segunda-feira, 9 de novembro de 2009
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Um dia destes alguém virá por mim aqui escrever e virá para comunicar aos poucos mas leais leitores que eu morri…
Não pensem que será por doença ou outra qualquer efeméride que devam lamentar, pois a razão será a seguinte: Se me oferecerem droga mais uma vez que seja no Rossio ou na R. Augusta, em plena luz do dia e à hora do almoço, eu vou-me a eles. A sério que vou. E será uma guerra!
As razões para ter chegado a este ponto de rotura, são várias,:
1º - Não tenho aspecto de drogada e sinto-me ofendida por acharem que sim,
2º - É à luz do dia e estamos muito longe dos consumos espontâneos da noite, como os que podem surgir junto das discotecas e clubes nocturnos, ou do Bairro Alto, antiga morada destes párias e assassinos.
3º – Porque estão fartos de fazer o mesmo com o meu primo de 21 anos (e que eu continuo a ver como um miúdo que tenho que proteger) e à minha prima de 16 e percebo nos seus olhares quando me contam, o constrangimento e a vergonha.
4º - A polícia está mesmo ali ao lado, a guardar as joalharias e nada faz e não me venham com desculpas, de que se eles forem para lá eles mudam de lugar, pois eu acho que devem mudar, que mudem para qualquer outro lugar, como por exemplo para uma cadeia sobrelotada, sujeitos a tudo aquilo, e sem cair nos habituais clichés, acontece nas cadeias, pois é o lugar deles, desses criminosos, traficantes, assassinos.
Ainda me lembro numa das primeiras vezes que fui ao Bairro Alto e um rapaz perguntou-me entre dentes “Axixe?”, ao que eu na minha inocência, achei o máximo e respondi, “Sim, estou fixe, e tu?!”
Já passaram muitos anos desde esse dia, em que não me passou pela cabeça que me estariam a oferecer droga numa rua cheia de gente! E sinceramente?!
ESTOU FARTA!
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Dizer que a vida é um palco, ou uma arena, é uma metáfora tão trivial, que para nós escritores, usá-la, deixa-nos sempre um gosto amargo nos dedos. No entanto, a verdade escondida por trás dessas corriqueiras palavras, é demasiado pungente, para que possa ser ignorada. Desta forma, expressões como “Actor Principal”, Nova Personagem”, ou “Guião de Vida”, são usadas de ânimo leve, pela maioria, na explicação de coisas diárias, na descrição das nossas vidas.
Portanto todos concordamos que, a vida é um palco, nós somos os actores principais, os outros são personagens secundários, onde vivemos é o cenário e o que vivemos é o guião. Ora, não demoraria muito para que os realizadores percebessem que pouco mais seria necessário para realizar um filme com que todos se pudessem, facilmente, identificar. Apenas precisavam, tal qual um fotógrafo, escolher um ângulo, a lente e o enquadramento com mais interesse, para que a vida comum, a simples realidade, se tornasse pura arte. O realizador Fernando Meirelles (brasileiro), já o havia feito com a “Cidade de Deus”, o britânico Danny Boyle, fê-lo o ano passado com o “Slumdog Milionaire” e o mexicano Alejandro Gonzélez Iñarritu, mostrou a arbitrariedade das acções e das consequências a nível global das mesmas, no “Babel”. Cada um deles tirou a fotografia que achou mais interessante e criou uma obra de arte, com a pura e simples realidade do quotidiano. E foram fotografias dignas de todos os prémios que receberam!
Chegou, finalmente, a hora de um cineasta português descobrir aquilo que há uma década para cá, se tornou vulgar, mas o génio, a grande visão estética e a escolha acertada da metáfora por trás da linguagem comum e da imagem crua, faz com que o João Salaviza, mereça todos os prémios que quiserem atribuir ao seu filme “Arena”.
Para mim o que está por trás do rapaz em prisão domiciliária é muito mais do que a crítica à descriminação de oportunidades num estado democrático. Para mim, todos os habitantes daquele, como de qualquer outro bairro do Mundo, estão presos na Arena da vida que conhecemos e poucos são os capazes de lutar, tal qual gladiador campeão na antiga Roma, contra todas as probabilidades e obter a verdadeira liberdade; aquela que está acima de tudo o que é esperado e que apenas encontramos dentro de cada um de nós. Arrancar isso das entranhas, escondido por baixo de tanta treta esculpida pela sociedade nos últimos séculos, exteriorizá-lo e materializá-lo, é a verdadeira liberdade, a derradeira libertação do espírito.
Parabéns João Salaviza,!
