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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

 

 

ist_000000411766Quarta-Feira, 27 de Janeiro de 2010.

O dia de hoje é um dia que terei que relembrar para sempre. Será o dia em que cortarei por completo todos os cordões umbilicais que me prendem a uma falsa segurança uterina, que me castra e aprisiona.

Hoje é o dia em que renasci, o dia em que me vou reinventar.

sábado, 23 de janeiro de 2010

 

2499051 …E porque hoje estou com vontade de reler poemas, aqui fica um dos meus favoritos, de todos os tempos.

Estrela da Tarde – José Carlos Ary dos Santos

Era a tarde mais longa de todas as tardes 
Que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas
Tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca,
Tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste
Na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhamos tardamos no beijo
Que a boca pedia
E na tarde ficamos unidos ardendo na luz
Que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto
Tardaste o sol amanhecia
Era tarde demais para haver outra noite,
Para haver outro dia.

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza.

Foi a noite mais bela de todas as noites
Que me aconteceram
Dos nocturnos silêncios que à noite
De aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois
Corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram.

Foram noites e noites que numa só noite
Nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites
Que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles
Que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto
Se amarem, vivendo morreram.

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza.

Eu não sei, meu amor, se o que digo
É ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo
E acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste
Dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida
De mágoa e de espanto.
Meu amor, nunca é tarde nem cedo
Para quem se quer tanto!

domingo, 10 de janeiro de 2010

 

abismo (2) Não quero ninguém que morra por mim, ninguém que morra por amor ou por outra razão qualquer por mim provocada. Não quero alguém que se sinta tão subjugado a mim, que seja incapaz de conceber outra forma de estar, não quero!

Quero alguém que esteja comigo, que viva por mim, que queira fazer coisas comigo. Quero alguém que me entrelace nos seus braços, que me proteja apenas com a sua presença, alguém que se arrepie com o toque da minha pele, mas que mantenha todas as suas forças, toda a sua essência. Não quero ninguém que ao meu toque deixe de ser.

Não quero alguém que me diga apenas o que quero ouvir, não quero alguém que me faça irritar pela falta da verdade. Não quero alguém que aparente, quero alguém que seja. Não quero alguém que se esconda, mas alguém que se assuma, que simplesmente exista, sem artifícios, sem jogos, sem camadas. Quero a a idiossincrasia completa.

Não quero alguém que me ame com a mesma intensidade que eu, apenas quero que goste de mim, seja de que forma for. Não quero que todos gostem de mim, nem mesmo as pessoas de quem eu gosto. Não quero que elas sintam a minha falta, da mesma forma que eu sinto, intensamente, a falta delas, se o fizesse estaria a desejar o mal das mesmas e eu não o desejo. Queria poder sentir que em algum momento especial eu fui única, isso seria o suficiente, mesmo sabendo que existe sempre quem ocupe o nosso lugar. Mas pensar que alguém, em algum momento, por mais fugaz que tenha sido, pensou e sentiu assim, já me satisfaz.

Simplesmente não quero! Não quero ser apenas alguém que passa pela vida, sem que ninguém note. Mas também não quero que a minha presença seja tão opressiva, tão poderosa, que ninguém suporte estar perto de mim.

Apenas quero… apenas quero… apenas quero… que tudo tenha um sentido, que tudo tenha um valor real.

sábado, 19 de dezembro de 2009

DSCF2583 O mês de Dezembro é uma loucura para mim, uma loucura que me deixa sem tempo para nada, sem tempo para respirar, sem tempo para escrever…. Mas eu gosto! Gosto muito deste “corre-corre” de Dezembro, este “não pára” que antecede o Natal. São a escolha dos presentes, são a escolha das decorações certas para o tema que escolhi, são os jantares com os amigos, são os preparativos para que a minha casa fique apropriada para receber a família, as limpezas, o fazer das camas, por enquanto desocupadas, são as renovações das instalações eléctricas, é o arranjar daquele candeeiro que ficou por arranjar há quase um ano, e a parede que havia ficado riscada e a porta do armário da cozinha que precisava de uma dobradiça nova.

