terça-feira, 15 de setembro de 2009

image0022Existem coisas, que o ser humano faz, que me deixam sem qualquer outra alternativa se não gritar de indignação, com toda a força dos meus pulmões.

Se eu acho a tourada um espectáculo bárbaro, onde os touros não pediram para ali estar e no entanto, o seu sofrimento é o ponto alto de um espectáculo de massas, imaginem o que eu sinto quando vejo estas imagens num documentário e mais tarde num e-mail que me foi enviado.

Sempre tive em conta que os países nórdicos eram países civilizados e muito racionais. Que evoluíram do Vikings e se tornaram nas civilizações mais pacíficas e organizadas do planeta, mas quando me identificam este local como sendo a Dinamarca, tenho logo que pensar, que algo vai muito podre naquele reino.

image0011 Numa determinada altura do ano, o mar,  numa pequena aldeia piscatória na Dinamarca,  mais precisamente na Ilha Faroé, fica vermelho. No entanto não é devido a efeitos especiais, ou a qualquer outro fenómeno climatérico estranho e sem explicação. Deve-se à crueldade com que os seres humanos (supostamente seres racionais e civilizados) matam centenas dos famosos e inteligentíssimos Golfinhos Calderon, também conhecidos como Grampus Griseus e Golfinho-de-Risso. 

image0033 Isto acontece ano após ano e participam deste massacre, maioritariamente,  jovens homens. Por quê? Porque supostamente, através deste acto irracional, os mancebos demonstram que  atingiram a idade adulta e que não podem mais ser considerados crianças.

A verdade é que todos participam deste triste espectáculo: os que image0066vão lá para assistir; os que vão para matar; os que organizam; os que incitam; nós que nada fazemos para terminar com este bárbaro costume.

O golfinho Calderon, como quase todas as outras espécies de golfinhos, aproxima-se do homem, com o exclusivo objectivo de interagir e brincar. Os golfinhos são uma espécie que mesmo em liberdade, tal como os animais domesticados, gostam de brincar e travar amizade com os humanos. 

image01010Mas o que mais me repugna é a forma lenta e cruel com que ele são mortos. A forma como o fazem, não os mata instantaneamente. Estes cetáceos são cortados diversas vezes, com ganchos grossos. Segundo parece, o som que os golfinhos lançam no ar, nesse momento é estridente e, confiando em relatos de pessoas que já observaram tal barbárie, assemelha-se muito ao choro de um recém-nascido.

image0077 O processo repete-se as vezes necessárias e, durante todo esse tempo de tentativas, o golfinho sofre e não existe qualquer tipo de compaixão. Este dócil ser, sangra, lentamente, e sofre com as dores provocadas pelas feridas enormes, até perder a consciência e morrer no seu próprio sangue. 

No fim da matança, os  Heróis, passam, finalmente, a ser adultos. image0099Homens racionais e prontos para as adversidades do dia a dia, uma vez que a sua maturidade, ficou, inequivocamente comprovada, através desta exaustiva demonstração.

Creio que já existe demasiada violência no Mundo, para que seja necessário continuar a compactuar com este espectáculo triste e deplorável.

Está na hora de fazermos algo, a mais não seja, denunciando este filme de terror a todos aqueles que ainda não tenham conhecimento.

Talvez assim, seja possível criar uma onda de indignação que comova o governo Dinamarquês e o demova de continuar a tolerar image0055 este genocídio (sim utilizei a palavra genocídio para a morte de uma espécie animal, porque para mim, todos os que habitam o planeta merecem ser tratados de igual forma: todos merecem respeito, todos merecem viver em paz)

 

 

 

 

Nota: caso queiram saber as características científicas deste lindo animal, aqui estão:

Nome Cientifico: Grampus griseus

Características: É relativamente fácil identificar golfinhos de Risso no mar, em particular quando são mais velhos. Parece que foram "atacados pela artilharia"., com cicatrizes corporais extensivas causadas pelos dentes de outros golfinhos de Risso e, em menor escala, por confrontações com lulas.

A sua cabeça é arredondada e não possui bico. Este golfinho pode medir entre 3,60 a 4m de comprimento.

O corpo tem tendência  a clarear com a idade, se bem que haja grandes variantes entre indivíduos: os adultos podem ser quase tão brancos como golfinhos-brancos ou tão escuros como baleias-piloto.

À distância, a barbatana dorsal alta pode induzir momentaneamente à confusão com orcas fêmeas ou jovens ou roazes-corvineiros.

O golfinho de Risso tem um sulco frontal no centro da testa, correndo do espiráculo ao "lábio" superior; é visível de perto e é peculiar a esta espécie.

Por vezes vêem-se golfinhos de Risso agrupados com outras espécies de golfinhos e com baleias-piloto.

Barbatana Caudal

Cabeça de Animal Velho

Comportamento: Sabe-se que os animais jovens saltam; os animais mais velhos têm tendência para dar meio-salto, batendo depois com o lado da cabeça na superfície.

Por vezes eleva bem a cabeça para "espiar", ficando as barbatanas peitorais expostas.

Pode dar "batimentos caudais e peitorais" e faz surf nas vagas.

É raro "acompanhar à proa", mas pode nadar ao lado de um navio ou no seu rasto.

É típico mergulhar durante 1 a 2 minutos, depois sobe e respira uma dúzia de vezes com intervalos entre 15 e 20 segundos; pode ficar debaixo de água até 30 minutos.

Barbatana caudal pode aparecer acima da superfície quando mergulha.

Às vezes nada "saltitando".

Pode emergir para respirar num ângulo de 45º.

Quando caçam, os grupos estendem-se por vezes numa longa linha. Alguns são grupos muito tímidos, mas outros deixam-se aproximar.

Distribuição: Bastante abundante, a distribuição é ampla. Prefere as águas profundas do largo, mas pode ser visto perto da costa em volta de ilhas oceânicas e onde haja uma estreita plataforma continental.

Na Grã-Bretanha e Irlanda, maioria dos registos dentro dos 8 km costeiros. Nos EUA, encontrado sobretudo perto do extremo da plataforma.

Presente durante todo o ano na maior parte da área, apesar de poder haver um movimento sazonal costa/largo em algumas áreas.

Encontrado por vezes em regiões mais frias durante os meses de Verão.

Alimentação: cefalópodes, por vezes peixes.

http://www.golfinhos.net/pt/portal/especies/familia-dos-golfinhos/golfinho-de-risso.html



sábado, 12 de setembro de 2009

51713 - Quem lhe disse isso? Como é que pode saber disso, quando observa um grupo de miúdos a metros de distância, através de uns binóculos? – ele aproximou-se de novo. Senta-se na cama e beija-a. – A verdade é que você tirou à sorte e nem sequer, tem a certeza de que acertou, pois não?

- Que idade tens tu? Quantos anos tens? – ela abandonou o seu olhar e abanou a cabeça.

- Quando é que eu vou saber da missão e do que preciso fazer?

- A seu tempo. – disparou – Logo, logo, eu irei saber tudo sobre ti, mas agora é tempo de fazeres um telefonema. – soltou-a das cordas que a aprisionavam e levantou-se. Ela deixou-se ficar. – Queres um convite por escrito? - ironizou.

Ela acaba por se levantar contrafeita. Ele queria tanto que ela fosse mais cooperativa. Talvez se ela lhe tivesse mais respeito? Não, essa não era a solução. A solução era ela temê-lo. Agarra-a pelo braço com força e puxa-a até ele. De novo aquele cheiro que ambos gostavam e que ambos temiam. Ele sentia a respiração rápida dela, bem sobre o seu ombro direito. Era aí que ficava a sua boca, quando ambos estavam de pé. Afinal ela não era assim tão baixa. Talvez passasse do metro e setenta. O seu corpo era tão delgado. Ele amava-a, disso ele já não tinha dúvidas. Se era resultado de uma solidão de vinte e cinco anos, ele não sabia. O que ele sabia, era que ela teria que ser sua. Sua durante o rapto, sua durante a missão, sua depois da missão, sua para o resto da sua vida. Ele não a deixaria escapar. Nunca mais ela se veria livre dele, mas isso, era apenas do seu conhecimento. Ela nada sabia, ainda.

- Tu nunca mais me irás desobedecer! Nunca mais. – o braço começava a doer-lhe, mas ela não queria vergar-se sobre o seu jugo.

- Então prova-me que eu tenho que te obedecer. – ele não se conteve, aquilo era insubordinação, pura e crua. Ele não podia aceitar e bateu-lhe. Ela não cai por terra, ao contrário do que ele pretendia, mas sangrou do lábio inferior. Do mal, o menos. Ela sabia aguentar uma tareia. Ele tinha a certeza do treino militar, mas não compreendia.

- A não ser que queiras que isto continue, começa a obedecer-me. – ela ia argumentar, mas ele, mais uma vez, não deixa. – E sem argumentações, sem mas, nem porquês, apenas obedece. – ela fecha os olhos, engole em seco e deixa-se levar para fora da tenda – O telefone. Tragam-me o telefone. – o soldado mais velho, atira-lhe um telemóvel avançadíssimo. Estamos na era em que os telemóveis pesavam quinze quilos e andavam nos carros, mas o deles, não pesava mais do que cem gramas e era pouco maior que uma mão. – Qual é o número?

- Que número? – acaba por perguntar.

- O número para o qual os pais vos podem contactar. Vocês deviam ter algum tipo de contacto com o mundo exterior. Qual é o número? – ela abre o bolso da camisa e retira um número de telefone.

- É o número dele?

- Poucos de nós se podem dar ao luxo de ter um telefone portátil. – ele continua à espera da resposta certa - É de um telefone fixo, de uma mercearia que fica na vila. O filho do merceeiro virá até aqui e dir-lhes-á que alguém quer falar com eles. O contacto final é feito meia hora depois.

