«Permiti-me entretanto que dê um conselho ao meu futuro ou actual leitor, que seja efectivamente melancólico: Não deve ler os sintomas ou os prognósticos na parte seguinte, para não ficar perturbado e não extrair deles afinal, mais mal que bem, aplicando o que ler a si próprio... como o faz a maior parte dos melancólicos.»

R. Burton, Anatomy of Melancholy, Oxford, 1621, Introdução

Terça-feira, 31 de Março de 2009

Memórias Olfactivas

perfumeUm cheiro exótico, quente e luxuoso exalava do seu corpo. Era um cheiro desconhecido para ele, ela nunca cheirara assim. Era uma mistura intensa de fragrância oriental, onde aromas de amora-preta se entrelaçavam com o cheiro das orquídeas e do jasmim. Mas o cheiro não parava por aí, tinha algo mais, talvez um toque de sândalo, patchouli e baunilha. Aquele cheiro acordava nele uma sensualidade quente que o desnorteava e o remetia a outra vivências, a outra fase da sua vida muito distante da que se encontrava, desde que a conhecera.

No entanto, pareceu-lhe natural aquela mudança, ela naquela altura já não lhe pertencia, talvez quando a conseguisse de novo, ela voltasse a ter o cheiro que era só seu e para si, estritamente, reservado. Na realidade, essa ideia apaziguava-o; saber que apenas consigo ela se apresentava total e sem artifícios, que apenas consigo, ela não se escondia, que apenas consigo ela era ela e não aquela personagem que ele, com alguma dificuldade reconhecia.

2 Ideia(s):

Vulgar disse...

gostei...uma viagem quimica...
Bjs

Iris R. Costa Barroso disse...

Eu adoro conseguir viajar com as palavras... da-me a sensação de nada ser impossível.

Obrigada!

Obrigada por ter perdido tempo a ler estes pensamentos que habitam comigo diariamente na minha mente e que de alguma forma sinto necessidade de partilhar.

Espero que tenha tido oportunidade de partilhar alguns dos seus também.

Volte sempre.