É verdade que este ano, não tive tempo para fazer alguma das coisas a que me tinha predestinado a  realizar, como pintar o tecto da cozinha, pois outros valores necessitaram desses minutos preciosos, mas está quase tudo pronto. Só falta mesmo a minha tia chegar com o meu tio e com DSCF2591os meus primos, que este ano e após uma ausência de dois, finalmente conseguiram vir, o cunhado da minha irmã que também vem cá passar este ano o Natal connosco, falta chegar o dia 19 aonde vamos ter um lanche de trocas de prendas com os meus melhores amigos (o jantar do Sábado passado foi maravilhoso, com os velhos e os novos amigos, mas anseio por este momento nosso, talvez seja nostalgia), falta o dia 23 onde terei uma consoada antecipada com pessoas muito especiais, e depois, finalmente, os preparativos finais para a festa da família (umas das muitas que fazemos, mas a principal). Vai ser o peru, o bacalhau, os bolos, os fritos  e muito, muito amor e carinho.

Estou louca de cansaço, mas sabe bem!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

 

Já foi, já passou, quente e aconchegante como quase todos os Verões, mas…  c’est finnit.

Pensar que podia viver num Verão permanente é algo que acalenta o meu espírito, que fomenta a minha imaginação, que me dá horas de doces delírios, onde imagino uma casa na praia, por-de-sois intermináveis, nascer de dias rápidos e fantásticos, com cores que ainda não foram baptizadas, jantares no pátio à sombra de palmeiras e coqueiros, quartos de hospedes sempre com camas ocupadas, amigos à volta a passarem férias, a irem e a virem, a gozarem comigo os prazeres do calor que um clima tropical pode oferecer. Almoços de peixe grelhado, acabado de ser entregue por um pescador que passa todos os dias às oito da manhã, num pequeno barco a motor bem à frente da minha casa, gritando:

- Tenho peixe fresco, acabado de pescar. A menina vai querer?

Compro o peixe e preparo-o antes de sair para ir trabalhar. Pego na lancha, vou até ao continente, faço o meu trabalho e volto para casa à uma da tarde. Grelho o peixe enquanto a minha visita termina de temperar a salada, almoçamos com calma.

O trabalho?! Esse passa a ser em part-time, três horas por dia que rendem mais que um dia inteiro dos que tenho hoje. Da parte da tarde depois do almoço e da sesta, nado e mergulho um pouco, aproveito o sol e escrevo, escrevo totalmente inspirada, sem preocupações. Paro para uma caipirinha e um lanche, coloca-se música ambiente, existe um ar molhado no ar, a chuva está prestes a cair, cai sempre ao fim da tarde. Recolhemos-nos no pátio, debaixo do telheiro e dançamos um pouco antes do jantar, enquanto a chuva embala os nossos movimentos.

Nunca chove durante muito tempo, mas chove sempre todos os dias. Deixa no ar um cheiro que a água liberta da terra e que nos faz ligar a ela, que nos obriga a reconhecer esse cheiro maternal, que nos obriga a sentir humildes, de nos recordar que somos filhos da terra, que dela viemos e que um dia a ela voltaremos.

Jantamos algo preparado por mim, talvez uma comida tropical com óleo de palma, coco e gengibre, jogamos às cartas, conversamos, bebemos um pouco, dançamos até tarde. Fazemos amor até o sol nascer.

Sim, são estes os pensamentos que me acalentam as noites frias do Inverno. É com eles que eu alimento a minha imaginação e coloco no meu espírito aquela acendalha que alimenta a esperança, a esperança de que um dia, talvez seja possível.

Um dia!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009


homens2 Não sei de quem é a autoria deste livro de auto ajuda, mas achei estas passagens tão sensacionais e tão próximas daquilo que me dá prazer, que não pude evitar colocar aqui, algumas das técnicas infalíveis para dar muito prazer a uma mulher:

Técnica nº 1:   Mãos Molhadas

Faça a sua parceira sentar-se numa cadeira confortável na cozinha. Certifique-se de que ela consiga ver muito bem tudo o que faz. Encha o lava-louça com água e adicione algumas gotas de detergente aromatizado para louça.. Segurando uma esponja macia, submerja as mãos na água e sinta a sua pele ser envolvida pelo líquido até que a esponja esteja bem molhada...

Agora, movendo-se devagar e gentilmente, agarre num prato sujo do jantar, coloque-o dentro do lava-louça e esfregue a esponja em toda a superfície. Vá esfregando com movimentos circulares até que o prato esteja limpo.

Passe por água limpa e coloque-o a secar. Repita com toda a louça do jantar, até a sua parceira ficar a gemer de prazer.

Técnica nº 2:  Vibrar pela Sala

É um pouco mais difícil do que a primeira, mas, com algum treino, fará a sua parceira gritar de prazer.
Cuidadosamente, vá buscar o aspirador no sítio onde fica guardado. Seja gentil, demonstre-lhe que sabe o que está a fazer. Ligue-o na tomada, aperte os botões certos na ordem correcta. Vagarosamente, vá movendo para frente e para trás, para frente e para trás... por toda a carpete da sala. Saberá quando deve passar para uma nova área. Vá mudando gradualmente de lugar. Repita quantas vezes forem necessárias, até atingir os resultados pretendidos.