- Então faz agora o telefonema e pede para chamarem o teu amorzinho. – ela assim o fez.

- Que quer que eu lhe diga? – ela deixou de o olhar nos olhos. Ele não suportava isso. – Que quer que eu lhe diga? – perguntou de novo.

- Vais dizer-lhe que o que se passou ontem à noite foi demais para ti, que precisas de pensar e que não podias continuar a vê-lo, que precisas de ficar sozinha. Pede-lhe para que arranje uma desculpa por ti. – fazia sentido, ele sabia o que fazia – Não quero códigos. Não quero uma única palavra com duplo sentido. Se eles continuarem com a busca, quando ele voltar da vila, eu matá-lo-ei pessoalmente, esta noite. Compreendes? – ela acena que sim. Parecia que começava a perceber o seu papel.

- Não será necessário. – foi a resposta audível e correcta.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Não sei se vocês estão familiarizados com um número que envia mensagens de um tom intimo, sem que tenhamos alguma vez tido conhecimento com a pessoa, ou entidade, e muito menos feito algum tipo de inscrição, para que o nosso nº privado de telemóvel, pudesse ser do conhecimento de tal entidade. Trata-se do nº 4880 e basta que vocês o coloquem no google para vos aparecer uma enxurrada de casos e denuncias. Aqui ficam alguns dos que visitei:

http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?channelid=00000181-0000-0000-0000-000000000181&contentid=B0473997-DF87-4B19-BDCC-2B3E41E0EE38

 http://diario.iol.pt/sociedade/mensagem-sms-telemovel-operadoras-tvi24-telefone/1082879-4071.html

Pois bem uma amiga minha, no meio das suas tão esperadas férias com o marido e filha, começou a receber algumas destas mensagens. No início achou que poderia ser eu a brincar com ela (ainda tens que me explicar, porque raios pensaste tu isso!), e não ligou até porque estava fora do país e não estava para gastar dinheiro mal gasto.

Mas de volta das férias e já em Portugal, o tom das mensagens passou a ser mais intimista e provocadora, deixando-a sem perceber quem poderia ser e como é que teriam conseguido o nº dela. Como podem adivinhar assustou-se e telefonou para a TMN a tentar saber se existia maneira de bloquear o dito nº e de quem era. Verdade seja dita, que esta atitude tornou-se infrutífera, gastando rios de dinheiro em passagens de serviço para serviço, para depois chegarem à conclusão que se tinha que deslocar pessoalmente a uma loja TMN.

Depois de não sei quantas mais mensagens e ida e vindas à TMN, porque até com a assinatura dela implicaram, ela acabou por fazer uma reclamação formal que podem ler aqui:

« Em 25-08-2009, dirigi-me à Vossa loja situada no Campo Pequeno e, ao abrigo do Decreto-Lei n.º 63/2009, de 10 de Março, solicitei o barramento de quaisquer mensagens (SMS/MMS) enviadas pelo número 4880, serviço para o qual eu nem sequer me havia inscrito e não estava interessada.

Na ocasião, os Vossos Serviços não me facultaram uma cópia do pedido apresentado, dizendo-me que tal não era possível mas que iriam resolver o assunto.

Tendo continuado a receber mensagens, cada vez mais, do número em assunto, telefonei para o assistente da TMN (número 1696) expus a situação, tendo sido informada que os Vossos Serviços só podem “barrar futuras activações do número em assunto, estando o serviço já activo nada podem fazer, devendo ligar para o número 707780013 para solicitar o cancelamento do serviço inerente ao número 4880”.

Embora a explicação me parecesse no mínimo estranha, até porque o próprio D.L. 63/2009, de 10 de Março, fala em barrar / desactivar, decidi efectuar o procedimento indicado.

Após várias tentativas frustradas, consegui finalmente, em 27-08-2008, obter ligação para o n.º 70778013, que se revelou ser um Call Center situado nas Amoreiras, e solicitar a dita “desactivação do serviço inerente ao n.º 4880”.

Escusado será dizer que continuei a receber mensagens do número 4880.

Hoje, 28-08-2009, mais uma vez liguei para o n.º 70778013, às 08h 59 m, e expus a situação, tendo-me sido assegurado que desde ontem (dia 27-08-2009 às 15h 35m) o serviço se encontrava desactivado e eu não deveria ter recebido mais mensagens, o que obviamente não foi o que aconteceu!, e que iriam tratar de imediato do assunto

Fui ainda informada pelo Call Center 70778013 que são Vocês, TMN, que uma vez contactados por eles procedem à desactivação do serviço!!!!!

Venho desta forma expressar a minha indignação contra toda esta situação, nomeadamente em relação à forma como Vocês, TMN, tem estado a lidar com todo este assunto, até porque, pelo menos até às 22h 52m do dia 27-8-2009 (ontem) efectivamente continuei a receber SMS do número 4880 !!

A situação é no mínimo escandalosa, até porque não é propriamente recente, segundo pude apurar, no jornal Correio da manhã do dia 18 do corrente mês houve um artigo, onde Vocês, TMN, até participaram, especificamente sobre o situações similares com o número 4880, MAIS UMA RAZÃO PARA RESOLVEREM RAPIDAMENTE ESTAS SITUAÇÕES !!

Pretendo ainda informar que não irei pagar qualquer custo inerente ao número 4880 (seja ele de mensagens recebidas ou enviadas) um serviço que nunca subscrevi !!!

Caso a situação continue, irei apresentar queixa-crime na Policia Judiciária contra o dito serviço inerente ao número 4880, contra o Call Center 707780013 e contra Vocês TMN sem o qual nada disto seria possível !!»

Depois da reclamação formal a minha amiga deixou de de receber as ditas mensagens e já lhe telefonaram não sei quantas vezes da TMN a perguntar se a reclamação apresentada já estava resolvida. A última vez que ligaram, na sexta-feira passada, depois de ela insistir que pretendia saber quando e como tinha aparecido inscrita nesse serviço, continuaram sempre a repetir que ela não pagava as mensagens recebidas (apenas as enviadas), até que lhe desligaram o telefone na cara !!!

No dia anterior tinham-lhe telefonado para um inquérito de qualidade, mais uma vez relacionado com a reclamação apresentada, ela pediu para ser adiado para esta semana porque estava fora a trabalho.

Ela só está à espera que lhe liguem para lhes dizer que não está nada satisfeita, nomeadamente com o facto de lhe desligarem o telefone na cara, face a perguntas que eles sabem perfeitamente as respostas, mas que simplesmente não querem , ou não podem responder. Porque a verdade é que ninguém nos tira da cabeça, que é a própria TMN que fornece os números, uma vez que com o acordo que mantém com a tal entidade, a TMN recebe uma comissão choruda das mensagens de resposta.

Se é assim, escusam de andar a perguntar se a minha amiga está satisfeita, pois não está!!!

Pelos vistos e olhando para trás para toda esta situação rocambolesca, parece que ela só se conseguiu livrar das mensagens, quando ameaçou ir à policia apresentar uma queixa crime !!!

Esperemos que o caso esteja sanado e que não haja nenhum tipo de desenvolvimento triste.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Ao tentar cumprir com a minha promessa de ter mais tempo para mim e para as coisas que me fazem sentir bem, hoje tentei durante a viagem de comboio, arranjar tempo para ler alguns blogs que sigo e que me seguem. No Blog do Escrevinhador, encontrei algo, não só que ia de encontro com uma conversa que tinha tido com uns amigos, como me fez rir à gargalhada:

«O cartaz do PCP contém a palavra "Mudança" (change, em inglês), e a frase "Sim, podemos ter uma vida melhor" (em inglês, "Yes, we can", etc.). Onde é que eu já ouvi isto? Não me lembro, mas parece-me que a fotografia do cartaz mostra um Jerónimo de Sousa bastante mais bronzeado do que é costume. A campanha dos comunistas portugueses usa os mesmos lemas que a campanha do chefe do imperialismo americano, facto que mais uma vez me obriga a constatar que não percebo nada de política.»

Simplesmente, perspicaz.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

y1pBQlcWwpgTb1E3RQk0SEpvMWxNkKsX5qlPHzhbENiNjJDstdH_vCDcGbkBhC5sR4K Existem momentos na vida de cada um de nós, que se destacam pelo facto, de nada terem para destacar. São momentos em que a nossa vida entra numa rotina que nos surge alienígena, como se nada tivéssemos feito para que ela chegasse àquele ponto e, no entanto, lá está ela, clara e repetitiva.

Sempre que isso acontece, sempre que eu dou conta de que isso está a acontecer, assim que admito que isso está a acontecer, está na altura de fazer algo que o contrarie. A forma que eu arranjei para o fazer, é encontrar algo que nunca fiz na vida e fazê-lo. Foi assim que fiz bungee jumping pela primeira vez, foi assim, que saltei de pára-quedas, foi assim que comecei a fazer escalada, foi assim que tive sexo pela primeira vez. Para mim, serve como lubrificador, para dar às rodas da engrenagem da minha vida, um novo destino.

Ao ver o telejornal, hoje de manhã, decidi que tinha que andar de balão. Agora falta descobrir como o irei fazer.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

alone Ele despediu-se dos visitantes e entrou na tenda, assim que teve a certeza que eles não voltariam atrás. Ela chorava. Ele não queria que ela sofresse, mas fazia parte das consequências, ele nada podia quanto a isso. Sentou-se na cama, perto dela. Limpou-lhe as lágrimas e beijou-lhe os olhos húmidos. Ela, de uma forma estranha, gostava dele, gostava do seu cheiro, do seu toque, das sensações que ele lhe provocava. Era algo que ela não compreendia, nem controlava. Era um desafio. Retirou-lhe a mordaça e depressa ouviu a sua voz suave. Ela nunca gritara.

