quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O Fi anda com um horário absurdo que odeio e que irá continuar até ao fim do ano. Odeio porque nos deixa muito pouco tempo juntos e o tempo que passamos juntos não é útil porque ou estou a dar explicações, ou a tratar do jantar, ou a tentar aproveitar as últimas horas de sono. Mas é um horário temporário e o tempo que conseguimos estar sozinhos e acordados é passado com qualidade e acho que isso é importante:

O que interessa não é a quantidade, mas sim a qualidade!

Mas não era sobre isso que vos queria falar nesta mensagem. Queria contar-vos uma coisa que me aconteceu hoje. 

Saí do emprego para almoçar e chego a casa, abro a porta devagar, não fosse ele estar a dormir, desloco-me em bicos de pé, para não fazer barulho com os saltos, acendo a luz do hall dos quartos, abro a porta devagar e olho para a cama revolta. No meio dos lençóis lá se encontra ele: belo e adormecido.

Eu não sei o que se passa com esta coisa de observar homens a dormir, mas cresce em mim assim um sentimento maternal que me faz querer abraçá-lo com todas as forças e tentar de forma física, fazer com que o corpo dele se junte ao meu, formando-se um só. 

Pronto, o adjectivo maternal talvez seja algo pecaminoso na anterior frase, uma vez que para além desse sentimento há uma chama que trespassa o corpo e que me faz querer acordá-lo com carícias e beijos e sentir a sua barba na minha pele.

Acho que não posso mais voltar a observá-lo enquanto dorme à hora do almoço, ou então passo a trabalhar só de manhã!
Com toda a certeza que todos vocês já tiveram oportunidade de ver a publicidade que é feita a este aparelho na televisão. Eu que mal vejo televisão portuguesa, já tive oportunidade de levar com ela, por isso não duvido que sejam muito poucos os Portugueses que ainda não tenham ouvido falar deste milagroso aparelho de ginástica que faz de tudo pela nossa forma física.

Bem se faz ou não, não sei, pois ainda não experimentei, mas a minha mente perversa, desde o primeiro dia em que viu o anúncio, não deixa de pensar em como aquilo deverá ser tão divertido para outras práticas de exercício, que geralmente é feito a pares....

Perceberam?! Que hei-de fazer... sou assim!



terça-feira, 15 de novembro de 2011


Devo um agradecimento e já vai atrasado.

Pouco antes do Natal de 2008, eu escrevi uma Carta muito desesperada ao Pai Natal, numa tentativa de ver as minhas preces atendidas num impulso Natalício e a verdade, é que em 2009 a cair para 2010, eu vi o meu pedido a ser atendido e como sempre acontece nestas situações nem me recordei de agradecer ao Senhor das Barbas Brancas.

Nunca fui tão feliz, apesar de estar longe de todos que amo (isso custa muito) e de não ganhar tanto dinheiro como já ganhei no passado, e mesmo assim estou-te muito grata por teres devolvido ao meu coração esta capacidade maravilhosa de estar e ser capaz de estar apaixonada.

Talvez volte este ano a escrever uma nova carta, quem sabe não me atendes outra vez... Olha que tenho sido uma menina muito bem comportada.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

É inevitável. O frio veio e eu tive que obviamente fazer a tão odiada mudança de guarda fato. Por isso, este Sábado, depois do Homem ter acordado tarde e a más horas, lá tive eu que me encher de coragem e ir até ao guarda fatos, retirar tudo o que lá estava, dobrar muito bem dobradinho para poupar espaço e não ter muito que endireitar quando na primavera for buscar as roupinhas mais frescas de novo.

Ver o que ainda vou usar, o que ainda pode ser dado, o que é pano de cozinha, o que nem para isso serve mais.