Técnica n° 3: Camisa Molhada

Este joguinho é bem fácil, embora precise de mente rápida e reflexos certeiros. Se for capaz de administrar correctamente a agitação e a vibração do processo, a sua parceira falará da sua performance a todas as amigas.

Precisará apenas de duas pilhas de roupa: uma com as roupas brancas, outra com as coloridas. Encha a máquina de lavar com água e vá derramando gentilmente o detergente dentro do compartimento para o efeito (para deixar a mulher ofegante, use exactamente a quantidade que o fabricante recomenda).

Agora, sensualmente, coloque as roupas brancas na máquina... uma de cada vez.... devagar. Feche a tampa e ligue o "Programa completo". A sua companheira ficará extasiada. No fim da lavagem, retire as roupas da máquina e estenda-as a secar. Repita a operação com as roupas coloridas....

Técnica nº 4: O que sobe, desce

Esta é uma técnica muito rapidinha, para aqueles momentos em que quer surpreendê-la com um toque de satisfação e felicidade. Pode ter certeza, ela não vai resistir. Ao ir à casa de banho, levante a tampa da sanita. Ao terminar, baixe-a novamente. Faça isto todas as vezes. Ela vai precisar de atendimento médico de tanto prazer.

Técnica nº 5: Gratificação Total

Cuidado: colocar em prática esta técnica pode levar a sua companheira a um tal estado de sublimação, que depois será difícil acalmá-la, e pode haver riscos irreversíveis para a saúde da mulher. Esta técnica leva algum tempo para ser aperfeiçoada. Empenhe-se com afinco. Experimente sozinho algumas vezes durante a semana e tente surpreendê-la numa sexta-feira à noite. Funciona melhor quando ela trabalha fora e chega cansada a casa.

Aprenda a fazer uma refeição completa. Seja bom nisso. Quando ela chegar, convença-a a tomar um banho relaxante (de preferência aromático, numa banheira de água morna já previamente preparada por si).
Enquanto ela estiver lá, termine o jantar que já terá adiantado antes dela ter chegado a casa.

Depois que ela ficar relaxada com o banho e saciada com o jantar, execute a Técnica nº 1.

Preste atenção à sua parceira, pois o estado de satisfação será extremamente alto!!!


quarta-feira, 21 de outubro de 2009

 

Mulher_deitada Adoro a forma como me olhas, mesmo quando te ordeno que não o faças.

Adoro a forma como me tocas, mesmo quando imploro que pares.

Adoro o teu jeito meio ingénuo de ser, mesmo quando parece que gozo contigo.

Adoro que digas que me amas, mesmo que nunca o diga de volta.

Adoro a forma como deixas o meu corpo a tremer, em doces contracções, mesmo depois de eu te ter dito que não queria nada contigo.

Adoro sentir a tua barba por fazer roçar na minha pele despida, sentir o teu rosto no meio das minhas coxas, sentir o quente da tua respiração no meu pescoço, sentir os teus lábios cobrirem o meu corpo com beijos.

É verdade que tudo isto adoro, mas… Mas não te envaideças pois, por natureza, eu adoro adorar.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009


Threesome_With_2_MenEstive recentemente a ler um livro de antropologia, que focava, essencialmente, o tema do casamento e as suas variantes, tradições e usos, tanto ao longo do tempo, como  nos diversos países.

É lógico, que na maioria do planeta, as tradições têm tido uma tendência para obedecer às restrições criadas pela Aldeia Global e o ritual do casamento está a tornar-se muito semelhante em quase todas as culturas.

No entanto, existe uma tribo na Nigéria, os Wadabee, que têm certos preceitos sociais, quanto à corte e escolha de noivas, para além de certos hábitos que acho muito interessantes   para todas as mulheres que têm alguma dificuldade em escolher um, entre vários pretendentes. Mas já me estou a adiantar de novo.

Reza então o antropólogo, que os rapazes dessa tribo, usam uns amuletos especiais,

não perde muito tempo na descrição dos mesmos e eu vou perder menos ainda…

que têm como objectivo, atrair a atenção das suas primas e amigas.

é enfatizado ao longo de toda a descrição o facto de haver primas e primos à mistura, pelo que subentendi, que a sociedade é tão fechada, que todos os jovens acabam, de uma forma ou de outra, por ser parentes!