- Ele vai voltar, quando não me acharem! – teve que se rir. Ela nunca desistia. – De que te ris?

- Eu vou tratar disso ainda esta tarde. Tu vais telefonar-lhe e resolver esse assunto. Não te preocupes, que ele também não.

- Desata-me. – ordenou-lhe. Ele olhou-a condescendentemente, mas não obedeceu. Dirigiu-se à tina onde ela se tinha lavado e fez a barba. Ela apenas observa. Nada mais pode fazer. Ele é lindo e ela admite-o. – Porque é que me escolheram a mim? Podia ter escolhido qualquer outra rapariga do meu agrupamento, porquê eu? – ele olha-a através do pequeno espelho. Ele podia responder a isso.

- Porque me pareceste a mais consistente, a mais forte, a mais apta. – ele não lhe disse o que ela queria ouvir e ele percebe-o. Faz um compasso de tempo, acaba praticamente de se barbear, antes de concluir o seu pensamento: – A mais bonita. – isso sim, era isso que ela queria ouvir, era o orgulho fútil da adolescente que ela ainda era. Contudo ela não se envaidece como, outra qualquer menina faria e questiona.

- Porquê uma criança? Porque não uma colega vossa?

- Apenas alguém como tu, teria o perfil necessário, para a nossa missão.

- Nunca tinha ouvido, que a nossa tropa, andava a raptar crianças... – ele não a deixou terminar.

- Nem comeces. É lógico que não andamos a raptar crianças por prazer. Nem eu raptei uma criança, apenas uma jovem, que pudesse passar por uma criança. Alguém que tem uma alma antiga e uma cabeça feita, pronta para o mundo. Eu não raptei uma criança. Eu raptei-te a ti! – ela estava confusa, se queriam a colaboração dela, porque é que não lhe pediam? Era tão mais simples. Mas ele tinha razão. Ela não era mais uma criança e também era verdade que estava pronta para enfrentar quase tudo, mas que sabia ele disso?

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Vocês sabem como todos nós tentamos encaixar as coisas e as pessoas em pequenas caixinhas e rotulá-las, de forma a podermos arrumá-las nas prateleiras e retirá-las quando nos é mais conveniente?

Eu também o faço, mas no outro dia, ao falar através do chat do Facebook com um amigo, sofri uma epifania e achei absurdo tal comportamento. Ele fazia-me perguntas absurdas, seguindo a linha dos teste de personalidade, de forma a tentar perceber-me melhor. Achei divertido, a sério e não me esquivei a nenhuma pergunta, respondendo a tudo com a maior sinceridade, mas ele ia ficando cada vez mais confuso e foi criando opiniões e conceitos diferentes acerca de mim, que depressa se via obrigado a alterá-los, porque na realidade, eu não me encaixo em nenhuma caixinha. Nenhum de nós encaixa. Todos temos demasiadas camadas, demasiadas facetas, para que sejamos catalogados com mais de 70% de segurança, numa só. O resultado é que passamos a vida a ser aquilo que não somos. As pessoas olham para o que escrevo e acham que eu sou uma pessoa cautelosa, que programa tudo ao mínimo detalhe, que gosta de rotinas, quando na realidade, apesar de eu apreciar todas essas características, elas não me pertencem. Até gostaria de ser possuidora de algumas, mas não sou. Eu até posso planear com antecedência, mas sempre que o faço, as coisas não correm como defini e não existe nada que me dê maior prazer do que sair da rotina e dizer o que me vai na cabeça, sem pensar nas consequências.

Mas isto são apenas pormenores de personalidade, mas e quando é mais do que isso?

Hoje conheci um Chinês, que não o é. Existe um restaurante buffet chinês com sushi, onde comecei a ir almoçar e um dos empregados, sempre falou comigo num português impecável. Sempre achei estranho e hoje, tive oportunidade de lhe perguntar onde havia ele aprendido a falar português tão bem. Ele riu-se e disse-me: «Nem sequer sei dizer duas frases em mandarim.»

Achei estranhíssimo, mas ele ao aperceber-se disso, decidiu contar o que se passava:

« - Os meus pais fugiram da China nos anos 30, quando o Japão invadiu o nosso país. Eu não devia ter 5 anos quando cheguei a Macau e daí viemos para Portugal. Não havia chineses em Portugal na altura e os meus pais acharam que apenas deveríamos aprender português, pois com o comunismo na China e com a invasão japonesa, voltar não era opção.  Apenas os meus pais falavam mandarim, todos os meus amigos eram portugueses, os meus vizinhos eram portugueses, estudava na escola portuguesa e o meu pai morreu quando tinha 10 anos. Nunca cheguei a aprender a falar mandarim. Casei-me com uma portuguesa e tenho uma família tradicional portuguesa, com todos os vossos costumes e hábitos, até sou católico. De chinês apenas tenho a minha cara.»

Percebem o meu ponto de vista?

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

CAVERNA2 - Bons dias!

- Bom dia! – respondem em uníssono, os dois soldados. – Que fazem vocês por estas bandas?

- Já cá estão a algum tempo? – inquere a voz madura do namorado dela.

- A alguns dias. Estamos a treinar para uma missão especial. – responde o mais novo.

- E vocês? – pergunta o mais velho.

- Estamos a fazer um acampamento, nada de mais, apenas a aproveitar os últimos dias de férias de Verão dos miúdos. – ela vê-o a sorrir, com a segurança de quem sabe o que tem que fazer e gosta do trabalho que o espera. Ela observa-o, enquanto ele sai para ir ter com eles.

- Bom dia! Posso ajudá-los? – diz assim que sai da tenda. Ele observou os três intrusos com atenção e cuidado, há que estar preparado para qualquer eventualidade e nunca desprezar os seus inimigos. No entanto, não deixa de sorrir, novamente, quando se apercebe, que para além de mais novo, é também, mais bem-parecido, que o namorado da sua refém.

- Talvez! – responde-lhe o chefe da sua recente amada com cuidado.

- Tudo o que estiver ao meu alcance. – oferece. Aquele homem de trinta e poucos anos, aproxima-se dele e confessa.

- Um elemento do nosso agrupamento, desapareceu esta noite. Não sabemos o que se terá passado e andamos à sua procura, antes de tomarmos qualquer medida mais extrema. Você sabe como são estes adolescentes, não queremos passar por nenhuma vergonha.

- Não vimos ninguém, lamento. – responde o mais novo, ele confirma.

- Realmente não vimos nada fora do normal, mas que idade tem ela? Como é que ela é? – o namorado olha para os seus companheiros antes de formular uma resposta e responde de forma pouco segura.

- É uma menina comum, bonita, bem desenvolvida, cabelos pretos que lhe chegam até o meio das costas, olhos azuis lindíssimos. – ela chora – Tem doze anos, mas parece muito mais velha que isso. - ele apercebe-se que o namorado da sua prisioneira, havia mentido na idade. Fazia-a passar por mais nova, para que, no caso de a encontrarem, a tratarem como uma criança. Era esperto e ele tirava-lhe o chapéu. Porém, sabia perfeitamente que ela deveria ser mais velha que isso.

- Agora tenho a certeza que lamento não a ter visto. – gracejou, com vontade. O namorado não se riu. – Vocês vão ficar aqui muito tempo?

- Mais dois dias. Depois de amanhã, vamos-nos embora. – dois dias não era muito tempo, eles poderiam esperar esse tempo. – Vocês querem juntar-se a nós esta noite? Serão bem-vindos. Podem jantar connosco e assistir ao fogo-de-conselho. Sempre seria uma fuga à vossa rotina de treino. – os dois soldados olharam para o seu chefe, ansiosos. Eles não se importariam de se divertir um pouco. Fazia já um mês que não contactavam com mais ninguém. Por outro lado, ele próprio queria saber mais sobre o seu anjo e isso, era mais importante que tudo o resto.

- Claro! Será um enorme prazer. É muito simpático da vossa parte.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

caravaggio-01 Recebi um repto de um amigo, para que explicasse o porquê desta necessidade física, emocional e mental de escrever, escrever compulsivamente, sobre tudo e sobre nada, sobre sentimentos e sobre o que ouvi, sobre a vida dos outros, sobre mim.

Para dizer a verdade, terei que admitir que estou cheia de medo. Tenho medo porque não gosto de explorar os meus vícios com muita profundidade, não quero encontrar por trás dos mesmos, explicações que irão, de certa forma, retirar o prazer de os praticar e escrever é um vício que tenho, um dos que me dá maior gozo, que mais me completa. Acho que é por isso mesmo, que a psicoterapia para mim, é uma perda de tempo.

Mas porque escrevo eu?! Porque retiro eu recompensas da minha escrita, para as quais não tenho palavras para descrever?! Porque seria para mim impossível não escrever, mesmo que fosse apenas na minha cabeça?!

Talvez seja pela mesma razão que o cérebro precisa de sonhar para descansar. Sabem que o corpo só descansa, mentalmente, se sonhar e que os sonhos são uma forma de podermos arrumar pensamentos, de colocar os ficheiros em ordem?! O processo é complicado e não faz sentido numa tradução literal, mas permite organizar recordações, limpar a mente. Creio que escrevo, compulsivamente, pela mesma razão: porque tenho uma necessidade constante de organizar pensamentos, recordações, sentimentos, dores e apenas o consigo fazer se o passar para o papel, mesmo que, tal como os sonhos, estes não surjam de forma simples e directa, mas sim em pequenas metáforas, em pequenos subentendidos, em pequenas nuances, em pequenos pormenores, (como a cor da flor que a heroína usava na barra da saia, do lado esquerdo). Pode não fazer sentido, mas o que escrevo contém tudo de mim. Tudo o que sinto, tudo o que vejo, tudo o que anseio, tudo o que receio, tudo o que desejo. Ao escrever faço as pazes comigo mesmo, conheço-me melhor, aprendo a gostar de mim, a descobrir em mim, atributos, que pensava não possuir, gostos que achava improváveis.

