Mostrar mensagens com a etiqueta Risco. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Risco. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

 

ROSA-COSTASEla desabotoa as calças cinzentas com listas pretas que vestia e deixa-as cair, sentindo o suave tecido acariciar a sua pele nua. Sente-o sorrir, se é que isso é possível, e sorri também. Levanta os pés, suavemente, um depois do outro e vê-se livre, com uma displicência controlada, daquela peça de vestuário, empurrando-a para debaixo da cama. Ela nada mais faria, tudo o que se passasse a seguir seria da autoria dele.

Ele sabia que era a sua vez de agir, havia chegado o momento e convinha a si mesmo, não prolongar mais aquele hiato. Levantou o seu braço esquerdo e com a mão desse mesmo lado acaricia o fino pescoço que a sua mão conseguia quase contornar na totalidade. Puxa-a até si e com a mão direita abre os botões da blusa, livra-se dela, ao mesmo tempo que com a échàrpe que ela deixara no chão, acaricia suavemente a pele daquele corpo macio que era seu. Aperta-lhe um pouco mais o pescoço e sente-a estremecer de encontro ao seu corpo. Com o braço direito, o mesmo que ainda mantinha o lenço, levanta-a do chão e atira-a para cima da cama.

Ela sai rapidamente da posição desamparada em que caíra no colchão e senta-se no centro da cama, joelhos juntos e elevados e braços a suportarem o seu peso, atrás das costas. Ela sabe que os contornos do seu corpo nessa posição o deixam louco; os ossos dos seus ombros ficam mais visíveis, ligeiramente virados para a frente, o seu peito ganha contornos mais arredondados por os seus seios ficarem mais próximos um do outro, as suas longas pernas parecem, teimosamente, querer impedi-lo de chegar aonde ele quer. Quase sente a vontade de rir por saber que naquele momento, apesar da disparidade da força física entre os dois, é ela quem comanda cada movimento dele.

Ele sobe de joelhos para a cama, agarra os tornozelos dela e sente as pernas estremecerem ligeiramente ao seu toque. Tenta afastá-las enquanto as puxa para baixo, mas ela resiste-lhe. Ele sorri e não insiste. Acaricia-lhe a pele com a sua mão, sobe delicadamente até ao ventre liso, sobe depois até ao peito, aonde ele sabia que duas coisas poderiam acontecer: ou ela permitiria que ele os libertasse da força da fina renda, deixando-os livres para ele brincar com eles, ou ela teria que usar os seus braços, os mesmos que permitiam que ela tivesse força para lhe resistir, para o impedir.

Ela não iria permitir que fosse assim tão simples e tenta impedi-lo de lhe acariciar o peito. Confiando na sua força abdominal, usa os braços para impedir as mãos dele e ele solta uma gargalhada curta. Ela adorava prolongar este género de jogos, mas ele tinha outras intenções, pelo que, com movimentos rápidos, atou-lhe os pulsos com a échàrpe e esta à cabeceira da cama. Ela ainda se debateu, ele admirava a força dela, sobretudo a forma como ela o virava, levantava e expulsava-o da cama, apenas com as pernas, as costas e a barriga.

Assim que ela sossegou, ele saiu do quarto. Ela antecipava o que iria ele fazer a seguir. Ouve um botão a ser ligado. A porta do frigorífico a abrir e a fechar. Sente-o entrar no quarto, a deitar-se ao lado dela. Ela espera o corpo dele junto do seu a qualquer momento e fecha os olhos.

Ouve um click, uma luz intermitente que se acende no quarto. Ela abre os olhos, repara em primeiro lugar na televisão acesa aonde estava a emitir um jogo de futebol, olha depois para ele que sustém no rosto um sorriso de vitória, na mão esquerda o comando da televisão e na mão direita uma sandes de qualquer coisa. Solta um enorme suspiro de decepção.

- O que foi?! – pergunta-lhe com ar de menino traquina e ela revira-lhe os olhos – Soubeste fazer-me desesperar o dia todo, tenho a certeza que saberás também esperar até ao fim do jogo.

Ela ri-se da sua derrota e vê o jogo com ele.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

4453046-lgAo ler uma mensagem de um blog que já não existe, num blog que sigo, fiquei com vontade de dissecar esta dicotomia do ser humano, ou pelo menos, em mim. Sobretudo depois de ter respondido a um comentário aqui no meu blog hoje.

Depois de ter pensado melhor, de ter passado em revista os meus actos e atitudes perante a vida, nos últimos anos, cheguei à conclusão que  recuso-me a criar expectativas, mesmo quando estou encantada por algo. E porquê?! Porque desta forma, evito o desencantamento, arriscando apenas o desinteresse.