Mas o melhor está para vir. Descreve o mesmo senhor, que é comum, existirem dois primos, ou amigos chegados, que pretendam atrair a atenção da mesma jovem, pelo que nesse caso e na falta de mais pretendentes, cabe à mulher escolher o que acha mais apropriado para seu futuro marido.

até aqui, nada de muito diferente da nossa sociedade ocidental!


No entanto, o pretendente preterido, segundo ditam as regras de boa convivência e educação daquela sociedade, deve ser convidado, por ambos os nubentes, a ser o padrinho do casamento.

seria tudo muito normal, se ficasse por aqui, mas não!

Para além de padrinho, ditam os costumes, que o casal deve utilizar de todos os recursos, para o manter como o melhor amigo, convidá-lo a frequentar a casa e até a sua cama. Tudo isto como forma diplomática de evitar que o primo/amigo preterido não deseje má sorte ao casal, atraindo dessa forma, má sorte a toda a tribo. Este arranjo temporário, deverá terminar, quando esse jovem se interessar por outra mulher e com ela casar.

Realmente, andamos nós na Europa a matar golfinhos como ritual de passagem, como se fossemos seres muito evoluídos, quando existem sociedades perdidas pela África interior, que nos ultrapassaram à velocidade da luz…

Apenas uma coisinha para pensarem durante o fim de semana.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

 

1838259 … Quando estava a fazer a minha caminhada do Rossio aos Anjos, na direcção do suplício que, bem ou mal, vai pagando as contas, um rapaz atira um piropo, que para mim era, totalmente, novo e que por instantes pensei mesmo ser um insulto:

- Estás bala, hoje!

Eu ouvi, mas não processei com a rapidez necessária, até que três passos mais à frente, (não sei quantos passos foram, mas três pareceram-me mais literários), dei-me conta do substantivo, que ele utilizou como qualificativo, para com a minha pessoa. Parei a marcha apressada e voltei atrás, retirei os auscultadores do mp3 dos meus ouvidos e reparei no aspecto assustado do rapaz, por eu me estar a dirigir a ele. Com toda a certeza, não deve ser habitual, as raparigas a quem ele solta piropos, voltarem atrás para falarem com ele, mas hei! Eu não sou uma rapariga qualquer! As suas faces roborizaram um pouco, quando eu finalmente, acabo por lhe perguntar:

- Bom dia!

- Bom dia! – sorri.

- O que quer dizer “bala”?! – despacho curiosa

- Quer dizer que podes matar um homem, mesmo só de raspão… – responde pouco convicto e eu:

-Ah, OK! Então acho que tenho que dizer obrigada, não é?! – ele sorri tímido, algo que contrasta com a desenvoltura com que havia soltado o exótico elogio segundos antes. -  Tem um bom dia, então! 

Ele desmancha-se a rir, talvez por nervosismo, ou então pelo facto insólito que teria para contar aos amigos e eu retomo o meu passo apressado para o escritório, com os auscultadores de novo nos ouvidos e com um sorriso de orelha a orelha. Sim porque não há nada melhor para fazer uma mulher sorrir, do que a comparar a uma Serial Killer.

Boa Semana!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Ao tentar cumprir com a minha promessa de ter mais tempo para mim e para as coisas que me fazem sentir bem, hoje tentei durante a viagem de comboio, arranjar tempo para ler alguns blogs que sigo e que me seguem. No Blog do Escrevinhador, encontrei algo, não só que ia de encontro com uma conversa que tinha tido com uns amigos, como me fez rir à gargalhada:

«O cartaz do PCP contém a palavra "Mudança" (change, em inglês), e a frase "Sim, podemos ter uma vida melhor" (em inglês, "Yes, we can", etc.). Onde é que eu já ouvi isto? Não me lembro, mas parece-me que a fotografia do cartaz mostra um Jerónimo de Sousa bastante mais bronzeado do que é costume. A campanha dos comunistas portugueses usa os mesmos lemas que a campanha do chefe do imperialismo americano, facto que mais uma vez me obriga a constatar que não percebo nada de política.»

Simplesmente, perspicaz.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

y1pBQlcWwpgTb1E3RQk0SEpvMWxNkKsX5qlPHzhbENiNjJDstdH_vCDcGbkBhC5sR4K Existem momentos na vida de cada um de nós, que se destacam pelo facto, de nada terem para destacar. São momentos em que a nossa vida entra numa rotina que nos surge alienígena, como se nada tivéssemos feito para que ela chegasse àquele ponto e, no entanto, lá está ela, clara e repetitiva.

