quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

No fim de 2009 eu decidi, que a minha vida tinha de mudar, que tinha de mudar drasticamente e em 2010, coloquei as mãos à obra e tudo fiz, para que passos de mudança, passos gigantescos de quem estava aprisionada a uma rotinazinha medíocre, pequena sem horizontes, fossem dados.

Larguei o meu emprego, mandei passear com todos os requintes e textualmente o meu patrão e procurei, procurei, procurei.

Em Abril, depois de um fim de semana de Páscoa maravilhoso com o meu amor, ganhei coragem e no meu aniversário, com a ajuda de um amigo a quem eu devo muito, entrei dentro de um comboio à descoberta de um novo lugar. Um lugar que em 2010 foi considerado a Melhor cidade Portuguesa para se viver, mas não pensava, nem sonhava que nesse aniversário, apenas um espaço de 3 dias fosse tão definitivo. 

Era suposto voltar para Lisboa, pelo menos até encontrar um emprego nessa nova cidade, onde o meu amor vivia, mas os 3 dias tornaram-se 15 dias e os 15 dias tornaram-se definitivos. Ambos tínhamos mais  de 30 anos, para quê esperar?!

 - Tu já não vais a lado nenhum. Vais aonde? O teu lugar é comigo, não achas?!

E eu achava sim! Se era para estarmos juntos, o melhor era fazer logo, para quê perder tempo, chega de perder tempo, este urge, este escasseia, todos temos data limite e todos temos que viver o mais possível dentro desse tempo. "Não deixes para amanhã, aquilo que pode definitivamente ser vivido hoje."

Arranjamos uma casa, primeiro dividida com outros amigos e depois apenas nossa e fomos aos poucos e poucos, arranjando o nosso espaço, o nosso ninho.

Vai fazer dois anos que estou nesta cidade e, apesar da saudade que sinto diariamente dos meus meninos, da minha irmã, mãe e 4 amigos, não me arrependo nem só um pouco.

Sinto-me triste pela minha irmã e pela minha mãe, ainda não terem arranjado um dia para me virem visitar, mas tenho a certeza que esse dia irá chegar. Vale a minha prima e duas das minhas amigas que vieram passar uns dias comigo no Verão passado.

Aqui ficam algumas das imagens da minha nova cidade. Espero que apreciem tanto quanto eu. 

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terça-feira, 24 de janeiro de 2012


...será que este, alguma vez se irá concretizar?



sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

... em receber correcções. Acho que são importantes e são estas que nos fazem melhorar constantemente falhas (por vezes recorrentes) e que, quando interiorizadas, nos ajudam a ser um ser humano cada vez melhor.

Mas há correcções e correcções. Um dia destes, numa conversa sobre mulheres que gostam de homens mais novos e de como isto está na moda, um colega disse que a esse fenómeno, ou melhor a essas mulheres se chamam "Cougar" e eu, rapidamente disse: "Em mim, não existe nem um pedacinho de DNA de Cougar."

O mesmo colega corrige-me imediatamente:

- ADN! - completa na sua forma habitual de corrigir as pessoas, como se estas precisassem constantemente de ser lembradas que se enganam, mesmo quando elas sabem dos seus enganos. Não gostei e na altura mostrei isso mesmo e respondi.
- Se vou utilizar uma expressão inglesa (Cougar - Puma), não me parece errado dizer DNA em vez de ADN.

Podem ter achado que não devia ter ligado e ter feito ouvidos de mercador, mas a verdade, é que se trata de um colega (a quem eu acho piada pela sua personalidade), que diz "plaquette" em vez de "brochura", ou "folheto".

Alguns podem achar que a justificação de um acto, é sacudir a água do capote, mas não, trata-se simplesmente de mostrar, que nem tudo o que se pretende corrigir, tem de ser corrigido.


quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Fartei-me de rir quando na 5ª Feira à noite cheguei a casa e irritada, expliquei como a rapariga dos serviços da água, escrevia no computador.

O Fi riu-se com a minha exemplificação e saltando ele para o computador explicou:

- Tu vens lá do estrangeiro, lá do sul e não percebes nada disto. Mas os funcionários públicos têm todos teclados especiais, são tão especiais que as teclas, para não ficarem viciadas, mudam de lugar de 10 em 10 segundos, por isso, quando elas vão carregar no A uma segunda vez, já está no lugar do T. - risada geral - por isso é que ela esperava entre a digitação de cada tecla e ficava a olhar para o teclado como se este estivesse vivo e com medo. É por isso que só usam dois dedos, um de cada mão: têm medo que eles fujam com as teclas. -  e mimou de seguida, para meu espanto com requintes de grande actor, o que a rapariga fez.

Foi um bom escape para a minha irritação.



quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

http://portugalporreiro.blogspot.com/2011/05/137
-funcionarios-publicos-de-portalegre.html
Não me vou alargar muito sobre este assunto, até porque um colega meu no escritório fez de imediato o favor de me corrigir, dizendo que os funcionários das companhias de água, são funcionários locais e não públicos. 

Pois seja qual for a nomenclatura, o efeito e a escola é o mesmo e a verdade é que a maioria dos trabalhadores das repartições de serviços de utilidade pública, são incompetentes para as funções que cumprem, têm demasiados benefícios e trabalham, pouco, ou nada.

No outro dia, fui finalmente alterar o nome da água da casa onde moro, pois, (pasmem-se) enquanto o anterior assinante, não desse baixa, o nome do serviço não podia ser alterado... ou seja, mudámos-nos para aquela casa em Abril do ano passado, mas como o anterior inquilino, não só não deu baixa do serviço, como não pagou alguns dos meses em atraso, nós, novos inquilinos com contrato e tudo, não podíamos colocar o contador em nosso nome! De génio! Então a conversa à quase um ano atrás passou-se assim:

Nós- Como é que fazemos então?
F.P.- A única coisa que podem fazer é contactar o anterior inquilino e fazer com que ele dê baixa do serviço.
Nós-  Mas nós não conhecemos a pessoa e segundo o que o dono da casa nos disse, ele não lhe atende o telefone, pois já deve rendas de vários meses e agora vocês também dizem que ele deve águia de vários meses.
F.P.- Não podemos fazer nada, enquanto ele não pagar o que deve e der baixa, não podemos mudar o nome.
Nós- Então continua tudo na mesma?
E.P.- Pelo menos até a água ser cortada e retirarem o contador. Aí passará a ser assunto de tribunal.

