio onde os vizinhos se escondem para não terem de dar os "Bons Dias", num prédio onde as portas das escadas fazem um barulho ensurdecedor a toda a hora, 24 horas por dia, num prédio onde não se tem elevadores por falta de cumprimento de contratos passados, com toda a certeza que não será a convivência normal de um casal com mais de trinta anos e sem filhos, que a irá, realmente, incomodar. A não ser, é claro, que a senhora sofra de algum tipo de trauma por ausência de vida pessoal, tão grave, que a vida dos outros, que se passa no interior dos seus lares, no recato que esse cubo de 6 paredes lhes dá, ganhe importância tão relevante.
Não fazemos barulho fora de horas, não subimos nem descemos escadas como um bando de potros selvagens, não falamos alto com regularidade, não fazemos obras, arrastamos móveis, ou pregamos pregos fora de horas. Assim sendo, todos e qualquer ruído que possamos, inadvertidamente, causar, são de ordem privada e, certamente, não são assim tão recorrentes que possam, realmente, causar transtorno tão grande que levem à escrita de AVISOS.
Os vizinhos, por uma questão de cortesia e educação, não "avisam", mas sim falam e pedem e este tipo de atitude apenas a deixam com um valor diminuido e fazem do seu AVISO, motivo de chacota.
Agora que o seu AVISO já teve resposta, mais que merecedora, termino.
Sem outro assunto e certa de que este ficou difinitivamente encerrado (até porque acredito que a senhora tenha mais o que fazer), subscrevo-me com a mais elevada consideração.
Atentamente,
Da sua vizinha avisada.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Existem algumas coisas que me fazem confusão e vocês, apesar de já não saberem de mim há mais de um ano, sabem isso melhor que muitos outros.domingo, 11 de abril de 2010
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Há muito tempo que não conto nada sobre ti. Creio que desde a minha resolução de ano novo, que isso se tornou um pouco complicado.
Complicado porque é muito difícil viver e respirar a tua presença, sabendo que vou ter de deixar de ser uma presença constante e imutável na tua vida, no teu dia-a-dia. E eu sofro, sofro muito com isso, mas é algo que tem de ser.
Lamento muito meu amor, filha do meu coração, mas a tia precisa de sair para puder ser algo que, realmente, possas admirar.
Amar-te-hei para todo o sempre.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Eu só conheço uma forma de amar e essa é a mais simples e a mais desinteressantes de todas: a da entrega total. Quando se ama temos obrigação de ser tudo, de sermos por inteiro aquilo que o outro precisa de nós.
É impossível para mim, pensar em amar por metade, por um terço, ou por qualquer outra fracção matemática da matéria. Sim porque o amor é massa, é algo palpável, algo que se sente, algo se dá e recebe e logo, deveria estar sobre as regras da física por todos conhecidas. Mas não está. E não está porque ele não respeita essas divisões materiais. O amor em vez de ser uma massa que diminuiu durante uma divisão, é uma massa que vai aumentando, que se vai multiplicando e expoenciando. Quantos mais divisores tivermos nesta fracção, mais dividendos se vão encontrando.
O amor acumula, damos 100% a todos os que precisam, a todos os que amamos, porque é impossível, amar por bocados e é impossível não poder amar mais.
domingo, 14 de fevereiro de 2010
- Acho que já te desejava, mesmo antes de sentir qualquer desejo.
- Mas eu sou tua escrava pela violência do amor, apesar ser livre pela graça do meu berço.
- Então eu serei teu mestre e teu servo.
- Ambos devemos obediência a nós, como casal, como organismo vivo e autónomo e nada mais.
- Isso é um compromisso com o qual me sinto confortável!
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Ela estava a chorar. Não caíam lágrimas, porém ele conseguia vê-las, via-as inundarem o peito da sua amada, a encherem o seu pulmão, a asfixiarem-na de mansinho, a darem um nó na sua garganta, a taparem os seus ouvidos, a matarem-na.
Teve vontade de a beijar, de sorver cada gota daquele líquido límpido e salgado que tanto a angustiava. Teve vontade de a abraçar, de a abraçar com tanta força que a tornaria parte de si, um único ser indivisível, para sempre juntos, para sempre, eternamente, um.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
sábado, 23 de janeiro de 2010
…E porque hoje estou com vontade de reler poemas, aqui fica um dos meus favoritos, de todos os tempos.
