Por vezes eu apenas acordo assim, melancólica com pensamentos pesados, um pouco mais escuros do que os habituais. Geralmente. Acordo num dum dia de chuva, mas hoje nem isso, apenas na minha alma chove.
Já me perguntei o porquê desta negritude, o porquê deste “Blues” arritmado, que aparece sem compasso, despido de “Beat” e a resposta surge sempre tímida, emitida por um moribundo sussurro e, implacavelmente, sem sentido.
São dias em que a morte surge como pensamento central, não como um desejo, longe disso, mas mais como um problema que deve ser resolvido, percebido, dissecado. Pequenas coisas, quase nada, coisas em que ninguém pensa, acho eu. Como por exemplo, quero uma campa e um caixão?! Algo onde mais tarde alguém poderá ler quando é que eu nasci, quando morri e quem é que vai sentir saudades de mim, ou se quero ser cremada e que lancem as minhas cinzas no ar, onde simplesmente o meu corpo volta rapidamente para a terra que lhe deu forma, sem passar por todo o processo de degradação e decomposição que me parece tão pouco glamoroso, sujo. Coisas como se devo deixar os meus últimos desejos escritos, deixar destinado aos meus amigos os meus parcos bens, ou se simplesmente devo confiar no seu bom-senso.
Sei que não são pensamentos normais, mas que me atingem como flechas nestas manhãs e que me acompanham ao longo de todo o dia, mas que felizmente terminam quando me deito, sem ter chegado a nenhuma solução, simplesmente porque não imagino a vida de quem me rodeia sem mim e tomo a decisão de continuar a fazer todos os possíveis por me tornar imortal.
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