Depois disto feito, vem a segunda parte. Ir à parte superior do armário, retirar todas as roupinhas quentes, passar a ferro, colocar em cabides, arrumar no armário temporariamente e por pouco tempo, vazio e limpo com "pronto" e tudo. Dobrar as minhas salvadoras do Frio (as minhas camisas de gola alta fininhas, que ficam sempre bem debaixo das malhas, dos casacos e com fatos, dobrar as malhas, colocar tudo arrumadinho nas gavetas. Verificar as meias, ver se é preciso comprar ou substituir algumas (é sempre preciso substituir). Dobrar as échàrpes e chachecóis, sacudir as boinas, gorros e chapéus, ordenar as minhas adoradas luvas, por cor e por material de confecção (Pele vs Lã). 

Finalmente, já a ver a luz ao fundo do armário, chegou a hora de tratar dos Sobretudos e Casacos, enviar para a Lavandaria, colocar o botão que caiu no Inverno passado e que ficou sempre por pregar, pois ficava escondido debaixo do cinto. Trocar as malas de Verão por malas mais escuras e resistentes à chuva. Limpar e guardar as sandálias fresquinhas e substiuí-las por botas quentinhas e sapatos fechadinhos. Vou ter que mandar arranjar dois dos pares de botas... 

"Talvez o meu sogro, que é um artista, dê um jeito! Para ele é uma forma de se entreter e para mim uns euros que não saem da carteira."


O certo é que depois de todas estas etapas, cheia de pó, a espirrar por todos os cantos, o meu armário ficou, também temporariamente, semelhante a este:

É claro que é só até dar-me o chilique de não saber onde anda o casaco encarnado que queria usar com os Jeans.

Aí, volta a sair tudo de lá dentro até encontrar o que procurava e será, inevitavelmente, tudo atirado lá para dentro, até que tenha pachorra de gastar mais uma tarde de Sábado a arrumar o Guarda-Fatos.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011


Esta noite tive um sonho. 

Estava eu a vestir-me para sair para uma festa e mirava-me demoradamente ao espelho.

Vira para um lado, vira para o outro, vê de lado, mira de trás, de perfil, de frente. Observa como é que o decote se comporta se me baixo, se me debruço para cima de alguma coisa ou de alguém, como é que devo apanhar objectos do chão e assim ia eu ficando mais confiante da composição que eu havia escolhido para o bendito evento.

De um canto escuro do quarto, uma fumarada mal cheirosa de um charuto cubano, começa a aparecer. Alguém no semi-breu, sentado no meu recanto de leitura, diz numa voz cavernosa:

Para passares de Jeniffer Lopez a Queen Latifah, apenas precisas de respirar!

Ora bolas! Quem pensa ele que é para falar sobre as minhas curvas?! Mas que mal educado. Acabei por acordar quando estava a meio do jantar do evento e sem ter dançado.

Hoje enquanto me preparava para ir trabalhar e enquanto me observava no espelho a mirar a indumentária, percebi que o homem mal cheiroso, mal educado, de voz cavernosa era eu!



terça-feira, 18 de outubro de 2011

No outro dia, na galhofa com uns amigos na esplanada (se calhar é por isso que estamos em crise, estávamos na esplanada depois do trabalho em vez de estarmos mais meia hora no lugar do trabalho) e surgiu, como surge sempre nestas conversas regadas a com uma cervejinha fresca e martinis, para quem é mais fino, algumas formas de se apertar o cinto sem se dar conta que se está a fazer. Uma sequência de pensamentos que todos juntos, até que são uma solução, a mais não seja, para dar uma boa gargalhada.