Estrela da Tarde – José Carlos Ary dos Santos
Era a tarde mais longa de todas as tardes
Que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas
Tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca,
Tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste
Na tarde tal rosa tardiaQuando nós nos olhamos tardamos no beijo
Que a boca pedia
E na tarde ficamos unidos ardendo na luz
Que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto
Tardaste o sol amanhecia
Era tarde demais para haver outra noite,
Para haver outro dia.Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza.Foi a noite mais bela de todas as noites
Que me aconteceram
Dos nocturnos silêncios que à noite
De aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois
Corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram.Foram noites e noites que numa só noite
Nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites
Que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles
Que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto
Se amarem, vivendo morreram.Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza.Eu não sei, meu amor, se o que digo
É ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo
E acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste
Dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida
De mágoa e de espanto.
Meu amor, nunca é tarde nem cedo
Para quem se quer tanto!
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Não faço ideia se a historia, é ou não verdadeira, ou se a imagem apresentada corresponde à verdade sem manipulação, mas que seria um caso digno de tablóide, seria.
Quem me dera ter umas cunhas assim!
Vejam a história aqui:
http://joaobarbeita.blogspot.com/2010/01/como-arranjar-curriculo.html
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
A noite caiu e pouca luz ela recebia dentro da tenda fechada. Começou a sentir frio. Tentou ignorar. Imaginou que tudo não passava de um sonho e tentou mesmo dormir um pouco. De nada servia, os seus receios e os barulhos que se faziam sentir na floresta, impediam qualquer relaxamento a uma menina de tão tenra idade, abandonada num ambiente hostil, amordaçada, amarrada e quase despida.
Os soldados foram recebidos cordialmente pelo grupo de escuteiros que já conheciam. Claude fez as honras da casa e foi um anfitrião perfeito. François estudava cada movimento dele, cada gesto, cada gesticulação, cada mudança no seu tom de voz. Durante o jantar ganhou coragem para perguntar:
- E a menina que desapareceu? Já sabem de alguma coisa?
- Parece que a mãe se sentiu mal. Ela tinha ido à vila buscar o pão e telefonou para os pais, ficando a saber da má disposição da mãe. Na altura, voltou para o campo, mas à noite, os remorsos começaram a acumular-se e decidiu, voltar para casa. Saiu e telefonou hoje à tarde a avisar do sucedido.
- Então está tudo bem? – Quis ainda saber, com um prazer mórbido em ouvir tamanho chorrilho de mentiras.
- Está, está tudo bem.
O fogo-de-conselho começou. Os dois soldados estavam divertidíssimos com a atenção que as meninas lhes dedicavam e com as piadas leves dos scatchs levados a conselho. François manteve-se um pouco afastado com o Claude e ambos começaram a conversar sobre inúmeras frivolidades. Ele era um excelente conversador e Claude sentia falta de conversar sobre outros assuntos. Assuntos que não podia conversar com mais ninguém. Dalila era um assunto que Claude podia conversar com um estranho, com alguém, que nunca mais veria e Deus sabia, o quanto ele precisava de desabafar sobre o assunto. François, apercebendo-se disso, convidou-o a afastar-se e entraram na floresta. Sentaram-se na mesma clareira, onde eles tinham raptado o seu anjo de luz e ofereceu-lhe a garrafa que tinha enchido, horas antes. Claude aceitou, prontamente, sem pensar em qualquer consequência. A conversa depressa rumou para o assunto que ambos desejavam.
- As raparigas do vosso agrupamento são muito giras... – brincou o François.
- Giras e perigosas. Se um homem não tem cuidado, é fisgado por elas e quando se apercebe, já está tão apaixonado, que pode dar cabo da vida em três tempos. – Desabafou, bebendo mais um golo daquela pequena garrafa.
- É... é uma idade complicada. Já parecem adultas, comportam-se como adultas e no entanto, amedrontam-se como crianças. Já passei por isso, sei como é. – Bebeu também ele, incentivando o seu rival a beber mais.
- Sabe... – procurou as palavras mais certas – A menina que procurávamos hoje...
- Sim, estou a ouvir. – Disse satisfeito por finalmente falar no assunto que lhe interessava.
- Ela é muito mais que um simples elemento do agrupamento. Ela é muito mais que uma criança normal.
- Você disse que ela tinha treze anos, não foi?
- Sim... mas apenas por medida de segurança, na realidade ela faz quinze anos depois de amanhã.