Pois bem! Na passada 4ª Feira, sim, na passada 4ª feira (quase um ano depois), finalmente devem ter dado conta que ninguém pagava aquela água e foram lá retirar o contador. Facto que apenas dei conta, quando cheguei a casa depois do trabalho.

Escusado será dizer que 5ª Feira de manhã às 8h da manhã estava na porta das Águas, numa manhã gelada e cheia de gelo. Às 9h abriram as portas com muito pouca vontade e lá entrei eu para uma sala com dois computadores, onde um dizia: Contratos e informações, numa folha impressa a preto colada no monitor e o outro dizia: Pagamentos, da mesma forma que o outro.

Sentei-me no que dizia contratos, mas mais tarde vim a descobrir que tanto fazia, pois ambos os pc's faziam exactamente a mesma coisa. Explicações à parte, a senhora pediu-me o contrato de arrendamento, eu dei, pediu os documentos, eu dei e começou a preencher as fichas, acto que supostamente o avançado sistema que usam nos PC's deveria simplificar. Deveria! Mas o certo é que a rapariga, vestida com calças de ganga e enfiada num blazer azul de um corte pavoroso, com apenas um botão que parecia que ia saltar a qualquer momento de tão apertado que estava e com pneus a sair de tudo quanto era lado (a culpa não é dos pneus ou do peso da rapariga, nunca colocaria isso em causa, mas sim da roupa que lhe obrigaram a vestir que não era do tamanho dela), demorou perto de 20 minutos a escrever o nome em que o contrato iria ficar e a morada do mesmo.

Isto tudo, porque os ditos funcionários públicos/locais/camarários, cheios de regalias e que se queixam de tudo e mais alguma coisa, não estão qualificados para os lugares que ocupam. A rapariga olhava para o ecran como se olhasse para um palácio, semicerrando os olhos (Será que as regalias não lhe pagam uma ida ao oftalmologista? Acho que sim!) e carregava nas teclas daquele teclado como se fosse obrigada por formação, a utilizar apenas um dedo de cada vez, de cada uma das mãos. E mesmo assim enganava-se e tinha de carregar na tecla do delete, que deve ser a mais gasta de todas.

A meio ainda teve de telefonar para alguém, para perguntar qual era a tecla que salvava. Pasmem-se de novo era o: ENTER! 

O melhor foi quando me disseram que naquele dia ia uma outra empresa (que não eles) sub contratada, ver se estava tudo OK, ou seja, iriam fazer uma vistoria) e que no dia seguinte, me chamariam para assinar o contrato, que ela tinha acabado de redigir e do qual já tinha cópia. Apesar disso tudo, apenas no dia seguinte e depois da vistoria é que se podia assinar o contrato e pagar a caução de 46€.

Que seja! Incompetência e ineficiência são sinónimos de serviços públicos/locais, por isso até destoava se assim não fosse.

No dia seguinte telefonam-me para ir então assinar o contrato e fui. Esperei desta vez perto de uma hora para ser atendida (foi quando percebi que tanto fazia, fazer pagamentos num pc como no outro) e quando finalmente assinei o contrato, perguntei:

Eu - A que horas vão colocar o contador? Precisa de estar alguém em casa?
F.P.- Ah, mas isso só vai ser na Segunda-feira. - (Saltou-me a tampa)
Eu - Como assim na Segunda-feira?! Eu vim cá ontem, já fizeram a tal vistoria, eu já assinei e paguei por um contrato novo e um novo contador, como assim, apenas o vão montar na Segunda-feira?
F:P.- É que a empresa que fez a vistoria é responsável por colocar o novo contador e já passa das 15h, por isso agora só na Segunda-feira.
Eu - Quer dizer que a empresa sub-contratada, ontem foi ao meu apartamento para verificarem que realmente já lá não estava o contador que haviam retirado no dia anterior e agora que eu assinei um contrato que já podia ter assinado ontem, eles têm de lá voltar para voltar a colocar um novo contador?! Não podiam ter feito tudo ontem?! Têm de lá ir 3 vezes para resolver um problema que deveria, podia e devia ter ficado feito numa vez só?!

Não adiantou de nada como é óbvio, apenas tive água na Segunda-feira, pois a empresa sub-contratada, foi  ao meu apartamento uma 3ª vez, com gastos de deslocação de 3 vezes, para fazer aquilo que podia ter feito logo aquando da dita e ridícula vistoria.

Não admira que cobrem 46€ por contrato, afinal de contas há que pagar toda a ineficiência que engorda os serviços públicos/camarários/Locais.


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Ontem, devido a uma constipaçãozinha de estimação que ando a chocar há uma semana, que me dá umas enormes dor de cabeça e musculares, e o nariz com a impressão de estar a ter um ataque de sinusite, enviei um SMS ao Fi a queixar-me de como estava de rastos.

Ele enviou-me 20 mensagens a dizer que me amava, de 20 maneiras diferentes, umas em continuação das anteriores, ou seja:




  1. amo-te
  2. muito
  3. mas mesmo muito
  4. a
  5. m
  6. o
  7. -
  8. t
  9. e
  10. (...)
E assim por diante.

Mas o melhor, não que as mensagens não tenham sido deliciosas, foi mesmo quando cheguei a casa e tinha o quarto-de-banho iluminado por dezenas de velinhas, uma banheira cheia de espuma e um copo de vinho delicioso.

Foi uma boa surpresa. Estiveste bem Fi e também eu te amo muito.


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012


Eu já havia dito algures por aqui que andava com vontade de mudar o look do Blog. 

Pois bem: vontade feita e blog actualizado. Depois da Roupa Velha do Natal heis que o "30 dias para...", surge com roupa nova.Vamos ver se me habituo a ele.

Pelo menos este não tem um formato tão rígido e pode ir mudando conforme o humor, as estações e festividades.

Fica assim, mais parecido com a vida, tal como é suposto ser.

Espero que gostem!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012


Pois bem, de vez em quando lá tem de ser. Tenho de sair da comodidade da minha (In)ergonómica cadeira, do meu lento e insuficiente PC para as necessidades laborais diárias e tenho de me dirigir a um destes pastéis.

Faz parte das minhas funções no meu novo emprego explorar mercados fora das fronteiras para alargar o peso da balança de exportações da empresa e um dos mercados que tenho que trabalhar, é mesmo o mercado Angolano, que me surgiu de imediato, talvez por ter com ele uma afinidade especial.