  1. O electrodoméstico que mais energia gasta é o frigorífico.
  2. A comida vai ficar toda mais cara pois poucos bens são agora considerados prioritários.
  3. Temos de passar mais tempo no trabalho.
  4. Enquanto estamos no trabalho podemos usar (quem tem) os frigoríficos do escritório e se vamos lá estar mais tempo sem receber recompensa pelo mesmo, é um direito colocar lá mais uns iogurtes e uma ou outra peça de carne no congelador.
  5. Compram-se mais enlatados, que são mais baratos e não se estragam.
  6. Desliga-se o frigorífico de casa, pois não se tem comida que se estrague lá.
  7. Poupa-se o dinheiro da energia do frigorífico
  8. Come-se sandes todos os dias, de atum, salsichas, queijo e fiambre. Como se trabalha mais tempo, o tempo para cozinhar tornou-se importante para o bom descanso.
  9. O queijo e o fiambre compram-se diariamente com o pão, para não haver necessidade de o guardar no fresco.
  10. Bebe-se bebidas quentes ou à temperatura ambiente, pois bebidas frescas fazem mal à garganta, e gasta-se demasiado dinheiro em pastilhas na farmácia e ter-se-ia que ter o frigorífico ligado.
  11. Às sextas feiras tira-se qualquer coisa do frigorífico do escritório para se cozinhar em casa, pois é fim-de-semana e temos direito a uma extravagância.(Peixe ou carne, uma vez por semana).
  12. Como se deixou de cozinhar, passou-se a gastar metade do gás.
  13. Como comemos mal e passamos mais horas no trabalho, passamos a ter menos energia e não nos apetece tanto sair de casa.
  14. Deixa-se de ter necessidade de comprar aquela blusa perfeita para ir àquele café naquele dia,
  15. Fica-se no sofá de pijama, ou com a ausência de roupa a olhar para a televisão, ou no computador na internet.
  16. Os serviços de telecomunicação vão ser os únicos que irão continuar a ser pagos sem excepções, pois vão passar a ser a única diversão.
  17. Rouba-se os filmes da internet para não se ir ao cinema, mesmo que esteja dobrado em russo e haja pelo menos um tipo da fila da frente que se levanta 20 vezes para ir à casa de banho (torna a coisa mais real, sobretudo se acompanharmos a visualização com o resto dos amigos no sofá da sala a comer pipocas (o milho ainda é barato e demora apenas 3 minutos no fogão) o gasto de gás não é muito e é a extravagância do mês.
  18. Como se passa a sair menos, a roupa para lavar também diminui. Há a roupa do trabalho, a roupa de casa e o pijama. Usa-se uma muda por dia que repete dois dias depois.
  19. Como se come menos vai-se ficar mais magro, aproveita-se assim o resto dos tecidos das peças de roupa já existentes, que teremos que apertar, para fazer novas peças para quando ainda estivermos mais magros.
  20. Existem menos divórcios, pois os casais vão passar mais tempo juntos e com tão pouca diversidade que existe na televisão, terão que arranjar outras formas de passar o tempo e eu tenho muitas ideias quanto a este ponto, mas guardo-as para mim.....
Ok... se calhar só teve piada na esplanada, mas partilhei na mesma.




segunda-feira, 10 de outubro de 2011


Desde que o João Jardim voltou a ter maioria absoluta ontem, que não paro de ouvir as pessoas criticarem a iliteracia dos madeirenses e como eles, por serem (BURROS) continuam a votar num aldrabão, ladrão e um sem número de outros substantivos que me recuso a escrever…

No entanto, não creio que seja esse o problema, mas claro está que se trata apenas da minha opinião. 


A verdade é que um outro conselho, o Concelho com mais licenciados no país continua a eleger para presidente da Câmara Municipal, alguém acusado, pronunciado, julgado e condenado nos tribunais e que se ainda não está preso é porque se refugia num escudo de recursos atrás de recursos para evitar o cumprimento da pena já sentenciada.

Ora e voltando de novo à "Vaca Fria" e ao que me levou a escrever este post, a Marktest em 2010 n' "o Atlas Social" revela que o Concelho com mais licenciados em todo o país é Oeiras, onde Isaltino Morais foi sempre reeleito, mesmo concorrendo contra uma candidatura do seu partido de sempre.

Isto apenas acontece, porque o Dr. Isaltino Morais tem obra feita e apostou no desenvolvimento económico da autarquia, ultrapassando a vizinha e elitista Cascais no PIB per capita. Transformou um concelho secundário da região de Lisboa, com graves problemas sociais, no melhor Concelho para se trabalhar e investir.

O eleitorado da Madeira, o tal iletrado e que apenas vota no João Jardim, porque é “Mentecapto”, não o faz porque é mais iletrado ou porque não tem mentalidade democrática, mas sim porque é absolutamente igual a todos os outros eleitorados, movidos por um critério individualista e interesseiro. Votam Alberto João Jardim, porque este tem obra feita.