- Também, não é assim tão mais velha. – Ele estava realmente surpreendido. Depois do que se passara naquela tarde, ele tinha ficado com a impressão errada, de que ela teria, pelo menos, uns dezassete anos. Ela fazia, cada vez, menos sentido. Sentiu-se mal, por estar a cativar uma mulher tão jovem.
- Mas tem uma alma antiquíssima e já viveu mais do que qualquer um de nós suportaria. Eu sei que vocês, militares, vêm coisas que não fazem qualquer sentido, mas ela...ela já as viveu. – Ele falava com um orgulho e com um brilho nos olhos que o irritavam – Viveu e sobreviveu, com notas altíssimas.
- Não me diga que vocês têm alguma coisa...
- É impossível resistir-lhe. Ela é linda, cativante, carinhosa, esperta, inteligente, jovem, cheia de vida. Ela é mais madura que muitas mulheres de vinte e oito anos, com quem saio às vezes, para manter as aparências e para aliviar o stress... se é que me entende? – agora estavam a falar a língua dele.
- Quer dizer que vocês os dois, nunca tiveram relações sexuais? – Claude acenou que não – Nunca? – Insistia François.
- Nunca! Ela é muito sensual, ardente e fogosa, mas sempre que as coisas começam a caminhar para a cópula, ela retrai-se e é sempre uma frustração. – François ri, pois reconhece cada palavra proferida por aquele homem - Não me interprete mal. Ela não é frígida nem nada que se assemelhe, nem sequer é leiga em assuntos sensuais, passamos longas horas num namoro óptimo, mas creio que ela ficou traumatizada quanto à penetração em si. – Bebeu mais um pouco.
- Como assim traumatizada? – Bebeu também, Claude já estava bem alcoolizado e tropeçava nas palavras como se estas fossem obstáculos de uma árdua corrida.
- Como lhe disse, ela é melhor preparada que qualquer outra mulher adulta e madura que conheço...
- Mas como assim? Ela tem apenas catorze anos! É pouco mais que uma criança, nem sequer é uma jovem mulher.
- É que ela já passou muito nesta vida. – Ele quase pode ver uma lágrima saltar dos olhos de Claude, e observa como mal controla a sua mão quando agarra na garrafa, para apagar os pensamentos. O problema, como o é para qualquer tipo de fuga, é que o resultado é geralmente o contrário: quanto mais bebia, mais se recordava, mais queria falar, mais queria explicar.
- O que pode ela ter vivido, que lhe desse assim tanta maturidade, em tão pouco tempo?
- Ela veio do Gabão. Os pais dela eram lá fazendeiros. Tinham uma propriedade enorme, com terrenos de perder de vista e plantavam quase tudo, quanto aquele solo dava. Quando ela tinha apenas onze anos, ou seja, há três anos atrás, durante os motins e as revoltas, um bando de… - gaguejou antes de dizer a palavra, procurando o substantivo, ou o adjectivo correcto, talvez com medo de ofender alguém, ou apenas como resultado do álcool ingerido. - … de negros, liderados por uns quantos mercenários franceses, americanos e alemães, decidiram atacar tudo quanto era propriedade de brancos, roubando tudo quanto era possível: ouro, dinheiro, pratas… - engoliu em seco, olhando para a garrafa, mas sem engolir nenhum líquido desta vez – Levaram tudo que valesse dinheiro no mercado negro. Não havia qualquer luta política, nada, apenas simples ladrões a aproveitarem-se da situação confusa que o país vivia.
- Eu sei! Estive lá nessa altura. Também eu fui destacado para as forças da ONU, para manter a paz.
- Então sabes do que estou a falar. – Arrematou com um suspiro de alívio, por não ter que explicar algo que lhe era difícil de compreender.
- Mas continua, o que lhe aconteceu? – Perguntou ele, cada vez mais intrigado com o caminho que a história levava.
- Bem, como muitos outros desgraçados, a família dela também foi assaltada. O grupo roubou tudo o que tinha para roubar, mesmo perante a grande resistência que o pai dela ofereceu. Depois ataram a mãe dela e a ela a uma das vedações da quinta, obrigaram o pai a ajoelhar-se e a humilhar-se perante as duas mulheres da casa. – Bebeu mais um golo e pensou de novo nas palavras - Despiram-no e obrigaram-no a ver os campos das colheitas e todas as máquinas a arderem… - de novo uma pausa, como se à força de ele ter ouvido, da boca inocente dela, aquele relato, o tivesse feito viver a experiência – Na realidade, viu arder o trabalho de toda uma vida e cortaram-lhe a cabeça depois, com uma simples catana de mato.
