«Permiti-me entretanto que dê um conselho ao meu futuro ou actual leitor, que seja efectivamente melancólico: Não deve ler os sintomas ou os prognósticos na parte seguinte, para não ficar perturbado e não extrair deles afinal, mais mal que bem, aplicando o que ler a si próprio... como o faz a maior parte dos melancólicos.»

R. Burton, Anatomy of Melancholy, Oxford, 1621, Introdução

Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012

Boas acções...

Hoje o meu dia não começou lá muito bem! Tive que explicar, de forma menos ortodoxa, a uma senhora num jeep Mercedes branco (quem quer um jeep branco?!), que decidiu colocar o seu carro ao lado do meu e impedindo-me de sair, que aquela não era a forma mais correcta de proceder.

Estive mesmo quase pronta a descer ao nível da cor do fantástico carro que ela conduzia (carro excelente, cor de mau gosto) e desatar aos berros no mesmo nível de decibéis com que a senhora afectada com a laca do seu cabelo, me presenteou  ao meu pedido para escolher outro lugar para o seu espaçoso carro, mas algo em mim disse:

- És superior a isso!

E sou! Respirei fundo e respondi num tom de voz baixo e rouco, tom que a minha voz por vezes assume, mas de forma clara e cristalina:

- Sabe?! É na realidade um problema da sua consciência! Eu pessoalmente gosto de garantir o meu lugar no céu com acções feitas no meu dia-a-dia, porque dinheiro e cartões de crédito, não vão com certeza comigo.

Fechei a porta do meu carro, com cuidado para não tocar no monstro estacionado depois do meu, respirei ainda mais fundo para conseguir sair do espaço exíguo que me ficou destinado e dei-lhe costas, deixando os neurónios da loira falsa, drogados com a goma que lhe fixava o cabelo num penteado perfeito, a tentar perceber o que eu lhe quis dizer.

Obrigada!

Obrigada por ter perdido tempo a ler estes pensamentos que habitam comigo diariamente na minha mente e que de alguma forma sinto necessidade de partilhar.

Espero que tenha tido oportunidade de partilhar alguns dos seus também.

Volte sempre.