Mas é claro que isto sou, apenas, eu a pensar alto.



quinta-feira, 22 de setembro de 2011

… Simplesmente, não quero estar aqui!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Um dia destes, um colega da Bologosfera escreveu um post onde colocava apenas uma onomatopeia que representava o som de um relógio, ou seja: TicTac... TicTac… TicTac.

Por brincadeira, perguntei-lhe se se tratava de um novo tipo de tortura, ao que ele me respondeu: 

«O tempo só é tortura para quem não tem mais que fazer ao tempo. - piloto automático»

Raios partam o rapaz! Obrigou-me a pensar em algo mais profundo do que eu esperava duma simples brincadeira. Mas pronto, o Tico e o Teco lá raciocinaram os dois e o pensamento aflorou-se confuso, tal como aqui descrevo.

O tempo para mim é sempre uma tortura. É uma tortura quando tenho que lhe fazer, (pois parece nunca haver tempo para fazer tudo o que tenho para fazer), e é uma tortura para quando nada se tem para fazer e não se pode fazer o que se tem de fazer, ou se quer fazer. Confuso?! Hummm….


Seja como for, o tempo é tortura... da chinesa!

Mas eu estava mesmo a falar é do som, odeio ouvir o tempo a passar e eu muitas vezes parada sem poder andar.


terça-feira, 20 de setembro de 2011



E se eu mudasse o aspecto do meu blog?!

Ando com vontade de renovar e mudar a decoração da casa fica muito caro... talvez esteja numa fase mais "Steampunk".


Gosto muito desse estilo, faz muito parte da minha personalidade: moderno, futurista, mas com um jeitinho antiquado, romântico, estilizado.


Talvez seja a idade a pesar.



quinta-feira, 8 de setembro de 2011


Há dias em que uma pessoa não avança nada. Anda, anda e volta a andar, mas não chega a lado nenhum.

No final do dia faz-se as contas e o que foi produzido foi quase nada, muito próximo do zero.

É em dias como estes que eu acho que se perdeu tempo de vida, sem se ganhar recordações, ensinamentos, vivências válidas e ainda por cima fico com um feitio horrível, pois odeio não ser produtiva e odeio,  ainda mais, ser má e/ou agressiva, comportamento que me surge, sempre que estou irritada.

Irra para este temperamento Ariano com o qual nasci. Agora vou ter de pedir desculpa e eu também odeio pedir desculpa...

A frase com que acabo esta entrada, foi a melhor coisa em que pensei o dia todo, por isso já podem ter uma ideia do quão bom este dia foi!

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Apenas aquilo que gostamos é que nos sai naturalmente, pelo que não percebo para que serve a aplicação, quando é preciso inspiração?!
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terça-feira, 6 de setembro de 2011


Com o Verão a acabar e com o Outono a bater à porta, começo a rever o meu estilo para o Outono/Inverno deste ano. Como todos já devem saber, eu odeio o frio e adoro dias que tenham temperaturas superiores a 30 graus. O frio incomoda-me e entristece-me, mas verdade seja dita, acho sempre a moda Outono/Inverno, bem mais interessante que a da Primavera/Verão e tudo por causa dos detalhes.

No Inverno e com a desculpa do frio, podemos dar-nos ao luxo de fazer sobreposições de camisas, pulovers e casacos, temos as gabardines, os casacos curtos médios e compridos, as botas altas, e médias, os guarda-chuvas, as luvas, os chapéus e os meus favoritos: As échàrpes, Lenços e Cachecóis.

Encontrei este vídeo engraçadíssimo e decici partilhar com vocês. Assim começo a mentalizar-me de que o frio vem aí, e que há vantagens.... por favor digam que sim!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

"Petit théâtre de verdure", 1972 - Vieira da Silva
Pois é! Depois de umas férias que correram como água (talvez por causa do tempo que meteu muita água neste Verão), estou de volta ao trabalho e o tempo acompanha o meu estado melancólico.