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Na altura não me recordei como poderia fazer, mas finalmente os meus neurónios trabalharam e lembrei-me do meu blog. É verdade que apenas umas 14 pessoas o lêm em média por dia e que provavelmente, serão sempre as mesmas, mas pelo menos, livro-me deste sapo que está engasgado e não consigo engolir. Pois bem, vamos por partes. No citado texto, o Dr. José Neves, criou uma explicação (para um tema sobre o qual, foi talvez obrigado a escrever), tendo por base “Um grave erro no conceito de desenvolvimento” e na realidade existe um, mas não o que foi apresentado. Para começar, houve evolução no campo das artes e do pensamento.
Se houve algo realmente novo? Não. Melhor?! Não.
Uma evolução é isso mesmo, um “up-grade” de algo que já foi criado, um sair da caixa, pensar e resolver noutro ponto de vista. Não tem que ser melhor nem pior, é apenas evolução. E já agora, Hitler, Atila, Marquês de Pombal, Nero, Inquisição Espanhola, Saddam e companhia, não têm graus de comparação, são o que são. Mas até aqui tudo bem, é uma opinião, eu também tenho a minha, aliás tenho muitas.
Contudo, ainda no mesmo parágrafo diz para finalizar, que a violação e pedofilia ainda são repudiados. Errado. Muito errado. Não é preciso voltarmos muitos anos atrás para nos recordarmos dos casamentos combinados pelas famílias, como acto socialmente aceite e recomendado. O que seriam as noites de núpcias de mulheres e homens casados obrigados, que não uma perfeita violação de vontades e corpos?
Antepassados com orientações claras? Realmente eram, mas muito mais violentas que as de hoje. Pensemos em quantas meninas casadas em fase pré-adolescente e adolescente, com homens dez, quinze, vinte, cinquenta anos mais velhos? Aqui temos um autêntico, dois em um; não só a pedofilia era socialmente aceite, como a violação do corpo e da vontade. A frase correcta teria sido: A violação e a pedofilia são hoje, as únicas práticas repudiadas.
Quanto à confusão de critérios e à liberdade, tem que convir que ninguém é realmente livre, não na nossa sociedade judaico-cristã. Que menina é hoje educada pelos seus pais para ser livre sexualmente? Não têm, hoje em dia, os pais e a sociedade o mesmo discurso que receberam da catequese, dos seus próprios pais e avós? Não apelam todos à modéstia, o reduzido número de namorados e a um casamento com filhos? Não continuam as meninas a crescer a pensar que um dia serão as princesas das suas casas, com um único príncipe encantado?
Houve realmente um período de grande desorientação sexual na história moderna e esse acabou nos anos 80, quando uma doença sexualmente transmitida ocupou o lugar do antigo Inferno: a SIDA. Até aos anos 80, sexo seguro era não fazê-lo, num carro em andamento (a frase não é minha). Por isso, sim, existe uma confusão de critérios: todos queremos ser livres, donos dos nossos corpos e buscar a felicidade, mas o nosso inconsciente está agrilhoado a um espartilho educacional judaico-cristão, que nos impede de simplesmente ser.
Enquanto no passado a pedofilia, dentro de certos parâmetros, era aceite e recomendada, hoje é simplesmente rejeitada. Por isso, sim, existe confusão. Enquanto antigamente, as mulheres eram simplesmente objectos de troca e servidão sexual, hoje têm poder, por isso, sim, existe confusão.
Confusão porque existe uma evolução, ou melhor um retrocesso de mais de três mil anos. Estude um pouco os hábitos egípcios, a sua sociedade e veja como não só existia liberdade sexual (verdadeira), como as mulheres e os homens eram simplesmente iguais em todos os campos, quer económicos, religiosos e sexuais.
"Não houve evolução nenhuma, houve apenas um retrocesso, ou quem sabe uma revolução, um retorno à verdadeira evolução.
Quanto às atrocidades raras nas tribos primitivas…creio que já está largamente explicado, não?! Orientações claras dos nossos antepassados, quanto à moral sexual? Vejamos, temos o Kama Sutra do Séc. IV é uma boa orientação. Marquês de Sade, no Sec. XVIII? Que seria do prazer sem um pouco de dor! Shakespeare, Sec. XVI?! Oh meu Deus, o que se pode ler nas entrelinhas!
Mais recentes?! Deixe-me ver… Henry Miller, no início do Séc? Marguerite Duras, desde os anos 30? Sim! Realmente não houve inovação no campo da arte, do sexo ou da religião moral e sexual. Apenas vivemos mais do mesmo, onde tudo é permitido, pois o ser humano sempre fez o que quis, mas nada é recomendado.
No entanto, devo admitir, deve ter tido muito trabalho, chegar a um nível de consciência decrépita como a sua.
A minha avó sempre disse: Se não tens nada inteligente para dizer, fica calada.


