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terça-feira, 15 de setembro de 2009

image0022Existem coisas, que o ser humano faz, que me deixam sem qualquer outra alternativa se não gritar de indignação, com toda a força dos meus pulmões.

Se eu acho a tourada um espectáculo bárbaro, onde os touros não pediram para ali estar e no entanto, o seu sofrimento é o ponto alto de um espectáculo de massas, imaginem o que eu sinto quando vejo estas imagens num documentário e mais tarde num e-mail que me foi enviado.

Sempre tive em conta que os países nórdicos eram países civilizados e muito racionais. Que evoluíram do Vikings e se tornaram nas civilizações mais pacíficas e organizadas do planeta, mas quando me identificam este local como sendo a Dinamarca, tenho logo que pensar, que algo vai muito podre naquele reino.

image0011 Numa determinada altura do ano, o mar,  numa pequena aldeia piscatória na Dinamarca,  mais precisamente na Ilha Faroé, fica vermelho. No entanto não é devido a efeitos especiais, ou a qualquer outro fenómeno climatérico estranho e sem explicação. Deve-se à crueldade com que os seres humanos (supostamente seres racionais e civilizados) matam centenas dos famosos e inteligentíssimos Golfinhos Calderon, também conhecidos como Grampus Griseus e Golfinho-de-Risso. 

image0033 Isto acontece ano após ano e participam deste massacre, maioritariamente,  jovens homens. Por quê? Porque supostamente, através deste acto irracional, os mancebos demonstram que  atingiram a idade adulta e que não podem mais ser considerados crianças.

A verdade é que todos participam deste triste espectáculo: os que image0066vão lá para assistir; os que vão para matar; os que organizam; os que incitam; nós que nada fazemos para terminar com este bárbaro costume.

O golfinho Calderon, como quase todas as outras espécies de golfinhos, aproxima-se do homem, com o exclusivo objectivo de interagir e brincar. Os golfinhos são uma espécie que mesmo em liberdade, tal como os animais domesticados, gostam de brincar e travar amizade com os humanos. 

image01010Mas o que mais me repugna é a forma lenta e cruel com que ele são mortos. A forma como o fazem, não os mata instantaneamente. Estes cetáceos são cortados diversas vezes, com ganchos grossos. Segundo parece, o som que os golfinhos lançam no ar, nesse momento é estridente e, confiando em relatos de pessoas que já observaram tal barbárie, assemelha-se muito ao choro de um recém-nascido.

image0077 O processo repete-se as vezes necessárias e, durante todo esse tempo de tentativas, o golfinho sofre e não existe qualquer tipo de compaixão. Este dócil ser, sangra, lentamente, e sofre com as dores provocadas pelas feridas enormes, até perder a consciência e morrer no seu próprio sangue. 

No fim da matança, os  Heróis, passam, finalmente, a ser adultos. image0099Homens racionais e prontos para as adversidades do dia a dia, uma vez que a sua maturidade, ficou, inequivocamente comprovada, através desta exaustiva demonstração.

Creio que já existe demasiada violência no Mundo, para que seja necessário continuar a compactuar com este espectáculo triste e deplorável.

Está na hora de fazermos algo, a mais não seja, denunciando este filme de terror a todos aqueles que ainda não tenham conhecimento.

Talvez assim, seja possível criar uma onda de indignação que comova o governo Dinamarquês e o demova de continuar a tolerar image0055 este genocídio (sim utilizei a palavra genocídio para a morte de uma espécie animal, porque para mim, todos os que habitam o planeta merecem ser tratados de igual forma: todos merecem respeito, todos merecem viver em paz)

 

 

 

 

Nota: caso queiram saber as características científicas deste lindo animal, aqui estão:

Nome Cientifico: Grampus griseus

Características: É relativamente fácil identificar golfinhos de Risso no mar, em particular quando são mais velhos. Parece que foram "atacados pela artilharia"., com cicatrizes corporais extensivas causadas pelos dentes de outros golfinhos de Risso e, em menor escala, por confrontações com lulas.

A sua cabeça é arredondada e não possui bico. Este golfinho pode medir entre 3,60 a 4m de comprimento.

O corpo tem tendência  a clarear com a idade, se bem que haja grandes variantes entre indivíduos: os adultos podem ser quase tão brancos como golfinhos-brancos ou tão escuros como baleias-piloto.