Mas jogos de palavras à parte, a verdade é que depois de um acordar muito agradável, lento e gradual, culminado num libertar de endorfinas regenerador de uma noite que não dei por passar, com a banda sonora da chuva a bater nos estores do quarto, eu gastei os 50 cêntimos mais bem gastos em toda a minha vida.

Devido ao acordar gradual, o tempo hoje foi escasso e tive de tomar o pequeno almoço no carro. Mas antes, quando fui levantar dinheiro e comprar uma revista para entreter os olhos, a senhora perguntou-me se não queria levar dois livrinhos pequeninos sobre música; um sobre fado e outro sobre Jazz. Como olhei para eles com renitência, ela disse-me: "São apenas 50 cêntimos e cada um trás uma colectânea de músicas num CD!". Lá me convenceu. Comprei os dois, mais a revista e fui para o carro.

Como ainda faltavam uns minutos (eu vou sempre cedo demais para o trabalho, mesmo quando digo que já estou atrasada), coloquei o cd de Jazz a tocar e li um livro sobre a Vieira da Silva, que andava de um lado para o outro no meu carro, depois de o ter comprado numa feira do livro qualquer, durante o Verão.

Foram os melhores 20 minutos, antes do trabalho, de sempre. A música decorria com ligeireza, elegante e cheia de swing, com diálogos de instrumentos inteligentes e contidos, perfeitos para animar uma serena melancolia, sem exaltar demasiado e relaxando quanto baste. Foi quase um momento Zen de consciencialização do fim de semana que vem aí.

Depois li o "Testamento" de Vieira da Silva e decidi roubar algumas cores só para mim; talvez um Terra Sombra, e um Terra Siena!

Para vocês que têm paciência para me ler:

Testamento

Um azul cerúleo para voar alto.

Um azul cobalto para a felicidade.

Um azul ultramarino para estimular o espírito.

Um vermelhão para o sangue circular alegremente.

Um verde musgo para apaziguar os nervos.

Um amarelo ouro: riqueza.

Um violeta cobalto para o sonho.

Um garança para deixar ouvir o violoncelo.

Um amarelo barife: ficção científica e brilho; resplendor.

Um ocre amarelo para aceitar a terra.

Um verde veronese para a memória da primavera.

Um anil para poder afinar o espírito com a tempestade.

Um laranja para exercitar a visão de um limoeiro ao longe.

Um amarelo limão para o encanto.

Um branco puro: pureza.

Terra de siena natural: a transmutação do ouro.

Um preto sumptuoso para ver Ticiano.

Um terra de sombra natural para aceitar melhor a melancolia negra.

Um terra de siena queimada para o sentimento de duração.



Maria Helena Vieira da Silva



quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Recentemente fui apelidada de racista, não directamente como agora escrevo, mas num texto subentendido, ao dizerem que aonde eu havia referido "pessoas de cor" estava a usar um eufemismo que demonstrava, não só a minha propensão para o racismo como a de todos os Portugueses e Mundo que não é "de cor", mesmo que esse racismo fosse escamoteado.

Não podia, como é óbvio, essa bloguista e autora, estar mais longe da verdade. Primeiro porque nunca fiz distinção entre as pessoas de cor e pessoas ditas brancas e em segundo, porque é culturalmente e socialmente aceite como a expressão correcta.

Trato-as assim porque neste texto e no que fui acusada, tornava-se imperativo diferenciar e as palavras "Negro" e "Preto", não só não correspondem a uma verdade física, biológica, ou fisiológica (pois ninguém é negro ou preto), mas também porque são termos que foram amplamente usados para depreciar e menosprezar as pessoas que têm um tom de pele mais escuro, mais próximo do chocolate e mais longe da minha cor lívida e sem graça de anúncio à Neoblanc. 

Não que o que é aceite socialmente a mim me faça alguma diferença!