Sempre que isso acontece, sempre que eu dou conta de que isso está a acontecer, assim que admito que isso está a acontecer, está na altura de fazer algo que o contrarie. A forma que eu arranjei para o fazer, é encontrar algo que nunca fiz na vida e fazê-lo. Foi assim que fiz bungee jumping pela primeira vez, foi assim, que saltei de pára-quedas, foi assim que comecei a fazer escalada, foi assim que tive sexo pela primeira vez. Para mim, serve como lubrificador, para dar às rodas da engrenagem da minha vida, um novo destino.

Ao ver o telejornal, hoje de manhã, decidi que tinha que andar de balão. Agora falta descobrir como o irei fazer.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

caravaggio-01 Recebi um repto de um amigo, para que explicasse o porquê desta necessidade física, emocional e mental de escrever, escrever compulsivamente, sobre tudo e sobre nada, sobre sentimentos e sobre o que ouvi, sobre a vida dos outros, sobre mim.

Para dizer a verdade, terei que admitir que estou cheia de medo. Tenho medo porque não gosto de explorar os meus vícios com muita profundidade, não quero encontrar por trás dos mesmos, explicações que irão, de certa forma, retirar o prazer de os praticar e escrever é um vício que tenho, um dos que me dá maior gozo, que mais me completa. Acho que é por isso mesmo, que a psicoterapia para mim, é uma perda de tempo.

Mas porque escrevo eu?! Porque retiro eu recompensas da minha escrita, para as quais não tenho palavras para descrever?! Porque seria para mim impossível não escrever, mesmo que fosse apenas na minha cabeça?!

Talvez seja pela mesma razão que o cérebro precisa de sonhar para descansar. Sabem que o corpo só descansa, mentalmente, se sonhar e que os sonhos são uma forma de podermos arrumar pensamentos, de colocar os ficheiros em ordem?! O processo é complicado e não faz sentido numa tradução literal, mas permite organizar recordações, limpar a mente. Creio que escrevo, compulsivamente, pela mesma razão: porque tenho uma necessidade constante de organizar pensamentos, recordações, sentimentos, dores e apenas o consigo fazer se o passar para o papel, mesmo que, tal como os sonhos, estes não surjam de forma simples e directa, mas sim em pequenas metáforas, em pequenos subentendidos, em pequenas nuances, em pequenos pormenores, (como a cor da flor que a heroína usava na barra da saia, do lado esquerdo). Pode não fazer sentido, mas o que escrevo contém tudo de mim. Tudo o que sinto, tudo o que vejo, tudo o que anseio, tudo o que receio, tudo o que desejo. Ao escrever faço as pazes comigo mesmo, conheço-me melhor, aprendo a gostar de mim, a descobrir em mim, atributos, que pensava não possuir, gostos que achava improváveis.

Acho ainda que, escrever é uma forma de dar a conhecer quem sou, quem eu realmente sou e não aquela que todos vêm no comboio todos os dias, aquela  pessoa insatisfeita com o seu emprego, aquela pessoa cansada por não fazer o que realmente gostava de fazer. Escrever é uma forma de eu gritar aos outros e dizer: Vejam, eu sou assim, sou assim mesmo. Gostam?! Querem conhecer-me melhor?!

Escrever faz de mim uma pessoa melhor, porque me obriga a conhecer a mim mesma, a reconhecer tudo. É por isso que escrevo.

Sejam livres de escrever o que vos apetecer e se quiserem podem dizer-me porque gostam vocês de escrever, de partilhar as vossas coisas!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Antes de mais, desculpem ter ficado tanto tempo sem actualizar o blog, mas a verdade é que férias e computador, por mais portátil que seja, não combinam. Contudo estou de volta e com o meu retorno ao dia-a-dia pavoroso, voltaram, as pequenas pérolas que fazem dos meus dias, algo melhor.

Hoje tive que apanhar um autocarro, algo que simplesmente odeio, não suporto. Se de comboio eu sinto alguma liberdade e calma, posso ler e escrever, dormitar e sonhar, de autocarro, apenas perco tempo. Fico enjoada, não consigo ler e muito menos escrever e passo todo o tempo a pensar quando é que o estupor do condutor, não se vai espetar numa curva.