No âmbito desta minha nova tarefa, tive ontem, que me dirigir até ao Porto para uma conferência sobre o mercado de Angola, organizado pela AICEP.

Já me tinha esquecido deste microcosmo digno de estudo científico, não da conferência em si, mas dos espécimes que acorrem a estas.

Existem 3 tipos, divididos em sub-espécies. Mas vamos falar agora, apenas dos grupos generalistas:
  1.  Os gestores que utilizam todas as conferências, formações e afins para se libertarem dos escritórios e arranjarem uma desculpa para fugir do local de trabalho. Surgem por lá como se fossem a um cocktail, falam ruidosamente de todas as outras conferências a que foram nos últimos tempos, usam como camuflagem, as marcas mais em voga do ano, com fatos e tailleurs de corte impecável e sobretudos irrepreenssíveis, saltos vertiginosos e sapatos reflectores de tanto brilho, com solas quase novas, demonstrando que o andar é uma actividade que se faz da carpete do quarto , para o carro e deste para a carpete de outras salas, ignorando os campos asfaltados, de terra, ou calçada. O ouro surge como o artefacto mais vistoso das sua plumagens, bem como o último grito de I-phones  e Ipads que usam de 5 em 5 minutos, para se fingirem de muito activos e ocupados, como se aquela tarde ali, fosse uma perda de tempo irrecuperável e que ninguém fosse capaz de trabalhar sem eles lá (na realidade apenas estão a trocar imagens e lol's no facebook e outras redes sociais.).
  2. Depois existe uma segunda espécie que surge a passear como turistas, com blasers desportivos, camisa de marca por baixo de um pólo Ralph Loren e calças de bombazine. Mala de computador portátil a tiracolo, como se estivessem no lobby por engano. Chegam em cima da hora e olham para o telemóvel para dizerem como se alguém estivesse interessado: "Afinal ainda cheguei a tempo!"
  3. Os alienígenas: estudantes, gestores e pequenos empresários, que realmente trabalham e fazem falta nos seus escritórios e que escolheram aquele congresso, formação, ou conferência, porque realmente fala de algo que precisam mesmo conhecer melhor.
As duas primeiras espécies partilham nas suas conversas pontos comuns interessantes:
  • Utilizam palavras e expressões em Inglês e Francês, como se no léxico português não houvesse palavras suficientes para exprimirem o que querem dizer. 
  • Mentem com todos os dentes sobre os negócios que fazem e de quanto facturaram no último trimestre.
  • Falam sobre as previsões que nunca fizeram, mas que têm a certeza que irão acontecer, pois nunca se enganam e os mercados não têm vida própria para eles.
  • A crise veio mas não os afectou e vão fazer umas férias no Carnaval, talvez para a neve para não destoar. Na Páscoa prevêem ir até algum paraíso tropical, para não estarem brancos para as férias do Verão e porque estiveram nas grandes cidades "civilizadas" para as compras de Natal (leia-se: Londres, Paris, Nova York) e não vão repetir destinos.
Ainda hoje estou para perceber como é que eu vim parar aqui! Todas as opções que fiz aos 16 anos vieram mesmo a revelar-se falácias enormes sobre a minha personalidade. A minha profissão agrada-me, mas não me completa e não é de todo o que eu amo. Não me revejo neste meio, nestas pessoas.


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012


Apenas porque vejo muitos comentários em outros blogs, a avisar que o novo acordo ortográfico é para ser respeitado e que quem escreve publicamente deve ter particular atenção ao mesmo, aqui fica um aviso, para evitar que tentem sequer deixar neste espaço uma mensagem deste tipo.

O blog "30 Dias Para..." começou a ser escrito em Português e irá para sempre ser escrito em português. Se a maioria dos outros vendidos, quiserem alterar a sua forma de redigir para algo que é um misto de português com uma outra língua, nunca antes oficializada que é o brasileiro, estejam à vontade. Por aqui, e pelo direito da liberdade de expressão, eu continuarei, para todo o sempre a escrever em PORTUGUÊS.

Na minha opinião, quem quiser falar português fala, quem não quiser, que mude de língua, mas eu não tenho que me adaptar aos outros. No "30 Dias para...", as consoantes mudas, continuarão a ser escritas bem como o seguinte:


  1. Os verbos da 2ª conjugação, 3ª pessoa do plural, do presente indicativo ou do conjuntivo, vão continuar a levar acento circunflexo, por isso; Crêem, Vêem e afins continuaram a ser escritos desta forma sem perda do belo acessório na primeira vogal, servindo para separar e determinar as sílabas.
  2. As palavras graves com ditongo oi, continuarão a levar acento (acho que era a única portuguesa a achar que asteróide leva acento.
  3. Acento grave para palavras homógrafas: Para (preposição) não é o mesmo de Pára (verbo Parar).
  4. Mini-saia, não é uma palavra só.... fica linda hifenizada e continuará a sê-lo por aqui, na companhia dos anti-qualquer.outra.coisa...que não merecem ser tornados numa palavra por si mesmo, mas sim, única e exclusivamente, como oposição de outra que seja positiva..
  5. Ligação da preposição de com formas monossilábicas do presente do indicativo do verbo haver, vão continuar a ser interligadas com o hífen: Hei-de; Hás-de, Hão-de, pois sem ele parecem divagar perdidos no meio do texto.
  6. Os dias da semana e meses continuam a ter direito a tratamento especial e continuarão a ser escritos com maiúsculas, bem como os pontos cardeais, que o Este não tem culpa que o Oeste seja preguiçoso.
Pronto, já disse o que tinha a dizer. Quem quiser ler, lê, quem não quiser tem bom remédio.

Fiquem bem.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012


Quero antes de mais desejar um excelente 2012 a todos, mesmo todos.

Que este seja um ano em que a compreensão e a união entre todos, permita construir algo melhor, algo mais perto da perfeição. 

No entanto e tendo como certeza a insatisfação crónica inerente ao ser humano quero deixar aqui uma frase que eu repito muitas vezes, inspirada por tantas outras que já li, mas que tornei minha:

"A perfeição apenas existe, durante o hiato em que demoramos a encontrar uma falha!"

Por isso só temos de tentar, tentar de novo e tentar mais uma vez e continuar a tentar.

Feliz 2012! 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011


Estava a passear e vi este vídeo do IKEA. Esqueçam a publicidade, mas liguem à mensagem que dá mote a todo o anúncio.

Se na vida dermos lugar às coisas grandes, e finalmente continuarmos a colocar o que interessa menos nos espaços que sobram... talvez tenhamos mais tempo, sentimentos mais arrumados, prioridades mais ordenadas.