Por exemplo, a mesma pessoa que me acusou de tal mentira, acha o máximo o novo acordo ortográfico e faz publicidade do mesmo, o que no meu caso, nunca virá a ser aceite, mesmo quando for obrigatório. Irei remar contra a maré, pois o português, que ela chama como europeu (para mim, é apenas Português e o original, pois não conheço outro país europeu que o fale), é a minha língua. Nada tenho contra a introdução de novas palavras, acho gratificante quando uma língua (porque é um organismo vivo) cresce e evolui e aumenta a sua expressividade, mas não concordo com a sua perda de identidade apenas porque os outros países que adoptaram a nossa a língua a decidiram deturpar. Irei escrever todas as consoantes mudas, continuarei a pronunciar os "C's" de FACTO, de ACTOR, de ACTO e de ACÇÃO (sim porque a maioria dos portugueses os pronuncia, mesmo que seja de uma forma dissimulada). Mas não me quero perder neste assunto, pois por mim, farmácia ainda se devia escrever com PH e já não é do meu tempo.

Mas sim, porque da mesma forma como adjectivamos as pessoas de gordo, alto e magro, feio e bonito, bom e mau, esperto, inteligente, ou seja lá qual for o adjectivo, quando precisamos de distinguir as pessoas (e neste caso estávamos a falar de África, a mesma África onde eu nasci e vivi os meus primeiros anos de vida e que dos quais morro de saudades diariamente), também aqui era necessário, para que a conversa pudesse fluir e fazer sentido.

Todos somos diferentes, mas devemos ter perante o mundo e a sociedade, os mesmo direitos, as mesmas oportunidades. Isto é o que eu penso! E não é só numa questão entre "brancos" e "pretos", "amarelos" e "vermelhos" mas sim perante tudo, perante a economia, o sexo e a idade.

A discriminação existe, é um facto incontornável, mas também existe no fundo das pessoas a capacidade de entender o quão absurda é, de o reconhecerem, de o admitirem.

Não sou uma pessoa pessimista por natureza. Para mim um copo meio vazio, é um copo que está a caminho de ficar cheio (se o cheio for o positivo da equação, é claro) e sinceramente não tenho paciência para pessoas que num posicionamento totalmente ultrapassado de  "beatnik", se acham superiores aos outros porque apenas eles sabem o que é sofrer, apenas eles viveram maus tempos, apenas eles são rebeldes sem justa causa (ou com uma causa que apenas a eles diz respeito).

Não é com mágoa que se avança, mas sim com esperança e atitude positiva. Não é com amarguramento e ofensas generalistas que os problemas se resolvem, mas sim com actos e acções. Colocar o oposto do que nos é querido, num saco conjunto como sendo lixo, apenas mostra que sofremos do mesmo mal daqueles que odiamos.

Ninguém é dono da razão, por isso, mesmo no vosso sofrimento, mágoa e despeito ressabiado e vomitado (quem sabe o que é o movimento "beatnik", vai perceber porque utilizei tal expressão), não se achem superiores aos outros, pois quanto muito, vocês viram tanto quanto os outros, viveram tanto quanto os outros, sofreram tanto quanto os outros, recordam tanto como os outros e sabem e apercebem-se tanto quanto os outros. O que muda é o vosso posicionamento e a forma de o encarar.

Também eu tenho o direito de me refugiar nas minhas vivências e de ser mais do que aparento, ou escrevo. Também eu tenho o direito de falar e expressar a minha vontade, pensamento e o meu sentir e também eu tenho o direito de adjectivar um sujeito, com o que é politicamente correcto, sem que com isso tenha de ser apelidada de racista, simplesmente, porque não o sou. Os meus amigos que o confirmem, porque o meu corpo confirma-me todos os dias o que eu sofri por ser como sou, mas é mudo para o Mundo.

Vivi num país em guerra, ouvi gente a ser fuzilada e fugi de tiros nas ruas, escondendo-me atrás de carros e correndo para o prédio onde morava (7 andares sem elevador, pois este havia sido transformado num depósito de lixo), porque ficava já ao virar da esquina. Ajudei a minha mãe a fazer pão e massa para pão para mais de 2 meses, simplesmente porque naquele dia se tinha conseguido farinha, e não se sabia quando é que voltaria a haver e então tinha de se congelar e aproveitar ao máximo o que se arranjava.