- Mataram o pai à frente dela? – Claude acenou que sim – Tinha ela onze anos?!
- Sim, onze anos apenas. – François prostrou-se, assassinarem o nosso pai à frente dos nossos olhos, não é coisa que passe despercebida e sem qualquer mácula. – Mas isso não foi tudo. – Ele acenou para que continuasse e ofereceu a garrafa de novo, depois de dar um longo trago – Em seguida, pegaram na mãe, despiram-na e começaram a bater-lhe. Quando ela já não conseguia levantar-se do chão, tiraram à vez, a ordem pela qual a usariam.
- Santo Deus! – Disparou enojado com a imagem que realizou na sua mente.
- Mas isso foi o erro deles.
- Como assim?
- A Dalila, conseguiu soltar-se das cordas que a atavam e aproveitando-se da distracção dos assaltantes, ela pegou na catana do homem que estava em cima da mãe, o mesmo que matara o pai, e com ela, cortou-lhe a cabeça. Cheia de sangue e assustadíssima pelo que tinha acabado de fazer vira-se para os outros três homens e ameaça-os com a catana. Luta que nem uma louca, movendo-se por todos os lados e lançando aquela pesada arma a tudo o que se mexesse, atingindo quem quer que fosse que se aproximasse dela ou da mãe.
- Minha Nossa Senhora!
- É verdade, meu amigo. Parece mentira e tirado de um filme, mas não é. Foi assim que tudo se passou.
- Mas como é que ela sobreviveu a tudo isso?
- Bem! Os mercenários ao verem que os seus homens estavam a ser feridos por uma simples rapariguinha, acabaram por dar ordens para que as deixassem em paz. Afinal, já tinham o que queriam. Um deles, um americano, chegou mesmo a afirmar, que se uma miúda daquelas era capaz de lutar com tanta força, merecia viver muito mais que qualquer um deles.
- Valha-nos ao menos o peso da consciência de alguns deles. – Afirmou aliviado, como se ele ainda não soubesse que ela tinha sobrevivido. – E depois?
- Bem, aqui é que a história começa a ganhar contornos hollywodescos.
- Bem, eu gosto de um filme de acção. – Claude sorri.
- Um dos outros mercenários… - mais um pouco de veneno pela goela abaixo - … um que se tinha juntado ao grupo há pouco tempo, já estava com grandes problemas de consciência, pelas atitudes que o grupo tomava. – Limpa um pouco de whisky que lhe escorregava pelos cantos dos lábios, com a manga da camisa - Aquela cena toda acabou por lhe dar a certeza de que ele não pertencia ali. – Uma nova pausa, esta um pouco mais prolongada, como se estivesse a preparar um grande final, ou reviravolta. - Passado umas dez horas depois de tudo aquilo ter acontecido, ele abandonou-os e voltou à fazenda, na esperança de poder ajudar aquelas duas mulheres, como forma de remissão de pecados. Quando lá chegou, já a menina tinha começado a cavar um buraco, para enterrar os diversos corpos que estavam mortos por toda a propriedade e já tinha enterrado o pai ao lado da campa dos avós. A mãe estava a dormir, em completo estado de choque, deitada no chão do salão, tapada com um lençol de seda e com uma almofada por baixo da cabeça. – Atira um galho pequeno com que brincava, contra uma pedra. - As forças dela só lhe permitiram fazer aquilo.
- E já tinha sido um esforço hercúleo. – Ele vibrava com cada descrição daquela história. Aqueles eram os acontecimentos que tinham feito da sua amada, aquilo que ele tanto apreciava.
- Pois já. – Bebeu mais um pouco – Consegue agora perceber? Eu não estou a ter um caso com uma criança, eu estou a namorar com uma mulher feita. – François sorriu, conseguia compreender o que ele afirmava, mas tinha dúvidas.
- E o mercenário?
- Bem. O Jack, que hoje é padrasto dela, ao vê-la cavar aquela enorme cova, com uma pá que lhe parecia a ele, maior que ela, compadeceu-se e decidiu ali, naquele momento, que faria tudo, para diminuir a dor daquela família. – Jack, então ela chamava pelo padrasto.
- Então esse mercenário é hoje o pai dela?
- Mas ao princípio não era essa a sua intenção. – Comenta sarcasticamente.
