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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Hoje uma colega minha de trabalho, teve que conversar com um Instrutor da força aérea  sobre um trabalho de emblemas que andamos a fazer para eles.

Escusado será dizer que ela repetiu mal a patente do senhor uma milhão de vezes sem conta e foi corrigida pelo dito senhor, um milhão de vezes sem conta em igual medida.

Para além de falhar a patente do dito interlocutor, falhou quase todas as patentes sobre as quais os emblemas bordados eram baseados, porque convenhamos, os emblemas não têm legendas e a pobre moça não tem obrigação de  saber o que significam.

No fim da conversa a minha colega desculpou-se com a seguinte frase:

«Peço desculpa por me ter enganado tantas vezes, mas a Força Aérea não é o meu forte.»

Eu comecei a esboçar um sorriso assim que ela disse a frase devido à forma dissimulada com que ela escondeu um ligeiro esgar de gozo. A gargalhada seguiu-se com o desligar do telefone e com o desabafo do desespero dela:

«Não lhe podia dizer que a única coisa que me interessa na farda dos militares é o que está por baixo dela!»





segunda-feira, 28 de julho de 2008

Corta com a faca as cordas que a atam à cama e desfaz-se dela com uma displicência pouco comum nele. Acaricia-lhe o rosto. Tenta adivinhar quantos anos de vida tem aquele anjo, que ele mantém como seu refém. A sua anatomia confunde-o. Pensa que ela não deve ter mais de dezasseis anos, talvez ainda menos, apesar daquele corpo apresentar uma desenvoltura pouco comum, para tão pouca idade. O que o leva a pensar assim é o seu rosto e os cabelos escuros como o manto da noite que os envolve, que cobrem por completo o corpo até a cintura. “Sim!” - pensa ele – “O teu rosto denuncia uma adolescência menosprezada.”

A respiração dela acelera e a sua pele arrepia-se de frio. Ele afasta-se, mas apenas o suficiente, para poder observar a penugem loira que se irriçou. Ele sorri. Aquilo agradava-lhe. Apercebe-se que em breve ela acordará, recuperará os sentidos e afasta-se um pouco mais. O corpo dela treme agora de frio, naquela húmida tenda. Ele quis, num instinto paternal, tapar a sua nudez, mas numa disciplina militar, deteve-se.
 
Ela, até agora envolta num doce entorpecimento, começa a readquirir a consciência. Acordou aos poucos. Começou por sentir o frio na sua pele, depois a dor física de uma batalha que perdeu. Tentou por último abrir os olhos e com grande custo, acaba por ser bem sucedida. Um tecto de lona verde caqui, é o que vê primeiro. Esta foi a primeira imagem desta nova consciência. A segunda era-lhe transmitida em forma de sombra chinesa, fenómeno provocado pela luz bruxuleante dos candeeiros de petróleo, mas foi o suficiente para perceber que não estava só e num gesto instintivo, assume uma posição virginal, sentando-se naquela fria cama de campanha, agarrando junto do seu peito, os joelhos, como se, com o corpo colocado em tal posição, criasse uma concha que a iria proteger do olhar e das intenções daquele que partilhava com ela, aquele lugar.
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