Gostei....

...Gelada e com a relva toda branca, foi assim o início de mais uma semana depois do Natal. (irei colocar aqui fotografias da mesa com a sequência dos acontecimentos, como realmente aconteceram... Não foi muito diferente da minha antevisão!).

Tive de vir trabalhar, mas o caminho até ao trabalho, apesar de estar um frio de rachar, foi um prazer para os olhos, pois não havia relva que não estivesse pintalgada de gelo branco.

Não é Neve, mas é igualmente bonito.



sexta-feira, 23 de dezembro de 2011




Hoje, às 5h da manhã:

- Amor, aonde colocaste o carro?
- São 5 da manhã...
- Eu sei! O carro?!
- Na garagem, porquê?
- Porque é o carro do teu pai...
- Desculpa, não me lembrei.

Hoje 7h da manhã:

Levanto-me da cama, vou para a cozinha, retiro o peru do congelador, coloco-o num banho de imersão com folhas de louro e rodelas de limão e laranja.

Hoje 7:30h da manhã:

- Vais ficar na cama?
- Estou de férias.
- Ah pois é! Vou beber café...queres?
- Estou a tentar dormir.

Hoje 8:30h da manhã:

Eu sentada a beber café e a fazer a lista do que falta.

- Não vais trabalhar?!
- Vou já vestir-me estou só a fazer a lista.
- Tu e as listas...
- Mesmo assim, falta sempre qualquer coisa.
- O perú já está a marinar?
- Não está apenas de banho para descongelar... marino quando chegar à tarde.
- O tipo tem sorte... tem direito a SPA... banho de imersão, massagem de marinada e para terminar, um bronzeado...

Engasguei-me com o café de tanto rir!


quarta-feira, 21 de dezembro de 2011


Bem... por onde começar?! Vamos pelo início.


  1. Sogros chegam para jantar pouco antes das 20h
  2. São recebidos com um copo cheio de Natal (Traduzindo: 1 cheiro de groselha num flute, com uma amora e champanhe semi-doce).
  3. Na aparelhagem vai estar a tocar uma compilação de cd's de Natal escolhidos por mim,  que o Fi está a fazer.
  4. Para petiscar: salgadinhos, patés, queijos, pão quente, frutos secos
  5. Coloco o Bacalhau a cozer, faço o molho de azeite refogado, com muita pimenta branca, verifico a cozedura das batatas e do grão, coloco as couves e os ovos.
  6. No forno estará a perna de peru a terminar e o cheiro já se estará a misturar com o cheiro dos doces, já confeccionados e empratados. Nas panelas, já terminados, estarão o recheio de castanhas e o arroz de miúdos para acompanhar. (Será só aquecer, caso fique frio.)
  7. Sentamos-nos à mesa por volta das 21:30h. (hora a que o bacalhau e companhia estará terminado).
  8. Irão todos elogiar a minha linda mesa, que já foi ensaiada duas vezes (Estará perfeita, vão ver!)
  9. Abrirão a lembrança que deixei em cima dos pratos.
  10. Agradecimentos
  11. Os pratos vazios das lembranças ficarão cheios de comida.
  12. Deliciamo-nos com o bacalhau (Espero que fique no ponto!)
  13. A conversa correrá com o vinho, provavelmente sobre tradições e costumes do Natal, de como era nos velhos tempos e eu ficarei alegre por aprender mais e mais e muito mais, sobre esta quadra.
  14. O Fi abre novas garrafas.
  15. Terminaremos o primeiro prato, por volta das 22:20.
  16. O Fi será o primeiro a levantar-se para me ajudar a levar os pratos para a cozinha (desculpa para ir fumar, pois ele não fuma à frente dos pais).
  17. Eu levantarei o resto e quando o Fi voltar à mesa para fazer companhia ao pai, a mãe virá ajudar-me a levar o peru e acompanhamentos para a mesa. Entretanto eu lavo e seco os pratos para serem usados de novo, pois só comprei 6 e somos 4, mas são perfeitos para a mesa que vou fazer.
  18. Sento-me à mesa, às 22:40 mais tardar, senão a fome foge.
  19. Comemos o peru e companhia, fazendo o Fi o papel do Homem da casa, trinchando a carne.
  20. Espero que todos gostem
  21. Mais vinho, mais conversa.
  22. 23: e qualquer coisa: hora de servir a sobremesa (Ainda não decidi o que vai ser. Será um doce de colher, isso é certo! Talvez uma mousse de chocolate preto e branco, ou então umas farófias. São dois doces, cujas cores combinam com a decoração)
  23. Cafés com chocolate e Vinho do Porto.
  24. Troca de mesa para os doces. Enquanto eu lavo a loiça.
  25. Fi serve whisky para si e para o pai e sentam-se no sofá.
  26. Espero que a música ainda continue e que não se tenha que repetir.
  27. Mais conversa, mais comida (Doces! Muitos! É só um dia!)
  28. 24:00h - Distribuição de Presentes
  29. Agradecimentos, beijos, sorrisos, amor sentido e partilhado (não pelas coisas físicas pois não terão grande valor, mas pelas intenções).
  30. Mais comida.
  31. Beijos e combinações para o almoço do dia seguinte na casa do irmão da minha sogra. Adeus! Boa noite!
  32. Eu e o Fi abrimos a última garrafa de champanhe. Dou-lhe um presente especial, que apenas a ele pode ser entregue.
  33. Com um pouco e jeito, não sentirei falta dos meus meninos.
  34. Feliz Natal!




terça-feira, 20 de dezembro de 2011


Um Blog que eu sigo e respeito, pois geralmente os problemas são colocados de forma pertinente e bem-disposta, colocou um comentário sobre um comentário do nosso Primeiro Ministro, que podem ler Aqui.

Eu creio que por vezes as pessoas gostam de viver num mundo de bolas de sabão, serem enganados e acharem que está tudo bem!

Desta vez não concordei nada com o comentário e o debate vai animado, como podem ler uma pequena amostra a seguir:


De Iris Restolho a 20 de Dezembro de 2011 às 14:24
Eu peço desculpa em discordar contigo.

“Estamos com uma demografia decrescente, como todos sabem, e portanto nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que, das duas uma: ou consegue nessa área fazer formação e estar disponível para outras áreas ou, querendo manter-se sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado da língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa”, explicou.