A minha mãe fantasiava muito, tentava moldar, toldar as nossas recordações como sendo meras aventuras que teríamos para contar mais tarde. E eram, de certa forma eram. Mas eram mais do que isso, eram uma realidade dura, cruel e feia, onde o pior do ser humano mostrava as suas cores. Os meus pais não abandonaram Angola depois da Independência e eu nasci lá e vivi lá, pós era colonialista e conheci em primeira mão, o que ela era antes e no que se veio a tornar depois, com os meus olhos, com a minha pele, com os meus ouvidos, com a minha boca, com o meu nariz.

Eu gosto de olhar para as coisas e ver nelas a perfeição que a realidade tem tendência em esconder. Mas eu sei que ela está lá e que eu posso pelo menos tentar, com que os outros vejam o mesmo que eu, pois o que se vê, já está à vista de todos e é meramente a constatação de um facto e nada de novo trás.


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Li num blog que sigo, que o autor achou muito estranho, no fim do último filme do Harry Potter, os espectadores baterem palmas e que isso devia ser algo só dos Tugas.

Eu não acho isso nada estranho! Nos Estados Unidos acontece com muita frequência, mas a primeira vez que me aconteceu a mim, era ainda adolescente (talvez mais nova) e fui ver o Rocky, aquele em que ele luta contra o Russo e no final, todo roto e mais morto que vivo, ganha. Aí, não só bateram palmas como se levantaram das cadeiras e apesar do tempo passado toldar e turvar as recordações, arrisco-me a afirmar que deram mesmo alguns pulos de contentamento e de alívio.

Eu pessoalmente, sou da opinião que as pessoas devem fugir às convenções e se algo as empolga, as faz vibrar, devem fazer esse sentimento passar para o exterior, e se no meio desse entusiasmo, o que sai são palmas, estas são mais do que bem vindas.

Ainda bem, que os Tugas não são Robots e que sabem exteriorizar as suas emoções. Talvez por isso, não tenhamos cenas tristes como as que se passam nos outros países, talvez por isso cenas que passam diariamente nos telejornais que nos chegam do Egipto, da Grécia, de Inglaterra, não passe nos outros países, sobre o nosso.

E isto apenas vem provar que quem acha que os portugueses são um povo enfadonho, que não têm emoção e que não recebem o Mundo com os braços abertos e que é preciso ir buscar o exemplo de gosto pela vida, do outro lado do oceano, estão erradas, redondamente enganadas.

Nota:
Gosto muito do blog ao qual faço link, adoro os desabafos e as memórias, respeito as opiniões e amo os temas abordados e a forma como é escrito. Apenas não concordo com algumas coisas que são ditas, assim como com toda a certeza os outros também não concordam com muita coisa que digo. Concluíndo, eu não faço uma crítica ao blog, nem muito menos à autora, mas sim à opinião (que não é única e, por isso mesmo, serviu de exemplo) que foi exposta naquela mensagem em particular. Sou uma ávida leitora do blog visado e continuarei a ser.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011


Hoje li uma rábula que me colocou a pensar. Apesar do meu sentido negro de humor, ter dito logo, quem não tem olhos não chora, eu acho que neste caso o homem teria direito, mesmo sem glóbulos, chorar lágrimas de sangue.

Mas chega de conversa, aqui fica a rábula e retirem vocês as vossas ilacções. Eu arrepiei-me.

Havia uma rapariga que se odiava por ser cega!


Um dia, ela disse ao namorado que se pudesse ver o mundo casava com ele.

Num dia de sorte, alguém lhe doou um par de olhos.

O namorado pergunta: agora que vês, casas comigo?

Ela, chocada porque viu que ele era cego, disse: desculpa mas eu não posso casar contigo, porque és cego!

O namorado afastou-se em lágrimas e apenas lhe respondeu: "CUIDA BEM DOS MEUS OLHOS!"

quarta-feira, 3 de agosto de 2011


Não quis saber! Ontem quando eu e o Fi chegámos a casa pusemos as mãos à obra e começámos a montar a mesa e as cadeiras que eu tinha comprado para a varanda.