- Como assim?
- Esse americano ajudou-a a queimar os corpos de todos os mortos na fazenda. Ela nunca lhe falou, até porque não conhecia nenhuma palavra em inglês. Ela apenas agradecia desconfiada a sua ajuda. Pediu que a seguisse até a casa e mostrou-lhe a mãe deitada no chão, num estado lastimoso, cheia de cortes na cara e no corpo todo, ensanguentada e desmaiada. – François observava cada movimento de olho, cada contracção muscular, cada pequeno movimento de pele, dos lábios. Percebia quando é que Claude estava enojado, excitado, ou simplesmente indignado. Reparou que coisas que o deixavam apavorado como sangue, o deixavam a ele indiferente. - Ele pegou nela ao colo e levou-a para o quarto. Tratou da mãe dela o melhor que pode, ela esperou por ele, exausta no grande salão, com a espingarda do pai na mão. Quando ele voltou à sala ela apontou-lhe a arma e disparou contra ele, acertando, no entanto, na vitrine esvaziada.
- Rapariga de fibra.
- É, fibra não lhe falta. Ele desarmou-a e disse que estava ali para a ajudar no que fosse necessário, durante o tempo que ela precisasse dos seus serviços, como um simples criado. Felizmente, ele sabia um pouco de francês. – Riram-se.
- E ela?
- Ela aceitou. Desmaiando logo em seguida.
- Coitada, depois de tudo o que passara! – Pensa um pouco em todo aquele cenário e conclui. – Já tinha ouvido em picos de adrenalina, mas o que se passou com ela,passou tudo aquilo que já havia ouvido. Parece que ela tem alma de sobrevivente, de guerreira, que é algo escrito no seu DNA. – Bebe ele um pouco do que ainda havia e deixa Claude continuar.
- Quando ela acordou, ela passou a mãozinha dela pelo rosto dele, como se quisesse dizer-lhe que precisava da protecção dele, para que ele tomasse conta dela. – O mesmo gesto de súplica que ela lhe fizera, recordou-se ele no mesmo instante. – E ele tratou dela, mas por mais que tentasse não conseguia ver nela, um único traço infantil. Depois de tudo o que ele vira aquela criança fazer, ele respeitava-a como uma adulta, como um ser que sabe cuidar de si, totalmente independente. Nos dias que se seguiram, acabaram por se fazer grandes amigos. Tratavam da mãe, (que apenas acordou um mês depois), das colheitas que se salvaram dos fogos, dos animais que sobraram e reconstruíram grande parte da fazenda. Uma noite, ela pediu-lhe que a ensinasse a lutar e ele compreendendo-a perfeitamente, assim o fez.
- Agora entendo... – Descaiu-se.
- Como assim? – Perguntou Claude confuso.
- Agora entendo porque dizes que ela é muito mais que uma criança. – Disfarçou.
- Pois é. O problema foi quando, ao longo dos treinos intensivos, o corpito dela começou a desabrochar e a desenvolver-se precocemente. Aquele ex-soldado, sem acesso a qualquer outra mulher e interagindo diariamente com ela, começou a querer mais, do que aquela relação de amigos.
- E a mãe?
- A mãe ficou muito traumatizada com a morte do marido e durante o ano que se seguiu, nunca se levantou da cama, ou proferiu qualquer palavra. Depois, de uma hora para a outra, levantou-se e preparou o pequeno-almoço para os três, como se o Jack fosse já membro da família.
- Não tinha sido para menos. – Ele envergonhava-se do que os homens eram capazes de fazer, principalmente, ex-soldados, homens treinados fortes e bem formados. Aquilo não fazia qualquer sentido para ele. Como eram eles capazes de tal barbárie?
- Mas antes, o Jack e a Dalila viveram sós, entregues a si mesmo. Treinavam todos os dias depois das tarefas diárias e não era um treino simples, mas sim, um treino capaz de vergar muito homem, tal como ele tinha recebido nos marines. Luta corpo-a-corpo, armas, qualquer tipo de armas, artes marciais, enfim, o serviço militar completo.
- E foi durante o treino que ele tentou ser mais que um amigo?
- E não conseguiu. Não que ela não se sentisse atraída por ele, acho que ainda hoje eles sentem uma forte atracção um pelo outro, basta reparar nos olhares que trocam, mas sempre que estavam a chegar a vias de facto, ela escapava dos seus braços tal qual uma enguia, exactamente o mesmo que ela faz comigo.