À distância, a barbatana dorsal alta pode induzir momentaneamente à confusão com orcas fêmeas ou jovens ou roazes-corvineiros.

O golfinho de Risso tem um sulco frontal no centro da testa, correndo do espiráculo ao "lábio" superior; é visível de perto e é peculiar a esta espécie.

Por vezes vêem-se golfinhos de Risso agrupados com outras espécies de golfinhos e com baleias-piloto.

Barbatana Caudal

Cabeça de Animal Velho

Comportamento: Sabe-se que os animais jovens saltam; os animais mais velhos têm tendência para dar meio-salto, batendo depois com o lado da cabeça na superfície.

Por vezes eleva bem a cabeça para "espiar", ficando as barbatanas peitorais expostas.

Pode dar "batimentos caudais e peitorais" e faz surf nas vagas.

É raro "acompanhar à proa", mas pode nadar ao lado de um navio ou no seu rasto.

É típico mergulhar durante 1 a 2 minutos, depois sobe e respira uma dúzia de vezes com intervalos entre 15 e 20 segundos; pode ficar debaixo de água até 30 minutos.

Barbatana caudal pode aparecer acima da superfície quando mergulha.

Às vezes nada "saltitando".

Pode emergir para respirar num ângulo de 45º.

Quando caçam, os grupos estendem-se por vezes numa longa linha. Alguns são grupos muito tímidos, mas outros deixam-se aproximar.

Distribuição: Bastante abundante, a distribuição é ampla. Prefere as águas profundas do largo, mas pode ser visto perto da costa em volta de ilhas oceânicas e onde haja uma estreita plataforma continental.

Na Grã-Bretanha e Irlanda, maioria dos registos dentro dos 8 km costeiros. Nos EUA, encontrado sobretudo perto do extremo da plataforma.

Presente durante todo o ano na maior parte da área, apesar de poder haver um movimento sazonal costa/largo em algumas áreas.

Encontrado por vezes em regiões mais frias durante os meses de Verão.

Alimentação: cefalópodes, por vezes peixes.

http://www.golfinhos.net/pt/portal/especies/familia-dos-golfinhos/golfinho-de-risso.html



segunda-feira, 6 de julho de 2009

Sou sincera: nunca percebi o ditado popular “Morrer de pé como uma árvore”. Nunca entendi simplesmente, por que não acho que ficar parado, sem nada fazer, sem recorrer a todos os recursos, seja digno. Acho que se deve morrer a lutar e as árvores não o podem fazer. Alguém o tem que fazer por elas. Assim o ditado nada me diz e continuo a achá-lo absurdo.

A verticalidade deve-se a uma constante moral e não ao facto de nos mantermos de pé e estáticos. Quando morrer que seja a lutar por algo, que seja a correr, a rastejar no chão, a fazer amor com quem amo, que seja a lutar contra uma doença numa cama de hospital, que seja a combater um fogo, a salvar alguém que se afoga, com um tiro a lutar por algo que acredito, que seja acorrentada a uma árvore, mas que seja a morrer de forma activa.

Recuso-me a morrer como uma árvore.

 

PS.: Obrigada Entremares, por me teres inspirado (aqui).

sexta-feira, 5 de junho de 2009

tristeza01 Como eu gostava de ter superpoderes, um dom especial e secreto que me fosse útil nestas horas. Como eu gostava de te abraçar nos meus braços e aquecer o teu coração com amor. Como eu gostava de te beijar e sugar de ti toda a amargura, angústia e temor. Como eu gostava de te falar e que as minhas palavras, a minha voz te servissem de consolo e remédio para a tua dor.

Como eu gostava de ser capaz de transferir toda a tua tristeza e juntá-la à minha, para que não sofresses nem mais um segundo, nem mais um fôlego. Como eu gostava de poder transformar tudo isso em coragem e esperança!

Como eu gostava! Oh, meus Deus, como gostava! Mas não posso! Não consigo! Não sei como!

Eu falo-te, mas não sirvo de consolo, eu abraço-te mas o teu coração gela com o desgosto, eu beijo-te e sinto a angústia, a revolta e a dor, darem voltas dentro de ti, da mesma forma como se revolvem dentro de mim.

