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domingo, 10 de janeiro de 2010

 

abismo (2) Não quero ninguém que morra por mim, ninguém que morra por amor ou por outra razão qualquer por mim provocada. Não quero alguém que se sinta tão subjugado a mim, que seja incapaz de conceber outra forma de estar, não quero!

Quero alguém que esteja comigo, que viva por mim, que queira fazer coisas comigo. Quero alguém que me entrelace nos seus braços, que me proteja apenas com a sua presença, alguém que se arrepie com o toque da minha pele, mas que mantenha todas as suas forças, toda a sua essência. Não quero ninguém que ao meu toque deixe de ser.

Não quero alguém que me diga apenas o que quero ouvir, não quero alguém que me faça irritar pela falta da verdade. Não quero alguém que aparente, quero alguém que seja. Não quero alguém que se esconda, mas alguém que se assuma, que simplesmente exista, sem artifícios, sem jogos, sem camadas. Quero a a idiossincrasia completa.

Não quero alguém que me ame com a mesma intensidade que eu, apenas quero que goste de mim, seja de que forma for. Não quero que todos gostem de mim, nem mesmo as pessoas de quem eu gosto. Não quero que elas sintam a minha falta, da mesma forma que eu sinto, intensamente, a falta delas, se o fizesse estaria a desejar o mal das mesmas e eu não o desejo. Queria poder sentir que em algum momento especial eu fui única, isso seria o suficiente, mesmo sabendo que existe sempre quem ocupe o nosso lugar. Mas pensar que alguém, em algum momento, por mais fugaz que tenha sido, pensou e sentiu assim, já me satisfaz.

Simplesmente não quero! Não quero ser apenas alguém que passa pela vida, sem que ninguém note. Mas também não quero que a minha presença seja tão opressiva, tão poderosa, que ninguém suporte estar perto de mim.

Apenas quero… apenas quero… apenas quero… que tudo tenha um sentido, que tudo tenha um valor real.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Por vezes tenho dificuldade em entender a razão das coisas. Ontem, aconteceu, mais uma vez.

Ouvi uma música que já devo ter ouvido centenas de vezes, mas ontem, sem haver nenhuma razão aparente, prestei mais atenção à letra e ela bateu tão fundo na minha alma, tão fundo, que simplesmente as lágrimas correram pelo meu rosto, em pleno comboio em direcção a casa, depois de  mais um dia de trabalho.

Depois de ter digitalizado a letra, acabei sem perceber o porquê, sem saber a razão de tal fenómeno. Não existe nada no presente que pudesse ter feito com que eu sentisse algum tipo de nostalgia e sinceramente o passado já esta tão longe, morto e enterrado, que não vejo ligação. Terei eu tido uma crise empática, por algo que possa vir a acontecer?!

Bem, sem ter chegado a uma conclusão deixo-vos aqui a letra da dita música:

Porque foste na vida,

A última esperança.

Encontrar-te me fez…

Criança!

Porque já eras meu,

Sem eu saber sequer.

Porque és o meu homem

E eu, tua mulher!

Porque tu me chegaste,

Sem me dizer que vinhas,

E as tuas mãos foram minhas,

Com calma!

Porque foste em minha alma,

Como um amanhecer.

Porque foste o que tinha,

De ser!

Porque foste na minha alma,

Como um amanhecer.

Porque foste o que tinha,

De ser!

“O que tinha de ser!”, Vinicius de Morais.

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