Estava eu nesse sacrifício, quando um senhor, com mais de 60 anos, se sentou ao meu lado. Cumprimentou-me, algo que achei educado, acho sempre que se deve dizer bom-dia, boa-tarde, boa-noite, é um bonito hábito que nos temos vindo a esquecer. Mesmo quando não conhecemos as pessoas, pois se elas se cruzaram no nosso caminho nesse dia, e depois de nos terem que ter visto, acho que é o mínimo que devemos fazer para melhorar o seu dia, desejar “Bom-alguma-coisa”. No entanto não ficou por aí e isso, já acho mal. Eu gosto de pensar e odeio que estraguem o meu raciocínio, mas o Sr. precisava de falar e na falta de se dirigir a um padre na confissão, eis que eu surgi, como um elemento salvador da sua alma e pensamentos torturados. (A igreja católica tem que fazer algo sobre isto, antigamente as pessoas não iam aos psicólogos, iam ter com um padre, eram de graça, poupavam ouvidos alheios, ninguém ficava a saber e eram igualmente desculpados e perdoados por qualquer acto que tivessem cometido e acima de tudo, não me chateavam). Mas estou a desviar-me das pérolas.

O Senhor, depois de ter contado uns quantos segredos sobre a mulher coscuvilheira que tinha feito uns amigos “Testemunha daquele gajo, o Jeová” e que lhe estavam a dar a volta à cabeça, ao ponto de ele quase ter querido bater-lhe na noite passada, confissão que foi seguida por uma frase minha, muito perspicaz e talvez a única que proferi:

“A violência é um poço sem fundo, do qual se faz bungee jumping, mas cujo elástico nunca permite voltar para cima, porque se parte!”

Acham que ele percebeu alguma coisa? ! O certo é que ele disse que eu tinha toda a razão e continuou, mudando de assunto, para uma sequência de pérolas que eu vou agora transcrever e acreditem que o contexto fez tanto sentido, quanto o que eu agora vou atribuir: Nenhum. E vou sublinhar as palavras que foram destorcidas ao longo do seu fluente discurso.

- E já viu a Gripe A? Começa a ser probremático. É um micróbrio, complicado de se evitar.

- É que as pessoas esqueceram-se do que é a hipiene.

- Nós tínhamos bácoros, ovelhas e cabras em casa, mas tínhamos as orelhas e as unhas sempre limpas e não tínhamos cá esses luxos como os putos de agora têm, como essas coisas que se usa nos ouvidos: os cordonetes.

- Mas basta ver nos supermercados. Deixam entrar todo o tipo de pessoas. Como é que a fruta pode ser segura, se drógados, pretos e ciganos, entram e mexem nelas. (Acreditem que se não fosse pelo facto de eu estar internamente a rir-me com a ironia de alguém que comete tantos erros de vocabulário pronunciar a palavra drogado, como os tios de Cascais, eu ter-me-ia levantado e ido embora naquele momento.)

- Se não vão comprar não podem entrar. Se os empregados têm que usar tocas e luvas, porque é que deixam entrar os piolhentos daqueles pretos e brancos drógados que usam aqueles cabelos cheios de m**** que não prenteiam?!

- É por isso que os micróbrios da Gripe A, não morrem.

- E os disvorcios?! (esta fez-me mesmo rir, pois alguém que fez parte das minhas férias também diz divorcio assim) Já ninguém fica casado! É tudo disvorciado e ninguém tem vergonha. Não acha?!

- Antigamente é que era, os miúdos brincavam na rua e nunca riscavam um carro ou roubavam um autromóvel. (talvez porque não houvesse muitos para roubar, mas roubavam outras coisas, o roubo não é uma invenção deste século)

Bem, acreditem que houve muito mais, até os trinta minutos da minha viagem tivessem terminado e felizmente pudesse sair do autocarro.

Digam lá se não foi uma excelente maneira de começar o dia?! Mas o mais engraçado é que se este senhor entrasse para o programa Novas oportunidades e tivesse passado aquelas pérolas para o papel, teria direito ao 12º ano.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Descalça, com os pés envoltos em meias de algodão, deslocava-me em bicos de pé, pelo corredor. Já passava e muito da minha hora de dormir, mas mesmo assim, adormecer tinha sido algo impossível de fazer naquela noite.

Ia estrear na RTP (o único canal de televisão naquela altura) com pompa e circunstâncias, uma curta metragem/videoclip do Michael Jackson e como haviam avisado que poderia ser impressionável, a minha mãe proibiu-nos de ver. As intenções eram as melhores, bem sei, mas eu adorava o Michael. Para mim, praticante de dança jazz e ballet, ele era o máximo, o suprasumo e apenas por isso, já seria difícil respeitar a vontade da minha mãe, mas ela havia feito algo muito pior: havia proibido. Proibir de fazer algo, para alguém como eu, é um convite aberto para que o faça, sem pensar nas consequências.

