Mostrar mensagens com a etiqueta Professores. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Professores. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 29 de junho de 2009

DSC02278Eu fui sempre uma daquelas alunas que não se importava com a escola. A escola sempre me foi simples e muito pouco desafiante. Não me interpretem mal, não era má aluna, muito pelo contrário: achava tudo demasiado fácil e por isso mesmo, fazia coisas que me dificultavam a vida: Não sabia quando existiam testes, assim eram sempre uma surpresa e tinha que ter a melhor nota, sem ter aparecido nas aulas ou estudado e ficava sempre no grupo que sobrava nos trabalhos para média, pois raramente estava nas aulas em que eram atribuídos (apesar disto ter começado a correr contra os meus desígnios, pois como acabava por fazer os trabalhos quase sozinha e tinha sempre excelentes notas, os meus colegas do liceu, começaram a disputar-me na atribuição dos grupos, mesmo sem estar presente).

Sempre fui uma pessoa que inicia coisas, adoro inícios e tenho uma alergia muito especial a fins. Sempre que algo está prestes a começar eu fico excitada, empenho-me a fundo, dou o melhor que tenho (mas guardo sempre um pouco para os momentos em que adrenalina descarrega, mas isso é outra história) e assim era, com cada ano lectivo. Nos últimos dias de Verão, começava a preparar os cadernos, lia os manuais e os livros que sabia que ia dar em Português, adiantava matéria e imaginava tarefas e trabalhos em grupo que sabia de antemão que iriam ser feitos em determinadas disciplinas e ficava muito empolgada. Jurava que não ia faltar a uma aula, a um dia que fosse, que ia estudar para todos os testes e ia ser muito participativa. Conseguia fazer três trimestres em três semanas, sozinha, eu com os meus livros e depois, começavam as aulas e alistava-me em tudo quanto era grupo extracurricular: a Iris estava no grupo de teatro, no grupo de Alemão, fazia parte dos fundadores do Ecoclube (este tal como o teatro, levava muito a sério), do Clube  de Fotografia, fazia parte das listagens para as associações de estudantes e invariavelmente tornava-me uma vogal das mesmas, fazia parte da rádio da escola e um sem fim de outras actividades para as quais me pediam ajuda e eu nunca dizia que não.

Mas as aulas começavam, os toques começavam, todos nos metamorfoseávamos em carneiros, que mudavam de sala de aulas, em rebanho, de 55 em 55 minutos, ao toque de uma campainha, tal qual cães de Pavlov e eu perdia, toda e qualquer força de vontade e começava a faltar. Faltava dias seguidos, aparecia a uma ou duas aulas por dia, durante semanas (sim, porque biologia, português, filosofia e educação física, eram aulas às quais eu tentava não faltar, menos biologia, que o que se aprendia era tão fácil, que não precisava das aulas para ter excelentes notas, mas gostava da professora e da matéria e por isso fazia um esforço para aparecer, acreditem que era um esforço.

Aparecia em todos os grupos e assim os professores sabiam que eu estava viva e bem. Muitos conversavam comigo, com aquele tom paternal e diziam-me que deveria ir às aulas mais vezes, mas eu não conseguia, nem mesmo quando queria muito fazer-lhes a vontade.

Adorava a cara que o meu professor de Português fazia quando eu aparecia no clube de teatro, ao fim do dia, fresca que nem uma alface e depois dizia com o tom mais sério que conseguia manter:

- “Ao menos podias aparecer de vez em quando! Só e apenas para me dares a vã ilusão de que sou teu professor. Não fazias isso por este pobre homem?!” – e eu, que fingia estar muito preocupada com o ar sério dele, acenava com a cabeça que sim e depois desatávamos os dois a rir.

Se me perguntarem porque é que eu gostava tanto de português e porque é que passei a gostar tanto de teatro, eu sei exactamente o que responder: foi por causa do Professor António, meu professor de Português do 7º ao 10º ano, o que me convidou para fazer parte da peça Antigona, que mais tarde veio a dar nome ao grupo de teatro, por ter sido a primeira pessoa com que pude falar de Margarite Durás, Milan Kundera, Yukio Mishima, entre outros, por ter sido sempre mais meu amigo, que professor.

Aprendia muito mais fora de aulas do que dentro daquelas salas claustrofóbicas, castradoras, e por isso mesmo, fiquei conhecida no liceu, como a Baldas e mais tarde, na Universidade, representaram-me no Livro de final de curso com a cena do filme de Chuck Norris, com a minha caricatura a sair da água, vestida com a minha farda de escuteira, faca de mato nos dentes e com as letras a formarem: Desaparecida em Combate.

Nunca perdi um ano, nunca deixei uma disciplina para trás, tive sempre boas médias, mas fui sempre uma Baldas.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Não quero acusar ou defender ninguém e antes de continuar com esta mensagem tenho que confidenciar, que tenho evitado ouvir noticiários nos últimos dias e até lido jornais, simplesmente porque já não aguento com tanta incompetência e ineficácia, tanto dos jornalistas, como do governo, como do Mundo, como de mim, que me sinto impotente para fazer seja o que for para mudar o rumo das coisas. Mas acontece que quando se sai todos os dias para trabalhar e todos os dias se abre a internet, não ser bombardeada com a notícia do momento é impossível e foi o que aconteceu esta manhã.

Li esta notícia linkada por um outro blog (aqui), e antes de ter ouvido a gravação, o primeiro pensamento, foi:

“É impossível distanciar a História do sexo. O sexo esteve e está presente em todos os grandes acontecimentos históricos. As orgias sexuais, faziam parte integrante da cultura de todas as sociedades pré-cristãs (gregos, romanos, egípcios, otomanos e até pré-históricas), pelo que não vejo como podem suspender uma mulher por ter abordado o assunto durante uma aula de História. As “crianças” aos 15 anos já não são inocente e têm obrigação de saber o que é o sexo, como se faz e o que se faz com o mesmo (é claro que ninguém aos 15 anos é criança e tratá-las como tal, resulta de uma infantilização que apenas favorece os adultos que se tornam mais válidos na sociedade com o retardar da independência dos jovens).”

Infelizmente, o meu pensamento teve que ficar por aqui, pois o que se passou naquela sala não foi nada do que estava a imaginar e a prepotência, a ignorância, a ineficiência e a simples inexistência de qualquer resquício de um professor de qualidade naquela senhora, é simplesmente atroz. É pena que a maioria dos professores de hoje, sejam incapazes de introduzir o sexo como um tema natural nas suas aulas, que seja incapazes de manter uma conversação casual sobre o assunto e que se reduzam a isto. Desta forma o sexo continuará a ser visto pelos pais e pela sociedade como um tabu, um monstro, do qual se tem que avisar às crianças para fugirem, denunciarem e queimarem na fogueira.

Sinto-me triste, desolada e durante mais algum tempo, vou voltar a introduzir a minha cabeça no buraco, como uma avestruz.

Subscribe to RSS Feed Follow me on Twitter!