- Acho que está relacionado com o que aconteceu com a mãe. – Tentou arranjar uma explicação, para tanta resistência a um acto que surge naturalmente após os preliminares que ela gostava. – E ele não insistiu?
- Ele chegou a usar a violência e a força física, mas sempre que ela se rendia, repetia aquele gesto que tinha feito ainda meio inconsciente, de quando se conheceram e ele perdia toda a coragem para continuar. Ele não queria de forma alguma ser como os outros. Quando a mãe dela acordou para a vida, acabaram por se casar e desde então ele tem sido um pai exemplar para ela.
- Então és um homem de sorte. Ela é uma mulher excepcional. – Os olhos de Claude humedeceram – O que foi? Não te sentes um homem com sorte? Tens uma mulher maravilhosa como namorada e sempre que precisas de algo mais, procuras uma mulher mais velha e com menos complexos.
- Não é assim tão fácil. – Ele sabia que não – Existe uma mulher, com quem eu me encontro com maior regularidade, que engravidou. Eu ainda não contei nada à Dalila, mesmo eu, só soube um dia antes deste acampamento.
- O que pretendes fazer? – Ele ria-se por dentro.
- Acho que terei que casar com ela. A Dalila é especial e eu nunca amarei nenhuma outra mulher como a amo a ela, mas eu vou ser pai e não desgosto da ideia de me casar já. Tenho trinta e três anos e começo a não ter muito tempo para desperdiçar.
- Compreendo-te, meu amigo. - Disse com a confiança de quem nada tem a temer. Ele estava feliz, sabia tudo o que tinha que saber sobre a sua prisioneira, já compreendia tudo o que se passara e sabia também, que o namorado dela, não era rival para ele. – Há quanto tempo voltou ela de África?
- Há seis meses. O padrasto dela achou que se ela não se afastasse muito da vida do campo e fora de portas, ela não esqueceria o treino que ele lhe tinha dado e inscreveu-a nos escuteiros. Uma semana depois, já nós estávamos nos braços um do outro. Era-me impossível resistir-lhe. – Ele conhecia bem aquele sentimento, também a ele era impossível resistir-lhe, como se ela emanasse uma força magnética que atraía os homens até a si, tal como as sereias faziam aos navegadores. – Pena ela só ter catorze anos. Pena. – Acabou por beber o resto do líquido que estava na garrafa e o François teve que o ajudar a equilibrar-se, para que ele voltasse para a tenda.
domingo, 10 de janeiro de 2010
Não quero ninguém que morra por mim, ninguém que morra por amor ou por outra razão qualquer por mim provocada. Não quero alguém que se sinta tão subjugado a mim, que seja incapaz de conceber outra forma de estar, não quero!
Quero alguém que esteja comigo, que viva por mim, que queira fazer coisas comigo. Quero alguém que me entrelace nos seus braços, que me proteja apenas com a sua presença, alguém que se arrepie com o toque da minha pele, mas que mantenha todas as suas forças, toda a sua essência. Não quero ninguém que ao meu toque deixe de ser.
Não quero alguém que me diga apenas o que quero ouvir, não quero alguém que me faça irritar pela falta da verdade. Não quero alguém que aparente, quero alguém que seja. Não quero alguém que se esconda, mas alguém que se assuma, que simplesmente exista, sem artifícios, sem jogos, sem camadas. Quero a a idiossincrasia completa.
Não quero alguém que me ame com a mesma intensidade que eu, apenas quero que goste de mim, seja de que forma for. Não quero que todos gostem de mim, nem mesmo as pessoas de quem eu gosto. Não quero que elas sintam a minha falta, da mesma forma que eu sinto, intensamente, a falta delas, se o fizesse estaria a desejar o mal das mesmas e eu não o desejo. Queria poder sentir que em algum momento especial eu fui única, isso seria o suficiente, mesmo sabendo que existe sempre quem ocupe o nosso lugar. Mas pensar que alguém, em algum momento, por mais fugaz que tenha sido, pensou e sentiu assim, já me satisfaz.
Simplesmente não quero! Não quero ser apenas alguém que passa pela vida, sem que ninguém note. Mas também não quero que a minha presença seja tão opressiva, tão poderosa, que ninguém suporte estar perto de mim.
Apenas quero… apenas quero… apenas quero… que tudo tenha um sentido, que tudo tenha um valor real.