Eu não sei se isto acontece com vocês, mas assim que eu começo a fazer qualquer coisa que merece a minha atenção, o meu telemóvel, que até é um aparelho com pouco uso e que espaçadamente o oiço tocar, começa sempre a vibrar e a produzir um som que tem como efeito chamar-me a atenção para uma chamada.

Também ontem foi assim! Andava eu e o Fi à volta de um parafuso teimoso que não queria por nada entrar e atarrachar na porquinha que lhe estava destinado e tive de atender uma chamada que merecia toda a minha atenção, pois desde que me mudei para o Norte, as chamadas com o meu melhor amigo, tornaram-se cada vez mais raras e espaçadas no tempo.

Então enquanto falava com o meu melhor amigo sobre as novidades e coscuvilhices, continuava a ajudar o meu marido a montar a mesa teimosa. A meio da chamada a mesa lá ficou de pé, linda com as duas cadeiras, tal como havia imaginado, na minha varanda da sala. A chamada terminou e a vontade de fazer qualquer coisa para a inaugurar era grande de mais.

Coloquei uma vela de citronela no meio, o Fi abriu uma garrafa de vinho verde que estava geladinha no frigorífico (parece que lemos sempre o pensamento um do outro, não foi preciso dizer nada), os copos foram fazer companhia à vela enquanto aquecia uns restos que tinha no frigorífico e que precisavam ser comidos, antes de os ter de deitar fora.

Vesti um casaco de malha e lá fomos nós jantar à luz da vela num fim de dia de Verão tristonho e encoberto, com um vento fresco de calor esquisito, na mesa nova, comprada de propósito para aquela varandinha aconchegada da minha casa.

O jantar foram restos, mas estavam deliciosos, o vinho estava a estalar e a conversa, foi como sempre, muito boa!

Mesa inaugurada, com frio e tudo!

terça-feira, 2 de agosto de 2011


Comprei eu, toda pimpona, um conjunto lindo de uma mesa e duas cadeiras, no Continente, a um preço fantástico de promoção, para que o tempo não me permita agora estreá-lo.

Irá ficar tão bem na minha varanda para uns jantares de Verão à luz da vela e não pára de chover e fazer frio.

VERÃO, importas-te de aparecer de uma vez por todas? Quero noites abafadas em que tenho de ligar ventoinhas, noites quentes para jantar na varanda, noites em que o calor é tanto que apetece fazer mil e uma coisas que não dormir.

Quero ter Verão!

Há 19 anos atrás recebia um telefonema do meu avô (que Deus o tenha) a dizer-me que a minha tia já estava no Hospital para ter um rebento cabeludo e pequenino, de nome Mara, que viria a ser a minha primoca/filhota linda.

Tinha ela poucos meses de idade, e já eu tomava conta dela e andava com ela, toda feliz e contente, sonhando que ela era minha, só minha e de mais ninguém. Eram fim-de-semana inteiros com a prima, férias em Espanha, férias no Algarve, férias, sempre férias, porque na altura ainda estudava e andava com ela para todo o lado. (Coitada da minha Tia!)

Até para a Universidade ela vinha comigo! O importante é que ela era minha, era linda e toda a gente me invejava.

Isto foi há 19 anos atrás. Estive com ela na primeira saída à noite, estive com ela no primeiro flute de champanhe, recebi o telefonema dela, no primeiro namorado e conheci todos os que se seguiram. Eu era mais do que uma prima, era uma segunda mamã e eu adorava.

Hoje, está ela a caminho do segundo ano da Universidade, grande, maior e vacinada, continua linda como sempre foi e já tem 19 anos.

Parabéns linda, que vivas muitos e muitos anos e que eu esteja cá para te acompanhar nas noitadas, nos copos e também no momentos maus.

sexta-feira, 29 de julho de 2011


Não sei se é por ser 6ª Feira, mas o dia hoje não passsa! Estou cheia de trabalho e mesmo assim, dou por mim a espreitar as horas de 5 em 5 minutos e o relógio teima em apenas andar de 5 em 5 minutos.

Grrr!
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