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quinta-feira, 7 de maio de 2009

4453046-lgAo ler uma mensagem de um blog que já não existe, num blog que sigo, fiquei com vontade de dissecar esta dicotomia do ser humano, ou pelo menos, em mim. Sobretudo depois de ter respondido a um comentário aqui no meu blog hoje.

Depois de ter pensado melhor, de ter passado em revista os meus actos e atitudes perante a vida, nos últimos anos, cheguei à conclusão que  recuso-me a criar expectativas, mesmo quando estou encantada por algo. E porquê?! Porque desta forma, evito o desencantamento, arriscando apenas o desinteresse.

Creio que são formas de se estar na vida, no palco, no mundo, com os outros. A verdade é que cada um procura a felicidade da forma como a vê e, como tal, actua de acordo com essa visão. Se para alguém algo de positivo é sempre seguido de algo negativo, também vê na felicidade algo com prazo de validade e que, inevitavelmente, acabará com o inverso, ou seja, se se encanta, também se desencantará. Eu não o vejo assim. Não vejo obrigatoriedade neste jogo de contrários, de antagonismos. Acho que viver no intermédio, sabendo que as coisas podem não ser eternas, mas que enquanto duram, são verdadeiras e que ficarão agarradas em nós para sempre, é uma boa forma de se estar.

Não creio, no entanto, que isso seja reflexo da busca pela felicidade, até porque na realidade, nos dias que correm estamos mais preocupados em sobreviver do que em viver, ou procurar seja o que for, pois não há tempo. A felicidade, e/ou infelicidade, é assim, consequência directa dos actos aleatórios. É um reflexo da experiência, que tal como as nossas, é muito própria e apenas para nós faz sentido.

Assim, ao contrário do que o bloguista Piloto disse, eu não tenho pena de ninguém, pois se continuam a tentar, é sinal que ainda vivem e que lutam por algo que se venha a assemelhar à felicidade, ou ao encantamento perpétuo, mesmo quando este não é a causa maior das suas vidas e apenas sua consequência.

Fará isto algum sentido?

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

 

No outro dia tive uma daquelas temidas conversas com a minha sobrinha de 6 anos.
- Tia! - chama enquanto se aproxima - Eu ouvi uma palavra, que é uma asneira, eu sei que não se diz... - Fala comigo em segredo - Posso perguntar o que quer dizer? - E eu, tremendo por dentro por não saber o que teria que responder, digo:
- Claro! Pergunta sempre o que quiseres. - Então, aproxima-se um pouco mais e diz-me ao ouvido:
- P*t*. - disse tão baixo que nem consegui ouvir, por isso repete, desta vez, uns décibeis mais elevados, mas ainda assim, de forma inaudível. Depois repete uma terceira vez e dessa vez eu entendo.
- Olha! - Tento ganhar tempo para pensar numa resposta - Vai buscar a escova para te pentear e depois eu digo o que quer dizer. - Ela obedece. Volta com a escova e eu sem saber muito bem como, começo a falar - Essa palavra... - Opto, conscientemente, por não a repetir - Quer dizer, ou melhor, é o nome que se dá a mulheres que têm muitos namorados. - Depois arrependo-me do que digo, não quero transmitir a ideia de que ela não pode namorar, ou experimentar. Sei que é cedo para isso, mas a dúvida pode ficar dentro dela e não quero. Para além disso, a palavra não quer dizer isso. - Melhor... não é que tenham muitos namorados, que não há mal nisso.
- Então o que é?
- É que ter muitos namorados é o trabalho delas. Os homens pagam para elas serem namoradas deles, por umas horas, uns dias e isso é errado. - Ela pensa, queixa-se por lhe estar a apertar demasiado o rabo de cavalo. Desisto e faço-lhe dois tótós.
- É só isso? - Pergunta inocente.
- Sim, é só!
- Pensei que se dizia essa palavra, porque eram más, ou coisas assim... tipo bruxa, ou assim! - Pensa e eu viro-a para ver o penteado - Percebes o que quero dizer? - Encolho os ombros - Se elas fazem de namoradas, não pode ser assim tão mau! - Calo-me, não sei como explicar melhor, ela ainda não iria perceber e ela continua. - Ouvi outra palavra.
- E qual foi?! - Esperava pelo pior.
- M*r*a! - Sorrio, pois depois da outra essa era fácil de explicar.
- Isso é uma palavra malcriada, para dizer cocó.
- Ah! Que engraçado. Que mal tem dizer cocó?! Era mais fácil, não era?
E eu rio-me com ela e penso, quanto tempo terei ainda para lhe ensinar o que as coisas querem dizer. Depressa virá o dia em que ela me ensinará, palavras que nunca terei ouvido antes.

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