Acho ainda que, escrever é uma forma de dar a conhecer quem sou, quem eu realmente sou e não aquela que todos vêm no comboio todos os dias, aquela  pessoa insatisfeita com o seu emprego, aquela pessoa cansada por não fazer o que realmente gostava de fazer. Escrever é uma forma de eu gritar aos outros e dizer: Vejam, eu sou assim, sou assim mesmo. Gostam?! Querem conhecer-me melhor?!

Escrever faz de mim uma pessoa melhor, porque me obriga a conhecer a mim mesma, a reconhecer tudo. É por isso que escrevo.

Sejam livres de escrever o que vos apetecer e se quiserem podem dizer-me porque gostam vocês de escrever, de partilhar as vossas coisas!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

aloneSentaram-se os três à mesa e esperaram ser servidos. Ela respirou fundo, procurando alguma calma e paz de espírito. Atirou com a comida para cima de cada uma das marmitas e aguardou, sentada numa rocha, que eles acabassem de devorar, o que havia cozinhado. Não sentia fome, no seu estômago estava apenas um nó. Ele observava-a constantemente. Ela já nem ligava. Quando se apercebeu que tinham acabado com tudo o que estava na panela, foi retirar a loiça para lavá-la. Ele sorria candidamente, de uma ou outra piada que os outros diziam.

Ele tinha uma aura de menino de ouro. Não lhe parecia assim tão velho, agora. Era até bem novo, para quem já ocupava uma posição de oficial. Tinha a certeza que ele não tinha mais de vinte e cinco anos e era, pelo menos, capitão. Ela não sabe como, mas apercebia-se sempre dessas coisas. Quando voltou para buscar a panela, o soldado mais velho sentou-a no seu colo e recomeçou com as brejeirices, que já tinha proferido, na noite anterior. Ela protestou, esbracejou e debateu-se. Ela bem procurava os olhos do seu raptor, mas ele não se apercebia do que se estava a passar, apenas prestava atenção a um som, que só ele ouvia. Num berro, manda-os calar. Eles obedeceram de imediato, deixando-a recompor-se. Todos aguardavam ansiosos, novas ordens.

- Eles vêm aí! Ajam com naturalidade. Eu já venho. – só passado um pouco é que ela se apercebe do que se trata, mas já era tarde de mais. Ele já lhe tinha tapado a boca, com as suas enormes mãos e arrastava-a para dentro da tenda. Ele olha-a por uns instantes e liberta a boca dela, os segundos suficientes para a poder beijar. Amordaça-a logo em seguida. Ela larga, finalmente uma lágrima. Ele deita-a gentilmente na cama em que ambos dormiram e amarra-a. – Quem me dera que não fosse preciso fazer isto! – confessa-lhe. Ela engole o choro quando ouve a voz do seu namorado secreto e o seu corpito estremece. Implora-lhe com os olhos, para que a deixe ir, mas ela não sabe, que ele já não o pode fazer. Mesmo que quisesse, agora já era tarde. Ele já a amava. Ela era demasiado nova para ter consciência disso. Estava determinado a conquistá-la. Ele iria tê-la, mas iria ser ela quem o iria permitir. Aquele papel de violador, a que ele se impusera a si próprio, na noite anterior, não se iria repetir. Pelo menos, assim ele o planeava. Seria muito mais fácil, se ela passasse a ser sua amante. Ele espera um pouco com ela, dentro da tenda e ouve, atento, o que se passa lá fora.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Não sei se por acaso alguma vez aqui comentei, que não gosto nem só um pouco de Francês, mas existe nesta língua, uma palavra, que me diverte e que uso com alguma frequência, porque ela significa muito mais do que a sua tradução literal e na realidade pode descrever tudo aquilo que por vezes admiramos em determinadas pessoas, mas que não sabemos o que é exactamente.

Na realidade, foi uma palavra muito usada durante o reinado do Rei Sol, em França e tem também um pouco a ver com aquela época, em que as mulheres para se fazerem notar, ou poderem viver como pensavam e queriam, tinham que ter em abundância. Estamos a falar de um altura, em que as mulheres em todo o lado do Mundo eram consideradas apenas objectos e pouco mais, mas que em França, davam cartas na literatura, na poesia e na filosofia. Muitas das regras de etiqueta e muito do que a língua francesa é hoje, e que todos conhecemos, em muito lhes deve.

Mas voltando à palavra em si: “Ésprit”, significa muito mais que espírito. Significa, isoladamente, ou em conjunto, “Mente”, “Destreza”; “Jogo de Cintura”; “Espinha Dorsal”, “Inteligência”; “Esperteza”; “Ser”, ou como alguém descrevera na altura: «Um poder que todos os outros reconhecem.»

Aristocrata que não tivesse “Ésprit”, depressa era devorado pela máquina cabalista, intriguista e maquiavélica, que era a Corte da altura de Luís XVI. O “Ésprit”, tornou-se um apetrecho social imperativo.

Alguém sabe onde é que se pode comprar, para poder oferecer aos nossos acefálicos políticos?

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

… Daqui a 30 dias eu fosse ficar rica?!

 

Agora, e infelizmente apenas no plano da fantasia, se eu daqui a 30 dias fosse ficar rica o que deveria fazer? O que fariam vocês se soubessem, com toda a certeza, que iriam ficar ricos? Que planos fariam, que atitudes tomariam, que medidas achariam necessárias?

terça-feira, 11 de agosto de 2009

abismo (2) Existe algo que os homens nunca compreenderam, mas que eu vou tentar explicar: as mulheres mudam o seu comportamento, conforme a forma como estão vestidas. Ela ontem estava nua, desprotegida, apenas podia contar com a sua pele, para a influenciar, mas hoje, ela tem uma farda vestida. É certo que é de escuteira, algo que inspira pouco ou nenhum respeito, mas de todas as formas, é uma farda e, portanto, ela age à altura do que veste. Eles são militares, movem-se e comunicam como tal e ela também sabe jogar esse jogo. Ela compreende muito bem esse orgulho que provém de se estar a cumprir uma missão, seja ela qual for. Ela também tem uma: sobreviver.

- Bem! Já que aqui estás, ao menos que te tornes útil. Vê se preparas algo comestível para almoçarmos. – ordenou-lhe, olhando-a frente a frente, olhos nos olhos. Ela sabia que não o podia enfrentar como fez na noite anterior, por isso, limitava-se a olhar o horizonte, tal como havia aprendido a fazer nas paradas. Ele era o superior hierárquico dos outros dois e ele nunca permitiria uma insubordinação vinda da parte dela, à frente dos outros. Ela tinha conhecimento disso e sabia que, aceitar isso como um facto, a salvaria de qualquer outro problema. Acatou a sua ordem, com uma submissão militar, que ainda o desconcertava.

Acabou por procurar, na cozinha improvisada, qualquer coisa para fazer para o almoço. Não pôde deixar de comparar aquela construção tão tosca, com aquelas que ela insistia em fazer nos seus acampamentos. Ela era uma líder de patrulha e era muito boa nisso. As suas construções de troncos e sisal eram elaboradas e admiradas por todos. Aquelas que eles tinham feito, não chegavam sequer aos pés, das dela. Ela não sabe porquê, mas sentiu-se orgulhosa por isso. Achou entretanto umas latas de feijão, tomate pelado e atum. Decidiu fazer uma feijoada de atum e quando já passava do meio-dia, chamou-os para almoçarem.

domingo, 9 de agosto de 2009

Lisboa, 19 de Outubro de 1929 – Lisboa, 8 de Agosto de 2009

 

Sem mais palavras, pois já todas foram ditas, fica apenas aqui como prova da minha tristeza, uma das frases que mais gostei de ouvir, um actor dizer:

“Façam o favor de ser felizes!”

Por mais triste que me sinta, rio-me sempre com uma cassete que tenho de Solnado com "É do inimigo?”.

Obrigada e Adeus!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Antes de mais, desculpem ter ficado tanto tempo sem actualizar o blog, mas a verdade é que férias e computador, por mais portátil que seja, não combinam. Contudo estou de volta e com o meu retorno ao dia-a-dia pavoroso, voltaram, as pequenas pérolas que fazem dos meus dias, algo melhor.

Hoje tive que apanhar um autocarro, algo que simplesmente odeio, não suporto. Se de comboio eu sinto alguma liberdade e calma, posso ler e escrever, dormitar e sonhar, de autocarro, apenas perco tempo. Fico enjoada, não consigo ler e muito menos escrever e passo todo o tempo a pensar quando é que o estupor do condutor, não se vai espetar numa curva.

Estava eu nesse sacrifício, quando um senhor, com mais de 60 anos, se sentou ao meu lado. Cumprimentou-me, algo que achei educado, acho sempre que se deve dizer bom-dia, boa-tarde, boa-noite, é um bonito hábito que nos temos vindo a esquecer. Mesmo quando não conhecemos as pessoas, pois se elas se cruzaram no nosso caminho nesse dia, e depois de nos terem que ter visto, acho que é o mínimo que devemos fazer para melhorar o seu dia, desejar “Bom-alguma-coisa”. No entanto não ficou por aí e isso, já acho mal. Eu gosto de pensar e odeio que estraguem o meu raciocínio, mas o Sr. precisava de falar e na falta de se dirigir a um padre na confissão, eis que eu surgi, como um elemento salvador da sua alma e pensamentos torturados. (A igreja católica tem que fazer algo sobre isto, antigamente as pessoas não iam aos psicólogos, iam ter com um padre, eram de graça, poupavam ouvidos alheios, ninguém ficava a saber e eram igualmente desculpados e perdoados por qualquer acto que tivessem cometido e acima de tudo, não me chateavam). Mas estou a desviar-me das pérolas.