Não há nada nesta afirmação que não seja a mais pura verdade. Todos em Portugal que tiram um curso vão para professores e havendo cada vez menos crianças, lugares para professores não vão multiplicar.

Neste caso específico, o homem falou bem! Muito bem mesmo!



De Jorge Soares a 20 de Dezembro de 2011 às 14:59
Não tens que pedir desculpa... a tua opinião é tão válida como a minha, de resto eu estou de acordo contigo e com a Suspeita em quanto aos professores, o que não é acho é que seja de bom senso um Primeiro ministro mandar as pessoas emigrarem....

Porque não toma ele nenhuma medida para impedir que os cursos de educação continuem a crescer como cogumelos?

Jorge



De Iris Restolho a 20 de Dezembro de 2011 às 15:52
Eles não têm crescido, as pessoas é que acham que é a única solução.

Mas agora vais dizer que a culpa é da oferta?! Quem procura não sabe o que vem a seguir? Que futuros professores são estes que não percebem que o pais tem cada vez menos crianças?

Se calhar ele podia dar um incentivo à Natalidade. É que essa é a única solução para o problema, quem sabe com um patrocínio de uma farmacêutica, ele não oferece um comprimido azul a todos os homens neste Natal!

E repara que ele apenas sugere a saída de Portugal a todos aqueles que acham que são professores e nada mais, porque o que ele sugere primeiro é que se especializem nas suas áreas noutras vertentes que não o ensino.

Está tudo lá naquele pequeno parágrafo que eu transcrevi, palavra por palavra... apenas para os teimosos, andem, procurem aonde podem encontrar.

O que me faz espécie é a generalização. Falou-se de um caso concreto, específico e problemático há vários anos. Ele não pede a todos para emigrar, se o fizesse iria estar a contribuir para o aumento do buraco de produtividade português.

A generalização faz com que a opinião das pessoas se altere por completo, quando na realidade o que foi dito, foi quase uma verdade de La Palisse.

Não existe solução quando quem teima em não encontrar a solução são os que escolhem os cursos.

A culpa não é da oferta, a culpa é da procura.


Estou no trabalho a negociar prazos de entrega, a confirmar tabelas de preços e a negociar descontos e condições de pagamentos e só consigo pensar que ontem não fiz os embrulhos todos e sonhei com bolos queimados e bacalhau salgado na consoada.

Preciso de comprar as toalhas para as mesas, para ver se sossego! Ando a adiar este item da minha lista e ainda não percebi porquê!

Ai Natal, eu adoro-te, mas dás comigo em louca! Todos os anos digo isto e todos os anos se transforma numa verdade absoluta.

Haja Santa Loucura.


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011


O sol ainda tentou dar o ar da sua graça no fim do dia, mas assim que se pôs, o dia ficou negro e terminou em grande.

Há dias que são perfeitos na sua imperfeição, ontem foi um desses.

Como o Fi diz:

"Cada um tem o que merece!". 

Pelos vistos eu mereço!


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011


Há dias em que a ansiedade é tão grande, que tudo parece não estar à altura das expectativas.

Queremos um beijo e temos o beijo, mas o beijo não sabe ao beijo que queríamos. Queremos um café e tomamos um café, mas o café tem sabor diferente. Queremos um escritório quentinho e este está um gelo (mas este está mesmo). Queremos mais uns minutos na cama com ele e, ele está ausente, já se levantou, nem se deitou ainda. Queremos receber um determinado email de confirmação e há vários emails, mas nenhum é um dos que queremos.

Colocamos a fasquia do dia tão alta, que só podemos mesmo ficar desiludidos. Não existem dias perfeitos e este está a passar ao lado de qualquer dia que se aproxime (nem que seja por engano) da perfeição.

Talvez melhore, afinal ainda agora começou, mas está complicado, muito complicado.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011




Eu quero, mereço e está na altura certa de experimentar a alegria de ser mãe.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011


Dar desculpas para aquilo que nos é natural ou que nos está, de certa forma, inerente, é o equivalente a "Tapar o sol com a peneira!" (Isto na falta de inspiração para uma metáfora mais original).
O primeiro passo para o contínuo melhoramento e crescimento pessoal é admitir, antes de tudo que o que somos é um produto de nós mesmos, sem intervenções externas de qualquer tipo. Ou seja, utilizando mais uma metáfora gasta: "Não é por conviveres com criminosos, que passas a roubar!" Só o iremos fazer, se o quisermos e se esse comportamento nos for natural.

Por vezes, atribuimos os nossos comportamentos ao meio que nos rodeia e às situações que temos de viver (e lá vem mais uma metáfora velhinha: "Em Roma sê Romano!"), mas na realidade, estas apenas têm tendência a mostrar as nossas verdadeiras cores, ou fazer (para terminar este post em grande) "Estalar o verniz!".









segunda-feira, 5 de dezembro de 2011



Já poucas são as vezes em que o Mundo da Fantasia que era só nosso, criado por nós e para nós, integra as nossas conversas, infelizmente agora, apenas telefónicas.

A nossa última conversa foi nestes termos:

- Tia!
- Sim, meu amor!
- Ele é tão giro!
- Ele quem, fofa?!
- O J.B.! - mudei as iniciais, mas eram duas, parecidas a estas. Perguntei o que significavam e ela disse o primeiro e último nome do rapaz. Pareceu-me prometedor, como qualquer outro nome!
- E é teu colega?
- Sim! - silêncio - É alto e lindo! - silêncio - Tem um cabelo bué fixe!
- E é esperto, boa conversa?
- É o único que joga futebol no ATL. - suponho que seja igualmente importante, pois "Quem sai aos seus não degenera!"
- E são amigos?
- Claro tia!
- E vocês conversam, falam um com o outro? - a noção de amizade dos miúdos destas idades é um pouco confusa.
- Ele é tão giro, tia! - suspira fundo.

Eu aqui a morrer de saudades dos nossos momentos pré-Natal e ela armada em pré-adolescente.

Ai!

Será possível que os tipos do PS continuam a querer enganar tudo e todos, mesmo longe do governo?

Livra que praga! Estes tipos são pior que sarna.

http://economico.sapo.pt/noticias/da-almofada-ao-excedente-qual-excedente_132963.html

quinta-feira, 24 de novembro de 2011




Ao reler o meu blog, fartei-me de rir com uma troca de comentários, respeitante à seguinte mensagem: Medo.

Que saudades que eu tenho das palermices que eu e tu inventávamos.

