sexta-feira, 3 de julho de 2009

Um dia destes alguém virá por mim aqui escrever e virá para comunicar aos poucos mas leais leitores que eu morri…

Não pensem que será por doença ou outra qualquer efeméride que devam lamentar, pois a razão será a seguinte: Se me oferecerem droga mais uma vez que seja no Rossio ou na R. Augusta, em plena luz do dia e à hora do almoço, eu vou-me a eles. A sério que vou. E será uma guerra!

As razões para ter chegado a este ponto de rotura, são várias,:

1º  - Não tenho aspecto de drogada e sinto-me ofendida por acharem que sim,

2º  - É à luz do dia e estamos muito longe dos consumos espontâneos da noite, como os que podem surgir junto das discotecas e clubes nocturnos, ou do Bairro Alto, antiga morada destes párias e assassinos.

3º – Porque estão fartos de fazer o mesmo com o meu primo de 21 anos (e que eu continuo a ver como um miúdo que tenho que proteger) e à minha prima de 16 e percebo nos seus olhares quando me contam, o constrangimento e a vergonha.

4º -  A polícia está mesmo ali ao lado, a guardar as joalharias e nada faz e não me venham com desculpas, de que se eles forem para lá eles mudam de lugar, pois eu acho que devem mudar, que mudem para qualquer outro lugar, como por exemplo para uma cadeia sobrelotada, sujeitos a tudo aquilo, e sem cair nos habituais clichés, acontece nas cadeias, pois é o lugar deles, desses criminosos, traficantes, assassinos.

Ainda me lembro numa das primeiras vezes que fui ao Bairro Alto e um rapaz perguntou-me entre dentes “Axixe?”, ao que eu na minha inocência, achei o máximo e respondi, “Sim, estou fixe, e tu?!”

Já passaram muitos anos desde esse dia, em que não me passou pela cabeça que me estariam a oferecer droga numa rua cheia de gente! E sinceramente?!

ESTOU FARTA!

9 Ideia(s):

Jorge Freitas Soares disse...

Já passaram uns 15 anos desde que sai de Lisboa.. pelos vistos nada mudou... já naquela altura era assim, No Rossio, nos restauradores, na avenida da Liberdade... a qualquer hora do dia.

Há coisas em Portugal que eu não consigo entender... muitas coisas.

Bom fim de semana
Jorge

entremares disse...

A nossa Lisboa... já a deixei há mais de 20 anos, mas há coisas que não mudam...

Morava eu no bairro da Encarnação e, claro está... às vezes perdia-se o último autocarro ( o oito ) do areeiro e cruzes, canhoto... vá de fazer a Gago Coutinho a pé...

Lembro-me tão bem daquela "fauna", também a oferecer o seu produto, ao longo da avenida, tal como no rossio...

E no mercado do relógio, aos fins de semana? Aquilo era em quantidade industrial... e não havia policias ... apesar de toda a gente saber o que se passava...

Pelos vistos, pouca coisa mudou, não é?

PS: Ainda bem que não és uma árvore, nem queres morrer de pé. A minha filha mais pequena chama-se... IRIS... ( eu sei, abriste a boca de espanto ) e também quero que ela seja uma lutadora...

( Isto são conversas de outro blog, eu sei... )

Iris R. Costa Barroso disse...

Jorge,

Pois nada mudou mesmo...

Beijo,

Iris R. Costa Barroso disse...

Entremares,

Eu também costumo fazer um caminho cheio de fauna interessante. Desço, todos os dias que não chovem, dos Anjos até ao Rossio, para apanhar o comboio e para fazer algum exercício. Digamos que me sinto num género de safari na selva urbana.

É verdade que fiquei com a boca aberta! Iris, continua a ser um nome pouco comum e pouca gente dá importância a uma Deusa menor, que apenas transportava mensagens dos Deuses aos Humanos!Por isso, também espero que ela seja uma lutadora.

E nada de achar que este espaço não serve para falar de outros blogs, pois a sinergia e a interacção são uma das principais razões para ter começado um blog. Aqui fala-se de tudo, de todas as ideias e pensamentos, por mais arbitrários que sejam, serão bem vindos. Apenas por isso aprovo todos os comentários e tento responder a todos.

Inclusivamente havia pensado em colocar aqui a minha resposta à mensagem do teu blog, como um post.

Talvez ainda o faça!

Um beijo grande!

Devir disse...

Iris, sinto muito, apesar de não poder oferecer a grandiosidade de um escritor, ou de um poeta, eu não resisti e estou aqui para deixar meu testemunho, ao menos.
Meu caminho até aqui foi assim:
1- blog A Vida Não Vele Um Conto, de uma pessoa muito linda e fera, Marcia Barbiere.
2- blog Entremares, que deixou um conto impressionante naquele, onde eu me vi, minha vida, completamente retratada em metáfora do Muyama.

Bom, estando aqui, adorei sua revolta contra os traficantes, a forma simples e sincera como a abordou. Porém, adorei muito esta pessoalidade em posts e comentários. E vi que não é uma reserva para os mais duradouros amigos , confesso que invejei, lá no meu espaço/tempo/blog tal desprendimento parece impossível.

Um grande abraço

Iris R. Costa Barroso disse...

Devir,

Sinceramente, ao princípio fiquei sem perceber porque sentia muito, mas depressa percebi que todos sentimos, ou não seríamos. (brincadeira de boas vindas)

É sempre bem vindo e não tem que lamentar não ser poeta, ou escritor, pois todos o somos um pouco, se não em actos, seremos em pensamentos, sentimentos, em alma.

Se o caminho para chegar ao meu blog foi: "A Vida Não Vele Um Conto", de Marcia Barbiere e "Entremares", devo sentir-me honrada, sobretudo porque se sentiu impelido a deixar aqui a sua marca, o seu desabafo. Obrigada, muito obrigada.

Quanto ao tratamento pessoal que dou aos meus leitores e amigos, é uma faca de dois gumes, algo que já me permitiu algumas agruras e é um impulso que tento deveras restringir, controlar e limitar ao mínimo do que está impresso e gravado na minha personalidade. Contudo, não entendo este espaço de outra forma e acho que se de outra forma fosse, este espaço deixaria, quase que, automaticamente, de existir.

O Mundo é o que fazemos dele e este espaço faz parte do meu Mundo.

Volte sempre, mas por enquanto fique com um beijo e um abraço.

Teia de Textos disse...

Querida, gostei do seu desabafo! Gosto dos aspectos cotidianos de seu blog!
Abraços! :D

Iris R. Costa Barroso disse...

Teia,

Andava desaparecida.

Ainda bem que gosta, não são muitos, mas lá vão aparecendo uns quantos leitores que vão gostando dos meus disparates.

Um beijo,

Piloto Automatico disse...

A parte mais gira (se é que se pode encontrar alguma graça nessa estirpe de parasitas da sociedade) é que o haxixe que eles vendem é aparentemente na sua maioria produto falso.
É caso para dizer que a ASAE deveria ser mais interventiva!
Bjs
F

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