O Senhor, depois de ter contado uns quantos segredos sobre a mulher coscuvilheira que tinha feito uns amigos “Testemunha daquele gajo, o Jeová” e que lhe estavam a dar a volta à cabeça, ao ponto de ele quase ter querido bater-lhe na noite passada, confissão que foi seguida por uma frase minha, muito perspicaz e talvez a única que proferi:

“A violência é um poço sem fundo, do qual se faz bungee jumping, mas cujo elástico nunca permite voltar para cima, porque se parte!”

Acham que ele percebeu alguma coisa? ! O certo é que ele disse que eu tinha toda a razão e continuou, mudando de assunto, para uma sequência de pérolas que eu vou agora transcrever e acreditem que o contexto fez tanto sentido, quanto o que eu agora vou atribuir: Nenhum. E vou sublinhar as palavras que foram destorcidas ao longo do seu fluente discurso.

- E já viu a Gripe A? Começa a ser probremático. É um micróbrio, complicado de se evitar.

- É que as pessoas esqueceram-se do que é a hipiene.

- Nós tínhamos bácoros, ovelhas e cabras em casa, mas tínhamos as orelhas e as unhas sempre limpas e não tínhamos cá esses luxos como os putos de agora têm, como essas coisas que se usa nos ouvidos: os cordonetes.

- Mas basta ver nos supermercados. Deixam entrar todo o tipo de pessoas. Como é que a fruta pode ser segura, se drógados, pretos e ciganos, entram e mexem nelas. (Acreditem que se não fosse pelo facto de eu estar internamente a rir-me com a ironia de alguém que comete tantos erros de vocabulário pronunciar a palavra drogado, como os tios de Cascais, eu ter-me-ia levantado e ido embora naquele momento.)

- Se não vão comprar não podem entrar. Se os empregados têm que usar tocas e luvas, porque é que deixam entrar os piolhentos daqueles pretos e brancos drógados que usam aqueles cabelos cheios de m**** que não prenteiam?!

- É por isso que os micróbrios da Gripe A, não morrem.

- E os disvorcios?! (esta fez-me mesmo rir, pois alguém que fez parte das minhas férias também diz divorcio assim) Já ninguém fica casado! É tudo disvorciado e ninguém tem vergonha. Não acha?!

- Antigamente é que era, os miúdos brincavam na rua e nunca riscavam um carro ou roubavam um autromóvel. (talvez porque não houvesse muitos para roubar, mas roubavam outras coisas, o roubo não é uma invenção deste século)

Bem, acreditem que houve muito mais, até os trinta minutos da minha viagem tivessem terminado e felizmente pudesse sair do autocarro.

Digam lá se não foi uma excelente maneira de começar o dia?! Mas o mais engraçado é que se este senhor entrasse para o programa Novas oportunidades e tivesse passado aquelas pérolas para o papel, teria direito ao 12º ano.

domingo, 26 de julho de 2009

image001 (1) É quase impossível olhar o mar e não me apaixonar, não me perder nos seus encantos, não querer deitar-me nele e deixar-me embalar nos seus braços e permitir que ele me torne parte dele.
 image002Não faço ideia quem foi o arquitecto do Universo, mas seja quem for, sabia o que estava a fazer.
Nota:  Imagens de Clark Little

sábado, 25 de julho de 2009

Nós humanos somos uns bichos complicados, demasiado complicados, talvez! Levamos a vida a andar e a correr de um lado para o outro, sempre stressados e a arranjar problemas para resolver Mesmo quando eles não existem, ficamos sempre à espera que eles surjam, e nessa espera, nesse entretanto, perdemos muita coisa boa que podemos fazer, muita coisa que nos deixaria mais em paz connosco mesmo, mais calmos, melhores pessoas, não só com os que nos rodeiam, mas com os outros também, os outros que nos dizem pouco, ou mesmo nada.

Apercebo-me sempre disso, cada vez que tenho tempo para férias, sempre que guardo alguns momentos para estar com a minha irmã, a minha sobrinha, os meus tios, os meus primos, os meus amigos. Fico mais Eu. Não grito, não me irrito, volto a sorrir, não tenho maus pensamentos, não quero o mal de ninguém. Apenas quero viver em paz, ver as pessoas livres e felizes, soltas e leves, comunicativas, abertas, prontas para amar e se deixarem amar.

Queria muito que o meu dia-a-dia fosse sempre assim!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

agua

 

Adivinhar qual é a substância da vida, é o mesmo que encontrarmos o nosso verdadeiro Eu.

Conhecermos-nos na perfeição é conhecermos o Universo, é conhecermos tudo.

sábado, 18 de julho de 2009

 

 

Por vezes, o risco de se perder aquilo que se tem é tão grande, que tenho medo de arriscar. Acho que se pode sempre ficar pior do que se está.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

abismo1 (1) - Não penses que eles te vão tratar melhor, do que te trataram a noite passada e nem penses que eu os vou impedir. – continuou a rir-se.

Ela apenas se limitou a beber o café e a tentar reconhecer o local onde estava. Não podia ser muito distante do acampamento onde estava o namorado e os seus amigos. Eles tinham montado campo numa falésia. O vento era uma constante. Para além da tenda onde pernoitara, existia uma caverna na montanha que era usada pelos outros dois soldados. Tinham uma mesa, um toldo e uma cozinha rudimentar. Ele observava, com uns binóculos, algo que se passava numa clareira mais abaixo. Ela reconheceu o seu acampamento, preparavam-se para a alvorada. Aquela posição mais elevada, permitia-lhes o anonimato, apesar de os soldados poderem observar perfeitamente, todas as actividades do seu acampamento.

- O teu namorado está muito calmo. Nem sequer foi o primeiro a acordar. Aparentemente, ele só vai dar pela tua falta quando aparecerem todos, para o hastear da bandeira. – ele queria irritá-la, mas não era só isso, ele queria mais. Ele queria que ela percebesse que o outro, valia muito menos, do que ela merecia. Eram os ciúmes a falar mais alto.

Ambos ficaram a observar o resto da rotina e ele tinha razão, o seu namorado, apenas deu sinal da sua ausência, quando as elementos da sua patrulha o foram avisar. Ele era aquele com quem ela estava preocupada na noite anterior. Aquele que agora, se fingia surpreendido pela sua ausência. Os chefes reuniram-se e tomaram as medidas necessárias para organizar uma patrulha de buscas. Ele riu-se perante a hipocrisia daquele chefe de agrupamento. Ela atirou o resto do café para as cinzas da fogueira da noite anterior e disse com uma calma aparente.

- Mas agora eles vão procurar-me e eles são bons batedores. Antes do meio-dia, já cá vão estar. – ele olhou-a incrédulo, aquela pequena, não parava de o espantar. Pareceu-lhe agora, ainda mais arrogante que a noite anterior e a verdade é que ela estava mesmo.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

2152449Nada é eterno, mas tudo o que fazemos e pensamos, são para sempre, eternamente, experiências nossas.

 

Nota:  Fotografia retirada do site Olhares.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Passado poucos minutos, o outro soldado entrou na tenda. Ela não se recordava muito bem deste. Ele atirou-lhe a farda de escuteira, com a qual ela estava vestida, antes do seu rapto. Encheu uma bacia com a água que estava num jarrican perto da mesa e foi ter com ela. Ela encolheu-se e desviou o olhar. Ele apenas a agarrou por um braço e a arrastou até a mesa. Ela sentia-se desconfortável, assim, nua à luz do dia, frente a um homem que desconhecia.

- Lava-te e veste-te. O Chefe espera-te lá fora. Despacha-te. – ela olhou-o por uns instantes. Ele era maior que o seu parceiro na noite anterior, era muito mais alto e musculado, talvez um pouco gordo e tinha uma cara macilenta e cansada. Não era feio, mas não era alguém que ela procurasse numa festa. Ele entendeu aquele olhar como um pedido de privacidade e riu-se. – Nem penses que vais fazer de mim um pau mandado. Não sei o que foi que lhe fizeste ontem à noite, para que ele esteja assim, mas comigo não resulta. Despacha-te. Não te deixo sozinha nem por um instante.

Ela acabou por lavar o rosto. A água estava fria, mas ela lavou também a ferida provocada pelos dentes do seu raptor. O seu ombro estava todo negro e ainda deitava um pouco de sangue. As feridas da sua cara ardiam, mas ela suportava-o bem. Vestiu-se, ignorando por completo a presença daquele soldado. Tanto lhe fazia se ele a olhava, ou não. Era algo que ela não controlava, pelo que preferiu nem tentar. Quando ia a apertar o cinto nos seus calções repara que a bainha do canivete suíço e da faca de mato estavam vazias.

- Onde estão as minhas coisas? – perguntou num tom insolente.

- Como se nós te as fôssemos dar! – riu-se – Despacha-te. O chefe espera-te e tu és muito lenta. – e dito isto, agarra-a de novo pelo braço e empurra-a para fora da tenda. Ela tenta esbracejar e livrar-se do seu domínio, chega mesmo a bater-lhe e a cuspir-lhe, ao que ele responde com uma bofetada. Ela não se dá por vencida e apenas pára quando ele fala. – Aqui está, chefe.

