quinta-feira, 23 de abril de 2009

- Ainda me vais resistir? – insiste enquanto lhe pega meigamente no queixo. Ela acena que sim e ele perde de novo a paciência. Bate-lhe no estômago, fazendo-a ajoelhar-se automaticamente, pela dor provocada. Depois mente, interpreta um papel que não é o seu, mas que ele vira ser interpretado várias vezes com sucesso. – É assim que vocês mulheres deveriam estar sempre: de joelhos, submissas. – mas ela estraga-lhe os planos e levanta-se mais depressa do que ele poderia imaginar e volta a enfrentá-lo com o seu olhar profundo e puro.

Mais do que nunca, ele teve a certeza de um treino militar, mas como? Ela tinha pouca idade, com um corpo plenamente desabrochado, mas era ainda uma criança. A verdade é que ela pouco ou nada se aflige com as suas agressões. Muito pelo contrário, estas apenas a têm tornado ainda mais arrogante e este olhar é prova disso mesmo. Mas afinal de contas, o que receava ele? Ela era apenas uma jovem mulher! Mas a verdade é que ele preferia não ter que a magoar, definitivamente, ele não se sentia à vontade com o papel que lhe tinha sido atribuído, ele era um amante, não um violador. 

Ela mexe com ele e, por instantes, ele quase preferia ter escolhido qualquer outra rapariga, daquele acampamento de escuteiros, qualquer outra rapariga, que não fosse esta, mas já era tarde de mais para isso. Ele afasta-se, tentando recompor-se e ela aproveita o momento para o baralhar ainda mais.

- Eles irão dar pela minha falta. Logo de manhã eles começarão a procurar-me e irão encontrar-me. Tenho a certeza que ele virá salvar-me. – ele riu-se. 

Ela estava a ser ingénua, ele conhecia a laia do homem com quem ela estava. Ele nunca iria colocar em causa a sua posição e reputação. Ele nunca admitiria, que estava com uma menor, no meio da noite, perdidos no mato. Ele sabia que ele voltaria para o acampamento e só no dia seguinte, quando outros dessem por falta dela, é que ele  faria qualquer coisa. Mas ele não temia isso e ela no fundo, sabia-o. 

– Porquê eu? – desta vez é ele quem não responde.
- Tu sabes que eu vou ter o que quero...a bem, ou... – hesitou – Tu é que sabes, tu é que escolhes.
- Então eu já escolhi. – ele levanta os olhos cheios de curiosidade e aguarda a resposta, como se ela fosse mudar alguma coisa – Não poderei ceder-lhe sem que primeiro, faça tudo o que estiver ao meu alcance, para o evitar. Nunca me perdoaria se o fizesse, seria muito pior para mim. As feridas do meu corpo saram, mas as da alma, ficam para sempre. – o seu corpo tremia gelado na sua nudez. – ele ri-se, mas de embaraço. 

Ele preferia muito mais que fosse outra a sua resposta. Será que ele não lhe agradava? Seria a primeira vez, mas também era a primeira vez que ele raptava uma mulher.
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2 Ideia(s):

Karlytus disse...

magnífico.. adorei! :)

parabéns!

fico a aguardar a continuação.. ;)

beijinho e um fds lindo!

Iris R. Costa Barroso disse...

Nunca cheguei a responder a esta mensagem, desculpa.

Está para breve a continuação!

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