Relembro-a aqui de forma a que partilhem comigo a boa disposição.


tragofadonossentidos disse...
Já dizia a minha avó, q coitadinha já morreu, q quem tem derriére (ela n dizia, exactamente, derriére, m eu sou uma pessoa bem educada e...) tem medo e é bem verdade. Mas tb é verdade q comparando em termos internacionais vivemos num paraíso e q n podemos permitir q este tipo de situações controlem a nossa vida.

Só nos acontece o q tem q acontecer (seja de bom, ou de mau) e tem sempre um objectivo: O de nos fazer aprender algo q nós precisávamos p melhorar.

Contudo, c os pendentes boicotes aos JO de Pequim, n me admirava nada q elevassem o carjacking à categoria de desporto olímpico.
Iris R. Costa Barroso disse...
É que o nome sugere um daqueles despotors género Rafting, skating, hiking, carjaking,Tricking, Snorkeling, Bungee jumping, Sky diving.

Vês, nem se dá por ele na lista.

Vai na volta... ainda criam escolas de sucesso, onde os telemóveis serão permitidos, sobretudo se forem dos donos do carro, aonde se irá proceder a restante aula, aonde darão disciplinas como:

Código da estrada - Conhece o inimigo para o poderes vencer.

Condução Evasiva - Curso adiantado

A biologia do corpo humano e as suas reacções a extremas velocidades.

Comunicação Oral - Como intimidar de forma eficaz o dono do carro.

Mecânica - Curso avançado em Engenharia

Tiro - Como não te atingires a ti mesmo. (esta cadeira pode ser substituída por um relatório de 100 páginas sobre a Televisão, a sua programação e a acção na sociedade.

Ginástica - Mente sã em corpo são.

Ioga - mantém a calma enquanto tiras a dos outros.

Que te parece?
tragofadonossentidos disse...
Excelente oportunidade de negócio. Como não pensámos nisso antes.

Uma escola dessas ia ser um verdadeiro sucesso.

Uma outra opurtunidade é fazer uma empresa de eventos especializada em eventos desportivos. Sempre podíoamos fazer um evento de carjacking no Pav. Atlântico, assim uma coisa do tipo do Wrestling.


Hoje de manhã senti a falta de um rebuliço que há pouco mais de um ano, já não me é comum. Senti a falta da lufa, lufa de preparar a minha sobrinha para a escola, do longo caminho que fazíamos as duas, por estradas misteriosas, cheias de Dragões mágicos que ela matava com uma espada espiritual e do charco dos sapos mal-cheirosos e de outros lugares, caminhos e recantos que rebaptizamos, apenas com o intuito de transformar o banal e cansativo caminho para a escola (que fazíamos a pé, sempre que não chovia), numa aventura mística e magnífica, que ainda hoje, ela com 10 anos feitos, se recorda.

Talvez por isso, me tenha recordado de um momento especial do crescimento dela, um momento que eu tive a o privilégio de assistir em primeira mão e por isso, volto a colocá-lo aqui para também vocês se recordarem.

Estava uma solarenga manhã de Primavera e eu observava de longe e sem dar nas vistas, a azáfama da minha pequena sobrinha. Enquanto arrumava o quarto, fazia a cama e limpava o pó, a pequena menina de cabelos longos e dourados, parecia uma formiguinha, de um lado para o outro da varanda (o seu espaço de brinquedos); mexendo e remexendo, virando os cestos de cabeça para baixo e voltando a enchê-los com os mesmos objectos coloridos espalhados pelo chão, pela força da gravidade.

Era mais que óbvio que ela procurava algo, talvez um brinquedo com o qual sonhara, ou que alguma coisa a havia feito recordar. O certo é que estava decidida a encontrá-lo e continuava, numa busca metódica, na senda do objecto misterioso.

- Precisas de ajuda? - Pergunto solícita.
- Não tia! Obrigada! - A resposta foi tão seca e pronta que coloquei a hipótese, de também ela, não ter a certeza do que procurava.

Continuei com os meus afazeres, mas os meus ouvidos continuaram atentos à lufa-lufa ruidosa. Por vezes, ouvia-a suspirar, ou resmungar algo entre dentes e depois, quando estava prestes a chamá-la para irmos para a escola, o silêncio instalou-se.
Disse-me o meu instinto, que quando se trata de crianças, o silêncio nunca é bom sinal e preparava-me para ir ver o que se passava quando ouvi uma sonora gargalhada de satisfação, um Ah! Ah! de missão cumprida. Sorri ainda antes de ver o seu semblante angelical de enormes olhos pestanudos, avançar para mim, com uma confiança readquirida.

- Ainda demoramos muito, tia? - Perguntou ao esconder algo no bolso lateral da mochila laranja.
- É só vestires o casaco. - Sorri-lhe e ela obedeceu com o meu auxílio.
- Podemos tomar um café, antes de irmos?
- Sim, temos tempo. Respondi desconfiada. Fosse o que fosse que procurava, tinha utilização ao ar livre.

Descemos os três andares, apenas trocando olhares cúmplices e sorrisos. Ela, tagarela por excelência, não disse uma palavra durante o percurso feito de elevador. Assim que chegámos ao R/C, correu para a porta perguntando, enquanto abria:

- É um café, não é? - Acenei que sim, tentando conter a minha curiosidade.
- Não corras! - Disse antes de a porta do prédio bater com estrondo. "Já era hora de arranjarem a mola!" - Pensei, ao precipitar-me para a rua, pois ficar sem ver a minha bebé, era algo que não me deixava confortável.

Quando cheguei ao café, (ainda a vi a correr para lá), já ela transportava, vitoriosa, a chávena para uma das mesas. Cumprimentei as pessoas que lá estavam e sentei-me para beber o líquido quente e energizante.

- Posso ir lá para fora? - Pergunta-me com os olhos brilhantes e expectantes.
- Mas não saias aqui da frente. - Recomendo e ela corre lá para fora com algo na mão, deixando a mochila em cima duma cadeira.

Olhei-a atenta, finalmente iria descobrir o segredo que me escondia. As suas mãos pequenas, seguraram em dois punhos amarelos, enquanto, com uma graça de serpente encantada, uma corda caiu no chão. Era um pouco grande, pelo que enrolou uma volta em cada mão e devagar, fez várias tentativas de rotação. Em menos de um minuto, a corda já passava por cima da sua cabeça e batia no chão, num movimento rotacional que seria perfeito, se não fosse, invariavelmente, interrompido pelos seus pés trapalhões, que se recusavam a sair do chão, quando a sua mente mandava.