Mana, minha querida e adorada irmã, carne da minha carne, sangue do meu sangue, eu quero devolver-te o bebé, que prematuramente perdeste, o meu sobrinho ou sobrinha, que ainda antes de nascer já era amado. Quero silenciar esse grito mudo que ecoa na tua alma, quero absorver todo esse negro que se pinta dentro de ti e torná-lo só meu. Eu quero mana, eu quero, juro-te que quero… mas não posso, não consigo, não sei como.

Apenas o tempo pode, mana.  Apenas o tempo sabe!

Somente posso chorar contigo, gritar e revoltar-me e, por fim, carpir.

terça-feira, 12 de maio de 2009

25622Uma amiga muito querida, andava feliz há dois anos, a viver com quem ela pensava ser a sua cara-metade, quando de repente e do nada, o rapaz chega uma noite a casa e depois do jantar preparado por ela, diz:

- Não estou preparado para uma relação séria. Sabes que eu vejo em ti uma amiga muito especial, uma grande amiga. Acho que esta nossa predisposição para vivermos juntos assim tão bem, deve vir de uma relação Kármica, passada, onde tu deves ter sido minha mãe. Mas sabes, tal como em todas as relações entre mães e filhos, está na hora de eu sair de casa e de tu me deixares ir.

Não admira que a minha amiga não se consiga encontrar depois deste duro golpe.  Reencontrar o seu Eu, o seu amor próprio, a sua auto-estima e não admira (por mais absurdo que eu ache) que ela tenha tentado acabar com tudo. Talvez tenha sido a sua forma tortuosa de gritar que queria começar do zero, esquecer todo o passado, olvidar todo o Karma (como começo a odiar esta palavra).

É que em meia dúzia de baboseiras romantizadas, aquele espécime de energúmeno, reduziu-a a uma presença fantasmagórica, a uma alma transviada, perdida no tempo e agarrada, aprisionada, agrilhoada a uma existência onde é obrigada a viver, vezes sem conta, as mesmas relações, a ser mãe sem nunca ter parido, a ser amiga quando queria ser amante, a ser nada quando queria ser tudo.

Mas amor, tudo isso não interessa, eles não interessam. Tu não és menos mulher apenas porque os homens vivem, eternamente, num complexo freudiano, onde Édipo e o Peter Pan, são os modelos a seguir. Tu não és menos mulher, simplesmente porque esse “bife” idiota ainda não era o homem certo para ti!

Tu és linda, inteligente, divertida, emotiva, cheia de salero latino e não existe nada no Mundo que mereça a tua vida e nada que apague a tua ausência.

Por favor acorda! Volta para ti. Volta para junto daqueles que te amam incondicionalmente: a tua família, os teus amigos.

Eu aguardo-te com os meus dois braços abertos!

 

 

P.S.:  Darren, meu querido! Podes ter os cinturões negros todos que quiseres, mas se eu te apanhar em Portugal, ou noutro local qualquer, podes ter a certeza que te enfio a relação Kármica, por um certo orifício.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Nos últimos tempos tenho visto em tudo quanto é lado o apelo ao medo. Os jornais atiram com notícias sensacionalistas de pavor e pânico nas ruas, fazendo crer que basta colocar o pé fora de casa para sermos assaltados, ou vítimas de um novo desporto radical a que teimam chamar "carjacking".
As pessoas andam na rua cheias de medo, telefonam umas às outras a dizerem: "Tem cuidado, não saias à noite, nunca sozinha!", etc... etc... e tal. Ensinam aos filhos a disciplina do medo e transmitem os seus próprios receios aos outros. OK. É verdade que as coisas estão a caminhar para algo mais estranho, mais complicado, mas não devemos ser nós, a ter medo. Quem deve ter medo, são os próprios assaltantes, ladrões, gatunos. Eles é que devem de ter medo das repercussões dos seus actos. Nós não temos que alterar o nosso estilo de vida, apenas para que eles se sintam menos tentados. Agora ter medo?! Ter medo de viver, de sair, de caminhar, de contemplar a lua?! Talvez tenha mais um pouco do que tinha antes, é verdade. Sempre aprendi que os verdadeiros heróis não são os que não têm medo, mas sim aqueles que o superam. O medo é essencial para nos manter atentos, para introduzir no nosso corpo a dose certa de adrenalina que nos faz superar os obstáculos. O importante é dar-lhe apenas o lugar que ele merece: Despertador de coragem. E eu quero ter coragem de viver e de não me deixar encarcerar pelos bandidos.
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