Dito e feito! Pé ante-pé, percorri o corredor com a  esperança de que no outro lado, na sala da televisão, a minha mãe tivesse adormecido no sofá, como sempre acontecia e que eu, escondida no esconso entre a cozinha e a sala, conseguisse ver o teledisco. Sentei-me o mais confortável que consegui e aguardei, quase sem respirar com esperança que a minha presença não fosse denunciada. Esperei o que me pareceu uma eternidade de tempo e quando estava quase a começar, suspirei. Respirei bem fundo e exalei o ar com um sonoro “Ahhh” de alívio. Depressa dei conta do que fizera e tapei a boca com as duas mãos, como se isso anulasse o meu gesto anterior.

- Não achas que ficas mais confortável no sofá? – soa a voz meiga e algo ensonada da minha mãe.

Levanto-me com a sensação das pernas estarem dormentes, salto para cima do sofá e aninho-me junto dela.

- Eu sabia que não me irias obedecer! – continua com um beijo nos meus cabelos – Quero ver como é que acordas amanhã para a escola.

- Oh mãe, eu sei! Mas é o Michael… – ela riu-se e a curta metragem começou.

Vi tudo sem pestanejar e acabei a vibrar com a coreografia final e a tentar imitar os passos, e não dormi durante três dias, com a sensação de que um morto vivo podia sair do meu colchão ou pelas paredes do meu quarto, mas valeu a pena. Se valeu!

Afinal… era o Michael!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

DSC02278Eu fui sempre uma daquelas alunas que não se importava com a escola. A escola sempre me foi simples e muito pouco desafiante. Não me interpretem mal, não era má aluna, muito pelo contrário: achava tudo demasiado fácil e por isso mesmo, fazia coisas que me dificultavam a vida: Não sabia quando existiam testes, assim eram sempre uma surpresa e tinha que ter a melhor nota, sem ter aparecido nas aulas ou estudado e ficava sempre no grupo que sobrava nos trabalhos para média, pois raramente estava nas aulas em que eram atribuídos (apesar disto ter começado a correr contra os meus desígnios, pois como acabava por fazer os trabalhos quase sozinha e tinha sempre excelentes notas, os meus colegas do liceu, começaram a disputar-me na atribuição dos grupos, mesmo sem estar presente).

Sempre fui uma pessoa que inicia coisas, adoro inícios e tenho uma alergia muito especial a fins. Sempre que algo está prestes a começar eu fico excitada, empenho-me a fundo, dou o melhor que tenho (mas guardo sempre um pouco para os momentos em que adrenalina descarrega, mas isso é outra história) e assim era, com cada ano lectivo. Nos últimos dias de Verão, começava a preparar os cadernos, lia os manuais e os livros que sabia que ia dar em Português, adiantava matéria e imaginava tarefas e trabalhos em grupo que sabia de antemão que iriam ser feitos em determinadas disciplinas e ficava muito empolgada. Jurava que não ia faltar a uma aula, a um dia que fosse, que ia estudar para todos os testes e ia ser muito participativa. Conseguia fazer três trimestres em três semanas, sozinha, eu com os meus livros e depois, começavam as aulas e alistava-me em tudo quanto era grupo extracurricular: a Iris estava no grupo de teatro, no grupo de Alemão, fazia parte dos fundadores do Ecoclube (este tal como o teatro, levava muito a sério), do Clube  de Fotografia, fazia parte das listagens para as associações de estudantes e invariavelmente tornava-me uma vogal das mesmas, fazia parte da rádio da escola e um sem fim de outras actividades para as quais me pediam ajuda e eu nunca dizia que não.

Mas as aulas começavam, os toques começavam, todos nos metamorfoseávamos em carneiros, que mudavam de sala de aulas, em rebanho, de 55 em 55 minutos, ao toque de uma campainha, tal qual cães de Pavlov e eu perdia, toda e qualquer força de vontade e começava a faltar. Faltava dias seguidos, aparecia a uma ou duas aulas por dia, durante semanas (sim, porque biologia, português, filosofia e educação física, eram aulas às quais eu tentava não faltar, menos biologia, que o que se aprendia era tão fácil, que não precisava das aulas para ter excelentes notas, mas gostava da professora e da matéria e por isso fazia um esforço para aparecer, acreditem que era um esforço.

Aparecia em todos os grupos e assim os professores sabiam que eu estava viva e bem. Muitos conversavam comigo, com aquele tom paternal e diziam-me que deveria ir às aulas mais vezes, mas eu não conseguia, nem mesmo quando queria muito fazer-lhes a vontade.