O seu raptor estava à sua frente, com uma caneca de café na mão, estendida na sua direcção e ria-se divertido com a cena. Ela agarrou a caneca e bebeu em pequenos tragos, o líquido castanho e aromático que continha. Estava quente e isso fazia com que o seu corpo aquecesse um pouco. O Verão estava a acabar e naquela serra no Norte de França, o frio era quase Invernoso. Aquela farda sem um casaco, ou um pulôver, começava a não ser suficiente, para a manter quente. O soldado afastou-se juntando-se ao mais velho, deixando-os, de novo, sós.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Sou sincera: nunca percebi o ditado popular “Morrer de pé como uma árvore”. Nunca entendi simplesmente, por que não acho que ficar parado, sem nada fazer, sem recorrer a todos os recursos, seja digno. Acho que se deve morrer a lutar e as árvores não o podem fazer. Alguém o tem que fazer por elas. Assim o ditado nada me diz e continuo a achá-lo absurdo.

A verticalidade deve-se a uma constante moral e não ao facto de nos mantermos de pé e estáticos. Quando morrer que seja a lutar por algo, que seja a correr, a rastejar no chão, a fazer amor com quem amo, que seja a lutar contra uma doença numa cama de hospital, que seja a combater um fogo, a salvar alguém que se afoga, com um tiro a lutar por algo que acredito, que seja acorrentada a uma árvore, mas que seja a morrer de forma activa.

Recuso-me a morrer como uma árvore.

 

PS.: Obrigada Entremares, por me teres inspirado (aqui).

sábado, 4 de julho de 2009

É impressão minha, vontade de ser mazinha, ou de ter algo para aqui dizer, ou o Elton John está, realmente, cada vez mais, parecido com um Hobbit?!!!!

E que história é aquela de dedicar a mesma música do funeral da  Diana ao Cristiano Ronaldo? Que o rapaz é “delicadinho” eu tenho as minhas suspeitas, basta ver a quantidade de vezes que está a rebolar-se pelo chão ao longo dos jogos, a cobrar faltas inexistentes, mas Elton, não cheguemos a tanto que o menino de ouro não tem perfil de princesa. Ou será que o Sir Elton John, tem segundas intenções?! 

Está bem, está bem, não batam mais no ceguinho, eu sei que a música foi dedicada com ironia, de que era uma fama passageira, algo que passou e se esvaiu em fumo, blá, blá, blá… Mas que visão deliciosa do Cristiano com o Elton… Vai dar-me para o dia todo.

Que saudades de quando o futebol ainda era um jogo de homens…

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Um dia destes alguém virá por mim aqui escrever e virá para comunicar aos poucos mas leais leitores que eu morri…

Não pensem que será por doença ou outra qualquer efeméride que devam lamentar, pois a razão será a seguinte: Se me oferecerem droga mais uma vez que seja no Rossio ou na R. Augusta, em plena luz do dia e à hora do almoço, eu vou-me a eles. A sério que vou. E será uma guerra!

As razões para ter chegado a este ponto de rotura, são várias,:

1º  - Não tenho aspecto de drogada e sinto-me ofendida por acharem que sim,

2º  - É à luz do dia e estamos muito longe dos consumos espontâneos da noite, como os que podem surgir junto das discotecas e clubes nocturnos, ou do Bairro Alto, antiga morada destes párias e assassinos.

3º – Porque estão fartos de fazer o mesmo com o meu primo de 21 anos (e que eu continuo a ver como um miúdo que tenho que proteger) e à minha prima de 16 e percebo nos seus olhares quando me contam, o constrangimento e a vergonha.

4º -  A polícia está mesmo ali ao lado, a guardar as joalharias e nada faz e não me venham com desculpas, de que se eles forem para lá eles mudam de lugar, pois eu acho que devem mudar, que mudem para qualquer outro lugar, como por exemplo para uma cadeia sobrelotada, sujeitos a tudo aquilo, e sem cair nos habituais clichés, acontece nas cadeias, pois é o lugar deles, desses criminosos, traficantes, assassinos.

Ainda me lembro numa das primeiras vezes que fui ao Bairro Alto e um rapaz perguntou-me entre dentes “Axixe?”, ao que eu na minha inocência, achei o máximo e respondi, “Sim, estou fixe, e tu?!”

Já passaram muitos anos desde esse dia, em que não me passou pela cabeça que me estariam a oferecer droga numa rua cheia de gente! E sinceramente?!

ESTOU FARTA!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Descalça, com os pés envoltos em meias de algodão, deslocava-me em bicos de pé, pelo corredor. Já passava e muito da minha hora de dormir, mas mesmo assim, adormecer tinha sido algo impossível de fazer naquela noite.

Ia estrear na RTP (o único canal de televisão naquela altura) com pompa e circunstâncias, uma curta metragem/videoclip do Michael Jackson e como haviam avisado que poderia ser impressionável, a minha mãe proibiu-nos de ver. As intenções eram as melhores, bem sei, mas eu adorava o Michael. Para mim, praticante de dança jazz e ballet, ele era o máximo, o suprasumo e apenas por isso, já seria difícil respeitar a vontade da minha mãe, mas ela havia feito algo muito pior: havia proibido. Proibir de fazer algo, para alguém como eu, é um convite aberto para que o faça, sem pensar nas consequências.

Dito e feito! Pé ante-pé, percorri o corredor com a  esperança de que no outro lado, na sala da televisão, a minha mãe tivesse adormecido no sofá, como sempre acontecia e que eu, escondida no esconso entre a cozinha e a sala, conseguisse ver o teledisco. Sentei-me o mais confortável que consegui e aguardei, quase sem respirar com esperança que a minha presença não fosse denunciada. Esperei o que me pareceu uma eternidade de tempo e quando estava quase a começar, suspirei. Respirei bem fundo e exalei o ar com um sonoro “Ahhh” de alívio. Depressa dei conta do que fizera e tapei a boca com as duas mãos, como se isso anulasse o meu gesto anterior.

- Não achas que ficas mais confortável no sofá? – soa a voz meiga e algo ensonada da minha mãe.

Levanto-me com a sensação das pernas estarem dormentes, salto para cima do sofá e aninho-me junto dela.

- Eu sabia que não me irias obedecer! – continua com um beijo nos meus cabelos – Quero ver como é que acordas amanhã para a escola.

- Oh mãe, eu sei! Mas é o Michael… – ela riu-se e a curta metragem começou.

Vi tudo sem pestanejar e acabei a vibrar com a coreografia final e a tentar imitar os passos, e não dormi durante três dias, com a sensação de que um morto vivo podia sair do meu colchão ou pelas paredes do meu quarto, mas valeu a pena. Se valeu!

Afinal… era o Michael!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

DSC02278Eu fui sempre uma daquelas alunas que não se importava com a escola. A escola sempre me foi simples e muito pouco desafiante. Não me interpretem mal, não era má aluna, muito pelo contrário: achava tudo demasiado fácil e por isso mesmo, fazia coisas que me dificultavam a vida: Não sabia quando existiam testes, assim eram sempre uma surpresa e tinha que ter a melhor nota, sem ter aparecido nas aulas ou estudado e ficava sempre no grupo que sobrava nos trabalhos para média, pois raramente estava nas aulas em que eram atribuídos (apesar disto ter começado a correr contra os meus desígnios, pois como acabava por fazer os trabalhos quase sozinha e tinha sempre excelentes notas, os meus colegas do liceu, começaram a disputar-me na atribuição dos grupos, mesmo sem estar presente).

Sempre fui uma pessoa que inicia coisas, adoro inícios e tenho uma alergia muito especial a fins. Sempre que algo está prestes a começar eu fico excitada, empenho-me a fundo, dou o melhor que tenho (mas guardo sempre um pouco para os momentos em que adrenalina descarrega, mas isso é outra história) e assim era, com cada ano lectivo. Nos últimos dias de Verão, começava a preparar os cadernos, lia os manuais e os livros que sabia que ia dar em Português, adiantava matéria e imaginava tarefas e trabalhos em grupo que sabia de antemão que iriam ser feitos em determinadas disciplinas e ficava muito empolgada. Jurava que não ia faltar a uma aula, a um dia que fosse, que ia estudar para todos os testes e ia ser muito participativa. Conseguia fazer três trimestres em três semanas, sozinha, eu com os meus livros e depois, começavam as aulas e alistava-me em tudo quanto era grupo extracurricular: a Iris estava no grupo de teatro, no grupo de Alemão, fazia parte dos fundadores do Ecoclube (este tal como o teatro, levava muito a sério), do Clube  de Fotografia, fazia parte das listagens para as associações de estudantes e invariavelmente tornava-me uma vogal das mesmas, fazia parte da rádio da escola e um sem fim de outras actividades para as quais me pediam ajuda e eu nunca dizia que não.

Mas as aulas começavam, os toques começavam, todos nos metamorfoseávamos em carneiros, que mudavam de sala de aulas, em rebanho, de 55 em 55 minutos, ao toque de uma campainha, tal qual cães de Pavlov e eu perdia, toda e qualquer força de vontade e começava a faltar. Faltava dias seguidos, aparecia a uma ou duas aulas por dia, durante semanas (sim, porque biologia, português, filosofia e educação física, eram aulas às quais eu tentava não faltar, menos biologia, que o que se aprendia era tão fácil, que não precisava das aulas para ter excelentes notas, mas gostava da professora e da matéria e por isso fazia um esforço para aparecer, acreditem que era um esforço.

Aparecia em todos os grupos e assim os professores sabiam que eu estava viva e bem. Muitos conversavam comigo, com aquele tom paternal e diziam-me que deveria ir às aulas mais vezes, mas eu não conseguia, nem mesmo quando queria muito fazer-lhes a vontade.

