«Permiti-me entretanto que dê um conselho ao meu futuro ou actual leitor, que seja efectivamente melancólico: Não deve ler os sintomas ou os prognósticos na parte seguinte, para não ficar perturbado e não extrair deles afinal, mais mal que bem, aplicando o que ler a si próprio... como o faz a maior parte dos melancólicos.»

R. Burton, Anatomy of Melancholy, Oxford, 1621, Introdução

Sexta-feira, 13 de Março de 2009

Loucos de Lisboa


Ala dos Namorados: Loucos de Lisboa Música: João Gil Letra: João Monge
Parava no café quando eu lá estava
Na voz tinha o talento dos pedintes
Entre um cigarro e outro lá cravava a bica, ao melhor dos seus ouvintes
As mãos e o olhar da mesma cor
Cinzenta como a roupa que trazia
Num gesto que podia ser de amor
Sorria, e ao sorrir agradecia









[Refrão]
São os loucos de Lisboa
Que nos fazem recordar
A Terra gira ao contrário
E os rios correm para o mar












Um dia numa sala do quarteto
Passou um filme lá do hospital
Onde o esquecido filmado no gueto
Entrava como artista principal
Compramos a entrada p’ra sessão
P’ra ver tal personagem no ecrã
O rosto maltratado era a razão
De ele não aparecer pela manhã








[refrão]







Mudamos muita vez de calendário
Como o café mudou de freguesia
Deixamos de tributo a quem lá pára
Um louco a fazer-lhe companhia
E sempre a mesma posse o mesmo olhar
De quem não mede os dias que vagueiam
Sentado lá continua a cravar
Beijinhos as meninas que passeiam.





[refrão]

Obrigada!

Obrigada por ter perdido tempo a ler estes pensamentos que habitam comigo diariamente na minha mente e que de alguma forma sinto necessidade de partilhar.

Espero que tenha tido oportunidade de partilhar alguns dos seus também.

Volte sempre.