Adorava a cara que o meu professor de Português fazia quando eu aparecia no clube de teatro, ao fim do dia, fresca que nem uma alface e depois dizia com o tom mais sério que conseguia manter:

- “Ao menos podias aparecer de vez em quando! Só e apenas para me dares a vã ilusão de que sou teu professor. Não fazias isso por este pobre homem?!” – e eu, que fingia estar muito preocupada com o ar sério dele, acenava com a cabeça que sim e depois desatávamos os dois a rir.

Se me perguntarem porque é que eu gostava tanto de português e porque é que passei a gostar tanto de teatro, eu sei exactamente o que responder: foi por causa do Professor António, meu professor de Português do 7º ao 10º ano, o que me convidou para fazer parte da peça Antigona, que mais tarde veio a dar nome ao grupo de teatro, por ter sido a primeira pessoa com que pude falar de Margarite Durás, Milan Kundera, Yukio Mishima, entre outros, por ter sido sempre mais meu amigo, que professor.

Aprendia muito mais fora de aulas do que dentro daquelas salas claustrofóbicas, castradoras, e por isso mesmo, fiquei conhecida no liceu, como a Baldas e mais tarde, na Universidade, representaram-me no Livro de final de curso com a cena do filme de Chuck Norris, com a minha caricatura a sair da água, vestida com a minha farda de escuteira, faca de mato nos dentes e com as letras a formarem: Desaparecida em Combate.

Nunca perdi um ano, nunca deixei uma disciplina para trás, tive sempre boas médias, mas fui sempre uma Baldas.

domingo, 29 de março de 2009

Muitas amigas minhas, e alguns amigos também, perguntam-me, sempre que os convido para ver uma estreia deste género, como consigo eu gostar de filmes de acção e de estar sempre mortinha para os ir ver?! E perguntam-me isto, pois na sua opinião, os filmes de acção, são um género menor, feito para agradar a testosterona de homens que não estão em contacto com os seus sentimentos, incapazes de verem um filme e terem que pensar ao mesmo tempo. E eu fico sempre um pouco apreensiva na hora de responder, pois nunca sei se deveria optar por uma resposta politicamente correcta, ou dizer o que realmente penso.

Deveria eu defender o género dizendo que eles representam a constante e velha batalha bíblica do Bem contra o Mal, ou então que a maioria destes filmes têm uma direcção cénica fora do comum e que são um elogio aos efeitos sonoros, à montagem e aos efeitos visuais, ou então, que para além da palhaçada existe uma história de fundo que me comove.

Sim, poderia dizer tudo isso e não estaria propriamente a mentir, mas meninas, amigos e amigas, aqui fica a resposta que há anos ando para vos dar. Vocês conhecem-me e ao verem as imagens que juntei a esta mensagem, já devem ter formado uma ideia da minha razão para gostar de filmes de acção.
Mas para aqueles que ainda não me conhecem e para aqueles que são um pouco mais lentos ao raciocinar, posso explicar que gosto de filmes de acção, porque numa tentativa de Hollywood conquistar o público feminino para este género, o homem viu-se transformado num objecto sexual e isso, meus amigos, depois de tantos anos a ver a mulher ser objectivada, é uma imagem que simplesmente me agrada.Perdoem-me aqueles que acham que é superficial, aqueles que acham que eu devo ter um grave problema a ser resolvido o quanto antes, mas é a verdade e quem a verdade diz... não merece castigo.







(As fotografias colocadas no meu blog, são todas tiradas da internet e não pretendo ofender os direitos de autor de ninguém. Se tal acontecer, por favor avisem e prontamente serão retiradas.)







terça-feira, 6 de janeiro de 2009


Pois bem, Novo Ano, hora de balanço e feitas as contas, tenho muito por agradecer: agradecer por ter emprego (mesmo que seja um martírio), agradecer por ter família, agradecer porque vou tendo saúde, agradecer porque a minha sobrinha e os meus primos enchem-me de alegrias e de orgulho, agradecer pela amizade dos meus amigos de longa da data, agradecer pela consolidação de amizades recentes, agradecer por tudo aquilo que aprendi, agradecer por todas as experiências boas e más, que fazem de mim um ser humano, cada vez mais forte e melhor, agradecer por ainda ter mãe e por me irritar tantas vezes com ela, agradecer por ainda viver e por ainda ter tempo para continuar a ser melhor, a fazer melhor e a querer melhor.


A todos que contribuiram para tudo isto: Muito Obrigada!
A todos um Excelente ano de 2009!
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