Creio que são formas de se estar na vida, no palco, no mundo, com os outros. A verdade é que cada um procura a felicidade da forma como a vê e, como tal, actua de acordo com essa visão. Se para alguém algo de positivo é sempre seguido de algo negativo, também vê na felicidade algo com prazo de validade e que, inevitavelmente, acabará com o inverso, ou seja, se se encanta, também se desencantará. Eu não o vejo assim. Não vejo obrigatoriedade neste jogo de contrários, de antagonismos. Acho que viver no intermédio, sabendo que as coisas podem não ser eternas, mas que enquanto duram, são verdadeiras e que ficarão agarradas em nós para sempre, é uma boa forma de se estar.

Não creio, no entanto, que isso seja reflexo da busca pela felicidade, até porque na realidade, nos dias que correm estamos mais preocupados em sobreviver do que em viver, ou procurar seja o que for, pois não há tempo. A felicidade, e/ou infelicidade, é assim, consequência directa dos actos aleatórios. É um reflexo da experiência, que tal como as nossas, é muito própria e apenas para nós faz sentido.

Assim, ao contrário do que o bloguista Piloto disse, eu não tenho pena de ninguém, pois se continuam a tentar, é sinal que ainda vivem e que lutam por algo que se venha a assemelhar à felicidade, ou ao encantamento perpétuo, mesmo quando este não é a causa maior das suas vidas e apenas sua consequência.

Fará isto algum sentido?

sábado, 2 de maio de 2009

- Mas isso nada muda entre nós. Eu vou continuar a ter o que quero, só tu é que irás sofrer mais.

- Não vou, não. – responde instintivamente.

Ele volta a aproximar-se dela, agarra-a pela cintura e aproxima-a do seu peito musculado. Ele gosta dela, gosta do peso dela, gosta de a sentir, de a cheirar, aquilo não lhe é penoso, ele quer, apenas não quer é que tenha que ser violento. Ele daria tudo, para que não tivesse que usar a força, mas ela, com um golpe rápido e imprevisível, no baixo-ventre, liberta-se dos seus braços. Ele bate-lhe de imediato, nunca iria permitir que o magoassem, mesmo que quem o fizesse fosse uma mulher como ela.

Ela cai por terra. Desta vez ele tinha usado, realmente, a sua força. Agarrou-a ainda antes de ela recuperar o fôlego e atirou-a para cima da cama, onde antes já a havia acariciado. Ela fica atordoada, com a pancada que deu com a cabeça e demora um pouco a encontrar de novo discernimento, mas pouco antes de se levantar, ela sente-o a tocá-la de novo. Ela tenta resistir fugindo, serpenteando, empurrando, mas começa a faltar-lhe as forças. Ele ajoelha-se em cima da cama, chega-a de novo ao seu corpo. Ela sente o seu cheiro acre a suor e, por pouco, não se permite a desistir e a entregar-se, incondicionalmente, àquele estranho.

As suas mãos continuam a percorrer todo aquele pequeno corpo. Ele insiste naqueles preliminares desnecessários, ele quer realmente que ela o aceite, que ela queira que aquilo aconteça, mas algo nela, algo que nem ela mesmo sabe explicar, impede-a de se entregar sem dar mais luta. Ela sabe de antemão que o desfecho será aquele, mas quer ficar com a consciência tranquila, antes de desistir. Olha à volta e vê a faca de mato, no chão. Era isso que faltava nas suas calças. Ela livra-se mais uma vez dos seus braços e rebola, para junto da faca, ganhando a vantagem da distância. Ele demora algum tempo a perceber o que se passa, mas se antes ainda tinha dúvidas, ele agora tinha a certeza absoluta de que ela tinha treino militar.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

 
 
Com todo o respeito e consideração que tenho pelos profissionais, acho um gozo, este tipo de títulos nos jornais. É um gozo por diversas razões, mas vou apenas enumerar duas.
 
A primeira é que infelizmente, os taxistas são uma profissão que coloca em risco, todos os outros condutores. A segunda é que nos tempos que correm, posso enumerar facilmente mais do uma dúzia de outras profissões que correm muito mais risco que os taxista, como por exemplo: Pescadores, Polícias, Bombeiros, Mineiros, Lojistas de Ourivesarias, Empregados de Bombas de Gasolina, Empregados de bares e Estabelecimentos Nocturnos, Professores, Enfermeiros, Médicos, ou simplesmente pessoas que passeiam na rua ou utilizam transportes públicos...
 
Não sei! Creio que foi só um pensamento.
Subscribe to RSS Feed Follow me on Twitter!