Adorava a cara que o meu professor de Português fazia quando eu aparecia no clube de teatro, ao fim do dia, fresca que nem uma alface e depois dizia com o tom mais sério que conseguia manter:

- “Ao menos podias aparecer de vez em quando! Só e apenas para me dares a vã ilusão de que sou teu professor. Não fazias isso por este pobre homem?!” – e eu, que fingia estar muito preocupada com o ar sério dele, acenava com a cabeça que sim e depois desatávamos os dois a rir.

Se me perguntarem porque é que eu gostava tanto de português e porque é que passei a gostar tanto de teatro, eu sei exactamente o que responder: foi por causa do Professor António, meu professor de Português do 7º ao 10º ano, o que me convidou para fazer parte da peça Antigona, que mais tarde veio a dar nome ao grupo de teatro, por ter sido a primeira pessoa com que pude falar de Margarite Durás, Milan Kundera, Yukio Mishima, entre outros, por ter sido sempre mais meu amigo, que professor.

Aprendia muito mais fora de aulas do que dentro daquelas salas claustrofóbicas, castradoras, e por isso mesmo, fiquei conhecida no liceu, como a Baldas e mais tarde, na Universidade, representaram-me no Livro de final de curso com a cena do filme de Chuck Norris, com a minha caricatura a sair da água, vestida com a minha farda de escuteira, faca de mato nos dentes e com as letras a formarem: Desaparecida em Combate.

Nunca perdi um ano, nunca deixei uma disciplina para trás, tive sempre boas médias, mas fui sempre uma Baldas.

sábado, 27 de junho de 2009

Pôr do solSeguia de pés nus e em bicos, pelo corredor de chão de madeira. Não queria acordar ninguém, mas o meu coração batia tão alto e a minha respiração era tão pesada, que temia não ser preciso fazer mais nenhum barulho para além de o de existir, para que denunciasse a minha presença, que se queria secreta.

Mas era assim que eu gostava! De acordar ao meio da noite, correr pelo corredor pela frescura da madrugada, chegar à cozinha e saltar para cima do balcão que existia por baixo da janela e esperar que o dia que se seguia, surgisse no horizonte. Ver a noite escura passar para um azul anilado, as nuvens tornarem-se cor de rosa, uns raios de luz surgirem por entre as brechas fazendo-me crer que eram os braços de Deus que me queriam abraçar, abraçar o mundo, beijar-nos e desejar-nos bom dia.

Eram trinta minutos que eu adorava, trinta minutos que estava apenas comigo e com a criação e sentia-me plena, parte de um todo, viva.

Eram manhãs que recalibravam forças, repunham energias. Sobretudo se essa madrugada fosse a madrugada do solstício de Verão, o início do dia mais longo do ano.

Recordo-me, vivamente, desses momentos descalça. Tinha pouco mais de 11 anos e sabia muito mais do que sei hoje.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

 A maioria dos nossos superiores hierárquicos,  são-nos tão inferiores?

sexta-feira, 5 de junho de 2009

tristeza01 Como eu gostava de ter superpoderes, um dom especial e secreto que me fosse útil nestas horas. Como eu gostava de te abraçar nos meus braços e aquecer o teu coração com amor. Como eu gostava de te beijar e sugar de ti toda a amargura, angústia e temor. Como eu gostava de te falar e que as minhas palavras, a minha voz te servissem de consolo e remédio para a tua dor.

Como eu gostava de ser capaz de transferir toda a tua tristeza e juntá-la à minha, para que não sofresses nem mais um segundo, nem mais um fôlego. Como eu gostava de poder transformar tudo isso em coragem e esperança!

Como eu gostava! Oh, meus Deus, como gostava! Mas não posso! Não consigo! Não sei como!

Eu falo-te, mas não sirvo de consolo, eu abraço-te mas o teu coração gela com o desgosto, eu beijo-te e sinto a angústia, a revolta e a dor, darem voltas dentro de ti, da mesma forma como se revolvem dentro de mim.

Mana, minha querida e adorada irmã, carne da minha carne, sangue do meu sangue, eu quero devolver-te o bebé, que prematuramente perdeste, o meu sobrinho ou sobrinha, que ainda antes de nascer já era amado. Quero silenciar esse grito mudo que ecoa na tua alma, quero absorver todo esse negro que se pinta dentro de ti e torná-lo só meu. Eu quero mana, eu quero, juro-te que quero… mas não posso, não consigo, não sei como.

Apenas o tempo pode, mana.  Apenas o tempo sabe!

Somente posso chorar contigo, gritar e revoltar-me e, por fim, carpir.

1818627 É a primeira vez dela. Ela nunca tinha dado prazer a um homem, nem mesmo desta forma tão ingénua e era a primeira vez, que ele teve que guiar uma rapariga numa situação como esta. Quando terminou, ele limpa aquela pequena mão, com lenço que tira das calças e, depois de se limpar a si mesmo, acende mais um cigarro. Ela deixa-se ficar, sem ainda perceber muito bem o que se passou. Ele está muito mais calmo agora e o seu peito, apenas se move ocasionalmente. Ele acaricia-lhe os longos cabelos com a mão esquerda e ambos mergulham num silêncio gélido, que apenas é quebrado, quando ele termina de fumar.

- Quem és tu? – pergunta angustiado. Ambos sentem que são mais do que deviam ser, mas nenhum compreende porquê. Ela não responde, apenas procura os seus lábios e beija-o. Ele sente o seu corpinho gelado, por ter estado tanto tempo, sentada naquele chão frio e molhado. Ele retribui o seu beijo e num abraço apertado, pega-a ao colo e leva-o para a outra cama. Ela é tão leve! O seu corpo é de uma insustentável leveza. Aconchega-a de novo naquele saco-cama militar. Olha-a, uma vez mais e ela volta a tocar-lhe na cara como fez, durante o seu desvario. Como foi ele capaz de a magoar daquela forma? Ela gosta do seu rosto, dos seus olhos. Ele levanta-se, tem que se levantar. Ele não pode sentir o que sente. Se o fizer, tudo estará perdido. Ele afasta-se em direcção ao exterior da tenda, mas ela fala. A suavidade da sua voz faz com que a sua pele se arrepie.

- Fique! Por favor, fique. – ele detém-se, mas não consegue perceber o que se passa naquela pequena cabeça. – Tenho medo. – ela não queria ficar sozinha. Tinha-se recordado do que se passara com os colegas dele e não queria que ele a deixasse só. Ela levanta o saco cama, em claro gesto de convite e aguarda pacientemente o calor daquele corpo, estranhamente familiar. Ele deita-se e ela abraça-o. Sabe que enquanto estiver com ele, durante aquela noite, estará a salvo. Adormecem.

O dia amanhece. Os dois companheiros de campanha daquele homem exausto, já se levantaram, cumpriram as suas funções diárias e começam a estranhar a demora do seu superior. O mais velho, decide entrar na tenda e acordá-lo.

- Acorda François. – ele grunhe – Acorda! – ele acaba por abrir os olhos. Ela acorda com ele. Ele senta-se, tentando acordar totalmente, mas a boa disposição do seu companheiro irrita-o. – Não me diga que ela lhe deu assim tanto trabalho. – olha-a desconfiado – É tão miudinha! – ri-se. Mas ele não pretende que aquilo continue. Algo aconteceu na noite anterior, que o fez mudar de ideias, quanto a direcção que aquela missão deve tomar.

- A partir de agora, eu não quero ouvir mais comentários desse tipo. – o outro homem, bem mais velho que ele, espanta-se, mas sabe qual é o seu lugar e responde formalmente ao seu superior.

- Assim seja, chefe. – ela recorda-se dele da noite anterior, recorda-se de como ele e outro que ela ouvia fora da tenda, a ataram a uma árvore, a despiram e quase a violaram debaixo da chuva da noite anterior. Lembra-se de que ele lhe batera tanto que acabou por perder os sentidos. Ela retrai-se e puxa o saco-cama para se tapar. Ele olha para o ar assustado dela e cai em si. Aproxima-se do subordinado.

- Devolve-lhe as roupas e dá-lhe o que comer. – diz enquanto passa o seu braço por cima do ombro daquele homem, que o tratava com uma intimidade paternal. – Vocês fizeram café? – pergunta-lhe, levando-o para fora da tenda. Assim ela teria tempo para se recompor. Ele pareceu-lhe ainda mais belo, agora que o sol iluminava a tenda e o verde dos seus olhos parecia ainda mais vivo. Ela parecia-lhe menos pequena, mas mais assustada. Ele queria protegê-la, mas ainda não tinha descoberto como.

sábado, 30 de maio de 2009

52 e a decrescer. A contagem diminui minuto a minuto e no entanto parecem minutos do tamanho de horas. Uma ilusão fruto da impaciência, do aborrecimento.

49 e as conversas passam ao lado. Os meus colegas de trabalho, comentam as novelas do dia anterior e os vestidos dos Globos de Ouro, não têm nada a ver comigo e não têm a menor ideia do que é que eu gosto, apenas me acham estranha, elitista, armada em intelectual. Não percebem porque é que eu leio de tudo, porque é que gosto de cinema, porque é que eu vou ao teatro, porque é que eu sei um pouco de tudo e quando não sei, chego no dia seguinte com a explicação. Acham estranhos os livros que leio, pedem-nos emprestados e devolvem-nos, dizendo que não passaram da décima página e eu, eu que os li num fôlego, sinto-me uma alienígena.