Mudou de estratégia. Respirou fundo, deixou a corda quieta e pulou cinco vezes, apenas para verificar se não havia nenhuma pastilha elástica pegajosa, deixada por um qualquer duende brincalhão, que a estivesse a impedir de saltar, como se via a saltar na sua cabeça. Olhou mais uma vez, desconfiada, para a sola dos ténis e desviou-se, perto de um metro do local onde estava. A corda voltou a girar e desta vez, passou por completo, batendo 1, 2, 3 vezes no chão, antes de encontrar, de novo, os seus pés preguiçosos. Balbuciou qualquer coisa e recomeçou, desta vez, mais devagar. 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, e de novo os pés.

- 1, 2, 3... - Ouvia-se a sua vózinha ofegante, mas muito concentrada. - 6, 7, 8, 9, 10... - A sua cara soltou-se e esboçou um sorriso de contentamento. - 13, 14... - Uma gargalhada. - 16, 17, 18... - Um gancho cai no chão. - 19, 20.

Pára cansada do esforço. Recupera o fôlego com inspirações rápidas. Tenho vontade de ir dar-lhe os parabéns, mas sei que nestas ocasiões, ficamos sempre atrapalhados, queremos mostrar a nossa façanha e nunca a conseguimos repetir. Sei perfeitamente, o quão frustrante essa sensação pode ser, por isso, deixei-me ficar sentada, lutando contra a minha vontade. Ainda podia dar mais quinze minutos e ela parecia tão feliz!
Em pouco tempo recomeça. Eu tiro o telemóvel da mala e começo a filmar.

- 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10... - E ri-se eufórica. - 13, 14, 15, 16... - Uma gargalhada, esta bem sonora. - 20, 21, 22, 23, 24... - Olha pelo vidro do café e confirma feliz que eu estou a ver. - 30, 31, 32, 33, 34, 35. - Parou. Correu para os meus braços, transpirada, desfraldada e despenteada. - Viste, Titi? Viste?! - Acenei que sim e dou-lhe um beijo na testa, ao mesmo tempo que lhe componho a roupa e o cabelo.

- Muito bem! Saltas muito bem! - Coloco-lhe a mochila às costas.
- Ao princípio, não conseguia, mas agora é fácil. Antes era ainda bebé, era pequenina, tinha 4 anos. Mas agora já consigo.
- Pois! O importante é não desistir. Quando não se consegue à primeira, respiramos fundo e voltamos a tentar, tantas vezes, quantas forem necessárias. Nunca se desiste.
- Pois não tia! Eu não desisti.


terça-feira, 22 de novembro de 2011


Sei que muitos já viram a reportagem da SIC no passado Domingo (e que podem encontrar aqui) e muitos já leram sobre este assunto na blogosfera, que muito ajuizadamente, foi fazendo a sua crítica ao que viram.

Algo tornou-se notório: os pais não compreendem como é que existem crianças pré-adolescentes que saem à noite e que chegam depois da meia noite. Aonde arranjam os miúdos o dinheiro para as bebedeiras? Pronto está bem, eles recebem mesada que podem poupar, não almoçando um dia e não comprando o livro para o qual pediram mais 20€. Mas como saem eles de casa? Como ficam eles fora de casa até de madrugada sem que sofram qualquer consequência desse acto?! 

Apenas acontece porque os pais o permitem, porque numa sociedade despegada dos laços familiares, é mais fácil permitir a liberdade dos putos, em troca de mais uma noite com o novo namorado, ou um jantar com os amigos.

Não sei se repararam numa parte da reportagem, onde eles dizem que os miúdos apanhados faziam parte de famílias abastadas. Claro! Os mais pobres não têm dinheiro para sair quanto mais para deixar os miúdos perderem-se daquele modo! Agora pergunto: Os pais mais abastados acham que é moderno este tipo de educação? Deixá-los libertos e sem barreiras em troca de terem mais tempo próprio, em vez de tempo de família e para dizerem que têm filhos muito adultos e emancipados que tomam conta deles sozinhos??!

Reparem, como já disse numa outra mensagem neste blog, eu sou contra a infantilização dos jovens e acho que existem formas de os tornarem mais donos de si mesmo, mais adultos, mas com toda a certeza que não é deixando-os sair para se embebedarem com os amigos nas noites das diversas cidades.

Acho engraçado que miúdas de 13 anos, como as entrevistadas no início da reportagem, estejam para ali a beber sozinhas perdidas na noite e se for preciso não sabem como é que se faz uma torrada, ou uma panela de arroz. Provavelmente a maioria dos putos apanhados naquela reportagem, não fazem ideia de como é que se muda uma lâmpada ou um pneu, ou sequer como é que se acende uma fogueira, mas estão para ali, armados aos píncaros, super contentes numa alegria embriagada que alimenta uma ilusão de que são adultos e capazes, quando, na realidade, se de um dia para o outro só contassem com eles mesmos, morreriam à fome, de frio, e de estupidez.

Prefiro educar um "Betinho", que no caso de uma guerra, um holocausto, ou de me acontecer alguma coisa, saiba como sobreviver, estar e refazer a sua vida, do que educar um inútil estúpido, incapaz e mente capto, como os que foram entrevistados naquela peça e que vejo pelas vielas das ruas, cada vez que saio à noite. Mesmo que isso signifique ter de sair menos, ter menos tempo para mim. Isso é ser pai, isso é ser educador.  Passar os conhecimentos que adquirimos ao longo de uma vida ao nosso rebento, até mesmo o acto de beber. Beber socialmente, beber para uma recriação, beber por um prazer educado do paladar.

Percebam mais uma vez; eu não tenho nada contra o álcool. Sou a primeira a apreciar um copo de vinho às refeições, um Martini para aperitivo e de amar uma Queimada Galega numa noite fria de Inverno, de beber ponche quente, quando estou constipada, ou apreciar um bom vinho licoroso com, ou depois do café no fim de uma refeição, beber um vodka numa noite especial, beber uma cerveja gelada no Verão numa explanada. Mas eu sou adulta, aprendi a apreciar os diversos sabores e mais do que o sabor, ou o efeito secundário da sua ingestão, saber apreciar o momento em si e não a bebida.

Eu com 13 anos não brincava com bonecas, nem perto disso, era muito adulta para a minha idade, mas a primeira vez que bebi, foi com os meus pais....aos 14 anos, um dedo de Martini antes de um almoço de festa e uma flute de champagne no final para comemorar.