39 e nada de interessante se passou, nada de interessante foi dito, nada de interessante foi feito. Quando explico que preciso de outro emprego, todos acham que devo dar graças a Deus por já ter um e eu concordo, concordo com aquela mágoa dentro do peito que me leva a repensar os meus passos, a revalidar os meus gostos, as minhas prioridades.

25 e alguns colegas começam  sair. Que saiam, que nada me dizem. Digo “Até amanhã!”, como se dissesse: “Não se esqueçam do Pão!”, ou outra coisa qualquer.  Amanhã voltarão com as suas vidas iguais, padronizadas, horizontes limitados e eu penso, mais uma vez, em como os meus sonhos, os meus horizontes alargados, são uma prisão, um martírio.

18 e a ansiedade de sair dali, de poder ler, escrever, exercitar o raciocínio, dar trabalho às células cinzentas, acordá-las da letargia que o meu emprego representa, torna-se insuportável.

5 minutos para sair e começo a preparar as coisas. Bem podia começar a prepará-las assim que entro, porque as horas que passo naquele escritório, equivalem a uma morte prematura… pelo menos a uma morte cerebral.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

img.php Frustrado e cansado de tudo aquilo, ele ata-lhe as mãos, mas de nada lhe serve. Ela continua a surpreendê-lo e a fugir-lhe. Depressa se livra dos nós apressados. Uma imagem de enguia vem-lhe à cabeça, mas ele não se quer distrair, ele realmente a deseja e esbofeteia-a. Sente-se tão infeliz que acaba por descarregar toda a sua frustração, no rosto daquela jovem e só pára, quando se apercebe que ela mal consegue respirar e sente, como um gesto de derrota, a sua mão macia, acariciar-lhe o rosto áspero, da barba por fazer.

- Jack! – chama, com as poucas forças que lhe restam.

Ele tinha falhado. Ela podia ser facilmente dele, mas ele agora não a queria. Seria fácil demais, ela está quase inconsciente. Levanta-se e aperta as calças. Tapa-a com um saco cama. Acende um outro cigarro, apaga os candeeiros e deita-se na outra cama. Quem seria o Jack? O namorado dela? Não era esse o nome de que ele se recordava.

Ela apenas consegue ver a ponta avermelhada do seu cigarro. Ela recupera o fôlego. Não sabe porquê, mas sente-se culpada pela comiseração daquele homem. Sente a sua respiração, tenta adormecer, mas não consegue. Quase que aposta que ele está a chorar, sente o seu corpo estremecer de frio, mas ele permanece imóvel, barriga para cima, a acender cigarros, uns atrás dos outros. Levanta-se. Os seus olhos já se habituaram à semi-escuridão daquele lugar. Ele sente-a, mas não se importa. Ela retira um cobertor de uma das mochilas. Vai ter com ele, lentamente, sem barulho. O seu corpo dói-lhe, mas ela está habituada.

Ela tapa-o e aconchega-o. A sua ideia era voltar de novo para a sua cama, mas o cheiro dele atrai-a por demais. Senta-se no chão e pousa a sua cabeça no seu peito. Ela quer sentir a sua respiração. Ele não percebe o que se passa, mas gosta de a sentir. Ela não resiste e acaba por lhe beijar o peito. Ele não se mexe. Ela explora com as suas pequenas mãos, os seus volumosos músculos, acariciando-o ternamente. Algo os tinha unido e eles não o sabiam, ainda. A respiração dele torna-se mais pesada, mais ruidosa e rápida, mas ela não afasta a face do seu peito. Ela gosta de o ouvir respirar, é-lhe reconfortante, mas ele quer mais. Apaga o cigarro e agarra-lhe na mão. Ela assusta-se, mas não se move. Ambos aguardam um momento. Um pequeno impasse entre amantes. Era isso que eles eram por fim, mesmo que nenhum deles o quisesse admitir. Ele ensina-a o que deve fazer, guia aquela pequena mão para um local mais íntimo e privado, ao qual ela nunca se atreveria a tocar. Ela não se repugna com a ideia e ele ajuda-a, num gesto cadenciado e lento, a dar a si próprio, um pouco de prazer.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Arena - João Salaviza - Cannes

Dizer que a vida é um palco, ou uma arena, é uma metáfora tão trivial, que para nós escritores, usá-la, deixa-nos sempre um gosto amargo nos dedos. No entanto, a verdade escondida por trás dessas corriqueiras palavras, é demasiado pungente, para que possa ser ignorada. Desta forma, expressões como “Actor Principal”, Nova Personagem”, ou “Guião de Vida”, são usadas de ânimo leve, pela maioria, na explicação de coisas diárias, na descrição das nossas vidas.

Portanto todos concordamos que, a vida é um palco, nós somos os actores principais, os outros são personagens secundários, onde vivemos é o cenário e o que vivemos é o guião. Ora, não demoraria muito para que os realizadores percebessem que pouco mais seria necessário para realizar um filme com que todos se pudessem, facilmente, identificar. Apenas precisavam, tal qual um fotógrafo, escolher um ângulo, a lente e o enquadramento com mais interesse, para que a vida comum, a simples realidade, se tornasse pura arte. O realizador Fernando Meirelles (brasileiro), já o havia feito com a “Cidade de Deus”, o britânico Danny Boyle, fê-lo o ano passado com o “Slumdog Milionaire” e o mexicano Alejandro Gonzélez Iñarritu, mostrou a arbitrariedade das acções e das consequências a nível global das mesmas, no “Babel”. Cada um deles tirou a fotografia que achou mais interessante e criou uma obra de arte, com a pura e simples realidade do quotidiano. E foram fotografias dignas de todos os prémios que receberam!

Chegou, finalmente, a hora de um cineasta português descobrir aquilo que há uma década para cá, se tornou vulgar, mas o génio, a grande visão estética e a escolha acertada da metáfora por trás da linguagem comum e da imagem crua, faz com que o João Salaviza, mereça todos os prémios que quiserem atribuir ao seu filme “Arena”.

Para mim o que está por trás do rapaz em prisão domiciliária é muito mais do que a crítica à descriminação de oportunidades num estado democrático. Para mim, todos os habitantes daquele, como de qualquer outro bairro do Mundo, estão presos na Arena da vida que conhecemos e poucos são os capazes de lutar, tal qual gladiador campeão na antiga Roma, contra todas as probabilidades e obter a verdadeira liberdade; aquela que está acima de tudo o que é esperado e que apenas encontramos dentro de cada um de nós. Arrancar isso das entranhas, escondido por baixo de tanta treta esculpida pela sociedade nos últimos séculos, exteriorizá-lo e materializá-lo, é a verdadeira liberdade, a derradeira libertação do espírito.

Parabéns João Salaviza,!

terça-feira, 26 de maio de 2009

O que haverá na imagem de um Vampiro que me fascine tanto, bem com a uma boa parte da população Mundial?! Basta ver os resultados de bilheteira do Blade, do Entrevista com um Vampiro, Underworld, Crepúsculo, Drácula, ou então do sucesso das séries televisivas Buffy, Moonlight, Angel, True Blood… Já para não falar da literatura.Angel Poster

 

Será o facto de eles serem seres mais ligados aos seus instintos, ao seu lado animal, o facto de serem quase imortais, por serem um género de máquina do  tempo, por serem seres torturados  em constante batalha interna, por invariavelmente se apaixonarem por humanos, por poderem fazer o que querem?!

Na realidade sempre que tenho que explicar um vampiro, não consigo evitar associar a imagem a uma sanguessuga, mas depois penso em todas as minhas recordações sobre o assunto e não consigo evitar fascinar-me de novo. Deixar-me seduzir, tentar compreender e sobretudo, dar um pouco de colinho a uma destas criaturas.

Têm sempre um aspecto tão desesperado.

domingo, 24 de maio de 2009

Num fim de tarde, onde o cinzento do céu predominava, um grupo de amigos achou que a cozinha era o local ideal para pôr a conversa em dia. Eu pertenço a esse “grupinho maluco”. E conversa vai, conversa vem sobre pensamentos, ideias, blogs e escritas, eu tive a brilhante ideia (ou talvez não) de sugerir o “convidado do mês” para o blog de uma amiga. Ora após iluminada ideia diz-me ela assim: “Boa! Tu és a primeira convidada!”

Ups! Engoli em seco. Tinha a responsabilidade de escrever algo para alguém que não considero menos que uma grande escritora nata… Seria como passar num exame em que ela era a grande mestre da matéria em questão.

Admito. Gosto de escrever, escrever aquilo que sinto, aquilo que gosto, aquilo por que estou a passar no momento, aquilo que me vem à cabeça… mas para mim, para o meu diário… Não para qualquer cibernauta que faça um “clique” nesta página.

Não sei se a escolha da primeira convidada foi a melhor, contudo sei e tenho a certeza que esta nova rúbrica vai ser um sucesso!

A ti, não tenho mais nada a dizer do que OBRIGADO! :) Obrigado por fazer parte da tua vida, por me deixares partilhar muitos e divertidos momentos contigo, por me dares atenção, valor, carinho, puxões de orelhas e, principalmente, por me dares a grande honra de ser a primeira! Sinto-me lisonjeada! Amo-te muito!

Ass.  Jo

 

 

(Este passou a ser um espaço mensal, onde um amigo escreverá um texto e eu colocarei aqui. A ideia foi da autora do texto acima: a minha grande e querida amiga Joana.)

quarta-feira, 20 de maio de 2009

 peugeot-307-cc-f3 Um Peugeot 307 CC. Simplesmente adoro este carro. Agarraria nele durante o Verão, capota para baixo e ia de mochila na mala, numa aventura pelo Sul da Europa.

O.K.! Foram duas coisas, mas quem está a contar?!

Subscribe to RSS Feed Follow me on Twitter!