Sair à noite, só depois de ter começado a namorar, com o conhecimento dos meus pais aos 15 anos e mesmo nessa altura, porque podia entrar nos bares sem me pedirem identificação porque parecia ter 18 anos, bebia um vodka com laranja, ou limão que durava toda a noite! Mas note-se, à meia noite tinha de estar em casa e verdade seja dita, não havia nada que eu pudesse fazer depois da meia noite, que não pudesse fazer antes das doze badaladas.

Mas desta forma a minha mãe dormia descansada e podia voltar a sair na semana seguinte.

Aprendi com os meus pais a beber socialmente, a beber um copo de vinho às refeições, um aperitivo antes, e em noites de festa bebo até que me rio de coisas parvas... acabou. Ainda estou a ver tudo, dou conta da profundidade, não tropeço, não enrolo a língua, apenas fico mais desinibida... é tudo e não passo disso.

Apanhei uma bebedeira quando tinha 8 anos, pois a minha mãe usava anis para bolos e pudins e eu gostava do cheiro. Um dia cheguei ao carro das bebidas, cheirei e bebi...era doce, sabia a xarope para a tosse e a rebuçados, não faço ideia quanto é que bebi, mas fiquei mal disposta e comecei a vomitar. A minha mãe nunca mais deixou as bebidas desprotegidas até termos 13 anos.

Não percebo como é que uma criança com menos de 16 anos chega a casa depois da meia noite... não entendo! Sinceramente não entendo.

Passei muitas noites na minha adolescência longe de casa, fora da minha caminha quente, mas era porque ia acampar... com os escuteiros.


segunda-feira, 21 de novembro de 2011




Li numa notícia na Exame/Expresso, algo assim:

Na 'guerra dos sexos', as mulheres lideram a poupança no dia-a-dia: "As mulheres, mais do que os homens, hesitam em fazer compras mesmo quando são necessárias, adoptam mais comportamentos de poupança em casa, compram menos sem comparar preços, embora tenham mais prazer no ato de comprar", lê-se nas conclusões deste trabalho desenvolvido por uma equipa de investigadores do ISCTE, sob a coordenação do Professor António Caetano.

Outra revelação feita é que "poupar motiva a poupar mais (é preciso é começar) ", visto que, "para os que já poupam, os resultados revelam um aumento da facilidade em fazer todos os meses uma poupança para a reforma (10,5% em 2008 e 19,2% em 2011) ".Para os que ainda não poupam, os resultados sugerem um agravamento na dificuldade em o fazerem (62,4% em 2008 e 83,3% em 2011).

Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/portugueses-insatisfeitos-com-niveis-de-poupanca-para-a-reforma=f689191#ixzz1eL0yuFWN

Não pude deixar de me recordar de um livro que li o ano passado do Ivo Andrić (prémio Nobel da Literatura); "A Velha Menina". Se a personagem principal desse livro é uma personificação de uma pessoa real, ela terá sido, ou é a materialização desse mesmo estudo, levado ao limite: Quanto mais se poupa, mais se quer poupar, como se fosse um jogo que ganha quem conseguir fazer melhor do que já fez. O jogo levado ao limite, jogado continuamente e em todas as acções e pensamentos.

Achei engraçado lembrar-me do livro e da personagem. Se tiverem oportunidade leiam a história, é interessante. Eu li-o em Inglês e não tenho a certeza que haja versão portuguesa, apesar de me recordar de ter visto o título numa daquelas colectâneas de revistas e/ou jornais sobre escritores que tenham ganho o Prémio Nobel da Literatura.

Fica aqui feita a sugestão!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Quero voltar a falar-vos do tempo, não do tempo na forma de tortura no outro post que escrevi há dias, mas sim daquele tempo que tudo cura, que tudo faz esquecer.

Sei que é prática comum dizer-se isso, mas será que cura mesmo?! Ou apenas nos entorpece a memória de forma que olvidamos o que nos magoa, mas que continua lá, escondido, à espreita até que uma palavra, um conjunto de palavras, uma frase, mesmo que dita com as melhores das intenções, vai rebuscar essa memória escondida e adormecida e nos faz recordar o porquê das coisas terem demorado tanto tempo.

Alguém que já me foi muito próximo, felicitou-me pela minha felicidade e sei que as intenções eram boas, são boas, ela é uma boa pessoa, uma pessoa de quem sempre gostei apesar de tudo o que diziam e por quem tinha um carinho muito grande (mas eu sou assim, agarro-me demasiado às pessoas). Mas nas boas intenções que eu agradeço, estavam as palavras que fizeram dispultar a recordação dorida de um passado que me fez mal, muito mal.

Ela congratulava-me por eu ter sido capaz de refazer a minha vida, por ter conseguido apaixonar-me de novo (tema de uma das minhas últimas mensagens), apesar do tempo que demorei e eu tive que lhe responder, não aguentei o silêncio e a resposta não foi um agradecimento! Tentei, juro que tentei, mas o nó na garganta era grande de mais para não o fazer e respondi assim:

Por vezes o tempo é necessário...sobretudo quando toda a vida desde a adolescência foi dedicada apenas a uma pessoa, a pensar apenas no seu bem, na sua felicidade e negligenciando tudo o que me dizia respeito apenas em prol do bem de quem me era querido.


As coisas não resultaram e eu fiquei sem me conhecer a mim própria pois passei a ser apenas uma mera sombra daquilo que o outro queria que eu fosse. 


As coisas não são simples, as feridas custam a sarar e conseguir entregar-me passou a ser missão quase impossível. 


Impossível, porque quando não nos conhecemos a nós mesmos e quando apenas conhecemos uma única coisa e nada mais, quando somos somente produto do ser dominante da relação e um produto defeituoso, porque foi criado de forma incorrecta, não somos automaticamente capazes de o deixar de ser de um momento para o outro. 


Mas o tempo cura tudo... apenas demora muito.

Continuo feliz, sobretudo porque sei que ultrapassei de vez o meu síndroma de inferioridade tão amplamente alimentado pela pessoa em questão e sei que sou muito mais, que sou algo que ele nunca me havia deixado ser, algo muito melhor, algo verdadeiro e não uma fotocópia mal tirada. 


Mas eu agradeço que me tenham feito recordar, porque foi nessa dolorosa recordação que eu consegui perceber, que agora sou aquilo que nunca havia sido: Feliz! 


E o tempo ajudou.... Oh se ajudou!



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